quarta-feira, 27 de abril de 2016

EX-PRESIDENTE URUGUAIO FALA SOBRE CRISE POLÍTICA BRASILEIRA




José "Pepe" Mujica, ex-presidente do Uruguai, deu uma entrevista a blogueiros na manhã do dia 27 no Instituto Barão de Itararé, administrado com sobeja competência por Miroslav Dutra, o homem, o mito. O DCM estava lá e o Kiko Nogueira, fez a matéria que segue abaixo.
Mujica decepcionou quem esperava palavras de ordem inflamadas contra o impeachment. Sequer tocou no termo “golpe”.
Dilma foi mencionada de raspão. Perguntado sobre o que faria no lugar dela, respondeu: “Se eu fosse Dilma… Pobre Dilma. Não posso dizer o que eu faria no lugar dela. Tenho medo que não me entenda”.
Ao invés disso, ofereceu uma visão mais profunda e mais sábia do momento por que passa o Brasil. Pode ser resumida no seguinte: “Apesar de nunca termos triunfado completamente, os únicos derrotados são os que deixam de lutar. A derrota é sentir-se impotente.”
Sic transit gloria mundi. A glória do mundo é efêmera. A perda também.
Mujica está olhando para a frente, não para trás. Aos 80 anos, vestido com um moletom azul, ele abriu com um discurso com a voz relativamente baixa e frágil, errando o microfone à sua frente.
Minutos depois, o microfone não era mais necessário. O ex-presidente do Uruguai, atual senador pelo Movimento de Participação Popular, é um apóstolo da política e, portanto, gosta de falar. Sua pregação é sua força.
Enquanto parecemos afundados num pântano de traições, de toma lá dá cá, de um noticiário miserável, numa situação que não terá um desfecho tão cedo, em que a democracia parece desabar, ele traz a noção de transcendência.
“Nunca triunfamos totalmente na vida. Não há um prêmio. O prêmio da vida é viver com uma causa, com sentimento”, diz.
“Como qualquer animal, temos uma cota de egoísmo e outra de solidariedade. Andamos com essa contradição. Se fôssemos perfeitos, se fôssemos deuses, não precisaríamos da política.”
Mas a política não é uma profissão para enriquecer. “É uma paixão. Não quero dizer que não haja interesses. Mas, se a política é expressão da maioria, temos que viver como a maioria, não como a minoria”.
“Tenho, seguramente, um monte de defeitos. Mas tenho autoridade para dizer essas coisas. Vou morrer feliz porque vivo como penso e para o que penso.”
Essa reivindicação foi dos poucos momentos em que usou a primeira pessoa. Ao abordar questões como a legalização do aborto e das drogas no Uruguai, poderia, eventualmente, ter se jactado de ser o autor desses avanços.
O personalismo, que seria natural, não é seu estilo. Explicou que seu país é “pequenininho”, “não é milagroso” e tem uma longa tradição de liberalidade em diversas áreas.
Nos anos 20, reconheceu o voto das mulheres e o divórcio. Foi pioneiro em assegurar os direitos das prostitutas. Por anos, o estado foi produtor de bebida alcoólica para evitar que a população tomasse uma aguardente derivada da madeira, altamente prejudicial à saúde.
“O povo brasileiro não vai perder tudo”, acredita. “A própria direita tem de negociar, de ceder. Não é uma análise simples”.
Para ele, a classe média “vive com medo”, especialmente nas crises. “Se são alemães, a culpa é dos judeus.” Seu assombro com o Brasil se dá por ser tão “hermoso”, mas também com relação ao número de agremiações partidárias.
“Como governar com 30, 40 partidos? É impossível que vocês tenham 30 projetos políticos. Isso não pode dar certo.”
Ele encontrou um conceito para suas atuais preocupações com a América Latina: “humildade estratégica”. Não no sentido de se autoflagelar, mas de aprender com os erros e seguir adiante. “Agora é tempo de lutar”, insiste.
Os uruguaios fizeram sua Lei de Meios. Mas ele não tem ilusões. “A direita tem o monopólio da comunicação. Algum dia eu suponho que vocês reformarão isso.”
Prosseguiu: “As empresas de comunicação são empresas. De que vivem? Vivem do lucro. Quem são os grandes clientes? Obviamente não são de esquerda. Os meios são da direita. É uma consequência e é um problema. Não existe a neutralidade, isso é mentira. No dia em que esses meios estiverem do nosso lado, é porque mudamos de lado”.
Mujica já se definiu como um “Quixote disfarçado de Sancho”. É uma espécie de filósofo rei milongueiro que virou, também, um popstar improvável. Não chega, ainda, a andar com seguranças, mas tem de entrar e sair rapidamente dos locais onde se apresenta para evitar aglomerações e o assédio dos fãs que querem tirar uma selfie com ele.
Fala o óbvio, mas o óbvio é frequentemente o mais difícil de se ver: “Há que ter coragem de voltar a começar, sempre. Aprender com os erros e voltar a começar, tentar fazer o melhor, ter perseverança. Isso vai passar”.
(Fonte: Site do DCM)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

