terça-feira, 9 de maio de 2017

A DEMOCRACIA CORRE RISCO


Curitiba recebe jornada contra reformas de Temer e em solidariedade a Lula

Por Daniel Giovanaz,
com edição de Ednubia Ghisi

Foto: Ricardo Stuckert

Movimentos populares e organizações da sociedade paranaense planejam uma série de manifestações para os dias 9 e 10 de maio na região central de Curitiba. A Jornada de Lutas pela Democracia começou no dia 2 de maio e continua na terça-feira (9) que antecede o depoimento do ex-presidente Lula (PT) ao juiz Sérgio Moro e termina na quarta-feira (10), ao final da tarde, com um ato político com a presença do petista.
O depoimento do petista estava previsto para o dia 3 e foi adiado em uma semana, com alegação de questões de segurança por parte da Secretaria Estadual de Segurança, o que mudou os planos dos organizadores. Por isso, alguns horários e locais estão em aberto e devem ser confirmados até o final da semana. Os eventos foram convocados pela Frente Brasil Popular, em conjunto com a Frente Resistência Democrática e a organização Advogados pela Democracia.
Formação
A abertura oficial da Jornada, no dia 2 de maio, foi uma aula popular intitulada “Desvendando a Lava Jato”, com a presença do juiz Marcelo Tadeu Lemos e dos criminalistas José Carlos Portella Junior e Michelle Cabrera. O segundo evento, no dia seguinte, também teve caráter formativo: professores do Curso de Direito da UFPR, Wilson Ramos Filho e Carlos Frederico Marés de Souza Filho participaram da mesa-redonda “Direitos e Democracia: conquistas e retrocessos”, ao lado da procuradora Cristiane Sbalqueiro Lopes.
"Não é um ato ecumênico em defesa do Lula, mas em defesa da democracia"
Na véspera do depoimento do ex-presidente Lula, às 19 horas, a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz recebe um ato inter-religioso, seguido de uma vigília noturna. “Esse ato é contra a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, e em defesa dos direitos dos trabalhadores. Por nenhum direito a menos”, ressalta Tereza Lemos, integrante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) e uma das organizadoras do evento. “Não é um ato ecumênico em defesa do Lula, mas em defesa da democracia. Ele [Lula] acaba fazendo parte dessa jornada por tudo que ele representa no processo democrático no Brasil”.
Cultura em defesa da democracia
Os dias 9 e 10 também contam com a participação e apoio de artistas paranaenses e de outros estados. Apresentações culturais acontecem durante os dois dias de atividades. Está confirmada a presença do músico mineiro Pereira da Viola. Músicos de Curitiba também confirmaram presença, caso de Estrela Leminski e Téo Ruiz, Guego Favetti, além de vários grupos de rap.
Uma das organizadoras, a produtora cultural Anaterra Viana, afirma que uma diversidade de artistas foram convidados e “têm em comum a defesa da democracia neste momento”.
Caravanas
Apesar da remarcação do depoimento de Lula, dezenas de estados brasileiros confirmaram que vão enviar caravanas para participar da Jornada. Um dos locais de concentração das caravanas será um acampamento para pouso e realização de atividades políticas. O movimento “Ocupa Curitiba”, organizado pela Frente Brasil Popular em solidariedade ao ex-presidente, pretende reunir ao menos 50 mil pessoas na capital paranaense entre os dias 9 e 10 de maio.
O ex-presidente Lula vai prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro no início da tarde de quarta-feira (10), e em seguida vai participar de um ato político na Boca Maldita, no calçadão da rua XV, na região central da cidade.
(Fonte: Brasil de Fato)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1º DE MAIO DE 2017


O que devemos comemorar

Trabalhadores do mundo inteiro comemoram o Dia do Trabalho ou o Dia do Trabalhador. Mas e nós, no Brasil, o que temos para comemorar, poderíamos perguntar. Podemos e devemos comemorar todas as nossas conquistas, dentre elas o sucesso da Greve Nacional do último dia 28.04.2017.


