quinta-feira, 25 de junho de 2020

ENCONTRO VIRTUAL DA PRIMEIRA TURMA DE ALUNOS DO CEFEP


(Print de tela de um momento do encontro)

1ª Turma do Curso Nacional de Política do CEFEP faz encontro virtual

A primeira turma (2006-2007) do Curso de Formação Política para Cristãos Leigos e Leigas, do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), se encontrou virtualmente no dia 21 de junho.

Com o objetivo de refletir sobre a conjuntura atual nos campos político e eclesial, em tempos de pandemia, o encontro da turma aconteceu na tarde do último sábado e durou cerca de três horas, com a participação de 28 ex-alunos. Áurea Emília, Cida de Jesus, Luiz Henrique Ferfoglia e Tales Lemos, formados pela primeira turma, organizaram e mediaram as participações no evento virtual, realizado com o suporte da plataforma digital zoom que possibilitou reunir colegas de várias regiões do país.

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sábado, 20 de junho de 2020

JORNAL NACIONAL: QUEIROZ, MARIELLE, FAMÍLIA BOLSONARO



Bonner promete voltar hoje ao JN e agita a rede: 
“Vem mais bomba contra Bolsonaro?”

Joaquim de Carvalho


William Bonner não apresenta o Jornal Nacional aos sábados, mas, ao se despedir ontem à noite, indicou que estará à frente da bancada do JN hoje.

Ele disse:

“Uma boa noite para você…

E dedo em riste, depois de uma breve pausa, emendou:

E até amanhã!”

Renata Vasconcelos olhou para ele e sorriu como se tivesse entendido o recado.

Vem bomba por aí?

Pode ser.

A internet está agitada com o enigma lançado pelo apresentador e editor-chefe do JN.

Nos últimos dias, o jornal tem passado a família Bolsonaro na máquina de moer carne.

Até a crítica Barbara Gancia está aprovando o massacre.

“Tá impossível esse JN hoje! Nível Marcelo Adnet de graça, ousadia e satisfação garantida!”, disse, por meio da rede social.

Será um sábado de satisfação garantida?

E o advogado Frederick Wassef, hein? Quando é que vai falar? Ele anda muito calado, como não é costume dele.

(Fonte: DCM)

segunda-feira, 15 de junho de 2020

ECONOMIA BRASILEIRA DESCE A LADEIRA


Contração da economia brasileira é esperada em 6,51% este ano, projeção para Selic em 2021 cai

Camila Moreira
(Agência Reuters)

A projeção para a contração da economia brasileira neste ano chegou a 6,51% e o mercado passou a ver a taxa básica de juros mais baixa em 2021, de acordo com a pesquisa Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira.
O cenário para o Produto Interno Bruto (PIB) agora é de contração de 6,51% em 2020, contra queda de 6,48% na semana anterior, enquanto a expectativa de crescimento em 2021 de 3,50% foi mantida.
O levantamento semanal mostrou ainda que a Selic deve terminar este ano em 2,25% depois de um corte de 0,75 ponto percentual esta semana. Mas a projeção para o final de 2021 caiu a 3,0%, de 3,50%.
Entretanto o Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, vê a taxa básica de juros ainda mais baixa no próximo ano, terminando tanto 2020 quanto 2021 a 2,25%, respectivamente de 2,13% e 2,75% no levantamento anterior.
Para a inflação, o mercado elevou a previsão para a alta do IPCA este ano a 1,60%, de 1,53%, mas para o ano que vem caiu a 3,0%, de 3,10%.
O centro da meta oficial de 2020 é de 4 por cento e, de 2021, de 3,75 por cento, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Já a expectativa para o déficit em conta corrente caiu a 13,95 bilhões de dólares em 2020, de um saldo negativo de 20,50 bilhões esperado antes. Para 2021 é esperado um déficit de 20,88 bilhões de dólares, contra saldo negativo de 32,75 bilhões antes.
(Fonte: Reuters)


quarta-feira, 10 de junho de 2020

34º FESTIVAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA PSIU POÉTICO



Inscrições começam nesta terça

O Grupo de Literatura e Teatro Transa Poética, em parceria com a Prefeitura de Montes Claros, abriu inscrições, até 31 de julho, para o 34º Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético.
Interessados devem enviar seus textos poéticos para os e-mails psiupoetico@gmail.com e psiupoetico.cinema@gmail.com. Esse ano serão aceitos de um a três poemas. Os textos devem ser enviados em pdf, docx ou doc. É obrigatória a identificação do autor no poema.
O artista interessado em inscrever um trabalho em vídeo deverá enviar o mesmo para psiupoetico.cinema@gmail.com, com permissão de acesso. Os trabalhos audiovisuais devem ter duração de um a dez minutos. Se o material exceder 25Mb, é necessário o compartilhamento do mesmo através de plataformas não-pagas, tais como: iTransfer, WeTransfer e Send-file. Poderão participar poetas e artistas de qualquer parte do país.
Nesse ano, por causa da pandemia, o 34º Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético, que terá como tema “Dançapalavra”, acontecerá de maneira virtual, através das plataformas digitais, redes sociais do Psiu Poético e YouTube. O evento está agendado para acontecer de 4 a 12 de outubro, e seu propósito é celebrar a poesia, promovendo o encontro (desta vez, virtual) de poetas, dançarinos, escritores e artistas de todos os lugares.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

SÓ MESMO USANDO MÁSCARAS


Máscaras de Tecido (Vera Davidova - Unsplash)


Pandemônio na República Federativa do Brasil

Eugênio Magno

Quando a vida é ameaçada por um inimigo mortal, como o coronavírus, há que se dispor de governantes e técnicos preparados e ágeis para orientar e socorrer adequadamente o seu povo, de forma universal, sem acepção de qualquer natureza. Entretanto, o que temos testemunhado no Brasil é bizarro.

A falta de entendimento entre as autoridades e a disputa política em torno da pandemia que é tema do campo científico é algo vexatório. Chegou-se ao ponto de termos um presidente que, posando de médico, receita remédio em cadeia nacional e ouvirmos horrores de uma reunião ministerial. Em vídeo, recentemente divulgado, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, disse com todas as letras que o governo deveria aproveitar que a imprensa só fala em coronavírus e passar toda a “boiada”: desregulamentações das reservas indígenas e de normas de exploração dos recursos naturais brasileiros, entre outros despropósitos. Ainda bem que o ministro do STF, Celso de Mello, teve a prudência de não permitir a divulgação de certos trechos da malfadada reunião ministerial, nos quais, alega o decano da suprema corte brasileira, conter afirmações que ferem a diplomacia internacional e que poderiam gerar sérias represálias ao Brasil.

