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domingo, 7 de setembro de 2025

ANIVERSÁRIO DE 20 ANOS DO CEFEP É COMEMORADO COM SEMINÁRIO



20 Anos do Centro Nacional de Fé e Política

Dom Helder Câmara


Eugênio Magno
Comunicólogo, Educador e
Assessor do Cefep
 

Um seminário de quatro dias e o lançamento do livro, CEFEP: 20 anos comprometidos com a formação de cristãs e cristãos para a transformação social e política, marcaram o aniversário de 20 anos do Centro Nacional de Fé e Política, Dom Helder Câmara (Cefep) no Centro Cultural de Brasília (CCB).

Para as comemorações, o Cefep reuniu, de 27 a 30 de agosto, a sua coordenação executiva, formada por representantes de todas as regiões do país, assessores, coordenadores de escolas de fé e política regionais e microrregionais, ex-alunos do curso nacional de formação política para cristãos leigos e leigas, clérigos, teólogos, representantes de organizações parceiras e lideranças políticas alinhadas com a Doutrina Social da Igreja. O evento foi um momento de celebração, comemoração e formação.

DIA 27 - Abertura


O início do seminário se deu na noite do dia 27 com uma celebração eucarística, realizada por oito sacerdotes e presidida por Dom Giovane Pereira de Melo, bispo de Araguaína – TO, presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Cefep.



        A missa foi celebrada em memória de Dom Helder Câmara e homenageou também, Dom Luciano Mendes de Almeida e Dom José Maria Pires. Coincidentemente, essas três figuras expressivas da Igreja Católica progressista brasileira faleceram em 27 de agosto e foram lembrados de forma celebrativa.


        Logo após a celebração na capela do CCB, participantes e convidados para a sessão de abertura do seminário se dirigiram para o auditório onde aconteceu o lançamento do livro, Sobre a dimensão social da fé: escritos de teologia social, do teólogo e professor da Universidade Católica de Pernambuco, Francisco de Aquino Júnior, que também integra a Rede de Assessores do Cefep.  Aquino Júnior fez uma breve apresentação do seu livro e respondeu às indagações da plateia.

DIA 28

 

        Os trabalhos do dia 28 tiveram início às oito da manhã, com músicas e palavras de acolhida, mística e apresentação do cronograma das atividades. Na sequência, uma mesa de representação institucional formada por Dom Giovane de Melo e as entidades parceiras como a Puc-Rio, representada pelo padre Waldeci Gonzaga, a Pórticus, na pessoa de Daniel Fassa Evangelista, o Conselho Episcopal para o Laicato da CNBB e o Conselho Nacional dos Leigos do Brasil (CNLB), com a representação de Célia Soares de Souza, o diálogo inter-religioso, representado pelo pastor, Evandro, as comunidades de fé, ligadas à questão ecológica na região amazônica, na pessoa de Conceição Silva, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz e o Projeto Encantar a Política, representado por Daniel Seidel, que relataram suas experiências com o Cefep.


Após um breve intervalo, foi a vez do padre Ernanne Pinheiro, um dos principais idealizadores do Cefep e seu primeiro secretário executivo, juntamente com Odete Rigato, coordenadora pedagógica, Carla Caminha e Márcia Regina, representantes regionais na coordenação e o atual secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política, Jardel Neves, tratarem da memória do Cefep – do germinar, ao Cefep de hoje.


SESSÃO SOLENE










Às 13 horas os participantes do seminário se dirigiram para a praça dos Três Poderes onde, a partir das 14 horas, no Salão Verde, aconteceu a Sessão Solene, de Homenagem do Congresso Nacional ao Cefep. A reunião extraordinária foi presidida pelos deputados, Vicentinho (PT/SP) e Chico Alencar (PSOL/RJ) que se revezaram na condução dos trabalhos. Além dos dois deputados citados, tiveram assento à mesa da casa, o presidente do Cefep, Dom Giovane de Melo, o secretário executivo, Jardel Neves, a coordenadora pedagógica, Odete Rigato, Carla Caminha e Francielly Falcão, representando, respectivamente, as coordenações regionais e os egressos, padre Ernanne Pinheiro, membro-fundador e primeiro secretário executivo do Cefep e Edinho Silva, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores. Outros deputados da bancada progressista do Congresso também prestigiaram a sessão de forma presencial e online.




