sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O OURO A PREÇO DE SANGUE

Ouro de Sangue: documentário sobre os impactos sócioambientais causados pela atividade de mineração de ouro em Paracatu/MG

Kellen Guimarães

"Quando recebi o link Blood Stained Gold , documentário sobre Paracatu, cidade de Minas Gerais, fiquei chocada ao ver como o poder econômico passa um rolo compressor em cima de vidas humanas e ao próprio ecossistema em troca de ambições financeiras e políticas.A agressão aos Direitos humanos e ao meio Ambiente é escancarada, sem o mínimo respeito e dignidade.
O mais triste é que essa prática não é nova, e vem acontecendo com muitas populações locais de várias cidades, não só no Brasil, como no mundo. O poder público, principalmente, as leis ambientais no que diz respeito à obtenção de licença e operação de atividades poluidoras são fornecidas às empresas sem mínimo critério e cuidado com o Estudo de Impacto Ambiental - chamado EIA-RIMA.
Normalmente, empresas com potencial poluidor se hospedam próximas aos centros urbanos onde possam usufruir de uma infraestrutura já instalada, como rede fluvial, energia elétrica, asfalto, transporte, vias de trânsito rápido, e dentre outras facilidades. Tudo para economizarem tempo e recurso, pois o objetivo é lucro a jato, e se esquecem das pessoas que residem no entorno. Os idosos, crianças e pessoas com a saúde já debilitada são os primeiros a sentir os impactos negativos.A empresa Rhodia em Cubatão foi exemplo seríssimo dessa negligência pública. Vários empregados foram contaminados com Poluentes Orgânicos Persistentes, os chamados POPs. Substâncias químicas altamente perigosas ao organismo humano, e alto poder de contaminar o meio ambiente, banidas pela Convenção de Estocolmo.Recentemente, o caso do bairro Camargos, em Belo Horizonte/MG. A comunidade sofreu, desde 2003, com a atividade de incineração de lixo hospitalar da empresa SERQUIP. Segundo a Resolução do Conama nº 216, atividade de alta periculosidade não podendo ser instalada próxima às residências humanas. Com muita luta e sofrimento, a comunidade se uniu e conseguiu o embargo das atividades da empresa em 2009.É um absurdo pensar que em plena fase de calamidades ambientais ainda grande parte das pessoas civis e poder público vivem só para o presente. O pensar sustentável deveria ser um ato de instinto de sobrevivência para as futuras gerações.
Segundo informações dispostas no blog Blood Stained Gold, Ouro de Sangue foi um documentário que procurou registrar e disponibilizar informações acerca do sofrimento vivido pela população de Paracatu/MG. Além do vídeo, o site disponibiliza em texto, a história da cidade e como tudo começou, e vários depoimentos de pessoas que viveram na pele os estragos sócio-ambientais decorrentes da poluição das atividades de mineração de ouro."


SINOPSE:
Ouro de sangue é um documentário que aborda as consequências sócioambientais decorrentes das atividades de mineração de ouro desenvolvidas em Paracatu (MG) desde o ano de 1987. O grupo industrial canadense que atua na cidade iniciou em 2007 – sob a aprovação dos órgãos ambientais legalmente responsáveis – um projeto de expansão para mais 30 anos de exploração da mina. O que sobra para os paracatuenses são enormes feridas abertas pelas lavras a céu aberto e em perímetro urbano, poeira tóxica, populações tradicionais enfermas e em franca desintegração. Imagens e depoimentos de arquivo - originalmente captados em película e super-VHS – alternam-se durante todo o filme com imagens e depoimentos atuais, em formato miniDV. Além daqueles que moram em área limítrofe à mineradora e sofrem mais diretamente os problemas em questão, há também os depoimentos de um diretor da empresa, um geólogo, um médico/cientista e um Procurador de Justiça Criminal pelo estado de Goiás". (Sinopse por Silveira).