Internamente, a situação do país é calamitosa: a economia vai de mal a pior, a constituição não para de ser rasgada, ao longo dos anos, governo e aliados radicais ameaçam rupturas com os poderes da república, ministros da suprema corte do país são insultados e constrangidos cotidianamente. Enquanto isso, continuamos sem testar a população para o coronavírus, corremos o risco de ocupar os últimos lugares na fila da vacina quando ela estiver disponível e galopamos na frente (atrás apenas dos Estados Unidos) em contaminação e letalidade pandêmica. Se desde o início de março tivéssemos cumprido os protocolos recomendados pelas autoridades mundiais de saúde já teríamos maior controle sobre a contaminação. Certamente não atingiríamos essa triste marca de mais de 33 mil óbitos, nem tampouco ocuparíamos as constrangedoras primeiras posições em contaminação e mortes pela covid-19 (dados do início da semana). Isso, sem que a doença tenha chegado ao seu pico em nosso país.

São tempos difíceis que precisam ser enfrentados com mais inteligência e disposição cooperativa, patriótica também; mas, sobretudo, humanitária. Contudo, o obscurantismo grassa no governo e, pelo menos, 30% da população brasileira ainda não acordou do delírio coletivo a que se submeteu servilmente, de forma néscia, nos últimos quatros anos, trocando o que não ia bem pelo pior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já informou aos desavisados que o novo coronavírus é de origem natural e não uma criação de laboratório. Muito menos tem nacionalidade, como andou sendo especulado por certos arautos do caos. As imagens do vírus aparecem na maioria das publicações na cor vermelha, mas o corona não é comuna e, embora, tenha surgido em Wuhan, não tem cidadania chinesa. E mais, a China não é comunista, nos moldes do que foi a União Soviética, no passado. A República Popular da China pratica o chamado capitalismo estatal. Sua economia é tão capitalista quanto a estadunidense e, a propósito do hipercapitalismo, vale lembrar que as implicações mais dramáticas do novo coronavírus, para os grupos de risco, o povo e as nações mais pobres, têm origem justamente na mão invisível do livre mercado. Esse senhor, sem nome e sem rosto, e todo poderoso é quem inviabiliza o acesso de uma expressiva parcela da população mundial infectada, aos equipamentos de tratamento que estão sendo disputados a peso de ouro. E no que diz respeito à prevenção, mais uma vez é o fator econômico e a concentração de riquezas que aparecem como definidoras das condições de saúde e higiene das populações mais vulneráveis a contaminações de toda espécie.

No caso do Brasil, além da própria questão pandêmica que por si só já é bastante trágica e complexa, estamos mergulhados em uma crise sem precedentes na história recente de nosso país. Em outros períodos históricos, vicissitudes de grandes proporções como esta funcionaram como cortina de fumaça para escamotear instabilidades de várias naturezas. De modo reverso, agora, o coronavírus colocou uma grande lupa sobre as entranhas das nossas instituições e, como se não bastasse essa visão horripilante, não há perfume que dê conta de disfarçar a inhaca que infesta nossa atmosfera tropical.

Aliás, por falar do ar que respiramos, aproveito para ressaltar aqui uma virtude do povo brasileiro, sempre presente em momentos decisivos, a sua criatividade. Uma das primeiras e principais medidas de proteção e prevenção contra a contaminação do vírus não veio de nenhum setor especializado. Ao arrepio da indústria, do setor sanitário e da lassidão e imperícia do governo de plantão, a gente simples do povo paramentou a população com máscaras caseiras, artesanais, customizando – inclusive – esse novo adereço, que ao que parece, veio para ficar por um bom tempo entre nós. Não faltaram tutoriais nas redes sociais ensinando a confecção dos mais variados modelos da proteção, utilizando de uma ampla gama de materiais.

Mas isso, apesar de sua importância, é só um pequeno detalhe. Afinal, é muita histeria pra uma gripezinha. Será que já chegamos ao fundo do poço ou o pior ainda está por vir?

O artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

PROTESTOS FECHAM MAIO DE 2020


O que é o artigo 142 da Constituição, 
que Bolsonaro citou por intervenção das Forças Armadas

Bolsonaro andou a cavalo em manifestação a seu favor em Brasília
(Foto: Reuters)

O vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro foi divulgado em meados de maio, mas continua a ter desdobramentos. Um dos principais envolve a referência que o presidente Jair Bolsonaro fez ao artigo 142 da Constituição Federal, citando a possibilidade de "intervenção" no país.
"Nós queremos fazer cumprir o artigo 142 da Constituição. Todo mundo quer fazer cumprir o artigo 142 da Constituição. E, havendo necessidade, qualquer dos Poderes pode, né? Pedir às Forças Armadas que intervenham para restabelecer a ordem no Brasil", disse Bolsonaro na reunião.
Depois disso, o artigo começou a ser citado por apoiadores do presidente para defender a tese de que as Forças Armadas seriam uma espécie da mediador da queda de braços entre o presidente e o STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou investigações envolvendo filhos de Bolsonaro. Nessa visão, o presidente poderia convocá-las para intervir no poder judiciário.
O advogado Ives Gandra Martins também defendeu essa tese. No entanto, essa interpretação é considerada totalmente equivocada por juristas e professores de direito não ligados ao governo.
Mas afinal, o que diz o artigo e o que ele significa?
Para ler a matéria de Letícia Mori para a BBC News, clique aqui.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

ABERTURA, LOCKDOWN, ISOLAMENTO SOCIAL... (?)


Abertura pós-coronavírus: as lições dos países asiáticos que começaram a abrir economias em meio a temor de novos surtos

(Foto: Getty Images)

Uma segunda onda de infecções por coronavírus não é mais uma questão de "se", mas de "quando e quão devastadora", diz a bióloga celular Jennifer Rohn, que tem estudado como a pandemia surgiu na Ásia e se espalhou por todo o planeta.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que o novo coronavírus pode ter vindo para ficar, e mantê-lo sob controle exigirá um "esforço massivo".
Até em países com estratégias eficazes para lidar com a pandemia por meio de testes, rastreamento e gerenciamento de lockdowns — como a Coreia do Sul e o Japão, na Ásia, mas também a Alemanha, na Europa — houve novos picos de infecções quando as restrições foram atenuadas.
Na semana passada, a equipe de resposta à covid-19 da União Europeia sugeriu que a Europa se prepare para uma segunda onda — e "a questão é quando e qual o tamanho", disse Andrea Ammon, diretora da equipe, segundo reportagem do jornal The Guardian.
Governos de todo o mundo agora estão se preparando para um provável segundo round contra o vírus, e seus olhos estão voltados para o Leste Asiático.
Que lições podemos tirar dos países que tiveram que lidar primeiro com a covid-19 e estão à frente do resto do mundo na curva da pandemia de coronavírus?
Para continuar lendo a matéria de Eva Ontiveros para a BBC News Brasil, clique aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

A IGREJA CATÓLICA FAZ A SUA PARTE



Solidariedade em Rede: prestação de contas atualizada



A iniciativa Solidariedade em Rede, que leva amparo aos mais pobres neste tempo de pandemia e de seus desdobramentos econômicos alcança números expressivos, que refletem as boas ações de voluntários, pessoas solidárias, em muitas comunidades de fé. São máscaras doadas, cestas básicas, kits de higiene, atendimento psicológico, jurídico e muitas outras boas ações, em 15 cidades da Região Metropolitana, incluindo Belo Horizonte.