Apesar da total instabilidade política, econômica e institucional vivida no Brasil, com um presidente ilegítimo que contribuiu para retirar do poder uma presidenta eleita pelo povo, tramita-se uma série de propostas de reformas, como a Trabalhista e a da Previdência, articuladas pelo ocupante do Palácio do Planalto e seus patrocinadores.
Não obstante seu empenho em aprovar, em regime de urgência, as reformas acertadas com os grupos econômicos que o colocaram no poder, Michel Temer, conta com o pior índice de aprovação que um presidente brasileiro já teve: 4%. Além de não contar com a aprovação popular, o presidente está cercado por uma legião de ministros, parlamentares e apoiadores citados em várias delações da Operação Lava Jato. Existem suspeitas de que o próprio presidente, inclusive, pode estar envolvido em esquemas de corrupção.
Apoiado pela grande mídia, o presidente tem feito ouvido de mercador às reivindicações dos trabalhadores e ao clamor do povo. No entanto, muitos dos seus antigos aliados já o abandonaram e as aprovações que ele consegue no parlamento são à custa de ameaças de exoneração dos cargos de primeiro e segundo escalão ocupados por membros dos partidos da base aliada.
A Greve Geral do dia 28 de abril, último, convocada pela sociedade civil, movimentos sociais, sindicatos e centrais sindicais conseguiu parar o Brasil. Na maioria das cidades brasileiras e em todas as capitais houveram protestos contra o presidente e contra as reformas por ele propostas. O povo quer Temer fora do Governo, exige sua renúncia e eleições diretas imediatas. 
Exceto pequenos conflitos pontuais, as manifestações ocorreram de forma pacífica e ordeira. Nem mesmo a TV Globo negou o sucesso da greve, apontando a paralisação de vários setores estratégicos pelo Brasil afora. Ainda que insistisse em dedicar mais tempo em chamar a atenção para os poucos conflitos que ocorreram, a ponto do meu sobrinho Samir, de 12 anos, confundir conflito com baderna ou depredação, como reiteradamente diziam os repórteres e apresentadores das TVs, a mídia eletrônica parece que está subindo no muro. Michel Temer já começa a ser descartado (logo será defenestrado, como foi Eduardo Cunha) pelos veículos de comunicação, pois a credibilidade da grande mídia tradicional brasileira também está em franca derrocada. E, os mesmos veículos que apoiaram o Golpe de forma incondicional, começam a ser menos óbvios em seu apoio ao Governo. Os formadores de opinião, há muito que já prestigiam outras fontes de informação e a população de um modo geral está aderindo à internet e às redes sociais, onde já existe uma grande quantidade de profissionais de comunicação sérios e responsáveis dando informação de qualidade.
Embora aconteçam importantes avanços na direção de um rechaço ao jornalismo da grande imprensa, feito sob encomenda das elites, a inoculação da alienação e a manipulação da opinião e do gosto, especialmente de adolescentes e crianças por parte da mídia é ainda  muito grande.
Algumas ações e atitudes, como a Greve Nacional do dia 28 marcam e demarcam posições e territórios. Ainda há muito a conquistar. Mas a luta continua... Sigamos, em frente, acreditando, lutando e, porque não(?) comemorando, mesmo as pequenas conquistas. Este tem sido o lema dos brasileiros que acreditam que vale à pena lutar por um Brasil melhor, mais justo, solidário e democrático.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

GREVE GERAL NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, 28 DE ABRIL


Não faça nada no dia 28 de abril, 
apenas proteste contra a Reforma da Previdência, 
contra a Reforma Trabalhista e dê o seu grito de 
Fora Temer

A nação brasileira como um todo,  se mobiliza para, na próxima sexta-feira, dia 28 de abril, ir às ruas e parar o país, numa grande manifestação, para mostrar quem é que manda no Brasil. Já é grande as articulações em todas as cidades do país. Tem até uma corrente circulando no Whats App que diz o seguinte:

Finalmente uma corrente que eu apoio!! 😁

Envie essa mensagem para pelo menos 20 dos seus amigos:

*Dia 28, é GREVE GERAL!*  ✊✊✊

(Quem quebrar a corrente, terá que trabalhar 12 horas por dia até completar 75 anos).

Tem até umas dicas para o comportamento da população nesse dia. 