NUNCA SE SABE...


Incerto amanhecer


Eugênio Magno


A estrela, na vidraça, estava, ao alcance, da mão. Mais, um, dedo, de prosa, e pegaria, também, a lua, cheia, de fumaça, do cigarro, que alimentava, o cinzeiro, sobre, a janela, de muitas, noites. Não encostei em nada. Tive medo que o amanhecer queimasse o meu toque e recolhi apenas impressões.

(Do Livro Minas em mim, 2005: 28)

MANIFESTO DA CNBB


Entidades assinam manifesto "Na busca da Justiça e da Paz" 


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação dos Juízes Federais do Brasil assinaram, na manhã de segunda-feira, 4 de abril, o manifesto "Na busca da Justiça e da Paz". A assinatura do documento foi realizada na sede da CNBB, em Brasília. No texto, as entidades afirmam ser "necessário que as entidades da sociedade civil se unam pela superação da intolerância e pela busca de soluções que priorizem o compromisso com o interesse comum do país" e “formulam veemente apelo fraterno à inteira sociedade brasileira e suas instituições, para que se engajem na incansável busca pela Justiça e pela Paz". Confira a íntegra do texto: NA BUSCA DA JUSTIÇA E DA PAZ A sociedade brasileira passa por um momento de grave crise institucional, provocada por uma polarização política em crescente radicalização. Esse sentimento que atinge hoje grandes segmentos da população apresenta, infelizmente, reações carregadas de intolerância e agressividade, dividindo brasileiros e brasileiras e gerando o risco de uma preocupante escalada da violência, em prejuízo de toda a nação. Neste momento, urge que os atores da cena política procurem o entendimento para consolidar a luta contra a corrupção, sempre de acordo com a institucionalidade democrática. A unidade nacional não pode sofrer divisões insuperáveis. Por isso, é necessário que as entidades da sociedade civil se unam pela superação da intolerância e pela busca de soluções que priorizem o compromisso com o interesse comum do país. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação dos Juízes Federais do Brasil formulam veemente apelo fraterno à inteira sociedade brasileira e suas instituições para se engajarem, de forma decidida, na incansável luta pela Justiça e pela Paz, para a construção de um país, casa comum de brasileiros e brasileiras e daqueles que adotaram esta terra como seu lar. Assinaram a carta Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da CNBB, Dr. João Ricardo dos Santos, Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Dr. Ricardo Lourenço Filho, Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Dra. Candice Galvão Jobim, Vice-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil.