Veja os números:
Igrejas, escolas e outros pontos de referência, que podem ser procurados pelos mais pobres: 87
Famílias amparadas: 3.050
Total de pessoas: 10.125
Voluntários cadastrados: 186 voluntários se ofereceram para fornecer orientação jurídica e psicológica para as famílias acompanhadas, além de auxílios em geral de organização, recepção e distribuição de donativos. Até agora, 182 famílias solicitaram orientação jurídica (trabalhista, acesso a políticas públicas ou violação de DH). Dessas 182 famílias, 112 já receberam a orientação solicitada.
A iniciativa Solidariedade em Rede foi apresentada pelo arcebispo metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo, no dia 12 de abril, Domingo de Páscoa. As Paróquias, unidas, estão oferecendo ajuda aos mais pobres, a partir do trabalho de sacerdotes, diáconos, consagrados, religiosas, voluntários, de diferentes lugares da Capital e da Região Metropolitana. A ideia é constituir pontos de amparo que estejam próximos dos mais pobres, de modo descentralizado, em rede.
(Fonte: Opinião e Notícias, Nº373 - Arquidiocese de Belo Horizonte)

sexta-feira, 15 de maio de 2020

PORQUE NÃO UM TURNOVER DO GOVERNO?


Pressionado por Bolsonaro, Teich pede demissão do 
Ministério da Saúde após menos de 1 mês

(Foto: Yahoo Notícias)

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira, menos de um mês após assumir, em decorrência de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, na segunda troca de comando do ministério em meio ao avanço da pandemia do novo coronavírus pelo país.
Teich vinha sendo cobrado pelo presidente a modificar o protocolo do ministério para ampliar a recomendação do uso da cloroquina no tratamento à Covid-19, apesar de o ministro ter afirmado que não considera o remédio uma solução e de ter alertado para os efeitos colaterais.
Na quinta-feira, Teich foi chamado pelo presidente ao Palácio do Planalto para tratar de mudanças no protocolo de uso da cloroquina. Bolsonaro disse a apoiadores, e depois a empresários, que iria exigir a mudança para incluir o uso do remédio no início dos sintomas.
Ao sair do Alvorada na manhã desta sexta, o presidente afirmou categoricamente que o protocolo seria mudado, apesar da oposição de Teich. A cloroquina não tem comprovação científica de eficácia contra a doença respiratória provocada pelo novo coronavírus e o atual protocolo do Ministério da Saúde prevê o uso apenas em casos graves.
Teich anunciou seu pedido demissão em nota do Ministério da Saúde no final da manhã, e anunciou que vai conceder uma entrevista nesta tarde.
Logo depois, a médica Nise Yamaguchi, que defende um protocolo combinado de cloroquina e o antirretroviral azitromicina para tratar a Covid-19, teve um encontro com Bolsonaro, de acordo com uma fonte.
Para continuar lendo a matéria de Pedro Fonseca e Lisandra Paraguassu para a Reuters, clique aqui.

domingo, 10 de maio de 2020

ATENÇÃO AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE


Solidariedade em Rede: iniciativa da Arquidiocese de BH dedica cuidados especiais aos profissionais da área de saúde

(Foto: Naasp)

O Núcleo de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial (Naasp) da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem – Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua mobilizou um grupo de psicólogos e psicanalisas para oferecer, gratuitamente, atendimentos on-line aos profissionais da área da saúde, neste tempo de pandemia da covid-19. O objetivo é cuidar da saúde mental das pessoas que estão “na linha de frente” no combate à pandemia.
Para continuar lendo a matéria clique aqui.
 

terça-feira, 5 de maio de 2020

A IMPORTÂNCIA DA RENDA BÁSICA EMERGENCIAL


No bairro campeão de mortes por covid-19 em São Paulo moradores isolam seus idosos à espera de um hospital

A família de Isabel Cristina Tibúrcio, moradora da Brasilândia (São Paulo), recebe na terça-feira, 28 de abril, uma cesta básica (Foto: Toni Pires) 

“Ih, filho, minha vida tá embaçada”. Essas são as primeiras palavras de Ilma Paulino, de 47 anos, ao ser perguntada como a pandemia de coronavírus vem afetando sua rotina. Moradora de Vila Teresinha, subdistrito de Brasilândia, em São Paulo, ela mora com seus dois filhos —um deles com depressão— e precisa cuidar da irmã com epilepsia. Por causa das idas ao médico e dos cuidados diários, não pode ter trabalho fixo há dois anos. Assim, se mantém com o auxílio de um salário mínimo do INSS da irmã e os bicos como diarista, que rendiam cerca de 200 reais por semana. “Eu arranjava esses trabalhos, mas agora nem isso estou conseguindo. As pessoas estão com medo de receber gente em casa”, conta a mulher. Enquanto conversa com o EL PAÍS, recebe uma cesta básica do coletivo Preto Império. “Se não estivessem me ajudando, estaria perdida”, afirma a mulher, que solicitou a renda básica emergencial do Governo Federal, mas ainda não obteve resposta.
Para ler na íntegra a matéria de Felipe Betim para o El País, clique aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

SOCIEDADE MUNDIAL É CONSTRANGIDA POR UM VÍRUS NA HIPERMODERNIDADE


(Imagem: Fusion Medical Animation / Unplash) 