COMO AJUDAR A GREVE GERAL NO DIA 28 DE ABRIL:
 EXCETUANDO CASOS DE URGÊNCIA,
- NÃO VÁ A NENHUM MERCADO,
- NÃO VÁ A FARMÁCIAS,
- NÃO MARQUE CONSULTAS PARA ESSA DATA,
- NÃO VÁ A PADARIAS,
- NÃO VÁ A RESTAURANTES DE QUALQUER ESPÉCIE,
- NÃO COMPRE NENHUM MÓVEL, ELETRODOMÉSTICOS, ELETRÔNICOS,
-NÃO VÁ A NENHUM SHOPPING MESMO QUE  SEJA SÓ PARA A PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO,
- NÃO VÁ A LOTÉRICAS,
- NÃO VÁ A BANCOS,
- NÃO PAGUE NENHUMA CONTA, 
- NÃO ABASTEÇA SEU CARRO JUSTO NESSE DIA,
- NÃO VÁ A ACADEMIAS,
- NÃO VÁ A ESCOLA/FACULDADE OU CURSOS DE QUALQUER ESPÉCIE,
- NÃO VÁ A AÇOUGUES E,
ESSAS COISAS DEVEM SER EVITADAS MESMO QUE VOCÊ NÃO VÁ TRABALHAR. 

* CONTRIBUA PARA O SUCESSO DA GREVE GERAL, POIS, É A SUA APOSENTADORIA E SUAS GARANTIAS TRABALHISTAS QUE SERÃO CORTADAS SE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E DA CLT FOREM APROVADA.
É HORA DE MOSTRARMOS QUEM MANDA NESSE PAÍS. 
REPASSE PARA O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS, POSTE NAS REDES SOCIAIS.  É HORA DA MOBILIZAÇÃO.

E o apelo principal é: participe como puder. Mas faça um esforço. Vá às rua manifestar e não consuma absolutamente nada.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

LULA É O PRÉ-CANDIDATO COM MAIOR CHANCE DE GANHAR AS ELEIÇÕES EM 2018


Lula é o presidenciável 
com maior potencial de votos, afirma Ibope


Pesquisa inédita do Ibope mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ser o presidenciável com maior potencial de voto entre nove nomes testados pelo instituto. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, há um ano, a rejeição a Lula caiu 14 pontos.
Os três principais nomes do PSDB, por sua vez, viram seu potencial de voto diminuir ao longo do último ano e meio. Desde outubro de 2015, a soma dos que votariam com certeza ou poderiam votar no senador Aécio Neves (PSDB-MG) despencou de 41% para 22% O potencial do senador José Serra (PSDB-SP) caiu de 32% para 25%, e o do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) foi de 29% para 22%. Os três tucanos aparecem na pesquisa com taxas de rejeição superiores à de Lula.
Assim como os nomes tradicionais do PSDB, a ex-ministra Marina Silva (Rede) sofreu redução de potencial de voto e aumento da rejeição.
(Fonte Jornal O Tempo)

sábado, 15 de abril de 2017

NEM TUDO É PERFEITO


Poema inacabado

 Eugênio Magno


Só restava a esperança em um dia distante que nunca chegava. Não havia fim e os começos também cessaram. Algo foi emudecendo em nós. Ficamos inertes. E gélidos, fomos nos definhando. A palavra, afiada, mal dita, precipitava ainda mais a desintegração, até mesmo aquela, da solidez insípida em que nos transformamos. Agora, como gotas de água da chuva, somos náufragos em mar aberto.
(Do livro Poetas En/Cena-2, 2008, pág. 65)

NA PREVIDÊNCIA E NA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NÃO SE MEXE


Crítica às reformas de Temer, 
CNBB pretende levar o tema a missas e comunidades



Reformas como a trabalhista e a previdenciária, nos moldes propostos pelo governo do presidente Michel Temer (PDMB), podem até atender aos apelos do mercado, mas deixam de fora interesses básicos do Cidadão, justamente o maior afetado por elas, e o que menos ou nada foi chamado a participar dessa discussão. A opinião é da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), entidade que, nas últimas semanas, se reuniu com representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e de outras centrais sindicais no debate por uma agenda de mobilização contra as reformas. No último dia 23, a entidade divulgou uma nota em que criticou duramente a
reforma previdenciária ao afirmar, por exemplo, que a proposta defendida pelo governo "escolhe o caminho da exclusão social”.
Por que não discutir abertamente com a sociedade temas como esses, mas sem se preocupar em sinalizar apenas para o mercado, e sim, preocupado com o cidadão? Não é possível, a partir de um gabinete, determinar o que um cidadão pode ou não", afirma o secretário-geral da CNBB.