Depois da Sessão solene na Câmara, os participantes do seminário visitaram as dependências do congresso e retornaram para o Centro Cultural de Brasília no fim da tarde. De 19:30 até por volta das 22 horas aconteceu um rico debate sobre os desafios dos cristãos e cristãs na política, com as presenças da senadora, Teresa Leitão (PT/PE) e do deputado federal, Chico Alencar (PSOL/RJ).



DIA 29

 A manhã do dia 29 iniciou com a tradicional mística, seguida por uma rápida rodada de exposições sobre o compromisso do Cefep com a formação política de leigas e leigos no Brasil, conduzida por Jardel Neves e Odete Rigato, pelo Cefep e pelo CNLB, o seu presidente, Márcio José de Oliveira. 




Ainda pela manhã teve lugar uma rica análise dos estudos e das experiências de Fé e Política na atualidade que foi dividida em dois momentos. O primeiro, contemplou a dimensão da política e os expositores foram: o sociólogo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Cesar Sanson, Daniel, Seidel, representando a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBPJ), Francielly Falcão, representando o Cefep, Izalene Tiene, Assessora do Cefep, Assistente social e ex-prefeita de Campinas e o Filósofo, Gilberto de Carvalho, que foi Secretário-Geral da Presidência da República no segundo mandato do presidente Lula. O segundo momento deu conta da dimensão da fé com a participação do teólogo, Francisco de Aquino Júnior.





No período da tarde os participantes foram divididos em seis grupos para discutir e propor ações sociotransformadoras nos campos político e eclesial, envolvendo assessorias, produção de conteúdo, formações e engajamento pastoral. Após as discussões, os relatores dos grupos tiveram a oportunidade de partilhar em plenária as propostas sugeridas pelos seus respectivos grupos.


O início da noite de sexta-feira foi marcado com Missa comemorativa dos 20 anos do Cefep, presidida por Dom Giovane de Melo. 






Logo depois da missa ocorreram os lançamentos da Agenda Latino Americana, pelo seu coordenador, o frei José Fernandes Alves, OP e do livro CEFEP: 20 anos comprometidos com a formação de cristãs e cristãos para a transformação social e política, apresentado pelo secretário executivo do Cefep, Jardel Neves Lopes, coordenador da organização da publicação, cujo trabalho contou com a colaboração dos assessores, Cesar Sanson, Eugênio Magno Martins de Oliveira e Robson Sávio Reis Souza. De forma sintética, a publicação que tem a chancela da Editora Santuário cobre os vários momentos do Cefep, ao longo desses 20 anos, desde a criação e os primeiros passos até o momento atual, com seus desafios e perspectivas. De quadros conjunturais a depoimentos de ex-alunos de todas as dez turmas do curso de formação, o livro apresenta uma grande variedade de textos de pelo menos duas dezenas de autores e tem como anexo uma galeria de fotos (coloridas). O livro está sendo vendido por 30 Reais (mais despesas de postagem nos correios) e pode ser solicitado pelo whatsapp do Cefep: 61 8155-7198.



A agenda do dia 29 fechou com uma noite cultural organizada pela turma, com direito a comida, bebida, música boa, confraternização e um excelente astral. Foi cantado o Parabéns pra você, e teve até bolo de aniversário para o Cefep.

O ex e o atual secretário executivo do Cefep: padre Paulo Adolfo e Jardel Neves



Gilberto de Carvalho ladeado por três cefepianas



DIA 30 - Encerramento



No último dia do seminário (30.08.2025), imediatamente após a mística, foram realizadas reuniões de grupos – por regiões –, para pensar “como fortalecer a articulação das escolas nas regiões”, seguida pelo retorno dos grupos para a plenária, onde foram feitos os devidos encaminhamentos pelos representantes de cada grupo/região e a avaliação da questão proposta com a intervenção dos demais participantes.