O Vírus interroga as instituições

Eugênio Magno


Mais do que qualquer curso, disciplina e/ou formação acadêmica, a vida é pedagógica. Ainda que de forma cruenta, nos trás seus ensinamentos e nos interroga sobre o nosso destino, o futuro que estamos construindo e nos impõe – neste momento específico em que vivemos –, uma pausa para reordenar o rumo das coisas. Muito embora a letalidade da pandemia engendrada pela COVID-19 seja um fato irrefutável, a generosidade da vida no planeta para com os humanos é imensa e nos oferece agora a chance de sermos, fazermos e vivermos de forma diferente da que até então temos vivido. Resta saber se iremos tirar algum proveito desta lição. Frei Beto gosta de dizer que “é melhor deixar o pessimismo para tempos melhores”, mas diante das posições de algumas lideranças de vários países, como é o caso dos integrantes do governo brasileiro, é difícil ser otimista no atual momento histórico.
Devemos salvar a vida humana ou a economia, protegendo multimilionários e construindo riquezas sobre cadáveres? Às vezes é necessário que cheguemos ao pico de uma excepcionalidade como esta da pandemia provocada pelo coronavírus para nos darmos conta do quanto a vida humana vem sendo desvalorizada pelo próprio homem.
Em tempos de livre circulação de informações, das mais balizadas àquelas para as quais não existe sequer qualificação, é importante que tenhamos o bom senso de nos ancorarmos em reflexões sóbrias e equilibradas para, a partir desses referenciais, formarmos e emitirmos opinião. Se não, vejamos: são notórios os ataques sofridos pelas democracias, orquestrados por fake news produzidas e difundidas em massa, especialmente pelas redes sociais, gerenciadas por grupos de mídia internacionais e ideólogos hiperneoliberais e anarcocapitalistas que se utilizam justamente de prerrogativas democráticas, como a liberdade de expressão, para fazer seus proselitismos. Entretanto, essas estratégias comunicacionais abjetas, direcionadas para a conquista de corações e mentes da grande massa manipulável, têm encontrado uma dura resistência por parte daqueles que pensam e estão engajados na construção de um mundo melhor.
Na penúltima semana de abril entrou em circulação, A Cruel Pedagogia do Vírus, o mais novo livro do pensador Ibero-Americano, o português, Boaventura de Sousa Santos. Trata-se de uma obra curta da Editora Almedina (Coimbra, Portugal, abril, 2020). Aqui no Brasil, o ensaio está disponível exclusivamente em e-book, como um dos volumes da coleção Pandemia Capital, da Boitempo Editorial ao custo de – apenas – cinco reais. No livro, Boaventura argumenta, de forma didática, sobre os desdobramentos da pandemia do coronavírus (COVID-19) em uma conjuntura em que se somam várias outras crises, entre elas as de ordem econômica e política. Nas poucas páginas dos cinco capítulos do ensaio, Sousa Santos problematiza uma série de questões que se deslindam em torno da crise pandêmica, para além do factual. Tudo muito condensado, mas com indicações claras e fortes das várias feridas políticas e socioambientais mal curadas que vão ficando cada vez mais visíveis a olho nu, com o avanço da pandemia.
Embora convencido de que os fins não justificam os meios, o autor chama a atenção para o fato de que apesar das consequências negativas do arrefecimento da economia, existem também as positivas. E toma como exemplo, o fato de um especialista em qualidade do ar, da agência espacial estadunidense (NASA) ter afirmado que nunca houve uma diminuição da poluição atmosférica numa área tão vasta do planeta, como neste período de pandemia global. Diante dessa e de outras constatações e, dentre as muitas interrogações postas pelo Vírus, segundo Boaventura de Sousa Santos, destaco as seguintes: “Quererá isto dizer que no início do século XXI a única maneira de evitar a cada vez mais iminente catástrofe ecológica é por via da destruição maciça da vida humana? Teremos perdido a imaginação preventiva e a capacidade política para a pôr em prática? A democracia carece de capacidade política para responder a emergências?”.
A problemática central enfocada pelo autor gira em torno do debate das ciências sociais sobre qualidade e verdade das instituições em momentos de normalidade e em situações excepcionais – em que momento se pode conhecê-las melhor? A tese de Boaventura é de que tanto uma quanto a outra situação permitem conhecimento revelando, naturalmente, coisas diferentes. Daí ele parte para a enumeração de pontos que o ajudam na problematização das revelações decorrentes do coronavírus.
No entender de Boaventura, a pandemia apenas agrava uma situação de crise que a sociedade mundial vem sendo sujeitada a décadas, com o avanço do neoliberalismo. Mas este agravamento da crise também faz cair por terra a ideia de que não existe alternativa ao modo de vida imposto pelo hipercapitalismo. “Como foram expulsas do sistema político, as alternativas irão entrar cada vez mais frequentemente na vida dos cidadãos pela porta dos fundos das crises pandêmicas, dos desastres ambientais e dos colapsos financeiros”, argumenta Sousa Santos. Este é mais um dos imperativos que o Vírus nos dá a (re)conhecer. Assim como também podemos afirmar em uníssono com o autor que “a pandemia não é cega e tem alvos privilegiados, mas mesmo assim cria-se com ela uma consciência de comunhão planetária de algum modo democrática”. Mas, de uma democracia manca, uma vez que o darwinismo social praticado pelos chamados países desenvolvidos, em períodos de exceção como o que vivemos demonstram uma total contrariedade ao processo de avanço civilizatório.
É clara a vulnerabilidade ao vírus por parte de uma grande maioria da população mundial que sempre esteve entre os “grupos de risco” devido a precariedade da vida a que sempre foram subjugados.
Até a indicação preventiva de maior consenso mundial para trabalhar em casa, em auto-isolamento é impraticável, para vários segmentos profissionais, aqueles que fazem os serviços essenciais e os trabalhadores informais e precarizados que são obrigados a escolher entre ganhar o pão diário ou ficar em casa e passar fome. Boaventura também nos chama a atenção para o fato de que “as recomendações da OMS parecem ter sido elaboradas a pensar numa classe média que é uma pequeníssima fracção da população mundial”.
O Vírus expõe as vísceras de nossa sociedade, não somente as do capital, dos estados nacionais, dos governos, da política, das forças armadas e dos sistemas de saúde, mas de todo o conjunto das instituições. De modo particular, pensando na parte que nos cabe deste latifúndio: desvela também as entranhas da mídia, da academia, da educação, da tecnologia, do pensamento e das ciências. É numa hora como esta que se valida ou não todos os estudos, as pesquisas e a produção intelectual. Afinal, o que sabemos e o que podemos fazer com o que sabemos, para minimizar os impactos de uma situação tão crítica e letal como esta?

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

sábado, 25 de abril de 2020

BOLSONARO E MORO TROCAM GRAVES ACUSAÇÕES


Bolsonaro nega interferência na PF e 
acusa Moro de negociar troca de comando por vaga no STF

(Foto: Adriano Machado/Reuters)

BRASÍLIA (Reuters) - Cercado por seus ministros, o presidente Jair Bolsonaro rebateu nesta sexta-feira as acusações do agora ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que deseja interferir politicamente na Polícia Federal, e afirmou que o ex-juiz tentou negociar a troca no comando da PF por sua própria indicação a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Mais de uma vez o senhor Sergio Moro disse para mim: ‘Você pode trocar o (Maurício) Valeixo, mas em novembro, depois que você me indicar para o Supremo Tribunal Federal’”, disse Bolsonaro em pronunciamento com 45 minutos de duração, no Palácio do Planalto, citando o agora ex-diretor-geral da PF.
Bolsonaro decidiu no início da tarde responder à fala de Moro depois de discutir o assunto com seus ministros mais próximos. O ex-juiz da Lava Jato pediu demissão pela manhã e acusou o ex-chefe de tentar interferir na PF e em inquéritos que tramitam no Supremo ao exonerar Valeixo.
O presidente assistiu ao pedido de demissão de Moro em seu gabinete com os ministros palacianos Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), e se manteve reunido com eles, de acordo com uma fonte, até a hora de fazer seu próprio pronunciamento.
Inicialmente previstos para se reunirem no Planalto para discutir o programa Pró-Brasil, os demais ministros, além do vice-presidente Hamilton Mourão, foram convocados para comparecer ao pronunciamento com Bolsonaro. Só não estavam presentes Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo.
Três deputados também compareceram para prestar apoio ao presidente: Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Helio Lopes, todos da ala do PSL ainda aliada a Bolsonaro.
Em seu pronunciamento, Bolsonaro negou ter a intenção de interferir na PF, mas reconheceu que solicitou informações a respeito de determinadas investigações, incluindo os inquéritos sobre a morte da vereadora Marielle Franco e da facada que ele próprio sofreu durante a campanha presidencial de 2018.
O presidente admitiu que pediu à PF que interrogasse um ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro acusado de envolvimento no assassinato de Marielle, cuja filha teria namorado seu filho mais novo, Jair Renan, e revelou ter consigo uma cópia do depoimento.
“Eu fiz um pedido para a Polícia Federal, quase com um por favor: chegue em Mossoró e interrogue o ex-sargento. Foram lá, a PF fez o seu trabalho, interrogou e está comigo a cópia do interrogatório”, disse o presidente. “Mas eu é que tenho que correr atrás disso? Ou é o ministro? Não é a Polícia Federal que tem que se interessar?”.
Para ler, na íntegra a matéria de Lisandra Paraguassu, para a agência Reuters, clique aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