(Fonte: Boletim Informativo de Centro Nacional de Fé e Política "Dom Helder Câmara - CEFEP, Abil de 2017)

terça-feira, 11 de abril de 2017

A FÉ E O MISTÉRIO DE CRISTO


O significado místico da Páscoa

A tela “Ressurreição”, pintada em 1515 pelo alemão Mathias Grunewald, (1470-1528), precursor do expressionismo e um dos maiores pintores germânicos do gótico tardio, revela o momento de ascensão do Nazareno, após sua morte.

A ressurreição de Jesus é celebrada de diferentes modos ao redor do mundo. Na Bélgica e na França, os sinos não são tocados entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, por causa de uma lenda que diz que eles (os sinos) voam até Roma e quando voltam deixam cair ovos para todos. As crianças belgas produzem ninhos de palha, na esperança de que o coelho deixe muitos ovos.
Na Bulgária, após a missa da Quinta-Feira Santa, pintam-se ovos cozidos e fazem-se pães pascais, os “kolache” ou “kozunak”. Os pães e os ovos são abençoados. Cada um da família pega um ovo e bate nos ovos dos outros; aquele que ficar com o ovo inteiro terá sorte durante o ano.
Os hindus fazem o festival Holi para relembrar o surgimento do deus Krishna. Nessa época, a população dança, toca flautas e faz comidas especiais para receber os amigos. É comum que o dono da casa marque a testa dos convidados com um pó colorido.

Para continuar a ler a matéria de Ana Elizabeth Diniz, publicada no Jornal O Tempo, de 11.04.2017, clique aqui.

A VERDADE OU UMA VERDADE (???)


Quando Lula será preso? Por Nelson Jobim, ex-ministro do STF

(Foto: Eles/Caption)

Publicado na Zero Hora.

Nelson Jobim
jurista, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.


É pergunta recorrente.
Ouvi em palestras, festas, bares, encontros casuais, etc.
Alguns complementam: “Foste Ministro de Lula e da Dilma, tens que saber…”
Não perguntam qual conduta de Lula seria delituosa.
Nem mesmo perguntam sobre ser, ou não, culpado.
Eles têm como certa a ocorrência do delito, sem descreve-lo.
Pergunto do que se está falando.
A resposta é genérica: é a Lava-Jato.
Pergunto sobre quais são os fatos e os processos judiciais.
Quais as acusações?
Nada sobre fatos, acusações e processos.
Alguns referem-se, por alto, ao Sítio de … (não sabem onde se localiza), ao apartamento do Guarujá, às afirmações do ex-Senador Delcidio Amaral, à Petrobrás, ao PT…
Sobre o ex-Senador dizem que ele teria dito algo que não lembram.
E completam: “Está na cara que tem que ser preso”.
Dos fatos não descritos e, mesmo, desconhecidos, e da culpa afirmada em abstrato se segue a indignação por Lula não ter sido, ainda, preso!
[Lembro da ironia de J.L. Borges: “Mas não vamos falar sobre fatos. Ninguém se importa com os fatos. Eles são meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio”.]
Tal indignação, para alguns, verte-se em espanto e raiva, ao mencionarem pesquisas eleitorais, para 2018, em que Lula aparece em primeiro lugar.
Dizem: “Essa gente é maluca; esse país não dá…”
Qual a origem dessa dispensa de descrição e apuração de fatos?
Por que a desnecessidade de uma sentença?
Por que a presunção absoluta e certa da culpa?
Por que tal certeza?
Especulo.
Uns, de um facciosismo raivoso, intransigente, esterilizador da razão, dizem que a Justiça deve ser feita com antecipação.
Sem saber, relacionam e, mesmo, identificam Justiça com Vingança.
Querem penas radicais e se deliciam com as midiáticas conduções coercitivas.
Orgulham-se com o histerismo de suas paixões ou ódios.
Lutam por “uma verdade” e não “pela verdade”.
Alguns, porque olham 2018, esperam por uma condenação rápida, que torne Lula inelegível.
Outros, simplesmente são meros espectadores.
Nada é com eles.
Entre estes, tem os que não concordam com o atropelo, mas não se manifestam.
Parecem sensíveis à uma “patrulha”, que decorre da exaltação das emoções, sabotadora da razão e das garantias constitucionais.
Ora, o delito é um atentado à vida coletiva.
Exige repressão.
Mas, tanto é usurpação impedir a repressão do delito, como o é o desprezo às garantias individuais.
A tolerância e o diálogo são uma exigência da democracia – asseguram o convívio.
Nietzsche está certo: as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.
(Fonte: Site DCM)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