 O encerramento desse grande evento se deu com uma belíssima celebração ecumênica, iniciada com rito indígena conduzido pelo pajé, Gildo Aquino, seguido pela leitura da palavra de Deus e uma breve cerimônia de compromisso para a distribuição de anéis de tucum bentos. E, para finalizar, cantos, orações, as bênçãos finais feitas por padre Paulo Adolfo, ex-secretário executivo do Cefep e pelo pastor batista, Evandro. Na despedida, foi entregue uma caneca comemorativa dos 20 anos do Cefep a cada um dos participantes.





Assista aos vídeos de quatro figuras de proa do Cefep:

Padre Ernanne Pinheiro e o início do Cefep



Dom Giovane de Melo: o compromisso do Cefep



Jardel Neves: perspectivas do Cefep para os próximos anos



Odete Rigato e as formações promovidas pelo Cefep





Entra na roda com a gente / Você é muito importante / Por isso...
Vem!




quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O PROFETISMO DE LEONARDO BOFF E PAULO FREIRE

 


(Corrente Escravidão Opressão - Pixabay)


Opressão X Libertação

O antagonismo entre Libertação e Opressão é claro e desde as primeiras manifestações de opressão por parte dos poderosos que o povo oprimido resistiu e reagiu, lutando por libertação, ainda que lhe fossem impostas duras penas. Não existe vencedor sem vencido o que, conseqüentemente, confirma a existência de uma luta mesmo que desigual entre as partes. E, são as lutas – vencidas e perdidas –, do passado e do presente, que estimulam outras e novas batalhas que fazem perpetuar o ideal de liberdade.

A primeira edição de novembro do podcast Política com Fé* traz, além dos informes do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), uma breve reflexão Opressão versus Libertação: denúncia e anúncio, apoiada no profetismo de Leonardo Boff e Paulo Freire.

Para ouvir o episódio # 26 - OPRESSÃO X LIBERTAÇÃO, clique aqui.

*Visite a plataforma do nosso podcast. Conheça e ouça todos os nossos episódios e se inteire das temáticas de Fé e Política: anchor.fm/eugenio-magno.


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

ANIVERSÁRIO DO PODCAST POLÍTICA COM FÉ


O podcast "Política com Fé", produzido e apresentado por Eugênio Magno está comemorando seu primeiro aniversário. Em 5 de novembro de 2020, com o episódio # ZERO - Fé, Espiritualidade e Política, trouxemos para a plataforma Anchor/Spotify, a primeira edição do podcast, enfrentando todas as dificuldades que um estreante em uma mídia com a qual não tem intimidade enfrenta.

Fé e Política é o tema explorado neste podcast. Com base na Doutrina Social da Igreja Católica (DSI), refletimos, analisamos e discutimos temas relevantes da política nacional e da geopolítica mundial à luz do Evangelho. Inspirados pelo papa Paulo VI que disse: "a Política é a forma mais sublime de fazer caridade", pretendemos contribuir para desfazer o equívoco de muitos que julgam ser uma política incompatível com a fé e a espiritualidade.

POLÍTICA COM FÉ é um podcast que tem como propósito educar e informar a população e contribuir para a diminuição de analfabetos políticos no Brasil.

Ao longo desse primeiro ano de existência o podcast vem conquistando, paulatinamente, novos ouvintes, um público qualificado e participante que ainda é pequeno, em números absolutos, mas que está presente em todos os Estados brasileiros e também em outros países, tais como: Áustria,  Estados Unidos, Chile, Portugal e Angola. 

Até a presente data já se somam 25 episódios do podcast, abordando vários assuntos em sua área temática. Para acessar, ouvir, baixar e partilhar com os amigos todos os episódios é só clicar em um desses links: Anchor FM-Eugênio Magno ou POLÍTICA COM FÉ, no Spotify.


segunda-feira, 1 de março de 2021

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA DE 2021

 


A importância do diálogo fraterno

Eugênio Magno

Fraternidade, Amor, Paz, Unidade (ainda que na diversidade) são pressupostos básicos do cristianismo. Num país como o nosso em que, algo em torno de 80% da população se declara cristã, porque é necessário que as verdadeiras Igrejas Cristãs tenham que fazer campanha para estimular e promover, justamente a fraternidade?

