O que está em disputa é o conceito de democracia
sexta-feira, 1 de abril de 2016
segunda-feira, 28 de março de 2016
A DEMOCRACIA NÃO PODE SER RIFADA
Igrejas se posicionam em defesa da democracia
Rafael Tatemoto
Diversas igrejas cristãs têm se posicionado sobre o atual momento político vivido no país. Apesar de ressaltarem aspectos diferentes em relação à conjuntura, o elemento comum entre as manifestações é a defesa da democracia, das instituições e das regras do Estado de Direito.
A Presidência do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nota, no dia 10 de março, em que afirma que “as manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e às instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito”.
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), entidade de caráter ecumênico, lançou manifesto– um dia após a manifestação da CNBB – em que incentiva o povo brasileiro a expressar, “diante da polarização estimulada por uma mídia partidarizada e tendenciosa, pacificamente, sua opinião e posição sobre o momento político que vivemos e evite o incentivo e a prática de qualquer tipo de violência e ilegalidade”.
“Precisamos, antes de tudo, preservar a nossa jovem democracia, o Estado de direito e as conquistas sociais que a sociedade brasileira alcançou nos últimos anos”, diz a nota do Conic.
Os luteranos, por meio do pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, reforçaram o pedido por uma resolução democrática para a crise. “O Brasil conquistou a democracia a duras penas. Um dos componentes imprescindíveis para que a democracia cresça e floresça chama-se diálogo. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas?”.
A Igreja Presbiteriana Unida, em manifestação, condenou a cobertura que a imprensa vem realizando sobre a Lava Jato. “Essa espetacularização de atividades meramente investigativas tem criado um caldo de cultura pernicioso, permeado pelo ódio ao que pensa diferente e que, caso não haja cautela da parte daqueles que conduzem tais investigações e da elite política deste país, poderá se degenerar e transformar nossas ruas em palcos de banhos de sangue”, afirmou em nota.
O posicionamento mais contundente veio da Igreja Episcopal e Anglicana do Brasil (IEAB). O texto conclama o povo brasileiro a respeitar democracia, “construída a duras penas e banhada pelo sangue de homens e mulheres que deram a sua vida a serviço das causas libertárias de uma sociedade justa”. A IEAB afirma que investigações para o combate à corrupção “são legítimas somente quando existam provas concretas e quando garantem o direito à ampla defesa. Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar a priori ninguém por causa de seu perfil ideológico”.
O documento insere ainda a dinâmica política brasileira no contexto internacional. “Este é um processo global e latino-americano que tem realizado mudanças políticas conservadoras, em prejuízo da ampla maioria do povo”.
Por fim, a nota pede que se “evite qualquer manobra de desconstrução do resultado das urnas” e o rechaço a “qualquer tentativa de retorno ao autoritarismo e a qualquer modelo que represente cerceamento dos direitos individuais e coletivos conquistados".
(Site Brasil de Fato)
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quarta-feira, 23 de março de 2016
POLÍTICAS PÚBLICAS EM EDUCAÇÃO
IV Seminário Internacional de Políticas Públicas da Educação Básica e Superior, o V Seminário Internacional de Gestão Educacional e a X Semana Acadêmica do curso de Especialização em Gestão Educacional da UFSM
No período de 15 a 17 de junho de 2016, acontece o IV Seminário Internacional de Políticas Públicas da Educação Básica e Superior, o V Seminário Internacional de Gestão Educacional e a X Semana Acadêmica do curso de Especialização em Gestão Educacional da UFSM. O evento é uma promoção do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional (PPPG) – UFSM e do Observatório de Educação/CAPES desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa ELOS/Cnpq – UFSM, com apoio da CAPES, do Centro de Educação, do Curso de Especialização em Gestão educacional EaD (UAB/UFSM) e da ADUFSM.Configuram-se eventos integrados acerca do tema central “organismos multilaterais e políticas públicas educacionais” que objetivam promover espaços de discussões acerca das perspectivas dos organismos multilaterais na construção e [re]articulação de políticas públicas educacionais e processos de gestão da educação básica e superior.Os eixos temáticos, que devem ser permeados por discussões inter-relacionadas as políticas públicas educacionais, são:Eixo 1 – Gestão da educação básica e superior;Eixo 2 – Formação de professores;Eixo 3 – Práticas pedagógicas na educação básica e superior;Eixo 4 – Educação e inclusão.O evento é destinado a estudantes de graduação e de pós-graduação, professores/gestores e técnicos da educação básica e superior, bem como demais interessados na temática.Inscrições até o dia 13/06/16, enquanto houver vagas e submissão de trabalhos até o dia 25/04/16.Maiores informações no site: http://coral.ufsm.br/seminariopoliticasegestao/ 2016/
sábado, 19 de março de 2016
SENTIDOS DO NASCER
Sentidos do Nascer é uma iniciativa que propõe ampliar o debate sobre questões relacionadas ao nascimento no Brasil. A ideia é mostrar ao público outra experiência do nascimento e desmitificar percepções sustentadas pelo senso comum e reverter práticas inadequadas de violência obstétrica. A curadoria e coordenação do projeto é da dupla: Bernardo Jefferson de Oliveira e Sônia Lansky.