MESSIANISMO ESTADUNIDENSE


EUA acreditam ter "missão messiânica" contra comunismo, 
diz vice-ministro venezuelano

Carlos Ron Martínez foi encarregado de negócios da Venezuela em Washington 
antes de ser expulso do país pelo governo Trump, em 2018 
(Foto: Sul21)

A Venezuela tem sido alvo de uma série de ameaças pelo governo dos Estados Unidos. Desde que em 2015, o presidente Barack Obama decretou o país como uma "ameaça inusual à segurança dos EUA", foram aplicadas uma série de medidas coercitivas, que caracterizam o bloqueio econômico.
A administração Trump manteve a postura agressiva, e em maio de 2018, o governo bolivariano declarou como "persona non grata" o encarregado de negócios de Washington, Todd Robinson, no território venezuelano. 
O anúncio veio logo depois que a Casa Branca não reconheceu o processo eleitoral que reelegeu Nicolás Maduro como presidente e emitiu novas sanções econômicas contra o país.
Em resposta, o governo Trump deu 72h para que todos os funcionários venezuelanos deixassem Washington. 
Em março de 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou o chefe de Estado venezuelano e outras 12 pessoas de suposto crime de narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráficos de armas. Mesmo sem apresentar provas, o procurador geral William Barr anunciou uma recompensa de 15 milhões de dólares pelo "resgate" dos indiciados.
Já no dia 1º de abril, o secretário de Estado, Mike Pompeo e o enviado especial para a Venezuela, Eliott Abrams anunciaram o "Marco Democrático para a Venezuela", uma proposta de governo de transição e convocatória de eleições até o final de 2020. O documento previa a formação de Conselho de Estado que iria administrar o país de maneira provisória, sem o presidente Nicolás Maduro, sem o deputado Juan Guaidó e com apoio das Forças Armadas. Em troca, os Estados Unidos levantariam progressivamente as sanções contra a Venezuela.
Ainda no mesmo mês, o presidente Donald Trump anunciou o início de um operativo militar antidrogas, no Mar Caribe. Apesar de que cerca de 80% do fluxo do narcotráfico atravesse a costa ocidental do Oceano Pacifico, pelas costas do Equador e da Colômbia, as frotas estadunidenses cercaram o lado oriental, bloqueando a costa venezuelana. O conjunto de medidas adotadas nas últimas semanas acentua as tensões entre Caracas e Washington.
Carlos Ron Martínez, era o encarregado de negócios da Venezuela nos Estados Unidos desde 2017. Hoje, já em Caracas, atua no governo bolivariano como vice-ministro de Relações Exteriores para América do Norte. 
Em entrevista para o Brasil de Fato, tratou sobre a política exterior venezuelana, a relação com o governo estadunidense e o futuro do governo Trump.
Para ler a entrevista que Carlos Ron Martinez concedeu a Michele de Mello para o Brasil de Fato, clique aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

PERSEGUIÇÃO À CIÊNCIA


Quando a ditadura perseguiu cientistas e interrompeu pesquisas: os 50 anos do 'Massacre de Manguinhos'

(Foto: Acervo da Casa de Oswaldo Cruz - COC)

Quando soube de sua cassação, o entomologista (estudioso de insetos) carioca Sebastião de Oliveira, de 52 anos, custou a acreditar. "Você esquece que hoje é 1º de abril?", rebateu ele à técnica de laboratório do parasitologista Herman Lent que lhe dera a notícia.
Dali a pouco, o telefone tocou. Do outro lado da linha, alguém confirmava a cassação: "Está dando na Rádio Globo". Só depois de ouvir o noticiário é que ele se convenceu. Não foi o único.
Naquele mesmo dia, o químico Moacyr de Andrade, também cassado, procurou o amigo Lent, referência mundial no estudo do barbeiro, o inseto transmissor da Doença de Chagas, para lhe dar a triste notícia: "Não precisei falar nada: o Herman tinha os olhos marejados", contou Moacyr, em 1986.
No dia 1º de abril de 1970, pouco mais de um ano depois do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Sebastião de Oliveira e Moacyr de Andrade foram dois dos dez cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), embrião da atual Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tiveram seus direitos políticos cassados. Foram aposentados compulsoriamente e impedidos de trabalhar em qualquer instituição pública do país.
Para acessar a matéria completa de André Bernardo para a BBC News Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

PANDEMIA DE CORONAVÍRUS


Brasil entra em feriadão com isolamento em queda, 
mortes em alta e pressões contra a quarentena

Movimento no Viaduto do Chá durante a quarentena, em São Paulo.
(Foto: Ravena Rosa / Agência Brasil) 

Especialistas apontam que pandemia entra em segunda onda com focos de disseminação para além das metrópoles. Doria fala em prender quem infringir regras a partir de segunda

No momento em que enfrenta ainda a fase inicial da epidemia de coronavírus ―com 941 mortos e 17.857 infecções―, o Brasil se prepara para atravessar dois feriadões nos próximos dias em um contexto em que os brasileiros começam a relaxar o isolamento social e a aumentar a circulação nas ruas em todos os Estados do país. O afrouxamento individual se soma à escassez, até o momento, de medidas mais duras dos governantes para reduzir o fluxo de viagens. E começa a ser observado em um momento em que o país sequer entrou na fase mais aguda da crise, quando há transmissão descontrolada da doença, mas cujo sistema de saúde já sofre a pressão da pandemia.
Em meio a uma alta demanda reprimida de testagem, com longas filas de espera para a notificação dos casos positivos da Covid-19, o número brasileiros infectados conhecido ainda está distante do real. Especialistas explicam que estamos a cada dia observado um retrato de duas ou três semanas atrás e projetam que, estatisticamente, o país já pode ter rompido a marca de 86.000 casos. Apontam ainda que, se o país viveu uma primeira onda de disseminação da doença concentrada nas metrópoles, agora já enfrenta uma segunda onda com focos de disseminação no interior, que têm estrutura para tratamento de casos graves mais precária e muitas vezes dependem das cidades de referência, que já sofrem o aumento da demanda.
Para ler a íntegra da matéria de Beatriz Jucá, de 09/04.2020, para o El País, clique aqui.