FICHA TÉCNICA:
OURO DE SANGUE – Vídeo-documentário de 43’:38”. Direção de Sandro Neiva e Alessandro. Entrevista, Narração, Roteiro e Montagem SANDRO NEIVA; Direção de Fotografia ALESSANDRO SILVEIRA; Direção de Arte WALESCKA MARTINS; Edição e Finalização DHIEGO SANTANAI; Imagens de Arquivo e Entrevistas antigas ALESSANDRO SILVEIRA; Iluminação ARCANJO DANIEL FONSECA; Produção FÁBIO CASTRO RAMOS e ARCANJO DANIEL FONSECA; Trailer MARCOS COSTA; Fotografia de Still MOACIR GUERINO; Trilha Sonora A Missa da Terra Sem Males, Concierto de Aranjuez – Adágio Type Of Negative Amorphis, Murro no Olho; Imagens Adicionais The Corporation – documentário de Marck Achbar, Jennifer Abbot e Joel Bakan; Fotos do Museu Histórico Municipal de Paracatu e do Arquivo Público de Paracatu. Direção Geral SANDRO NEIVA Sandro Neiva & Alessandro Silveira 2008 – 43:38 MIN – COR.


Não há vídeo deste documentário no youtube. Para assistí-lo, clique neste link: http://www.bloodstainedgold.blogspot.com/, pois não há vídeo no youtube para colocá-lo na integra neste post. Vale a pena conferir, pois é chocante as feridas e os rastros de tristeza que a atividade de mineração deixou na cidade.
(Fonte: Site www.meumundoamigo.blogspot.com)

IMAGENS QUE FALAM, OU MELHOR, GRITAM!!!

Corpos "plastificados" em disputa de poker,
na exposição do Doutor Morte, na Alemanha.

Foto: Carmen Jaspersen/EFE
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)



Barbeiro haitiano atende cliente entre destroços do terremoto.

(Fonte: O Estado de São Paulo, 04.02.10)

DOM OSCAR ROMERO PODERÁ SER BEATIFICADO

Episcopado salvadorenho solicitará ao Vaticano
beatificação de dom Oscar Romero


"Nós como Igreja temos o desejo de que dom Romero seja beatificado o quanto antes. A afirmação é do arcebispo de San Salvador, dom José Luis Escobar Alas, em coletiva de imprensa. Ele também confirmou que os bispos salvadorenhos pretendem enviar uma carta ao Vaticano pedindo pela beatificação de dom Oscar Arnulfo Romero, arcebispo de San Salvador assassinado em 24 de março de 1980, enquanto celebrava missa.
Segundo dom José Luis, houve consenso entre os bispos para que fosse escrita uma carta à Congregação das Causas dos Santos e já foi formada uma comissão para esse fim. 'Esperamos que a assinatura de todos os nossos bispos ajude no processo de beatificação, que se encontra numa fase que nós não conhecemos, pois se trata de um procedimento reservado', enfatizou.
O episcopado de San Salvador já aprovou todos os eventos [culturais e religiosos] que lembrarão o 30º aniversário do assassinato de dom Romero, que será lembrado também em todas as Igrejas da América Latina a fim de atualizar a sua herança espiritual e pastoral.
QUEM FOI DOM ROMERO
Nascido em 15 de agosto de 1917, na Ciudad Barrios, distrito de San Miguel, em El Salvador, Óscar Arnulfo Romero Galdámez, mais conhecido como monsenhor Romero, foi o quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, entre os anos de 1977 e 1980.
Em Roma, ele estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana. Ele foi ordenado sacerdote em 4 de abril de 1942. Em 25 de abril de 1970 foi nomeado bispo auxiliar de San Salvador, e em 15 de outubro de 1974, bispo de Santiago de Maria.
Dom Romero assumiu a arquidiocese de San Salvador em 3 de fevereiro de 1977 e foi escolhido arcebispo por seu conservadorismo. Durante seu trabalho ele foi contra qualquer tipo de violência, posição que o fez ser comparado ao líder indiano Mahatma Gandhi e ao americano Martin Luther King. Em suas homilias dominicais ele passou a denunciar as violências contra os direitos humanos e chegou a manifestar publicamente solidariedade pelas vítimas da violência política que assolava o país da época, no contexto da Guerra Civil daquele país caribenho.
A missão da Igreja é identificar-se com os pobres. Assim a Igreja encontra sua Salvação, disse, dom Romero, em sua homilia do dia 11 de novembro de 1977. Ele foi assassinado em 24 de março de 1980 por um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado nas Escolas das Américas, enquanto celebrava missa. Quando se espalhou pelo mundo a notícia de seu assassinato, houve comoção e protestos, além de pressões internacionais por reformas em El Salvador. O papa João Paulo II o declarou servo de Deus."
(Fonte: Site da CNBB)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