(Fonte: Boletim do CEFEP: Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara)

sábado, 9 de abril de 2016

MUDANÇA É O QUE NECESSITAMOS, NÃO MODERNIZAÇÃO




10 lições da crise brasileira

Leonardo Boff


Toda crise acrisola, purifica e faz madurar. Que lições podemos tirar dela? Elenco algumas.
 Primeira lição:tipo de sociedade que temos não pode mais continuar assim com é. As manifestações de 2013 e as atuais mostraram claramente: não queremos mais uma democracia de baixíssima intensidade, uma sociedade profundamente desigual e uma política de negociatas. Nas manifestações os políticos também os da oposição foram escorraçados. Igualmente movimentos sociais organizados. Queremos outro tipo de Brasil, diverso daquele que herdamos que seja democrático, includente, justo e sustentável.
Segunda lição: superar a vergonhosa desigualdade social impedindo que 5 mil famílias extensas controlem quase metade da riqueza nacional. Essa desigualdade se traduz por uma perversa concentração de terras, de capitais e de uma dominação iniqua do sistema financeiro, com bancos que extorquem o povo e o governo cobrando-lhe um superávit primário absurdo para pagar os juros da dívida pública. Enquanto  não se taxarem as grandes fortunas e não submeterem os bancos a níveis razoáveis de lucro o Brasil será sempre desigual, injusto e pobre.
Terceira lição: prevalência do capital social  sobre o capital individual. Quer dizer, o que faz o povo evoluir não é matar-lhe simplesmente a fome e faze-lo um consumidor mas fortalecer-lhe o capital social feito pela educação, pela saúde, pela cultura e pela busca do bem-viver, pré-condições de uma cidadania plena.
Quarta lição: cobrar uma democracia participativa, construída de baixo para cima com forte presença da sociedade organizada especialmente dos movimentos sociais que enriquecem a democracia representativa que, por causa de sua histórica corrupção, o povo sente que ela não mais o representa.
Quinta lição:reinvenção do Estado nacional. Como foi montado historicamente, atendia as classes que detém o ter, o poder, o saber e a comunicação dentro de uma política de conciliação entre as oligarquias, deixando sempre o povo de fora. Ele está aí  mais para  garantir privilégios do que para realizar o bem geral da nação. O Estado tem que ser a representação da soberania popular e todos os seus aparelhos devem estar a serviço do bem comum, com especial atenção aos vulneráveis (seu caráter ético) e sob o severo controle social com as devidas instituições para isso. Para tal se faz necessária uma reforma política, com nova constituição, fruto da representação nacional e não apenas partidária.
Sexta lição: o dever ético-político de pagar a dívida às vítimas feitas no processo da constituição  de nossa nacionalidade e que nunca foi paga: para com os indígenas quase exterminados, para com os afrodescendentes (mais da metade da população brasileira) feitos escravos, carvão para o processo produtivo; os pobres em geral sempre esquecidos pelas políticas públicas e desprezados  e humilhados pelas classes dominantes. Urge políticas compensatórias e pro-ativas para criar-lhes oportunidades de se autopromoverem e se inserirem nos benefícios da sociedade moderna.
Oitava lição: fim do presidencialismo de coalizão de partidos, feito à base de negócios e de tráfico de influência, de costas para o povo; é uma política de planalto desconectada da planície onde vive o povo. Com ou sem Dilma Rousseff à frente do governo, precisa-se, para sair da pluricrise atual, de uma nova concertação entre as forças existentes na nação. Não pode ser apenas entre os partidos que tenderiam a reproduzir a velha e desastrada política de conciliação ou de coalizão mas uma concertação que acolha representantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais de caráter nacional, representantes do empresariado, da intelectualidade, das artes, das mulheres,  das igrejas e das religiões a fim de elaborar uma agenda mínima aceita por todos.
Nona lição:caráter claramente republicano da democracia que vai além da neoliberal e privatista.  Em outras palavras, o bem comum (res publica) deve ganhar centralidade e em seguida o bem privado. Isso se concretiza por política sociais que atendam as demandas mais gerais  da população  a partir dos necessitados e deixados para trás. As políticas sociais não se restringem apenas a ser distributivas mas importa serem  redistributivas (diminuir de quem tem de mais para repassar para quem tem de menos), em vista da redução da desigualdade social.         
Décima lição: inclusão da natureza com seus bens e serviços e da Mãe Terra com seus direitos na constituição de um novo tipo de democracia sócio-cósmica, à altura consciência ecológica que reconhece todos os seres como sujeitos de direitos formando um grande todo: Terra-natureza-ser humano. É a base de um novo tipo de civilização, biocentrada, capaz de garantir o futuro da vida e de nossa civilização.
OBS.: Faltou a Sétima lição (desconheço as razões. Na fonte de onde retirei o texto não havia essa lição)
(Fonte: Site Carta Maior)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