domingo, 5 de abril de 2020

ATENÇÃO ESPECIAL AOS IDOSOS


Pastoral intensifica orientações dedicadas 
à proteção da saúde dos idosos

A Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de Belo Horizonte realiza importante trabalho de prevenção à pandemia do Coronavírus, em sintonia com as orientações da coordenação nacional. Para evitar expor idosos e enfermos a riscos de saúde, as visitas às casas foram substituídas por ligações telefônicas e mensagens. As capacitações, oficinas e assembleias só serão retomadas quando tudo se normalizar.
Segundo explica a coordenadora da Pastoral da Pessoa Idosa na Arquidiocese de BH, Evelina da Silva Soares, os líderes de pastoral entram em contato com a pessoa no dia em que a visita costuma ser realizada para se informar sobre o estado de saúde do idoso, se precisa de algum tipo de ajuda, além de orientar sobre os cuidados de higiene específicos na prevenção da pandemia e sempre deixar uma palavra de fé e esperança.
O trabalho da Pastoral da Pessoa Idosa é fundamental no amparo dos mais pobres, pois muitos não têm a quem recorrer. O país tem a quinta maior população de idosos do mundo, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São quase 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos. E a Pastoral conta com uma rede de 25 mil líderes e presta atendimento a 170 mil idosos no Brasil.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os idosos compõem o chamado grupo de maior risco, ao lado de pessoas com doenças crônicas, asmáticos, com doenças do coração e fumantes. Isso significa ser esse o grupo mais vulnerável quanto à proteção da imunidade ao coronavírus.

Os líderes da Pastoral têm reforçado junto aos idosos e a seus familiares as orientações das autoridades de saúde pública:
Manter os idosos em distanciamento social, evitando, sobretudo, o contato com jovens e crianças, para evitar que se contaminem com o vírus.
Dar atenção à pessoa idosa e verificar se está precisando de ajuda.
Oferecer para ajudar os idosos da vizinhança que estejam enfrentando alguma dificuldade neste momento.
Por meio das redes sociais e ligações por telefone, amigos e parentes podem se fazer presentes e monitorar as necessidades dos vovôs e vovós.
Observar os cuidados com a higienização lavar as mãos com maior frequência e usar álcool gel quando não for possível.
Colaborar com os idosos em suas necessidades materiais: ajudár a fazer compras, tomar vacinas e cuidar para que se alimentem corretamente.
Valorizar a memória e a importância do idoso – eles guardam não só lembranças, mas o sentido, o sabor e a cultura da vida.
Necessário escutá-los com carinho e manter o contato afetivo para não deixá-los ficarem tristes e isolados, pois isso afeta a sua imunidade.
Olhá-los com amor, respeito, ternura e admiração.
Fazer com que se sintam importantes para a família, para o futuro da nação e que não se sintam descartáveis.
Fazer preces e rezar, com eles, um Pai-Nosso e uma Ave Maria pode ser um gesto bem simples e efetivo para se sentirem fortalecidos.
Proteger os direitos dos idosos, especialmente a renda a que eles têm direito.
Para ler a carta da Pastoral dos Idosos de todo o país, clique aqui
(Fonte: Arquidiocese de Belo Horizonte)

quarta-feira, 1 de abril de 2020

A REPÚBLICA NA UTI


(Foto: Eugênio Magno)


Oportunistas, apocalípticos e proféticos
em tempos de contaminação global

Eugênio Magno

O que dizer em hora tão urgente? Algumas pessoas em grupos de redes sociais têm reagido muito mal ao excesso de postagens sobre o novo coronavírus (COVID-19). Também pudera, com tantas comunicações desencontradas e fake news, haja paciência para essa enxurrada de informações, em sua maioria desqualificadas. As reações são diversas: “vamos manter o foco”, “não aguento mais ouvir falar de coronavírus”, “aqui não é lugar pra isso”, “vamos concentrar no nosso trabalho”, etc. Quando leio e ouço tais reações e comentários, me pergunto: qual deveria ser o foco? Em qual espaço se pode falar com liberdade sobre a pandemia que ultrapassa muros, fronteiras, classes sociais e persegue a todos – independentemente de cor, raça, nacionalidade, crença, gênero –, por toda parte e em todo o mundo? Devemos concentrar no nosso trabalho – concordo. Mas concentrar no que o nosso ofício e expertise pode contribuir para conter a contaminação. Apoiar as pessoas para que não se desesperem diante de ameaça tão letal. Ajudar a pensar propostas de trabalho e renda, com garantia imunológica, para vencer a crise econômica e financeira que já se abate sobre nós, é ainda mais grave para os mais pobres e tende a se acirrar nos próximos dias, podendo chegar a picos insustentáveis.
Como não falar sobre o coronavírus e seus diversos efeitos em nossas vidas e em nossas relações afetivas, familiares, comunitárias, profissionais, econômicas, políticas e, especificamente, no nosso caso, comunicacionais e educacionais? É nosso dever como comunicadores e educadores colaborar no processo de educação da população para as medidas de prevenção contra a Covid-19 com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas é também de nossa responsabilidade pensar formas de sustentar a ação pedagógica, utilizando-nos dos meios virtuais e digitais, propondo pesquisas, leituras e experimentações que os educandos confinados possam realizar em seus lares. De acordo com a área de atuação de cada comunicador/educador, toda contribuição no sentido de minimizar os impactos psicoemocionais e ocupacionais da população são bem-vindas. É hora de fazer valer nossos diplomas, livros, artigos, pesquisas, especializações, amparos institucionais, salários, bolsas (as que ainda existem) e, fundamentalmente, nosso conhecimento e capacidade de articulação e mobilização. O momento nunca foi tão oportuno para que arquitetemos, anunciemos e ensinemos o novo.
O foco da população, como um todo, não pode e nem deve ser na doença, no vírus. É imprescindível que reconheçamos a sua potência para que possamos combatê-lo com a força necessária para liquidá-lo, mas não nos esqueçamos de usar a nossa perícia e robustez criativa para encontrar soluções para os vários desdobramentos da pandemia em nossas vidas. Ficar em casa, isto é, manter o distanciamento social, deveria ser algo indiscutível. Todavia, carecemos ainda de outras medidas que, além de contemplar todas as recomendações de precaução para deter o avanço da contaminação, consigam ultrapassar esse limite e proporcionar a cura e os cuidados devidos e necessários aos infectados. E ainda buscar alternativas para o colapso econômico. Para que isso ocorra, entretanto, muitas ações estratégicas devem ser incrementadas de forma responsável. Necessitamos, por exemplo, reconhecer que é vital o funcionamento de setores essenciais como os de saúde, segurança, combustíveis, transporte, telecomunicações, energia, água, vigilância sanitária, alimentação, pesquisa, ciência e tecnologia, para citar apenas alguns deles que, por sua vez, dependem de outros subsetores de suporte, para garantir suas atividades. Tudo isso, independentemente da vontade, ou do que a capacidade cognitiva dos dirigentes de nosso país consiga entender como melhor ou pior para a nação. Até porque, em meio a tantos decretos e revogações, informações e contrainformações, na esfera governamental, tornou-se impraticável submetermo-nos sem reflexão a qualquer ordem advinda do poder central, enquanto não houver razoabilidade, lucidez e o mínimo de garantias de que estaremos tomando o rumo certo.
Em meio ao caos social, a crise econômica e a pandemia que ameaça a saúde de toda a população, nossas lideranças políticas encontram-se totalmente perdidas no imbróglio de seus projetos de poder e continuam sem apresentar qualquer solução factível para o enfrentamento da situação. Enquanto blocos de uma direita oportunista e inescrupulosa antecipam a luta para a divisão dos possíveis despojos da meteórica ascensão e queda do bolsonarismo, parte significativa da esquerda e a grande maioria dos grupos associativos reduzem suas pautas a críticas ao governo Bolsonaro e a reivindicações sobre perdas sofridas (o que é justo, mas se distância e muito de nossas emergências). Chutar cachorro morto é coisa fácil. Até mesmo setores ultraconservadores, aliados aos saqueadores do Estado brasileiro que contribuíram para instaurar o desmonte da Res publica, resolveram reagir de forma vigorosa contra o atual governo. O cenário, definitivamente, não é dos mais alvissareiros, com ou sem Bolsonaro que, aliás, comete suicídio político todas as vezes que usa a caneta, abre a boca ou fica online.
Se os progressistas, as esquerdas lúcidas e os defensores da democracia não se unirem em torno de um projeto político, econômico, de saúde e de desenvolvimento que sensibilize a população e ponha freio neste trem desgovernado, o que assistiremos – como meros espectadores – será uma já anunciada troca de mãos, no manejo dos destinos de nosso país, para dar mais do mesmo ao nosso povo pra lá de sofrido. Excetuando o espectro dos oportunistas abjetos, é perceptível que segmentos da sociedade têm se subdividido entre apocalípticos e proféticos neste entreato da história que aponta para uma mudança de paradigma no modus vivendi da humanidade e na economia mundial. Estou alinhado aos proféticos, mas consciente de que profetismo requer mais que denúncia. Essa já está feita, não somente pelo coro das vozes dissidentes, como também e, principalmente, pelas próprias circunstâncias em que nos precipitamos. Agora é a hora d’a onça beber água. Os tempos carecem de anúncio.
Chegou o momento de todos os seres pensantes desse país – os poucos que ainda podem se dá ao luxo de sobreviver ainda que, hibernando confinados em “quarentena” –, usarmos toda a nossa reserva de força imunológica e capacidade de trabalho para contribuir com o país e com o mundo. Garantir o futuro dos que vierem e, quiçá, oportunizar um pouco mais de vida digna a nós mesmos e àquilo que representamos socialmente.

Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

quarta-feira, 25 de março de 2020

COMO SE NÃO BASTASSE O VÍRUS...


Coronavírus: postura de Bolsonaro coloca União e Estados em enfrentamento direto

Bolsonaro (centro) criticou as restrições impostas pelos governadores João Doria (esq.) e Wilson Witzel
(Foto: ABR)

Em meio às decisões administrativas sendo tomadas nos Estados para conter a disseminação do novo coronavírus, governadores disseram nesta quarta-feira (24/03) terem sido pegos de surpresa pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite anterior, pedindo que o país "volte à normalidade" e criticando o fechamento de escolas e comércios.
Bolsonaro chamou o coronavírus de "gripezinha ou resfriadinho", acusou a imprensa de causar "histeria" e criticou abertamente os governadores pelas medidas de isolamento — que até então vinham também sendo recomendadas pelo Ministério da Saúde.
Até agora mais de 2 mil pessoas foram oficialmente diagnosticadas com o vírus que causa a covid-19 e 47 mortes foram confirmadas.
Para ler na íntegra a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

sexta-feira, 20 de março de 2020

ECONOMIA BRASILEIRA



Governo corta a zero projeção para crescimento do PIB em 2020

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciou nesta sexta-feira o corte na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a 0,02%, ante alta de 2,1% indicada há dez dias, numa mostra da rápida deterioração das expectativas em meio ao avanço do coronavírus e seu dramático impacto na economia.
Para a inflação, o time econômica agora vê alta de 3,05% do IPCA neste ano, contra percentual de 3,12% antes. Já a projeção para o preço médio do petróleo Brent caiu a 41,87 dólares por barril, contra patamar de 52,70 dólares divulgado na semana passada. Para o dólar em final de período, a estimativa agora é de 4,35 reais, sobre 4,20 reais antes.
(Fonte: Reuters)

domingo, 15 de março de 2020

TODO CUIDADO É POUCO


Coronavírus: por que é fundamental 'achatar a curva' 
da transmissão no Brasil

(Foto: Getty Images)

À medida que o coronavírus se espalha cada vez mais pelo mundo, autoridades de saúde têm tentado evitar o aumento acelerado do número de casos. "Achatar a curva", como se diz, é uma medida crucial para evitar a sobrecarga dos serviços de saúde e limitar o número de mortes.
A Itália, com mais de 17 mil casos e 1.266 mortes, é o principal exemplo de país que está sofrendo para achatar essa curva. O Brasil, com menos de 100 casos confirmados, ainda está longe disso, mas já discute como evitar o mesmo cenário para não sobrecarregar o sistema.
Mas o que significa essa expressão, que chegou ao topo dos assuntos mais discutidos em redes sociais, e quão adequada ela é à realidade brasileira, que já registrou 77 casos da doença?
"Achatar a curva" significa desacelerar a disseminação do vírus para que o número de casos se espalhe ao longo do tempo em vez de haver picos no início.
O gráfico abaixo resume o cenário. Há uma "curva acentuada", causada por um pico acelerado de infecções, em oposição a uma "curva achatada", com casos mais distribuídos ao longo do tempo.
Para ler a matéria da BBC News Brasil, na íntegra, clique aqui.