Queria poder responder de outra forma, mas, meio a contragosto, digo que é simplesmente porque não sabemos o que é ser cristão e é fundamental que sejamos lembrados permanentemente. Existe todo um ensinamento dado pelo próprio Cristo é claro e, pelos verdadeiros cristãos ao longo da história do cristianismo pelos Evangelhos, segundo vários apóstolos. Cada um dos batizados que se dizem cristãos, também já deveriam estar cientes do que é ser cristão. Sendo simplista, diria que ser cristão é seguir o Cristo, é ter a intenção e o desejo de, ao menos, aprender a segui-lo. E para segui-lo é fundamental que tenhamos, ainda que somente como horizonte, o seu principal mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo”.

Então qual é o problema? Porque algumas seitas exploradoras da credulidade popular faz tanto escarcéu contra a Campanha da Fraternidade de 2021. E, mais grave ainda, porque setores conservadores da Igreja Católica e de outras Igrejas pertencentes ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs insistem em dividir ainda mais o que deveria estar unido e incentivam boicotes e fazem críticas à campanha?

Na abertura do tempo da Quaresma, do Missal Dominical, tem um texto “O Jejum que salva”, que nos ajuda a argumentar sobre a importância da campanha da fraternidade.

Na quaresma se pede ao fiel que renuncie das refeições importantes do dia em sinal de disponibilidade e solidariedade. Disponibilidade à escuta de Deus, demonstrando dar mais valor à sua palavra que ao bem-estar imediato, sinal de conversão do coração; isto é que significa o jejum dos cristãos, como o do Mestre no início de sua missão. Um jejum mais sensível por todo o tempo da Quaresma, com outras iniciativas pessoais de desapego, renúncia às comodidades e satisfações mesmo legítimas, para maior liberdade interior. Assim o jejum ritual, feito com interioridade e não por mero formalismo, se torna sinal de fé e caminho de salvação para todo o nosso ser. Por outro lado, sofrendo um pouco de privação, saibamos unir-nos de algum modo aos homens para os quais é habitual a privação de alimento, de meios econômicos, de bens culturais e de possibilidades concretas de desenvolvimento: o jejum se torna um gesto simbólico, denúncia profética da injustiça que nasce do egoísmo, solidariedade com os mais pobres. Assim, a preparação para a Páscoa se torna ‘Campanha da Fraternidade’, e a ceia do Senhor um gesto de pobreza, contrição, esperança, anúncio. Quem participa seriamente da paixão do Senhor, ainda hoje viva, nos pobres da terra, sabe que a volta ao pai (tanto a sua como a da comunidade) já começou, e que na mortificação da carne pode florescer o Espírito da ressurreição e da vida. (Missal Cotidiano, Paulus, pág. 140) 

Na quarta-feira de cinzas, 17 de fevereiro, foi lançada a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”. Neste ano, a campanha é ecumênica e, portanto organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC).

Para quem não sabe, a Campanha da Fraternidade acontece no Brasil desde 1964 e, a partir do ano 2000 ela assumiu o compromisso de ser ecumênica a cada cinco anos.

Os principais objetivos da Igreja Católica, representada em nosso país pela CNBB, em criar, manter e promover anualmente as Campanhas da Fraternidade são os seguintes:

Educar para a vida em fraternidade, com base na justiça e no amor, exigências centrais do Evangelho e Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja Católica na evangelização e na promoção humana, tendo em vista uma sociedade justa e solidária.