Até o dia 1º de abril a exposição estará aberta a visitações, de segunda a sexta-feira, de 11:00 às 19:00 horas, no Campus Saúde da UFMG que fica na Avenida Alfredo Balena, nº 192 (na área hospitalar), em Belo Horizonte, MG. Para mais informações acesse o site: http://www.sentidosdonascer.org.
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terça-feira, 15 de março de 2016
ALMA DE SERTANEJO
MINAS É +
Eugênio Magno
Por
quê?
minas
em mim se nem
tão
das minas sou
assim
Minas
é M m +
eu
sou gerais
minas
me tem dentro de si
eu sertão em mim.
(Do Livro Minas em Mim, 2005: 27)
terça-feira, 8 de março de 2016
E POR FALAR EM EDUCAÇÃO...
A Escola Básica interroga a Universidade
Em boa parte dos discursos e das representações que buscam relacionar a escola básica e a universidade no Brasil o que se ressalta é, em boa medida, os antagonismos. Já há muitos anos que os professores das universidades explicitam que a escola básica brasileira não prepara bem os alunos para as exigências que lhes serão impostas no ensino superior. De outra parte, é amplamente sabido e divulgado o diagnóstico de que a universidade brasileira, desde há muito tempo, se distanciou da realidade da escola básica e, de um modo geral, da própria realidade do país. A imagem metafórica de uma torre de marfim, distante das vicissitudes mundanas, para representar a universidade, é eloquente neste sentido.
Sabemos que essa representação dicotômica da relação entre a universidade e a sociedade e, de modo particular, entre a universidade e a escola básica, é apenas parcialmente verdadeira. Por um lado, as universidades sempre foram, desde os seus primórdios, espaços de produção de conhecimentos e de sensibilidades que se distanciavam da vida cotidiana do conjunto da população. Por outro, foi essa característica que fortaleceu essas instituições como centros intelectuais capazes de questionar o passado e o presente e, de certa forma, antecipar, intelectual ou idealmente, o futuro.
É, por isso, necessário pensar que, apesar da tensão que sempre presidiu e, ao que parece, presidirá, a relação entre a universidade e a escola básica, há uma relação de necessária colaboração entre essas instituições. Tal relação, historicamente, tem contribuído para um enriquecimento da experiência dos alunos e dos professores da escola básica brasileira e, mesmo, para um crescente e salutar desconforto da universidade em relação às suas possíveis contribuições a essa nível de ensino.
Nos últimos meses veio à tona uma das faces muito visíveis da relação entre a universidade e a escola básica no Brasil por ocasião das discussões das Bases Nacionais Curriculares. Apesar de integrar uma política de governo, a versão inicial das Bases Nacionais Curriculares foi, no entanto, uma ação de responsabilidade principal de professores e pesquisadores das universidades brasileiras.