SENSATEZ, JUSTIÇA, MAS CORAGEM TAMBÉM


O Brasil precisa de homens e mulheres sensato(a)s e corajoso(a)s



Tenho dito, já há algum tempo, nos círculos por onde transito que gostaria de ver sensatez, espírito de justiça, mas também CORAGEM, da parte de algum político brasileiro que tivesse estatura suficiente para denunciar os embustes, imposturas e outros abusos e arbitrariedades que abastecem a crise que se instalou em nosso país e fazem oposição ao Brasil.
Inquieto, como fico, todas os dias, em busca de informações que possam me auxiliar na formação da minha opinião sobre os fatos, as circunstâncias e a maneira como tudo tem sido conduzido e divulgado, acompanho os noticiários e as opiniões. Faço um exercício diário de garimpo em veículos de comunicação das mais variadas tendências: da grande imprensa à  chamada (de forma preconceituosa) imprensa nanica, passando pelos blogs, mídias sociais, etc. 

Nos últimos dias duas informações me chamaram a atenção:

1 - quando a atriz Letícia Sabatella disse, na presença da presidenta Dilma Rousseff que era opositora ao seu governo, que tinha muitas críticas ao seu projeto, mas que diante do atual quadro, não poderia ficar em silêncio. E, que estava ali para prestar o seu apoio a Dilma, contra o impeachment e em defesa da democracia e de um governo que foi eleito legitimamente pelo voto popular e que não poderia ser derrubado por força de um golpe. Para mais detalhes sobre as declarações da atriz e cantora, clique aqui;

2 - e hoje, me senti contemplado ao ler uma entrevista com o Ciro Gomes na qual ele demonstrou coragem e uma justa análise da atual conjuntura brasileira. Aliás, Ciro, na condição de político experiente e com uma formação acadêmica de excelência, falou com muita propriedade o que alguns analistas sensatos (corrente à qual me filio) têm dito e pensado. Pena que, muitos nomes da elite política brasileira de quem a população espera por um gesto de coragem e honradez estejam se acovardando, por excesso de passionalidade e intolerância, ou simplesmente, usando a velha estratégia que se baseia na máxima que prediz: "a melhor defesa é o ataque", já que querem o poder a qualquer preço na expectativa de que tenham o controle do país e das investigações de improbidades e crimes que certamente também os levariam à ruína. Para ler a entrevista do ex-governador do Ceará na íntegra, clique aqui.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O QUE É DEMOCRACIA (???)


O que está em disputa é o conceito de democracia



“O fantasma que protagoniza as ideias de fundo é a agenda da embaixada dos EUA, mais especificamente o acionar oficioso das trocas de regime, e, no caso latino-americano, na esteira da reação aos governos de centro-esquerda”, afirma o cientista político."
 
Em meio à crise que vem se arrastando, “se há alguma novidade” no cenário político brasileiro, “é a chegada de uma espécie de um Tea Party nacional, como expressão dos ultraliberais, através do Partido Novo e também do Partido Social Liberal (PSL, este bem pequeno)”, diz Bruno Lima Rocha à IHU On-Line, fazendo referência ao movimento norte-americano.
Segundo ele, a nova direita segue “ideias de tipo neoliberal, ultraliberal, neoconservadoras, passando como uma linha direta dos think tanks, dos centros de difusão, das fundações de apoio ao Tea Party”, e é “sucessora direta dos grupos neoliberais do Brasil, como o Estudantes pela Liberdade, o Instituto Mises Brasil, a juventude neoliberal vinculada ao Fórum da Liberdade e outras iniciativas difusoras do pensamento econômico neoclássico e da política neoliberal”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Rocha adverte que o que “está em disputa” na crise “é o conceito de democracia”, não no mesmo sentido em que esteve nos anos 30, com “elogio ao autoritarismo”, porque “a esquerda de tradição mais autoritária não se afirma como defensora de ditadura de espécie alguma, embora sempre elogie governos mais duros desde que este projete a melhoria nas condições materiais de vida”. A ameaça à democracia, explica, é “de tipo liberal” e “está justamente na desconfiança na quebra das regras do jogo, com o apelo de impeachment através de um tema discutível e que entendo como não caracterizado como crime de responsabilidade, sendo mais um argumento de tipo ideológico e de defesa de um arranjo na política econômica”. Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 28 de março de 2016