terça-feira, 10 de março de 2020

3º BEAGÁ PSIU POÉTICO



Psiu Poético 2020 presta homenagem a Marielle Franco


            Belo Horizonte terá a terceira edição do Beagá Psiu Poético, que, neste ano, presta homenagem a Marielle Franco. O objetivo do evento é a celebração e difusão das diversas manifestações artísticas, a partir da arte poética. Com entrada franca para todas as apresentações, o evento começa no sábado, 14/3, às 9h, com intervenção na entrada do Mercado Central (avenida Augusto de Lima, 744, Centro). Haverá saraus, lançamentos de livros, performances e shows musicais: de 14h às 17h, na Casa da Rua Silva Ortiz, 78; a partir das 19h, a programação será no Ursal Bar, que fica na avenida do Contorno 3.479, bairro Santa Efigênia.
            No domingo, 15/3, às 9h, será a vez de Sabará, com o Grupo Arautos da Poesia & Convidados, na Casa de Cultura Borba Gato – rua Borba Gato, 71, Centro. Em BH, a partir das 19h, ocupação literária na Casa Socialista, avenida Bernardo Guimarães, 60, Floresta, com cinema, intervenções poéticas e lançamentos de livros.
            Na segunda-feira, 16/3, às 9h, Poesia Circular na Escola Municipal Israel Pinheiro; 11h, Sarau Poético Musical na Câmara Municipal; 15h, Intervenção Poética no Metrô; às 19h, Ocupação Literária na Asa de Papel, rua Piauí, 631, Santa Efigênia, com lançamentos de livros e performances.
            Na terça-feira, 17/3, às 9h, Poesia Circular na Escola Estadual José Mendes Júnior; 14h, Ocupação Poética no Terminal Rodoviário no Centro da cidade; às 16h, no Centro de Arte Popular, rua Gonçalves Dias, 1.608, Lourdes, haverá projeção de filmes e lançamentos de livros; às 20h, sarau e performances no Ursal Bar.
            Na quarta, 18/3, último dia do evento, às 9h, Poesia Circular em solidariedade à luta dos Professores mineiros; de 12 às 13h, sarau e lançamento de livro no Teatro da Assembleia Legislativa, rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho; 16h, no Centro de Arte Popular, Roda de Conversa sobre “A Experiência da Poesia Contemporânea no Espaço Urbano”, seguida de lançamentos de livros e performances; 21h, encerramento no Ursal Bar, com sarau, shows e performances.
           
           Oficinas de teatro, videoarte e poesias

No 3º Beagá Psiu Poético, serão oferecidas três oficinas: Inicialização Teatral, Vídeo Arte Poesia e Poesia e Cidade. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail psiupoetico@gmail.com até a próxima sexta-feira, 13/3/2020. São 20 (vinte) vagas para cada oficina.


O projeto é realizado há mais de 30 anos, em Montes Claros (MG). Em 2020, será realizada a sua 3ª edição BH, com a participação de poetas de diversas partes do país. Fique por dentro: facebook.com/psiupoeticomoc. Mais informações pelo telefone (38) 98412-4749 – Aroldo Pereira; (31) 99206-2958 – Sidneia Simões.

quinta-feira, 5 de março de 2020

MOEDA AMERICANA DISPARA NO BRASIL


Dólar sobe pelo 12° pregão consecutivo e supera R$4,60 com expectativa de corte de juros


O dólar superou o patamar de 4,60 reais contra o real logo após a abertura desta quinta-feira, subindo pelo 12° dia consecutivo em meio a expectativas de corte de juros pelo Banco Central devido aos riscos econômicos do coronavírus.
Às 9:07, o dólar avançava 0,42%, a 4,5997 reais na venda, enquanto o dólar futuro de maior liquidez avançava 0,34%, a 4,6075 reais.
Na quarta-feira, o dólar interbancário registrou salto de 1,55%, a 4,5806 reais na venda, décimo recorde histórico consecutivo alcançado em um fechamento.
O Banco Central ofertará neste pregão até 20 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020.
Para continuar lendo a matéria de Luana Maria Benedito para a Reuters, clique aqui.

domingo, 1 de março de 2020

A ECONOMIA É IMPORTANTE DEMAIS PARA SER DEIXADA SOMENTE PARA OS ECONOMISTAS


Refundar o capitalismo (outra vez)

(Ilustração de Pep Boatella)

Uma longa década depois de os políticos terem antecipado a ideia, economistas, filósofos e sociólogos buscam suprimir os excessos e abusos do mercado para que ele sobreviva.
Poucos dias depois da falência do Lehman Brothers, o gigantesco banco de investimentos dos EUA, em setembro de 2008, um acovardado presidente francês, o conservador Nicolas Sarkozy, fez célebres declarações que ressoaram em todo o mundo: “A autorregulação para resolver todos os problemas acabou: le laissez-faire c'est fini. Precisamos refundar o capitalismo (...) porque passamos a dois dedos da catástrofe”.
Aquele momento crítico em que tudo parecia possível, incluindo a falência do sistema, foi superado. O setor financeiro, aos trancos e barrancos, emergiu da crise dando braçadas e braçadas na ajuda pública (na forma de dinheiro, endossos, garantias, compras de ativos ruins, liquidez quase infinita a preços muito baixos, etc.), e aqueles verbos conjugados com boa vontade de vez em quando —refundar o capitalismo, reformar o capitalismo, regular o capitalismo, refrear o capitalismo etc— foram esquecidos. Da Grande Recessão se passou a uma época de "estagnação secular" (Larry Summers), que é o que estamos vivendo.
Da primeira, os cidadãos, na maioria, saíram mais pobres, mais desiguais, muito mais precários, menos protegidos e com duas características políticas que explicam em boa parte o que está acontecendo diante de nossos olhos: mais desconfiados (dos Governos, dos partidos, dos Parlamentos, das empresas, dos bancos, das agências de classificação de risco ...) e menos democratas. O resultado foi a explosão de populismos de extrema direita e a decomposição do sistema binário de partidos políticos que saiu da Segunda Guerra Mundial, e uma concepção instrumental (não de princípios) da democracia: apoiarei a democracia enquanto resolver meus problemas; se não, sou indiferente.
Depois desse parêntesis de quase uma década, e quando já começa a existir uma distância temporal suficiente para se analisar os efeitos da Grande Recessão como uma sequência de eventos que levaram a uma gigantesca redistribuição negativa da renda e da riqueza no sentido inverso nos âmbito dos países (o chamado efeito Matthew: “Ao que mais tem, mais será dado, e do que menos tem será tirado para ser dado ao que mais tem”), são os acadêmicos e não os políticos que multiplicam as teorias sobre as características do capitalismo do primeiro quarto do século XXI. E eles protagonizam um grande debate extremo entre si: se o capitalismo está ferido de morte porque não funciona; ou, pelo contrário, se, mais uma vez na história está passando por uma mutação em sua natureza, e essa transformação o levará a ser de novo o sistema político-econômico mais forte e único. Há duas coincidências na maioria dos livros publicados: o capitalismo se espalhou por todos os espaços geográficos do planeta e direções (não há alternativa) e se aninha em qualquer atividade e mercado, incluindo a política.
O capitalismo é agora o único sistema socioeconômico do planeta (antes isso era chamado de imperialismo) e quase não existem vestígios do comunismo como uma possibilidade substitutiva, como ocorria na primeira metade do século XX. A esta característica central se soma o reequilíbrio do poder econômico entre os EUA e a Europa, por um lado, e a Ásia, por outro, por causa do boom experimentado pelos principais países desta última região. O domínio planetário exercido pelo capitalismo foi alcançado por meio de suas diferentes variantes. Alguns autores distinguem entre o capitalismo meritocrático liberal, que vem se desenrolando gradualmente no Ocidente nos últimos 200 anos, e o capitalismo político ou autoritário exemplificado pela China, mas que também existe em outros países asiáticos (Cingapura, Vietnã ...) e alguns da Europa e África (Rússia e os caucasianos, Ásia Central, Etiópia, Argélia, Ruanda ...).
Para continuar lendo a matéria de Joaquín Estefanía para o El País, clique aqui.