Como entender a polêmica em torno da Base Nacional Curricular? Estariam os pesquisadores e professores que foram responsáveis por sua elaboração, distantes dos reclames da sociedade no que diz respeito aos conteúdos que precisam ser ensinados na escola? Estariam as elaborações distantes do universo cotidiano e mediano dos professores, alunos e familiares das escolas básicas brasileiras? Ou, diferentemente, esses debates refletiriam fraturas existentes entre os próprios especialistas acerca daquilo que deveria ser ensinado na escola básica no Brasil?
Independentemente de qual seja a nossa resposta às indagações acima, o certo é que a escola básica brasileira vem, crescentemente, interrogando a universidade, seja no que se refere à própria formação de professores, seja, de um modo mais profundo, acerca dos modos de compreensão do que são os conhecimentos relevantes o bastante para serem ensinados na escola. Não menos evidente é o fato de que, nesta interrogação estão, também, embutidos questionamento acerca dos modos de legitimação ou não dos conhecimentos nas complexas sociedades contemporâneas. Nesse sentido, afirmar que isto ou aquilo merece ou deve ser ensinado na escola básica não é, definitivamente, um ato ingênuo ou despropositado.
O exemplo das discussões da Base Nacional Curricular não é, nem de longe, algo isolado. Assim como a universidade, por meio de suas ações de ensino, pesquisa e extensão, questiona continuamente a escola básica, não é menos verdade que da escola básica, de seus professores e gestores, partem continuamente interrogações acerca da universidade e de seus modos de interagir com o mundo social.
É preciso que estejamos atentos às tensões e as colaborações que presidem as relações entre as universidades e a escola básica brasileira. Sobretudo, é preciso que estejamos atentos às interrogações que a escola básica faz à universidade como centro de pesquisa e de formação de professores.
(Fonte: Boletim Pensar a Educação em Pauta)
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sexta-feira, 4 de março de 2016
A LEI DO MAIS FRACO
O Cineclube da Casa de Cássia exibe neste sábado, 5 de março, às 17 horas, o filme "Pixote, a Lei do Mais Fraco", de Hector Babenco, com Fernando Ramos da Silva, Marília Pêra e Jardel Filho. Produção de 1980, com atores amadores atuando ao lado de profissionais, o filme aborda a perda da inocência de meninos de rua. Segundo a crítica norte-americana Pauline Kael, as imagens são cruas, mas o ponto de vista é poético. O menino Fernando morreu assassinado pela polícia.
No domingo, 6, às 17 horas, o Cinepreciosidades inicia uma mostra dedicada à cineasta Agnès Varda que vai se estender durante todo o mês, exibindo seu primeiro filme, "La Pointe Courte", de 1955, que precede o movimento da Nouvelle Vague. Com Philippe Noiret e Sandrine Bonnaire, o filme observa a subjetividade existente tanto no relacionamento de um casal em crise quanto os problemas de uma vila de pescadores.
A entrada é franca e o Cineclube Casa de Cássia fica na Rua Meyer, 105, Vila Suzana., em Mateus Leme, MG. Maiores informações pelos telefones: (31)3535-1721 e 99247-6574.
terça-feira, 1 de março de 2016
FUNDO DE POÇO
Depois do entreguismo só resta a terceira via
João Vicente Goulart
Diretor do IPG- Instituto Presidente João Goulart
O que vimos na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas a mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência.
Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas.
A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios.
Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono.
Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria. A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional, terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo.
Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional. E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória.
Temos história de sobra para isto.
O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agrária, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio a Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital.
Está na hora de reagrupar as forças e extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
A POLÍTICA NOSSA DE CADA DIA
O tempo político de Dilma está se esgotando
Luis Nassif
As peças que compõem esse jogo são as seguintes
Peça 1 – O tempo político de Dilma Rousseff encurtou consideravelmente.
Há uma crise fiscal acelerada, no meio de uma crise política que tem paralisado todos os passos do governo. A aprovação da CPMF (Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira) é essencial para o equilíbrio fiscal e para reverter a queda perigosa do PIB. Com ameaça de nova queda de 4% do PIB, as receitas fiscais caindo vertiginosamente, os estados entrando em default, não há muito tempo pela frente para a hora da verdade.