PANDA SABOREIA BOLO EM FESTA DE DESPEDIDA




A panda Tai Shan, moradora do zoológico da capital dos Estados Unidos, Washington-DC, será transferida para uma reserva na China. A foto mostra ela saboreando o bolo gelado que ganhou em sua festa de despedida.
(Foto: Ann Heisenfelt/AP)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

UMA EXPERIÊNCIA DE FÉ E POLÍTICA




O economista e ex-prefeito da cidade de Brazópolis, MG, João Mauro Bernardo começa no próximo mês de fevereiro uma série de lançamentos do seu livro Uma experiência de Fé e Política.

O primeiro lançamento acontece no dia 27 de fevereiro, às 19:30hs no Salão Paroquial da Igreja Matriz da cidade de Brazópolis.

A publicação que conta com prefácio do bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga, é resultado da monografia de conclusão do Curso de Pós-graduação em Formação Política para Cristãos Leigos, do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara, de Brasília - CEFEP-DF, do qual João Mauro foi aluno da primeira turma.


MISTICISMO POÉTICO

Visitação
Eugênio Magno
Enquanto visitava o Livro de Horas, de Rilke,
Uma mariposa, com uma só asa tentava
Atravessar a página do livro aberto.
Andava com dificuldade, como um parafuso.
Definitivamente não podia voar,
Mas como podia andava pela estante.
Não parou. Andou em direção a São João da Cruz.
Talvez também fosse visitá-lo em sua noite escura.
(do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

domingo, 24 de janeiro de 2010

VIDA DEDICADA À MISSÃO EVANGÉLICA E SOCIAL

''Memória e missão'': experiências de
uma caminhada junto à Igreja-Povo de Deus.
(Entrevista especial com o pe. José Ernanne Pinheiro)

Memória e missão. Memória da Vida e da Missão. Memória da caminhada, num período determinado da Igreja e da sociedade, explicitando experiências de vida no horizonte da missão.
"Com essas palavras, José Ernanne Pinheiro, sacerdote cearense há mais de 40 anos, abre seu livro "Memória e Missão: Experiências de vida" (Paulinas, 2009). Assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e secretário executivo do Centro Nacional Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), Ernanne acompanhou os desenvolvimentos do Concílio Vaticano II, quando morava em Roma. Trabalhou como operário metalúrgico na França. Regressando ao Brasil, atuou durante 19 anos na arquidiocese de Olinda e Recife, ao lado de Dom Helder Câmara. E vivenciou a repressão da ditadura sobre alguns de seus colegas padres, como o assassinato do Padre Antônio Henrique Pereira Neto.
José Ernanne Pinheiro é natural de Jaguaretama (CE). Formou-se em filosofia no Seminário da Prainha, em Fortaleza, e em teologia na Universidade Gregoriana, em Roma. Durante 19 anos, foi coordenador da Pastoral e Diretor do Instituto de Teologia do Recife (ITER). A partir de 1986, ocupou o cargo de assessor da CNBB no Setor dos/as Leigo/as e na Assessoria Política.
O Instituto Humanitas Unisinos conversou com o pe. Ernanne Pinheiro. Confirma a entrevista clicando aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

MARINA SILVA CONTA COM O APOIO DE HELOÍSA HELENA

(Foto: Elza Fiúza - Agência Brasil)
Heloísa contraria PSOL e reitera apoio a Marina

Em reportagem de Luciana Nunes Leal para o jornal O EStado de S. Paulo, de 23.01.10, a presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, lamentou ontem a decisão da direção partidária de interromper as negociações para apoiar a candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva.