A DEMOCRACIA NÃO PODE SER RIFADA


Igrejas se posicionam em defesa da democracia


Rafael Tatemoto

Diversas igrejas cristãs têm se posicionado sobre o atual momento político vivido no país. Apesar de ressaltarem aspectos diferentes em relação à conjuntura, o elemento comum entre as manifestações é a defesa da democracia, das instituições e das regras do Estado de Direito.
 A Presidência do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nota, no dia 10 de março, em que afirma que “as manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e às instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito”.
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), entidade de caráter ecumênico, lançou manifesto– um dia após a manifestação da CNBB – em que incentiva o povo brasileiro a expressar, “diante da polarização estimulada por uma mídia partidarizada e tendenciosa, pacificamente, sua opinião e posição sobre o momento político que vivemos e evite o incentivo e a prática de qualquer tipo de violência e ilegalidade”.
“Precisamos, antes de tudo, preservar a nossa jovem democracia, o Estado de direito e as conquistas sociais que a sociedade brasileira alcançou nos últimos anos”, diz a nota do Conic.
Os luteranos, por meio do pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, reforçaram o pedido por uma resolução democrática para a crise. “O Brasil conquistou a democracia a duras penas. Um dos componentes imprescindíveis para que a democracia cresça e floresça chama-se diálogo. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas?”.
A Igreja Presbiteriana Unida, em manifestação, condenou a cobertura que a imprensa vem realizando sobre a Lava Jato. “Essa espetacularização de atividades meramente investigativas tem criado um caldo de cultura pernicioso, permeado pelo ódio ao que pensa diferente e que, caso não haja cautela da parte daqueles que conduzem tais investigações e da elite política deste país, poderá se degenerar e transformar nossas ruas em palcos de banhos de sangue”, afirmou em nota.
posicionamento mais contundente veio da Igreja Episcopal e Anglicana do Brasil (IEAB). O texto conclama o povo brasileiro a respeitar democracia, “construída a duras penas e banhada pelo sangue de homens e mulheres que deram a sua vida a serviço das causas libertárias de uma sociedade justa”. A IEAB afirma que investigações para o combate à corrupção “são legítimas somente quando existam provas concretas e quando garantem o direito à ampla defesa. Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar a priori ninguém por causa de seu perfil ideológico”.
O documento insere ainda a dinâmica política brasileira no contexto internacional. “Este é um processo global e latino-americano que tem realizado mudanças políticas conservadoras, em prejuízo da ampla maioria do povo”.
Por fim, a nota pede que se “evite qualquer manobra de desconstrução do resultado das urnas” e o rechaço a “qualquer tentativa de retorno ao autoritarismo e a qualquer modelo que represente cerceamento dos direitos individuais e coletivos conquistados".
(Site Brasil de Fato)

quarta-feira, 23 de março de 2016

POLÍTICAS PÚBLICAS EM EDUCAÇÃO



IV Seminário Internacional de Políticas Públicas da Educação Básica e Superior, o V Seminário Internacional de Gestão Educacional e a X Semana Acadêmica do curso de Especialização em Gestão Educacional da UFSM