Peça 2 – Cresce a convicção de que Dilma não conseguirá montar um plano política e economicamente viável.
O Ministro da Fazenda Nelson Barbosa precisaria ser suficientemente ousado para apresentar um grande plano que não implicasse em riscos fiscais, que não aprofundasse a recessão e, ao mesmo tempo, passasse a ideia de previsibilidade – para contornar as resistências ao seu nome – sem descontentar a base do governo, mais à esquerda.
Montou duas propostas que não impactando o curto prazo poderiam acenar para o longo: reforma da Previdência e limites para as despesas públicas. Não foi suficiente para demover a direita e provocou rupturas no lado esquerdo da base de apoio.
Para conseguir apoio à CPMF, o governo concordou com as pressões do presidente do Senado Renan Calheiros, flexibilizando a lei do petróleo.
No momento, está por um fio a única base política efetiva com quem Dilma pode contar.
Peça 3 – Dilma não conseguirá se equilibrar entre mercado e base.
Exemplo claro foi o anúncio da reforma da Previdência. O mercado ouviu com pé atrás; à esquerda reagiu. No momento seguinte ela escala o Ministro do Trabalho Miguel Rossetto para explicar que não era bem assim.
Queimou-se com o mercado e com a esquerda.
Peça 4 – Mesmos nos círculos próximos a Dilma, aumenta a convicção de que a crise é grande demais para ela.
Mesmo os habilidosos Jacques Wagner e Ricardo Berzoini têm enorme dificuldade em convencê-la de medidas óbvias. O termo mais usado no Palácio é “não adianta dar murro em ponta de faca”.
Peça 5 – Há um amplo espaço para aprofundamento da radicalização política e policial.
Tanto no STF como no STJ, qualquer Ministro que ouse uma postura mais garantista acaba vítima de ataques de reputação ou pelos jornais ou redes sociais. E poucos têm estrutura emocional para enfrentar a barbárie.
Peça 6 – Ruim com Dilma, o caos com o impeachment.
Suponha que Gilmar Mendes atropele leis e regulamentos e emplaque o impeachment via TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O caso iria para o STF. Se Dilma e Temer fossem cassados, quem assumiria? O presidente do Senado,Renan Calheiros, alvo da Lava Jato? Eduardo Cunha e sua imensa capivara? O país entraria em ebulição.
O governo de coalizão
Juntando todas essas peças, chega-se à conclusão de que a única saída seria um governo de coalizão com Dilma, tipo o que foi montado por Itamar Franco, quando pegou o pepino de suceder a Fernando Collor.
Ocorre que um governo de coalizão exige que o presidente efetivamente abra mão de poder.
No momento, Dilma tenta montar a coalizão mantendo o comando, recusando-se a abrir mão de qualquer espaço de poder. Não funciona.
Como diria Ricardo Berzoini – justificando o acordo de flexibilização do pré-sal – o governo tem que ser realista e entender quando perde as condições políticas e negociar uma política de menor dano.
O aprofundamento da crise obrigará Dilma a cair na real em um ponto qualquer do futuro.
Para acelerar a transição, quando a hora chegar, sugere-se aos articuladores políticos responsáveis que comecem a elaborar as ideias para tornar a transição a menos traumática possível.
Como suas pretensões políticas acabam em 2018, Dilma terá facilidades em arbitrar uma coalizão que garanta igualdade de condições a todas as partes.
(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)
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sábado, 20 de fevereiro de 2016
FILMES PRA HOJE
O Cineclube da Casa de Cássia exibe neste sábado, 20 de fevereiro, às 17 horas, dois documentários: "Zweig: a Morte em Cena", de Sílvio Back, sobre a vida no Brasil do escritor austríaco e sua mulher, que se suicidaram em Petrópolis na semana seguinte ao Carnaval de 1942; e "Santo Forte", de Eduardo Coutinho, em que 12 moradores de uma favela carioca falam sobre suas crenças religiosas e a força de seus depoimentos dão sentido à sua própria existência como povo.