"Ex-senadora e hoje vereadora em Maceió, Heloísa disse que continua a torcer pela eleição de Marina e que está à disposição da candidata para contribuir na elaboração do programa de governo.
Na quinta-feira, a maioria do PSOL optou pelo lançamento de candidatura própria ao Palácio do Planalto. Heloísa defendia apoio formal a Marina, mas sem participar das alianças, por causa da opção do PV de se unir, em alguns Estados, a partidos como o PSDB.
Quero deixar claro que todo respeito, a admiração e a amizade que tenho por Marina estão preservados. Ela é competente, honesta, sensível e absolutamente preparada. Torço muito para que seja eleita, disse Heloísa. Onde Marina entender que eu posso ajudar, com minha experiência, na construção do programa, vou contribuir, especialmente em segurança pública, saúde e educação.
A costura de uma aliança dos verdes com o PSDB no Rio, em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira ao governo, foi decisiva para a interrupção das negociações do PSOL com o PV. Infelizmente a tática eleitoral do PV no Rio acabou por criar obstáculos à aliança que seria feita. Minha proposta era apoio a Marina independentemente de aliança com o PV e com interferência no programa de governo. Infelizmente o PSOL não entendeu dessa forma, lamentou Heloísa.

DISPUTA INTERNA
Internamente, a principal líder do PSOL vai trabalhar pela candidatura do presidente do diretório de Goiás, Martiniano Cavalcanti, ao Palácio do Planalto. Martiniano vai disputar a indicação com o ex-deputados Babá e Plínio de Arruda Sampaio em prévia que deverá acontecer em março.
Heloísa negou a existência de uma divisão no PSOL e disse compreender a decisão do partido que preside. Vejo com tristeza, mas acato. Nem minha candidatura à Presidência da República era consenso no partido. Existiam pessoas que queriam minha candidatura apenas pelo eleitoralismo, para ajudar nos Estados, afirmou Heloísa."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A NOVA ERA DA COMUNICAÇÃO

A era pós-mídia de massa: a desconfiguração
e descentralização da Comunicação.
(entrevista especial com Ivana Bentes)
"Desconfigurar, descentralizar, até mesmo explodir. Para a doutora em Comunicação e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ivana Bentes, o que caracteriza a era pós-mídia de massa são justamente as práticas descentralizadas de comunicação. A Internet é esse lugar de desconfiguração, afirma a professora em entrevista concedida, por email, à IHU On-Line.
Ivana acredita ainda que o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo abre uma série de novas questões e debates sobre o campo da comunicação pós-mídias digitais bem mais interessantes do que o velho muro das lamentações corporativas. Segundo ela, os cursos de Comunicação precisam dar uma virada e explodir o ambiente da sala de aula tradicional e pensar uma formação por projetos, uma wiki-universidade.
Analisando os resultados do Fórum de Mídia Livre e da Confecom, afirma que foram um momento histórico, vivo, vibrante das possibilidades e limites da atual democracia brasileira. É a sociedade inteira que se apropria das tecnologias e da linguagem jornalística contra o jornalismo, explodindo o jornalismo corporativo, defende.
Ivana Bentes é doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora associada do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), também atua na área de Comunicação, com ênfase em estética, audiovisual, cinema, imaginário social, pensamento contemporâneo e cultura digital. Atualmente se dedica a dois campos de pesquisa: Estéticas da Comunicação, Novos Modelos Teóricos no Capitalismo Cognitivo e Periferias Globais: produção de imagens no capitalismo periférico. É coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ. É curadora na área de arte e mídia, cinema, audiovisual." Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Umanitas Unisinos)

