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quarta-feira, 8 de março de 2023

8 DE MARÇO, DIA DA MULHER

Com o poema dedicado à filha, Geovana e a foto da netinha, Manuella, homenageio todas as Mulheres no seu dia

 


GEOVANA

Geralda, Wilma, Nílcia, Maria, Odete, Lucília

mãe, mulher, irmãs e filha

Geovana

E outras tantas e tontas meninas

( . . . )

eternas minas

de ouro e tintas

Geovana Chama

nana

nenê


(Do meu livro, IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005, pág. 35)


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

ALTERNATIVA ECONÔMICA


Convite do Facebbok para o lançamento do livro “Mulheres e Economia Popular Solidária” 
(Foto: Carlúcia Maria Silva)



Economia Popular Solidária

Eugênio Magno


            Os movimentos populares, cansados de medidas paliativas dos poderes públicos têm se organizando em torno de propostas arrojadas de cooperação para enfrentar o sistema capitalista neoliberal competitivo e excludente, fundamentado no individualismo e na livre concorrência sem princípios. Está em franco crescimento no país a Economia Popular Solidária, cuja proposta é a criação de um mundo mais justo, onde as relações comerciais e de desenvolvimento pessoal e ambiental possam se estabelecer de forma sustentável, respeitosa e harmônica. Nessa perspectiva, o movimento pretende, entre outras coisas, inverter a lógica das relações de trabalho: de patrão / empregado, para um modelo produtivo coletivo, onde todos tenham poder de decisão.
            Uma das maneiras que a Economia Solidária encontrou para vencer a máxima do capitalismo “cada um por si, que vença o melhor” foi trabalhar de forma conjunta, num sistema cooperativo, compartilhando os dons da natureza e os bens socialmente produzidos. Para ampliar a capacidade política e de articulação dos setores populares na esfera econômica, estão sendo criadas diversas redes de solidariedade. As redes de produtores, por exemplo, têm como propósito a industrialização de produtos, o beneficiamento de matérias-primas e a cultura da lavoura. Já as redes de comercialização, organizam centrais de abastecimento e distribuição dos produtos agrícolas, industrializados e beneficiados. Paralelamente ao trabalho de comercialização, os grupos estão estudando alternativas sustentáveis de produção, buscando novas formas de convivência com a terra e com a água. Existem ainda as redes de organizações com vistas à intervenção nas políticas públicas e as redes de consumidores, ainda em fase inicial no Brasil, que têm como objetivo favorecer o acesso a produtos naturais confiáveis a preços justos, eliminando o atravessador e valorizando socialmente os produtores das mercadorias.
            Já faz algum tempo que venho observando o movimento em nosso país e sempre tive a impressão de que tinha algo que empacava o seu desenvolvimento. Em visita a algumas feiras de Economia Solidária, pude confirmar as minhas suspeitas de que o composto mercadológico Preço era o grande vilão dessa história. Explico: embora o produto típico da Economia Solidária tenha muitos valores agregados, seu preço não me parecia compatível com o público para o qual ele era dirigido (classes média baixa e média média).
            Este aparentemente, pequeno, erro de marketing, gerava uma série de outros equívocos estratégicos, em razão do seu efeito dominó, que estavam atrapalhando consideravelmente o posicionamento desse importante movimento econômico. Tratava-se de um problema mercadológico que brecava o escoamento de toda uma cadeia de produtos que, para conquistar o mercado precisam ser solidários também e, principalmente, no preço ao consumidor final. Chamei a atenção para esse fator em vários eventos de formação popular dos quais participei ao longo dos últimos 10 anos. Hoje percebo que alguma coisa mudou no mercado da economia solidária e que os gargalos da atualidade são de outras ordens.
            A boa notícia é que os coletivos que lidam com trabalho, inclusão socioprodutiva, cidadania, economia e renda continuam na luta e têm encontrado o apoio de intelectuais orgânicos que se colocam em linha com as suas bandeiras. Exemplo disso é a pesquisa que se materializou também no livro “Mulheres e Economia Popular Solidária”, de autoria da Doutora em Sociologia, Carlúcia Maria Silva, professora da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). O lançamento da publicação, editada pela Appris, acontece na próxima quarta-feira, dia 11 de dezembro, às 18h30min no Auditório Paulo Portugal, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que fica na Avenida dos Andradas, 3100, bairro Santa Efigênia.