A entrada é franca e o Cineclube Casa de Cássia fica na rua Meyer, nº 105, bairro Vila Suzana, em Mateus Leme. Maiores informações pelos telefones: (31)3535-1721 e 99247-6574.
A URGENTE E NECESSÁRIA REVOLUÇÃO NO/DO SER HUMANO
A catraca vazia
ou a origem de todos os males do Brasil
Décio Tadeu Orlandi*
Domingo. Saguão de uma conhecida escola particular de Goiânia. Havia levado minha filha de dez anos para participar de um torneio interescolar de xadrez. A instrução que havia recebido era clara: início das partidas às 10 horas. Nada complicado, ou esotérico ou impossível, apenas um breve comando: início das partidas às 10 horas. Cheguei às 9h45. Às 10h05, minha filha estava sentada diante de uma cadeira vazia… A sua oponente chegou, esbaforida, quase 20 minutos depois. Ao lado dela, o pai, munido das tradicionais desculpas: distância, trânsito. Trânsito? No domingo de manhã? Não havia trânsito.
Depois de que a menina se sentou diante da minha filha, como se nada houvesse, muitas outras crianças ainda chegaram, acompanhadas por seus pais e suas mesmas desculpas. Todos entravam no auditório cujas portas fechadas traziam um enorme cartaz onde se lia Não entre. Para evitar me aborrecer mais ainda com a balbúrdia, fui me sentar longe das portas. Por todo o saguão, crianças pequenas começavam a correr de um lado para outro, gritando (e atrapalhando os enxadristas, mas e daí?) sob o olhar indiferente de seus pais, e contrariando um claro aviso na parede: Não corra, evite acidentes. Enfim, saímos, minha filha e eu, só para encontrar nosso carro fechado por uma pick-up que havia estacionado na esquina, sobre a calçada.
No almoço, num grande shopping, famílias corriam para segurar uma mesa (pouco importando o aviso que indicava ser preferencial), disfarçando com seus celulares enquanto pessoas com o prato na mão (algumas idosas) vagavam buscando um lugar para comer. Pedi um sanduíche sem cebola, mas elas estavam lá, pois o atendente não leu o pedido. No cinema, tive de pedir para a jovem na minha frente parar de teclar, pois a luz não me deixava ver o filme. Acabei a noite de volta a meu apartamento, subindo com um cachorro me cheirando no elevador social – expressamente proibido -, e pedindo silêncio ao meu vizinho de cima que se imagina cantor sertanejo e estava dando um show intimista à meia noite.
Enquanto rolava na cama, tentando ignorar o violão desafinado, tive uma visão. Sim, tudo estava claro agora, tão claro quanto o celular da moça no cinema. Estava aí, o tempo todo, na nossa frente, no nosso dia a dia, a origem de todos os males do Brasil. A nossa própria essência como nação, nossa alma verdadeira, aquela que “olha dentro para fora”, como diria Machado de Assis. Como podia ser tão simples, afinal, e passar tão despercebido? A verdade simples e crua é que o brasileiro não é capaz de cumprir regras! Só isso.
Incapacidade crônica de cumprir regras. Por isso somos o país com o maior número de leis no mundo – e, como não as cumprimos, nossos legisladores criam novas leis que por sua vez não serão cumpridas, o que vai gerar outras leis, num ciclo infinito… Posso falar por horas sobre este tema : sou professor e há 25 anos e já ouvi (é verdade que nunca tanto quanto agora) tantas desculpas esfarrapadas de alunos e também de pais para burlar as mais simples regras do cotidiano escolar. Assim como a menina de dez anos no torneio de xadrez, que aprendeu na prática com o seu pai que as regras não existem na verdade aqui, e que qualquer problema se resolve miraculosamente com uma mentira qualquer – foi o trânsito…
Fui mal na prova porque não estudei – jamais! A culpa é do professor que me persegue, do bullying que sofro dos meus colegas, da escola que não me entende, da educação que é repressora, da sociedade, do destino, de Deus! Ora, meus irmãos, ponhamos as nossas mãos cheias de culpa nas nossas consciências brasileiras tão enferrujadas e admitamos: somos nós que não sabemos seguir regras simples e que transformamos esse país tão lindo em um purgatório perpétuo.