No período de 15 a 17 de junho de 2016, acontece o IV Seminário Internacional de Políticas Públicas da Educação Básica e Superior, o V Seminário Internacional de Gestão Educacional e a X Semana Acadêmica do curso de Especialização em Gestão Educacional da UFSM. O evento é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional (PPPG) – UFSM e do Observatório de Educação/CAPES desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa ELOS/Cnpq – UFSM, com apoio da CAPES, do Centro de Educação, do Curso de Especialização em Gestão educacional EaD (UAB/UFSM) e da ADUFSM.
Configuram-se eventos integrados acerca do tema central organismos multilaterais e políticas públicas educacionais que objetivam promover espaços de discussões acerca das perspectivas dos organismos multilaterais na construção e [re]articulação de políticas públicas educacionais e processos de gestão da educação básica e superior.
Os eixos temáticos, que devem ser permeados por discussões inter-relacionadas as políticas públicas educacionais, são: 
Eixo 1 – Gestão da educação básica e superior
Eixo 2 – Formação de professores
Eixo 3 – Práticas pedagógicas na educação básica e superior
Eixo 4 – Educação e inclusão.
 O evento é destinado a estudantes de graduação e de pós-graduação, professores/gestores e técnicos da educação básica e superior, bem como demais interessados na temática.

Inscrições até o dia 13/06/16, enquanto houver vagas e submissão de trabalhos até o dia 25/04/16.

sábado, 19 de março de 2016

BUSCADORES DA VERDADE




SENTIDOS DO NASCER



Sentidos do Nascer é uma iniciativa que propõe ampliar o debate sobre questões relacionadas ao nascimento no Brasil. A ideia é mostrar ao público outra experiência do nascimento e desmitificar percepções sustentadas pelo senso comum e reverter práticas inadequadas de violência obstétrica. A curadoria e coordenação do projeto é da dupla: Bernardo Jefferson de Oliveira e Sônia Lansky.
Até o dia 1º de abril a exposição estará aberta a visitações, de segunda a sexta-feira, de 11:00 às 19:00 horas, no Campus Saúde da UFMG que fica na Avenida Alfredo Balena, nº 192 (na área hospitalar), em Belo Horizonte, MG. Para mais informações acesse o site: http://www.sentidosdonascer.org.

terça-feira, 15 de março de 2016

ALMA DE SERTANEJO



MINAS É +
                
Eugênio Magno
           
         Por quê?

         minas em mim se nem

         tão das minas sou

                                      assim
        

         Minas é M m +

         eu sou gerais

         minas me tem dentro de si

                        eu sertão em mim.

(Do Livro Minas em Mim, 2005: 27)

terça-feira, 8 de março de 2016

E POR FALAR EM EDUCAÇÃO...


A Escola Básica interroga a Universidade

 