O texto também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.


domingo, 10 de julho de 2016

VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA E DA DESIGUALDADE

Sete estados mineradores concentram 31,2% dos casos de violência contra a mulher



Foto: Amaralina Fernandes / Fórum Mulheres Vale Jequitinhonha
Com salários mais baixos que o dos homens, a atuação feminina nas minas cresceu 28% em 2013. Os cargos preenchidos pelas mulheres vão de funções operacionais a ocupações gerenciais.
Uma pesquisa do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) revela que 18% das mulheres que trabalham na mineração não tem remuneração. Conforme o estudo, essas mulheres vão para minas, principalmente de garimpo, para ajudar os maridos.
A esse trabalho, muitas vezes considerado análogo à escravidão, soma-se a presença dos filhos, geralmente crianças, que compõe a ajuda da mão de obra familiar na mineração. 
“Muitos desses casos são recorrentes em garimpos de pedra preciosas e pedreiras sem contar com nenhuma fiscalização dos órgãos responsáveis”, observa Lourival Araújo Andrade, do Instituto Brasileiro de Educação, Integração e Desenvolvimento Social (Ibeids). 

Para ler na íntegra a matéria de Márcio Zonta, clique aqui.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A HISTÓRIA DAS MULHERES E A HISTÓRIA DA TERRA