O HAITI TAMBÉM É AQUI

Foto: site do Google

Terremoto neoliberal no Haiti

Gilvander Moreira
Frei Carmelita e Pároco da
Igreja do Carmo em Belo Horizonte, MG

Gangues disseminam o terror no Haiti, repete à exaustão a mídia, que rotula o povo haitiano como violento.. Será mesmo? Será que a natureza indomável é a principal responsável pelo sofrimento sem tamanho que se abate sobre o povo haitiano? Reflitamos.
O Haiti foi invadido brutalmente por fuzileiros navais dos Estados Unidos entre 1915 e 1934. Incontáveis ditaduras haitianas foram auxiliadas e apoiadas por Washington.
Em 2004, em um golpe militar, o presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, democraticamente eleito, foi seqüestrado pelos Estados Unidos e levado de avião para o exílio na África. Estados Unidos, Canadá e França conspiraram abertamente quatro anos para derrubar o governo de Aristide, cortando quase toda ajuda internacional e destruindo a economia haitiana.
'O primeiro governo democrático de Aristide foi derrubado após apenas sete meses, em 1991, por oficiais militares e esquadrões da morte, que mais tarde, se descobriu serem financiados pela Agência Central de Inteligência dos EUA. Agora Aristide quer retornar ao seu país, algo que a maioria dos haitianos reivindica desde o golpe militar que o depôs. Mas os EUA não o querem ali. E o governo Preval, que é completamente dependente de Washington, decidiu que o partido de Aristide – o maior do Haiti – não será autorizado a concorrer nas próximas eleições (previstas originalmente para fevereiro de 2010)', informa Mark Wesbrot (FSP, 19/01/2010, p. A3).
Depois de ter expulsado o ditador Jean-Claude Duvalier, Baby Doc, do Haiti, Jean-Bertrand, sacerdote católico e teólogo da Libertação, de origem humilde, ganhou, com mais de dois terços dos votos, as primeiras eleições livres realizadas no Haiti (dezembro, 1990), tornando-se o símbolo das esperanças populares. Após ter adotado as primeiras medidas contra a corrupção e a falência econômica, foi deposto pelas forças militares, sob o comando do general Raoul Cédras, apenas oito meses depois de ter assumido o cargo. Aristide foi eleito como fruto de um processo de organização popular que levaria o Haiti a justiça social e, provavelmente, a uma sociedade socialista. Isso seria criar uma segunda Cuba nas barbas de Tio Sam. Por isso privatização neoliberal, golpe militar, ingerência militar, esmola ...
Desde 1984, o Fundo Monetário Internacional obrigou o Haiti a liberar seu mercado. Os escassos e últimos serviços públicos foram privatizados negando acesso a eles ao povo marginalizado. Em 1970, Haiti produzia 90% dos alimentos que consumia, atualmente importa 55%. O arroz estadunidense subvencionado matou a produção local. Em agosto e setembro de 2008, a disparada mundial dos preços dos alimentos fez com que aumentasse o preço dos alimentos no Haiti em 50%, o que deu origem aos motins da fome.
A Cruz Vermelha diz que haitianos estão ‘agressivos’ diante da falta de mantimentos. Dia 18 de janeiro de 2010, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em visita a Porto Príncipe, ouviu do povo haitiano nas ruas gritos como “não precisamos de ajuda militar; precisamos de comida e abrigo. Estamos morrendo.” O Banco Mundial, o FMI, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e muitas empresas transnacionais há décadas têm cinicamente jogado a sociedade haitiana em um inferno social.
A situação de grande parte do povo haitiano há muito tempo é semelhante a de milhões de brasileiros que sobrevivem nas favelas e nas prisões brasileiras: pobres demais e negros demais para participarem da Casa Grande atual, os bairros nobres das cidades. Sem reforma agrária, com apoio irrestrito ao agronegócio, cinqüenta milhões de brasileiros foram empurrados pela classe dominante para as atuais senzalas, as favelas brasileiras onde as prisões são o pelourinho. Tem razão Caetano Veloso ao dizer O Haiti é aqui... .
Enfim, tanto no Haiti como no Brasil (e América Latina, África e Ásia), as políticas neoliberais estão causando o mais tenebroso terremoto social. Um terremoto natural, como o de 7 graus na escala Richter que golpeou o Haiti em 12 de janeiro de 2010, se pode imputar à fatalidade, mas o vergonhoso e insuportável empobrecimento das populações urbanas e rurais de Haiti, não. O Governo brasileiro acertadamente defende a restauração da democracia em Honduras. Por que não defender a democracia também para o Haiti? Para isso deveria enviar para o Haiti, no mínimo, três mil médicos, assistentes sociais e lideranças populares (com infra-estrutura para atuarem) e trazer de volta quase todos os 1200 militares que lá estão.
Não nos esqueçamos: o Haiti foi o primeiro país latino americano a conquistar sua independência, ainda em 1804, a partir de uma 'revolta dos escravos', que infligiram contundente derrota às forças invasoras francesas. Assim, o povo negro haitiano inspirou todas as lutas por independência na nossa Pátria Grande, a América afrolatíndia. A sede de vida e de liberdade do povo negro do Haiti tem sido reprimida secularmente por vassalos de um sistema de morte: o capitalismo neoliberal."