A campanha deste ano está voltada para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual, em especial no contexto da política e da pandemia da covid-19. A CNBB chama a atenção para o fato do vírus que já é letal em si mesmo, ter encontrado aliados na indiferença, no negacionismo, no obscurantismo e no desprezo pela vida e na ocasião do lançamento virtual da campanha, conclamou os cristãos a serem aliados na responsabilidade, na lucidez e na fraternidade. A proposta da CNBB que encontrou plena ressonância no Conselho Nacional das Igrejas Cristãs foi dar continuidade à campanha do ano passado, sobre a necessidade do cuidado mútuo entre as pessoas, independentemente de sua cor, raça, etnia, gênero, cultura e condição social e econômica. Os organizadores da campanha ressaltam que essa proposta ecumênica não é de imposição, no sentido de que todos pensem e ajam da mesma maneira e sim de sensibilização sobre a importância do diálogo, especialmente frente às diferenças. CNBB e CONIC identificaram nesse tema a mensagem pela qual o nosso tempo clama. É voz corrente entre os cristãos que, verdadeiramente, abraçam o Evangelho de Jesus Cristo, saberem-se conscientes de como é triste ver o que vem acontecendo em nossa sociedade, marcada pela radicalização, polarizações e desrespeito às pessoas, especialmente as mais simples e as vulnerabilizadas, sem fazer nada a respeito.

As campanhas da fraternidade são formas concretas de expressarmos a dimensão social e porque não dizer política da nossa fé. E isso não tem nada a ver com simpatias ou antipatias partidárias. Muito embora hajam muitos partidos políticos e partidários de determinados partidos negacionistas que, mais preocupados em dividir ou se afirmarem, equivocadamente, negam o amor e a fraternidade entre os humanos.

A proposta aqui é incentivar e apelar às pessoas de bem, independentemente do credo que professem, no sentido de contribuir como puder para o sucesso da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” – “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”.


domingo, 1 de novembro de 2020

CEFEP REÚNE ASSESSORES E APRESENTA NOVOS MEMBROS

 

Dom Joaquim Giovani Mol 
(Imgem: divulgação - ANEC)

Fé e Política: o Reino de Deus presente no mundo


O Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Câmara (CEFEP), órgão de formação política para cristãos leigos e leigas, ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou neste final de semana seu segundo encontro virtual de assessores em 2020.

Sábado, 31 de outubro foi reservado às trocas de apresentações entre os 25 novos assessores e assessoras que passaram a integrar a Rede de Assessores do Centro, que agora conta com cerca de 50 membros. Padre Paulo Adolfo, secretário executivo do CEFEP, falou sobre a importância da ampliação do quadro de assessores que tem como objetivos, além de uma renovação complementar, equilibrar a participação por gênero (aumentar a participação das mulheres), contemplar outras disciplinas e áreas do conhecimento, cobrir, em capilaridade, as várias regiões do país e integrar representações de outras instituições parceiras. 

No domingo, 1º de novembro, os assessores se reuniram de 9 da manhã ao meio dia para ouvir dom Joaquim Giovani Mol, bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB. Sua reflexão teve como inspiração o manifesto Pacto pela Vida e pelo Brasil, que as mais importantes instituições brasileiras são signatárias e a Carta ao Povo de Deus, assinada por 152 bispos católicos. Dom Mol fez um resgate do teor desses dois importantes documentos à luz do texto inicial do capítulo IV - A dimensão social da evangelização, da exortação apostólica, Evangelli Gaudium, do papa Francisco: "Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo"

Após as interações dos participantes, padre Paulo Adolfo deu por encerrado o encontro e foi proferida a benção final, pelo presidente do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), Dom Giovane Pereira de Melo, bispo de Tocantinópolis – TO, que também é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato.

Visite o site do Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Câmara - CEFEP.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

ECONOMISTAS COMPLICAM A ECONOMIA PARA QUE NÓS NÃO A ENTENDAMOS

(Imagem do Google)

Economia a serviço da vida

por Eugênio Magno


Na "Economia de Francisco" - o santo (São Francisco) - proposta por Francisco (Jorge Mario Bergoglio), o papa, é urgente que haja uma reordenação de valores. É imprescindível que a economia esteja a serviço da vida e não a vida a serviço da economia, como vem acontecendo no mundo.

Desenvolvimento sem democracia econômica é um contrassenso do capitalismo ultraliberal rentista e excessivamente financeirizado, para o qual os maiores gênios da economia mundial vêm se empenhando no sentido de encontrar uma alternativa que o substitua. E nesse momento caótico em que vivemos é o papa Francisco, reconhecido por várias autoridades como o maior líder mundial dos tempos atuais, quem articula os principais movimentos globais sugerindo iniciativas de estudos, debates e ações com uma Igreja em saída - se encontrando com os leigos, intelectuais e com a sociedade -, na busca de soluções para garantir a vida no planeta.