Em boa parte dos discursos e das representações que buscam relacionar a escola básica e a universidade no Brasil o que se ressalta é, em boa medida, os antagonismos. Já há muitos anos que os professores das universidades explicitam que a escola básica brasileira não prepara bem os alunos para as exigências que lhes serão impostas no ensino superior. De outra parte, é amplamente sabido e divulgado o diagnóstico de que a universidade brasileira, desde há muito tempo, se distanciou da realidade da escola básica e, de um modo geral, da própria realidade do país. A imagem metafórica de uma torre de marfim, distante das vicissitudes mundanas, para representar a universidade, é eloquente neste sentido.
Sabemos que essa representação dicotômica da relação entre a universidade e a sociedade e, de modo particular, entre a universidade e a escola básica, é apenas parcialmente verdadeira. Por um lado, as universidades sempre foram, desde os seus primórdios, espaços de produção de conhecimentos e de sensibilidades que se distanciavam da vida cotidiana do conjunto da população. Por outro, foi essa característica que fortaleceu essas instituições como centros intelectuais capazes de questionar o passado e o presente e, de certa forma, antecipar, intelectual ou idealmente, o futuro.
É, por isso, necessário pensar que, apesar da tensão que sempre presidiu e, ao que parece, presidirá, a relação entre a universidade e a escola básica, há uma relação de necessária colaboração entre essas instituições. Tal relação, historicamente, tem contribuído para um enriquecimento da experiência dos alunos e dos professores da escola básica brasileira e, mesmo, para um crescente e salutar desconforto da universidade em relação às suas possíveis contribuições a essa nível de ensino.
Nos últimos meses veio à tona uma das faces muito visíveis da relação entre a universidade e a escola básica no Brasil por ocasião das discussões das Bases Nacionais Curriculares. Apesar de integrar uma política de governo, a versão inicial das Bases Nacionais Curriculares foi, no entanto, uma ação de responsabilidade principal de professores e pesquisadores das universidades brasileiras.
Como entender a polêmica em torno da Base Nacional Curricular? Estariam os pesquisadores e professores que foram responsáveis por sua elaboração, distantes dos reclames da sociedade no que diz respeito aos conteúdos que precisam ser ensinados na escola? Estariam as elaborações distantes do universo cotidiano e mediano dos professores, alunos e familiares das escolas básicas brasileiras? Ou, diferentemente, esses debates refletiriam fraturas existentes entre os próprios especialistas acerca daquilo que deveria ser ensinado na escola básica no Brasil?
Independentemente de qual seja a nossa resposta às indagações acima, o certo é que a escola básica brasileira vem, crescentemente, interrogando a universidade, seja no que se refere à própria formação de professores, seja, de um modo mais profundo, acerca dos modos de compreensão do que são os conhecimentos relevantes o bastante para serem ensinados na escola. Não menos evidente é o fato de que, nesta interrogação estão, também, embutidos questionamento acerca dos modos de legitimação ou não dos conhecimentos nas complexas sociedades contemporâneas. Nesse sentido, afirmar que isto ou aquilo merece ou deve ser ensinado na escola básica não é, definitivamente, um ato ingênuo ou despropositado.
O exemplo das discussões da Base Nacional Curricular não é, nem de longe, algo isolado. Assim como a universidade, por meio de suas ações de ensino, pesquisa e extensão, questiona continuamente a escola básica, não é menos verdade que da escola básica, de seus professores e gestores, partem continuamente interrogações acerca da universidade e de seus modos de interagir com o mundo social.
É preciso que estejamos atentos às tensões e as colaborações que presidem as relações entre as universidades e a escola básica brasileira. Sobretudo, é preciso que estejamos atentos às interrogações que a escola básica faz à universidade como centro de pesquisa e de formação de professores.
(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta)

sexta-feira, 4 de março de 2016

A LEI DO MAIS FRACO



O Cineclube da Casa de Cássia exibe neste sábado, 5 de março, às 17 horas, o filme "Pixote, a Lei do Mais Fraco", de Hector Babenco, com Fernando Ramos da Silva, Marília Pêra e Jardel Filho. Produção de 1980, com atores amadores atuando ao lado de profissionais, o filme aborda a perda da inocência de meninos de rua. Segundo a crítica norte-americana Pauline Kael, as imagens são cruas, mas o ponto de vista é poético. O menino Fernando morreu assassinado pela polícia. 
No domingo, 6, às 17 horas, o Cinepreciosidades inicia uma mostra dedicada à cineasta Agnès Varda que vai se estender durante todo o mês, exibindo seu primeiro filme, "La Pointe Courte", de 1955, que precede o movimento da Nouvelle Vague. Com Philippe Noiret e Sandrine Bonnaire, o filme observa a subjetividade existente tanto no relacionamento de um casal em crise quanto os problemas de uma vila de pescadores.     
A entrada é franca e o Cineclube Casa de Cássia fica na Rua Meyer, 105, Vila Suzana., em Mateus Leme, MG. Maiores informações pelos telefones: (31)3535-1721 e 99247-6574.

terça-feira, 1 de março de 2016

FUNDO DE POÇO


Depois do entreguismo só resta a terceira via


João Vicente Goulart 
Diretor do IPG- Instituto Presidente João Goulart


O que vimos na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas a mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência.
Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas.
A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios.
Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono.
Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria. A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem  essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional,  terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez  o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo.
Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.  E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória.
Temos história de sobra para isto.
O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agrária, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio a Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital.
Está na hora de reagrupar as forças e extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.
Para ler mais, clique aqui.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A POLÍTICA NOSSA DE CADA DIA