QUEREM DESMANTELAR A PREVIDÊNCIA

Quem recebe pensão e benefício também vai perder com a reforma da Previdência


Wallace Oliveira

Foto: Fernanda Castro / GEPR

A proposta da reforma da Previdência não atinge apenas quem quer se aposentar um dia, mas também pensionistas, aposentados e famílias que dependem de outras políticas da Seguridade.
Por exemplo, o idoso que não acumulou os requisitos para se aposentar só terá direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) aos 65 anos, a contar da data da promulgação da emenda. A partir de então, essa idade mínima aumenta um ano a cada biênio, até atingir o limite etário de 70 anos para acessar o BPC.
Além disso, a reforma vai desvincular benefícios e pensões do salário mínimo. Nos governos Lula e Dilma, o salário mínimo praticamente triplicou e o menor valor a ser recebido por um aposentado ou pensionista cresceu nessa mesma proporção. Com a PEC, o piso pode ser menor que o mínimo.
A PEC 287 também proíbe que uma mesma pessoa acumule aposentadoria e pensão por morte ou duas aposentadorias de um mesmo regime. “Hoje, é relativamente comum a acumulação de aposentadoria e pensão, em especial por mulheres mais velhas”, afirma o economista Frederico Melo, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Desemprego
Além disso, num contexto de aumento do desemprego e informalidade, o maior impacto recai sobre todos ao mesmo tempo. Na medida em que o acesso à cobertura previdenciária torna-se algo cada vez mais distante, isso passa a ser um estímulo para que cada vez menos pessoas contribuam com o INSS, o que pode, afinal, comprometer o financiamento da Previdência no Brasil.
“O financiamento da Previdência no Brasil funciona com base em um pacto de gerações. As pessoas que estão contribuindo geram os recursos para pagar quem está em gozo dos benefícios, acreditando que, ao envelhecerem, elas também receberão os benefícios pagos por quem estiver trabalhando no futuro. Ora, os jovens já falam em não contribuir porque vai ser difícil ter acesso ao benefício. Consequentemente, está quebrado esse pacto das gerações”, explica Frederico Melo.
(Fonte: Site Brasil de Fato)

sábado, 1 de abril de 2017

NOVO FILME DE WIM WENDERS EM CARTAZ


Os belos dias de Aranjuez



O novo filme do importante cineasta Wim Wenders, em cartaz nos cinemas, "Os belos dias de Aranjuez", está em cartaz. A narrativa é sobre um escritor alemão que escreve os esboços para o seu próximo livro e cria diálogo entre um homem e uma mulher, que discutem questões como sexualidade, amor e infância, entre outras coisas. Trata-se de uma co-produção Alemanha/França, de 2017, com 1h38 de duração. Este é, certamente, um bom programa para o final de semana.

terça-feira, 28 de março de 2017

CARNE FRACA OU JUÍZO MOLE?


Hong Kong reabre mercado para carne brasileira, diz Ministério


O Ministério da Agricultura informou hoje terça-feira (28) que Hong Kong reabriu as importações de carne brasileira. O país havia bloqueado totalmente a compra de carne nacional, independentemente do frigorífico.
Esse é o segundo maior mercado para carne e derivados do país, com importações de US$ 1,5 bilhão no ano passado.
A reabertura do mercado era esperada depois que a China retomou suas compras do Brasil, no sábado passado. A Pasta deverá detalhar os termos da reabertura.
(Fonte: Jornal O Tempo, de 28.03.2017)

sexta-feira, 24 de março de 2017

ESTADO E CULTURA É TEMA DE COLÓQUIO NO INTERIOR DA BAHIA


Inscrições para Colóquio Temático Estado e Cultura



Até 10 de abril, estão abertas as inscrições para submissão de trabalhos ao Colóquio Temático  Estado e Cultura: questões acerca da produção/consumo de bens simbólicos, integrante do XII Colóquio Nacional e V Colóquio Internacional do Museu Pedagógico. Os eventos, com tema “Estado, política e sociedade: está o mundo de ponta cabeça?”, serão realizados de 26 a 29 de setembro de 2017, no campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) em Vitória da Conquista.