O problema da violência no trânsito é que não cumprimos as regras do trânsito. Simples assim. Corrupção no governo? Normas que são burladas, tanto por quem contrata quanto por quem é contratado, diga-se de passagem. Há milhares de leis, mas não para mim. Eu ignoro, eu dou desculpas, eu passo por cima. Pode nomear o problema, meu caro leitor, e eu lhe darei a mesma causa: incapacidade crônica de cumprir regras. Duvida? A crise hídrica que vai acabar nos matando de sede vem de onde? De leis que são ignoradas – até as do bom senso, como a dona de casa que gasta centenas de metros cúbicos de agua para deixar sua calçada brilhando (ah, sim, o lixo ela empurra discretamente para o vizinho). Mas a calçada estava tão suja! Mas foi só uma vez! Mas, afinal, todo mundo faz isso, não é mesmo?
Esse processo perigoso e contagioso só vem se agravando… E vai levar este país, inexoravelmente, para o caos, de onde não nos ergueremos jamais, como a alma de Poe presa à sombra do corvo, no seu poema famoso. A menos que algum milagre se opere nas mentes de nossos conterrâneos, e aquele pai, antes de sacar do bolso alguma desculpa pronta para “proteger” seu filho de alguma coisa que ele deveria ter feito e que não fez, antes disso, perceba que está oferecendo à sociedade brasileira mais um cidadão irresponsável, incapaz de assumir seus erros, que não vai nunca se adaptar a um emprego (sim, em que há regras! ), e que, se por nossa infelicidade, for aprovado num concurso público qualquer não vai se especializar em desviar as verbas públicas para seu próprio cofre.
Estamos morrendo nas ruas, nos carros, morrendo de fome, de raiva e de sede (sábio Caetano) simplesmente porque não ensinamos nossos filhos a cumprir as leis que regem a vida em sociedade. E lamento constatar que não estamos nem perto de começar a fazê-lo agora…
Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia entre muitas catracas comuns uma de passagem livre. Questionei a vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto, e ela me explicou que era destinada às pessoas que por qualquer motivo não tivessem dinheiro para a passagem. Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!): e se a pessoa tiver dinheiro mas simplesmente quiser burlar a lei?
Aqueles olhos suecos e azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora – Mas por que ela faria isso?, me perguntou. Não lhe respondi. Comprei o bilhete, passei pela catraca e atrás de mim uma multidão que também havia pago por seus bilhetes. A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e envergonhada.
*Bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG. Venceu o Prêmio Casa de las Américas (Cuba) na categoria Melhor Romance, em 1994. Atualmente é coordenador pedagógico do Ensino Médio no Centro Educacional Sesc Cidadania.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
FRÍVOLOS E INVASIVOS
Nem tudo é Verdade
Eugênio Magno
O
voyeur será artista? Olha pelo buraco da fechadura o que deveria estar fora de
quadro. Fotografa velhos evacuando e crianças se masturbando. Exibe párias em
vitrines de cristal líquido. Liquida. Liquidifica todos. Assenta em confessionários
e ouve os pecados do mundo. Pensa a vida como frame e brinca de deus na ilha de
edição. Sua loucura é (apenas) disfarce.
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
TENDÊNCIAS DO CENÁRIO INTERNACIONAL
Momento crítico na história da humanidade
“Os Estados Unidos sempre foram uma sociedade colonizadora. Inclusive antes de se constituírem como Estado já trabalhavam para eliminar a população indígena, o que significou a destruição de muitas nações originárias”, como bem lembra o linguista e ativista estadunidense Noam Chomsky, quando se pede que descreva a situação política mundial. Crítico feroz da política externa de seu país, ele recorda 1898, quando ela apontou seus dardos ao cenário internacional, com o controle de Cuba, “transformada essencialmente numa colônia”, e logo nas Filipinas, “onde assassinaram centenas de milhares de pessoas”.