A história das mulheres

Dib Curi


Uma das grandes discussões da atualidade é sobre o papel da mulher na sociedade. E suas lutas atuais são em relação a violência doméstica e aos salários menores em relação aos homens.
Mas existe uma outra questão importante que é a submissão das mulheres aos valores masculinos. A economia capitalista quer transformar a mulher num objeto de consumo e as nossas jovens tem aceitado esta corrupção passivamente.
Os atuais modelos ideais de mulheres são belas e sensuais, mas muitas vezes, ocas na sua falta de sentido de vida; bonecas barbie eróticas para a manipulação do mundo masculino.
Os movimentos feministas elegeram o oito de março como Dia Internacional da Mulher. A data foi escolhida porque neste dia, em 1857, operárias de uma fábrica de Nova Iorque fizeram uma greve por melhores condições; redução na carga horária, equiparação salarial e melhor tratamento. Foram trancadas na fábrica e incendiadas. 130 tecelãs morreram.
Contudo, a parte mais bonita da história das mulheres começou no período Neolítico, cerca de 12 mil anos atrás. Antes disto, vivíamos no período Paleolítico, um período pré-histórico, com 2,5 milhões de anos, quando nossos ancestrais produziram os primeiros artefatos em pedra. No Paleolítico, a primazia era dos homens caçadores e as mulheres apenas cuidavam de suas constantes e numerosas crias. Estávamos, então, no final da Era Glacial.
A partir de 10.000 a.C, a humanidade entraria no período Neolítico. Um grande degelo ocorreu na Terra e aumentou as terras para cultivo. Então, nos fixamos mais na terra, que era cultivada tanto por homens quanto por mulheres.
Enquanto no Paleolítico nosso sentimento religioso se voltava para os animais pois estes garantiam nossa sobrevivência, no Neolítico passou a valer o simbolismo da semente que alimentava os humanos a partir do “útero” da Mãe Terra.
Assim, a energia feminina chegaria ao explendor de seus dias na Terra. Deusas da fertilidade e do amor comandavam o mundo. Haviam, nesta época, cem templos de Afrodite (ou deusa do Amor) para apenas um templo de Ares, o deus da guerra. A primazia da mulher levou o Amor ao centro da Vida.
Conforme o tempo foi passando, a mulher, por gerar a vida, foi comparada à Terra e adquiriu um poder criativo e encantatório. Este poder sinuoso do sensível e do intuitivo feminino passou a governar o mundo através das sementes depositadas na terra e do poder da lua e das águas, que davam fertilidade às plantações. Afrodite nasceu das águas, assim como Yemanjá e também Iara, a mãe das águas. Neste tempo, grandes deusas governaram a Terra: Parvati, Ishtar, Frêya, Réia, Hera, Demeter, Artemis e Athena, transformadas nas Juno, Ceres, Diana, Vênus e Minerva romanas.
A classe sacerdotal era composta por mulheres, uma vez que só elas possuiam o poder invocatório das forças telúricas e celestes, a hierofania. A primeira sacerdotiza da Grécia, que atendia no templo de Delphos, foi a lendária pitonisa “Fonema”. Hoje, a palavra fonema se trata dos sons que fazem sentido para nós, na linguagem. Da sacerdotiza é que emanava o Verbo (Logos), significado da Vida.
Três dos mais significativos mitos da antiguidade eram estrelados por mulheres: a deusa egípcia Isis, a heroína Antígona e Medéia, a mãe que matou os filhos para não se tornarem escravos.
Alguns séculos antes de Sócrates, os homens retomariam o poder no mundo. A civilização judaica, origem do exagero machista, escondeu que o deus Yavéh (Jeová) tinha uma mulher, Asherah, representada por uma árvore. O judaismo, na sede de dominar o poder criativo feminino, colocou Eva numa posição inferior a de Adão, nascida da costela do mesmo. As virtudes femininas só seriam parcialmente resgatadas através do coração límpido de Maria.
Contudo, com o domínio masculino tudo se inverteria. Passaram a haver 700 templos para o deus da guerra (Marte) para apenas um templo para a deusa do Amor (Vênus). A energia masculina negaria o Amor presente nas coisas.
A verdade é que o jeito dos homens é muito diferente das mulheres porque é baseado na competitividade, na agressividade e no domínio do território e da própria mulher. Os machos do mundo humano continuam mijando nos cantos da realidade para marcarem suas posses. Assim, o mundo permanece em tensão constante. Necessitamos do retorno do poder sinuoso, sensível e solidário das mulheres. As mulheres são mais flexíveis e adaptáveis. Em geral, são mais resistentes a dor da alma, mais afetuosas e justas. É bom lembrar que a deusa da Justiça era mulher; Temis, descendente direta da Grande Mãe Gaia.
Desde a antiguidade que as mulheres protestam contra o machismo dominante. É da época de Sócrates o famoso episódio dos Hermocópitas, onde as mulheres de Atenas deceparam, em uma só noite, o pênis de milhares de estátuas de Hermes, causando confusão na Acrópole. O próprio filósofo Platão jamais excluiu as mulheres da política e criticava muito os gregos por fazê-lo. Mais tarde, muitas mulheres provaram sua grande capacidade na política, entre elas, Elisabeth I, da Inglaterra.
Depois do assassinato da cientista Hipácia, no Sec IV, em Alexandria, vítima do bispo Cirilo, o poder masculino religioso mandou matar, nas fogueiras da Idade Média, milhares de mulheres curandeiras, acusando-as de bruxas, simplesmente, porque ninguém procurava os padres, mas preferiam consultar as doces e intuitivas senhoras xamãs. Estas mulheres resistem ainda hoje na figura das vovós dos centros de Umbanda.
A história das mulheres se confunde com a própria história da Terra, a grande mãe Gaia, nossa Pachamama. A defesa da paz e dos ecossistemas coincide com a luta das mulheres pela justiça e para reequilibrar o poder no mundo. Que todas as mulheres possam despertar do seu sono secular para reencontrarem toda a sua dignidade, sua fertilidade e o poder criativo do seu amor.


segunda-feira, 1 de março de 2010

OS HOMENS ESTÃO PEDINDO SOCORRO


A revolução alemã. ''Amparemos os homens, o novo sexo frágil''
Andrea Tarquini
Jornal La Repubblica, de 25.02.10,
com tradução de Alessandra Gussatto