O colóquio Estado e Cultura, coordenado pelas professoras Milene Silveira Gusmão (UESB) e Maria Salete Nery (UFRB), objetiva propiciar reflexões e discussões que tratem do destaque da cultura como objeto de consumo no mundo. Nesse sentido, interessa obervar: as trajetórias vividas por criadores de bens culturais (cinema, moda, música, games, dentre outros) nas redes nas quais estão imersos; a trajetória dos bens, em sua história de constituição e circulação; os processos de formação ligados aos bens – daqueles que os produzem ou tomam contato com eles; os processos de circulação, distribuição e consumo do simbólico; a relação entre Estado e cultura, no que toca à diversidade de ações implementadas pelo poder público e suas consequências; e reflexões teórico-metodológicas ligadas à apreensão científica da cultura como objeto de pesquisa.   

A submissão de trabalhos será por meio de um resumo ampliado/expandido, com, no mínimo, quatro laudas e, no máximo, cinco, constando de Introdução, Metodologia, Resultados e Discussão, Tabelas e/ou Figuras, Conclusões, Palavras-chave e Referências, devendo, obrigatoriamente, ser resultado de estudos e pesquisas. Detalhes sobre as normas do texto, o formulário de inscrição e outras informações podem ser obtidos no site da Uesb: http://www.uesb.br/ascom/ver_noticia_.asp?id=15011
Para contatar o Museu Pedagógico, os interessados podem ligar para o telefone nº.:  (77) 3421-3894 ou  mandar um e-mail para:  coloquiomuseupedagogico@gmail.com.



domingo, 19 de março de 2017

A VIDA INTELIGENTE DO PLANETA ENXERGA MUITO BEM


Deu no New York Times, não na Globo

 