sábado, 16 de janeiro de 2010

O CINEMA BRASILEIRO SAI GANHANDO COM LULA



Lula, o filme e o cinema

Eugênio Magno

Lula, o filho do Brasil, já mereceu muitos comentários. A grande maioria, pré – conceituosos, na acepção da palavra. Foi um tal de “não vi e não gostei” que esvaziou as salas de exibição. Coisa das elites. Críticas levianas de quem sequer viu o filme e não permitiu que o público fizesse o seu próprio julgamento. A imprensa especializada, com desonrosas exceções, foi mais cautelosa e não entrou na onda.
Os arautos do caos erraram feio. Usaram mísseis para matar pernilongo. O filme não era nada do que se esperava. Aplaudido timidamente por Lulistas e Petistas roxos e, criticado de forma veemente pelos desafetos do presidente, Lula, o filho do Brasil foi acusado antecipadamente de propagandista. Diziam que o filme era inspirado nas estratégias do ministro da propaganda do Terceiro Haich, Joseph Goebbels, com planos ao estilo de Leni Riefenstahl, etc. Mas a fita, taxada de “oportunista, lançada em ano eleitoral, que provocaria grande comoção nacional...”, não passa de uma produção mediana da família Barreto. O que sobrou em cuidados com a blindagem do personagem Lula, faltou em ousadia inventiva e arrojo de linguagem. Fora alguns equívocos na escolha do elenco. Cléo Pires, por exemplo, cumpre bem seu papel de atriz, interpretando a primeira esposa de Lula. Vê-la é sempre muito agradável, mas a personagem que interpreta não precisava de um rosto tão marcado. Da mesma forma que, desconhecida do grande público, a mãe de Luiz Inácio, dona Lindu, não carecia da conhecidíssima Glória Pires para ser apresentada ao povo brasileiro. O elenco de apoio foi bem escalado e o ator Rui Ricardo Dias, que podia facilmente ter se resvalado para o clichê, encarnou muito bem a figura do líder sindical. Sua interpretação, aliás, é um dos pontos altos do filme.
Lula, o filho do Brasil seria mais um filminho medíocre, se não fosse tão correto tecnicamente, fato justificável pela experiência dos realizadores, pelo seu custo de produção e, claro, por contar a bela história de Lula. A saga de um nordestino que tinha tudo para dar errado na vida, mas que, contrariando a lógica burguesa, virou presidente do Brasil, é o chefe de Estado mais popular do mundo e foi escolhido “homem do ano”, pelo jornal francês Le Monde.
Muito mais do que o filme, o que me interessa nessa polêmica é o cinema. Oportunista ou não, nenhum presidente brasileiro pensou o cinema de forma estratégica. Lula o pensou ou pensaram com e/ou para ele, não importa. Especialmente para o setor cinematográfico, o mais importante é a inserção do cinema como política cultural de Estado. E, olhando sob esse ponto de vista, lamento que o filme não tenha sido o que alardearam seus detratores. Ainda assim, pelo filme e, pela quantidade – nunca vista – de editais para o setor audiovisual no Brasil democrático, o atual governo se inscreve na história como um divisor de águas para a sétima arte nacional. Depois de Lula, presidente nenhum desse país, vai poder ignorar o cinema brasileiro.
Este artigo também foi publicado nas versões impressa e online dos jornais O Norte de Minas, de 19.01.10 e O Tempo, de 23.01.10. Para conferí-lo nesses veículos é só clicar nos seus respectivos links.