"Pobre macho, estás em maus lençóis. Perdeu a guerra dos sexos, pelo menos nas sociedades mais avançadas. As mulheres, na verdade modernas como as alemãs, mas não somente, te ultrapassaram ou estão te tirando do trono em todas as áreas. Aprenderam a conciliar carreira e filhos, estudam mais e melhor, tem uma relação mais flexível com as novas tecnologias. Fumam e bebem menos, são mais saudáveis, tem uma vida mais longa, e muito raramente escolhem o crime. A situação dos homens hoje, na Alemanha e nas outras sociedades pós-industriais, é tão dramática e desesperadora que se faz necessária uma nova instituição, uma nova figura: um encarregado do governo ou um defensor público, que se encarregue de oportunidades iguais para os homens. Os quais já, não há nada a fazer, se tornaram o novo sexo frágil.
A proposta do defensor para as oportunidades iguais masculinas parece uma provocação, e é isso mesmo. Parte da conferência sobre a condição masculina, 'Novos homens. Mas é realmente necessário? Debate sobre a relação dos homens com sentimentos e emoções', que ocorreu na Universidade Heinrich Heine de Duesseldof na Alemanha, por ironia do destino, essa também já um baluarte do poder feminino: sessenta de cem estudantes são mulheres. Como os 57% dos alunos que acabam o ginásio, que são as escolas de qualidade. Resumindo, é preciso criar um novo homem, adaptá-lo ao mundo novo, mas sem tirar a sua virilidade. Não é uma piada, os sociólogos e psicólogos chamaram a atenção na conferência sobre a crise do homem. 'A promoção das oportunidades iguais nos anos 60 e 70 foi um sucesso', disse o sociólogo Klaus Hurrelmann, mas inevitavelmente as mulheres venceram à custa dos homens. 'Esquecemos-nos deles, nos associando à luta do feminismo e das mulheres'. Resultado disso é, entre outros, a dificuldade sempre maior das mulheres para encontrar o “homem certo”. Mulheres vencedoras, mas sem companhairos.
É culpa também dos homens, obviamente. Através das tempestades da revolução feminista, da queda dos Muros, da Internet, continuaram firmes nos seu papel tradicional de chefes de família que trabalha, chama a atenção Hurrelmann. Não entenderam de todo que as mulheres, especialmente as jovens de hoje, querem e sabem conciliar uma carreira e sucesso com uma família e o papel de mãe. O quadro geral descrito pelo professor Matthias Franz deixa poucas esperanças. Vejamos: bem mais homens que mulheres (60%) interrompem os estudos. As mulheres vivem em média cinco anos a mais. Sabem levar uma vida mais saudável, sucumbem menos do que os homens aos prazeres nocivos do fumo, álcool e drogas, sofrem raramente um infarto ou outras doenças cardiovasculares. Na escola e na universidade são melhores alunas, se aplicam mais, e tem idéias mais claras sobre o que querem fazer quando crescerem. “Em resumo, na educação, na saúde, mas também no que diz respeito ao autoconhecimento, os homens apresentam um quadro desesperador”. E sem uma ajudinha, institucional e política, arriscam não conseguir ter sucesso.
Até com relação ao futuro do casal não são mais eles, os tradicionais chefes de família há séculos, que decidem. Mais de uma vez é a mulher que quer o divórcio ou o fim da relação, observa o sociólogo Gerhard Amendt. E ainda: o homem que deve aceitar o divórcio ou o fim de um amor, na maior parte das vezes não reage de forma a fazer um reinício, mas sim se ensimesmando. Por anos ou para sempre. Assim como na escola ou na universidade, os machinhos que se vêem e se sentem ultrapassados pelas meninas reagem fechando-se em si mesmos, deixando-se levar pela quase dependência química dos jogos de videogame, explodindo em desesperados acessos de agressividade. Ou buscando refúgio na família, no colo da mãe e do pai, cômodo, mas sem futuro. O homem forte é, portanto, uma lenda masculina de ontem, do passado, observa o suíço Walter Hollstein, estudioso da psique masculina. O homem de hoje não soube adaptar-se a um mundo que se tornou mais feminino, no poder, mas também na cultura e nos costumes. 'Aos homens se pedem sempre mais qualidades femininas: mais comunicação, mais capacidade de demonstrar sentimentos e emoções'. Menos decisionismo, menos poder. E o homem entra em parafuso.
'Deve aprender mais empatia, entender melhor a si mesmo'. Sendo assim, talvez pareça até necessária uma política de cotas para os homens. Com cotas, com o defensor público, com os novos esforços para entenderem a si mesmos, é hora de inventar o homem novo. Capaz de adaptar-se ao novo poder das mulheres. Talvez também pronto a procurar uma carreira ou vocação de vida em campos tradicionalmente femininos, da educação aos asilos. Pobres homens, dizem os deputados de Duesseldorf, perderam a guerra dos sexos e devem ser ajudados. Senão, devagar nascerá um homem novo, ou melhor, um macho novo, também as novas mulheres têm a perder: vão faltar homens confiáveis."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)