O tempo político de Dilma está se esgotando

Luis Nassif
As peças que compõem esse jogo são as seguintes
Peça 1 – O tempo político de Dilma Rousseff encurtou consideravelmente.
Há uma crise fiscal acelerada, no meio de uma crise política que tem paralisado todos os passos do governo. A aprovação da CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira) é essencial para o equilíbrio fiscal e para reverter a queda perigosa do PIB. Com ameaça de nova queda de 4% do PIB, as receitas fiscais caindo vertiginosamente, os estados entrando em default, não há muito tempo pela frente para a hora da verdade.
Peça 2 – Cresce a convicção de que Dilma não conseguirá montar um plano política e economicamente viável.
O Ministro da Fazenda Nelson Barbosa precisaria ser suficientemente ousado para apresentar um grande plano que não implicasse em riscos fiscais, que não aprofundasse a recessão e, ao mesmo tempo, passasse a ideia de previsibilidade – para contornar as resistências ao seu nome – sem descontentar a base do governo, mais à esquerda.
Montou duas propostas que não impactando o curto prazo poderiam acenar para o longo: reforma da Previdência e limites para as despesas públicas. Não foi suficiente para demover a direita e provocou rupturas no lado esquerdo da base de apoio.
Para conseguir apoio à CPMF, o governo concordou com as pressões do presidente do Senado Renan Calheiros, flexibilizando a lei do petróleo.
No momento, está por um fio a única base política efetiva com quem Dilma pode contar.
Peça 3 – Dilma não conseguirá se equilibrar entre mercado e base.
Exemplo claro foi o anúncio da reforma da Previdência. O mercado ouviu com pé atrás; à esquerda reagiu. No momento seguinte ela escala o Ministro do Trabalho Miguel Rossetto para explicar que não era bem assim.
Queimou-se com o mercado e com a esquerda.
Peça 4 – Mesmos nos círculos próximos a Dilma, aumenta a convicção de que a crise é grande demais para ela. 
Mesmo os habilidosos Jacques Wagner e Ricardo Berzoini têm enorme dificuldade em convencê-la de medidas óbvias. O termo mais usado no Palácio é “não adianta dar murro em ponta de faca”.
Peça 5 – Há um amplo espaço para aprofundamento da radicalização política e policial.
Tanto no STF como no STJ, qualquer Ministro que ouse uma postura mais garantista acaba vítima de ataques de reputação ou pelos jornais ou redes sociais. E poucos têm estrutura emocional para enfrentar a barbárie.
Peça 6 – Ruim com Dilma, o caos com o impeachment.
Suponha que Gilmar Mendes atropele leis e regulamentos e emplaque o impeachment via TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O caso iria para o STF. Se Dilma e Temer fossem cassados, quem assumiria? O presidente do Senado,Renan Calheiros, alvo da Lava JatoEduardo Cunha e sua imensa capivara? O país entraria em ebulição.
O governo de coalizão
Juntando todas essas peças, chega-se à conclusão de que a única saída seria um governo de coalizão com Dilma, tipo o que foi montado por Itamar Franco, quando pegou o pepino de suceder a Fernando Collor.
Ocorre que um governo de coalizão exige que o presidente efetivamente abra mão de poder.
No momento, Dilma tenta montar a coalizão mantendo o comando, recusando-se a abrir mão de qualquer espaço de poder. Não funciona.
Como diria Ricardo Berzoini – justificando o acordo de flexibilização do pré-sal – o governo tem que ser realista e entender quando perde as condições políticas e negociar uma política de menor dano.
O aprofundamento da crise obrigará Dilma a cair na real em um ponto qualquer do futuro.
Para acelerar a transição, quando a hora chegar, sugere-se aos articuladores políticos responsáveis que comecem a elaborar as ideias para tornar a transição a menos traumática possível.
Como suas pretensões políticas acabam em 2018, Dilma terá facilidades em arbitrar uma coalizão que garanta igualdade de condições a todas as partes.
(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)