CIDADE INUNDADA NA DÉCADA DE 50 VIRA PONTO TURÍSTICO



Pessoas caminham sobre o lago-reservatório Reschen, congelado pelo frio, em direção à torre da Igreja de Graun , no norte da Itália. Essa cidadezinha foi destruída por uma inundação na década de 50, quando o rio foi represado para produzir eletricidade.
(Fonte: Arnd Wiegmann / Reuters-Time, 08-01-2010)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A REPERCUSSÃO DO ARTIGO SOBRE PRESÉPIO

Nem sempre acertamos exatamente onde miramos quando escrevemos um texto. Todavia, de vez em quando, mesmo em meio a essa overdose de informação, conseguimos atingir nossos objetivos comunicacionais.
Fiquei muito satisfeito com a repercussão do artigo que postei aqui no blog com o título de Um presépio exemplar, cuja chamada era A Festa do Natal e o aniversariante esquecido. Além de postado no minasegerais.blogspot.com ele também foi publicado na seção Artigos da página eletrônica do Jornal de Opinião: http://www.jornaldeopiniao.com.br/; no jornal impresso e on-line O Norte de Minas, de 22.12.2009: http://www.onorte.net/; na página de opinião do jornal O Tempo (impresso e on-line), de 23.12.2009: http://www.otempo.com.br/.
Vários comentários foram feitos sobre o artigo. Um deles, entretanto, me chamou mais a atenção. Ei-lo:
"Senhor Jornalista Eugenio Magno,
Paz e Bem!
Foi com grande alegria que li seu artigo sobre o presépio de nossa paróquia de Santo Antonio dos Funcionários. Ainda ontem. na missa das 18:00 horas, nosso pároco, Frei Juvenil, leu trechos de seu artigo e pude presenciar a emoção e alegria com que as pessoas ouviam cada palavra. Obrigada senhor Eugênio. Obrigada por entender, por acolher a mensagem do nosso presépio, idealizado por nosso pároco. Como ele mesmo disse, inspirado em seu texto, todos nós nos sentimos um rei mago. Que bom que numa tarde de um dia de semana o senhor parou em nossa igreja para rezar. Com certeza o senhor foi guiado por Deus.
Acho que passou da hora de me apresentar: meu nome é Isabel, sou catequista e ministra extraordinária da comunhão eucarística, participo do Encontro de Casais com Cristo e com muita alegria e muita disposição atuo na Paróquia de Santo Antônio dos Funcionários.
Mais uma vez, obrigada, Deus lhe pague. E venha nos visitar sempre que puder. Será um prazer conhecer o senhor. O senhor também foi um rei mago do nosso presépio!"
MARIA ISABEL SOLLERO LEMOS
Belo Horizonte, MG
É por demais gratificante receber esse tipo de feedback.
Eu é que agradeço a você, Isabel e ao frei Juvenil pela generosidade do agradecimento. Como aprendiz de cristão e perseguidor do humanismo, não fiz mais que a minha obrigação.