Dalvit Greiner*


Para William Waack, do Jornal da Globo, quem esteve nas ruas nesta quarta-feira, dia 15 de março, foram os movimentos [auto] “intitulados” sociais. Ora, não sei qual escola de Sociologia que o jornalista frequenta ou frequentou em sua atividade universitária e intelectual, mas ficou-me a pergunta: quem esteve nas ruas esta semana?  Pelo tom do jornalista global um punhado de gente que se diz movimento social, mas que não é nem movimento nem social. As coberturas jornalísticas, salvo raríssimas exceções, ignoraram o movimento e focaram nas dificuldades que a população passou sem os serviços prestados por aqueles que estavam em manifestação pública. 
Claro que é assim mesmo. Qualquer movimentação que não provoque incômodo não cumpriu, minimamente, o seu objetivo. O incômodo desejado quando a base se mexe é derrubar o topo. Lição mínima da política. Mas, quando a base se mexe, mesmo quem não quiser sofrerá seus efeitos. É aqui que está o segredo da Educação: o esclarecimento. Dizer às pessoas, com palavras e atos, que os motivos que nos levam às ruas é um ato pedagógico, na medida em que visam conduzir uma opinião que seja favorável às nossas ideias. É um jogo desleal porque o fazemos com nosso único recurso: a garganta, ferramenta de trabalho de sujeitos que tem como meta, objetivo e sonho a mudança da sociedade. 
Na outra ponta os meios de comunicação social - lembremos que são concessões públicas e, portanto deviam servir ao público com todas as informações necessárias ao bom discernimento da sociedade - fazem um jogo do contrário: negam a informação, conduzem a opinião pública para os seus interesses que são contraditórios à sua função pública. Donos de grandes carteiras de propaganda e publicidade, a maior delas do Governo, fazem o jogo de uma elite que não consegue se autofinanciar. Querem um Estado mínimo para a sociedade trabalhadora para que ela continue produzindo a riqueza que a elite apropria. Querem um Estado máximo que os financie em sua incompetência capitalista. Mantem-se com o dinheiro público e, quando falem, recorrem ao dinheiro público com a honrosa desculpa da preservação do emprego de centenas, milhares de trabalhadores.  
Nos dias 13 e 14, anteriores ao iníco da Greve no dia 15, considerei um direito de minhas alunas e alunos conhecer os motivos de minha decisão. Tenho usado como metodologia em minhas aulas a leitura de notícias de jornais e documentos oficiais, além de vídeos que envolvam a História e a Geografia. Lemos trechos das reformas previdenciária e trabalhista. Discuti com eles na tentativa de demonstrar-lhes duas coisas, principalmente: quem produz a riqueza, quem se apropria da riqueza. A surpresa e o agrado quando concluem que nem o Estado nem as Instituições Religiosas produzem riqueza, que ninguém além do trabalhador produz riqueza é devastadora. Uma aluna, aproximadamente sessenta anos, confessou-se entristecida com a maldade de quem a explorou por tanto tempo. De tudo o que ela produziu e não se apropriou.  
Mas, o New York Times noticiou a nossa paralisação. Impossível não ver aqueles mares de gentes espalhados pelas principais cidades do país. Qualquer satélite espião veria aquela multidão. Qualquer pessoa distraída perceberia a movimentação na cidade. Qualquer manual de Sociologia do ensino médio ensina que aquilo é um Movimento Social. Enviarei o de José de Souza Martins para William Waack. 
Portanto, ignorar o Movimento Social é ignorar um povo que quer uma vida diferente totalmente compatível com a riqueza que produz. O Brasil é um país rico e o seu povo precisa saber disso. O clima político no Brasil, desde as eleições de 2014, é de Guerra Civil com uma elite atacando a população deste país que havia escolhido o rumo que queria manter. Uma elite que não sabe respeitar as regras do jogo e que apela, diariamente, para a violência. Lembremo-nos, portanto, do revide não odioso: um direito da população, uma verdade evidente. E o papel da Educação é, cada vez mais, qualificar essa guerra.

*Mestre em História da Educação pela Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG e professor de História na Rede Municipal de Educação em Belo Horizonte no Ensino Fundamental - Regular e Educação de Jovens e Adultos. Especialista em Gestão Cultural pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMINAS  e Docência do Ensino Superior pela Escola Superior Aberta do Brasil - ESAB. 


(Fonte: Pensar a Educação em Pauta, Nº 151)


quarta-feira, 15 de março de 2017

INSTANTÂNEO DE MINHA TERRA


Montes Claros

Eugênio Magno


ESTRELA
estrela - CÉU
estrela, céu – POEIRA
estrela, céu, poeira – CHÃO
estrela, céu, poeira, chão – SOL
estrela, céu, poeira, chão, sol – CHUVA, NÃO
estrela, céu, poeira, chão, sol, chuva, não – SERTÃO

ESTRELA, CÉU, POEIRA, CHÃO, SOL, CHUVA, NÃO: SERTÃO

(Do livro Poetas En/Cena-2, Belo Horizonte: Belô Poético, 2008. Pág. 64)