Os números dão muito o que pensar. Para ficar com um único exemplo, basta saber que 3 milhões de crianças morreram de fome no ano passado. Isso, enquanto produzimos o equivalente a 1,5 kg de alimento por habitante da terra e que a riqueza total produzida no mundo, se dividida de forma igualitária para toda a população mundial, daria uma renda, em moeda brasileira, de algo em torno de R$18.000,00, mensais, para cada família de quatro pessoas. Isso para não falar da devastação do planeta, da falta de preservação de nossos biomas, e do total descuido com a água, a terra , o ar e para com a vida silvestre e os povos das florestas, nativos, quilombolas e ribeirinhos. 

(Logo da 6ª Semana Social Brasileira)

Foi dada a largada, em nosso país, para a 6ª Semana Social Brasileira - Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho, inspirada pelos diálogos do papa Francisco com os movimentos populares. Tendo como eixos, democracia, soberania e economia, as ações da Semana Social Brasileira (SSB), visam debater, compreender e formular soluções para as questões sociais mais urgentes que impactam especialmente os setores excluídos e marginalizados da sociedade. 

Sábado passado (dia 4.10.2020), aconteceram vários eventos de lançamento da Semana Social Brasileira, articulando forças populares e intelectuais para o debate de questões sociopolíticas de interesse público com o propósito de entender a conjuntura atual e traçar perspectivas para o presente e o futuro. Como era difícil acompanhar tudo, elegi a live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovida pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara. O evento contou com a participação do bispo da diocese de Itapipoca, Dom Antônio Roberto Cavuto, do padre e teólogo Francisco Aquino Júnior, do economista e escritor Ladislau Dowbor e de Reginha, da Cáritas e da Articlação das Pastorais Sociais do Ceará, mediadora da live que teve ainda a participação de membros da Escola Regional de Fé e Política, com cantos e declamações e contaria também com a presença do filósofo Manfredo Oliveira que, em razão de problemas técnicos, não pode participar.

(Foto: Janaína Abreu)

O mestre, Ladislau Dowbor, apesar do tempo restrito, fez uma brilhante apresentação. Ancorado em pesquisas e análises de vários estudiosos e usando uma linguagem de fácil compreensão ele mostrou como funciona a economia e incentivou a todos, para que, independentemente de conhecimentos prévios de economia, buscassem entendê-la para multiplicar sua compreensão. Segundo Dowbor, "a economia não tem nada de complicado, os economistas é que a complicam para que o povo não possa compreendê-la". E para auxiliar a todos nessa compreensão ele disponibiliza todos os seus livros, artigos e estudos, gratuitamente, em seu site na internet (www.dowbor.org).

O padre, Francisco de Aquino Júnior, chamou a atenção para o fato de que a Igreja apesar de não possuir meios técnicos e instrumentos de análise econômica é rica em parâmetros éticos e espirituais para iluminar e mostrar caminhos em que a economia pode ser colocada a serviço da humanidade. Seus argumentos, se ancoram na Doutrina Social da Igreja e nos vários documentos papais que, desde fins do século XIX, com Leão XIII e a Rerum Novarum, até Francisco, na atualidade, com as encíclicas Laudatto Si e a novíssima Fratelli Tutti, mostra sua preocupação com a vida social.

Embora chamada de "semana", a 6ª Semana Social Brasileira Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho, tem como vigência o período 2020-2022. Ela é convocada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e promovida conjuntamente com as pastorais sociais e movimentos populares. É realizada em mutirão, na pluralidade cultural e étnica do Brasil, assim como no ecumenismo e diálogo inter-religioso. Até o seu encerramento, muitos eventos, presenciais e online acontecerão. Para acompanhar tudo sobre a Semana Social Brasileira, acesse o site ssb.org.br.

(Print de tela da live)

A live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovido pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara ainda está disponível no YouTube e pode ser acessada em: https://www.youtube.com/watch?v=btQyQvIf9Ek.