Chomsky continua seu relato fazendo uma pequena contra-história do império: “roubou o Havaí da sua população originária 50 anos antes de incorporá-lo como um dos seus estados”. Imediatamente depois da II Guerra Mundial, os Estados Unidos se tornaram uma potência internacional, “com um poder sem precedente na história, um incomparável sistema de segurança, controlando o hemisfério ocidental e os dois grandes oceanos. E, naturalmente traçou planos para tentar organizar o mundo conforme a sua vontade”.
Contudo, ele aceita que o poder da superpotência diminuiu com respeito ao que tinha em 1950, o auge da sua hegemonia, quando acumulava 50% do produto interno bruto mundial, muito mais que os 25% que possui agora. Ainda assim, Chomsky lembra que “os Estados Unidos continua sendo o país mais rico e poderoso do mundo, e incomparável a nível militar”.
Chomsky continua seu relato fazendo uma pequena contra-história do império: “roubou o Havaí da sua população originária 50 anos antes de incorporá-lo como um dos seus estados”. Imediatamente depois da II Guerra Mundial, os Estados Unidos se tornaram uma potência internacional, “com um poder sem precedente na história, um incomparável sistema de segurança, controlando o hemisfério ocidental e os dois grandes oceanos. E, naturalmente traçou planos para tentar organizar o mundo conforme a sua vontade”.
Contudo, ele aceita que o poder da superpotência diminuiu com respeito ao que tinha em 1950, o auge da sua hegemonia, quando acumulava 50% do produto interno bruto mundial, muito mais que os 25% que possui agora. Ainda assim, Chomsky lembra que “os Estados Unidos continua sendo o país mais rico e poderoso do mundo, e incomparável a nível militar”.
O intelectual estadunidense avalia uma série de questões e faz algumas previsões, como: um possível sistema de partido único; invasões e mudanças climáticas se retroalimentam; possibilidade certa de guerra nuclear e uma visão sobre a Colômbia.
Para ler, na íntegra, a matéria de Agustín Fernaández Gabard e Raúl Zibechi, para o La Jornada, traduzida por Victor Farinelli, clique aqui.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
PARA QUEM NÃO GOSTA DE CARNAVAL
"Feliz ano velho"
O Cineclube da Casa de Cássia exibe neste sábado, 6 de fevereiro, às 17 horas, o filme "Feliz Ano Velho", de Roberto Gervitz, com Malu Mader e Marcos Breda. Baseado no romance autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva que fez enorme sucesso nos anos 80, o filme recorda a infância e a juventude de um homem que fica tetraplégico depois que sofre um acidente quando nadava numa lagoa. Entre as suas lembranças estão o desaparecimento do pai, político que combatia a ditadura, e a participação no movimento estudantil de resistência ao regime militar.
No domingo, 7, às 17 horas, o Cinepreciosidades continua a mostra de filmes inspirada pelo verso de Waly Salomão "Experimentar o experimental", exibindo "Algo Diferente", o primeiro filme da cineasta tcheca Vera Chytilová, de quem mostramos recentemente "As Margaridas". O filme aborda as experiências comuns de duas mulheres, uma ginasta que se prepara para uma competição, e uma cansada dona de casa, negligenciada pelo marido e super-requisitada pelo filho.
A entrada é franca e o Cineclube Casa de Cássia, fica na rua Meyer, 105. Vila Suzana, em Mateus Leme. Maiores informações pelos telefones: (31)3535-1721 e 99247-6574.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
BRASIL NECESSITA TOMAR DECISÕES OUSADAS
Marcio Pochmann, critica
medidas de austeridade como saída para a crise
Crédito: Heinrich Aikawa/Instituto Lula
Professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp), Marcio Pochmann, intelectual próximo aos governos petistas, defende que as saídas de curto prazo, baseadas na austeridade, não tendem a surtir efeitos benéficos ao país.
Em entrevista ao Brasil de Fato, o economista faz uma análise da conjuntura mundial e apresenta suas hipóteses para a superação da crise econômica: “alguns países que conseguem responsavelmente ousar política e economicamente saem, em geral, muito melhor do que entraram na crise de dimensão global, enquanto outros se acomodam e assumem o caminho da decadência prolongada”.
Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.
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