A POESIA QUEBRA AS CERCAS DA UNIVERSIDADE


Unimontes concederá o título de Doutor

Honoris Causa ao poeta Aroldo Pereira


O Conselho Universitário (Consu) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) aprovou a concessão do titulo de Doutor Honoris Causa ao poeta norte-mineiro Aroldo Pereira, autor de vários livros, idealizador e coordenador do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, realizado anualmente em Montes Claros e que completou 30 anos interruptos em 2016. A proposição do titulo foi feita pelos professores e conselheiros Antônio Wagner Rocha e Mônica Maria Teixeira Amorim.
 A entrega ocorrerá em sessão solene do Conselho Universitário, prevista para abril próximo. O título de Doutor Honoris Causa é a mais importante distinção concedida pelas universidades em todo o mundo.
Na proposição, os professores Antônio Wagner Rocha e Mônica Maria Teixeira Amorim ressaltam que o titulo de Doutor Honoris Causa também é concedido a "personalidades que tenham se distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras, da administração pública, do bem-estar humano ou do melhor entendimento entre os povos".
Desta forma, "ressaltamos, pois, que esse título pode ser dado a quem tenha exercido um importante trabalho não apenas no campo das ciências, mas em outros campos de atuação que também são importantes para a humanidade como a literatura, a arte, a cultura, a política, a promoção da paz, entre outros", enfatizam.
Os proponentes acrescentam: "convém destacar que Aroldo Pereira é uma personalidade merecedora desta importante honraria, pois  trata-se de um poeta de reconhecido destaque com projeção regional e nacional no tocante à sua produção artística e literária".  Citam ainda o "exitoso trabalho" do homenageado na coordenação do Salão Nacional de Poesia Psiu Poético,  "evento caracterizado por um amplo alcance social e que em 2016, completou 30  anos de existência em defesa da educação, da arte, dos direitos humanos e da poesia brasileira".
A obra de Aroldo Pereira é enaltecida pela professora Ivana Ferrante Rebello, doutora em Literaturas de Língua Portuguesa e integrante do Departamento de Comunicação e Letras da Unimontes. "Negro, pobre, poeta”, como se lê em seus versos, ele consegue representar a dor da exceção em inquietude e luminosidade, que são atributos de sua arte. Aroldo Pereira é poeta de muitos livros publicados, músico, performer, ator: onde quer que se veja um espaço de arte, lá está ele, participando, chamando à luz a poesia envergonhada, invadindo de verso, irreverência e cor a cidade que, paulatinamente, se rende ao concreto e ao silêncio", descreve Ivana.
Ao destacar o trabalho do homenageado e o alcance do Psiu Poético, ela salientou: "por essas razões, a Unimontes, cujo papel é promover a cultura, a educação e o saber por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, concede-lhe, com justiça, o título de Doutor Honoris Causa". Segundo a professora  Ivana Rebello, "a Unimontes,, com a concessão desse título, evidencia que enxerga além de suas salas e laboratórios".
        "Estou muito agradecido pela iniciativa e pelo o reconhecimento da nossa Universidade Estadual de Montes Claros”, declarou o poeta Aroldo Pereira, ao ser comunicado da concessão da honraria.: “Os reconhecimentos são sempre bem vindos. Acredito que nesse momento em que vivemos com descrédito nas pessoas e nas pequenas coisas, que um reconhecimento imaterial, mas imenso como esse, nos humaniza e engrandece cada vez mais" afirmou ele.

BIOGRAFIA E REFERENCIA DE ESTUDOS
Natural de Coração de Jesus, foi em Montes Claros que João Aroldo Pereira encontrou  inspiração para escrever suas obras, como "Canto de encantar serpente",  "Azul geral", "Hai-kai quem quer" e "Doces pérolas púrpuras", publicadas na década de 1980.
Ele publicou os livros "Cinema bumerangue" (1997), "Parangolivro" (2007), indicado para o Mestrado em Letras/Estudos Literários(em 2008) e para o Processo Seletivo/2011 da Unimontes.
Pereira é também co-autor de “Antologia da moderna poesia brasileira" ( 1992), Signopse – a poesia na virada do século (1995), Cantária (2000), Trinta anos-luz: poetas celebram 30 anos de Psiu poético ( 2016), entre outros. Seu nome consta como verbete da Enciclopédia de Literatura Brasileira, organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza (Fundação Biblioteca Nacional/Academia Brasileira de Letras, 2001).
O legado literário do escritor também se tornou objeto de estudos e pesquisas acadêmicas. Artigo de autoria da professora Ivana Ferrante Rebello, com o título “Versos e parangolés: a poesia marginal de Aroldo Pereira”, foi publicado na revista "Estação Literária" (volume 12) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A tese aborda aspectos fundamentais para a compreensão do exercício criador e inventivo do poeta norte-mineiro.
“Marginal e herói: pintura e música na poesia de Aroldo Pereira” é outro artigo de destaque que foi produzido pelo professor e escritor Gilson Neves, mestre em Estudos Literários pela Unimontes. O texto ressalta  "caráter revolucionário desta escrita que encontra nos acontecimentos da vida comum dos homens a sua possibilidade de reflexão". A Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários da Unimontes também deu destaque para a obra do poeta Aroldo Pereira, dedicando espaço para resenha escrita pelo professor e compositor Élcio Lucas de Oliveira sobre o conteúdo de Parangolivro.