A CRISE NÃO ACABOU

Começo do fim (ou fim do começo) da crise?

"Uma espantosa campanha midiática utiliza alguns sinais isolados para dizer que o pior da crise já passou. A volta da bolha nas bolsas de valores é apresentado como sintoma de uma melhoria geral. Na verdade, estamos perto de uma segunda queda recessiva, mais forte que a de 2008. Os socorros globais de 2008-2009 desaceleraram a queda econômica, mas geraram enormes déficits fiscais nas potências centrais, o que as coloca diante de graves ameças inflacionárias." Para ler a entrevista com análise completa do economista argentino Jorge Beinstein, clique aqui.

(Fonte: Site da Agência Carta Maior)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

BORIS CASOY PISOU NO TOMATE

Sindicato vai entrar com ação civil pública contra Boris Casoy
"O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), José Moacyr Malvino Pereira, afirmou que irá entrar com uma ação civil pública contra o jornalista Boris Casoy, por sua declaração sobre o trabalho dos garis no Jornal da Band. 'Vamos entrar com uma ação civil pública para que ele se retrate na Justiça. Já assinei a procuração', declarou o presidente da entidade.
O apresentador do Jornal da Band tem sido criticado desde o dia 31/12, quando saiu no ar o áudio de uma declaração sobre os garis que desejavam feliz ano novo. Ainda na vinheta do jornal, sem saber que seu microfone estava aberto, Casoy declarou: 'Que m... dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho'.
No dia seguinte, no mesmo jornal, o apresentador pediu desculpas pela atitude. 'Ontem durante o intervalo do Jornal da Band, num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, por isso quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da Band', disse.
Nesta segunda-feira (04/12), o Siemaco entregou na TV Bandeirantes uma carta de repúdio a Boris Casoy. 'Não aceitamos as desculpas do apresentador, que foram meramente formais ao ser pego ao manifestar o que pensa e que, infelizmente, reforça o preconceito de vários setores da sociedade contra os trabalhadores garis e varredores...'
Em uma nota oficial no site do sindicato, a entidade também criticou o desmerecimento dado ao trabalho dos garis. 'Lamentavelmente Casoy demonstrou não dar valor ao importante serviço prestado por nossos trabalhadores, humilhando-os publicamente. Ele esqueceu-se que limpeza significa saúde pública e, se nossos lixeiros no alto de suas vassouras não cuidassem da nossa cidade, certamente viveríamos no caos. Com certeza, podemos viver sem notícias, mas não sem limpeza', diz a nota.
A assessoria de imprensa da Band informou que o apresentador já pediu desculpas em público. A direção de jornalismo da emissora ainda não se manifestou sobre o caso."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

A CAIXA PRETA DA MONSANTO FOI ABERTA

Contratos secretos da Monsanto são revelados
"Contratos confidenciais que detalham as práticas de negócios da Monsanto Co. revelam como a maior desenvolvedora de sementes do mundo está pressionando competidores, controlando companhias menores de sementes e protegendo seu domínio sobre o mercado multibilionário de sementes geneticamente modificadas." Para ler a reportagem completa de Chirstopher Loenard, publicada pela Associated Press e pelo sítio The Atlanta Journal-Constitution, 14-12-2009, com tradução tradução de Moisés Sbardelotto clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O HOMEM DO ANO

Jornal Le Monde elege Lula o "Homem do ano"
A publicação francesa apontou o presidente brasileiro como o responsável pelo renascimento do Brasil como um gigante na cena mundial. O jornal espanhol El Pais também escolheu Lula como a "Personalidade do Ano", destacando que ele passará à história pela ambição realizada de tornar o Brasil um país desenvolvido. Para o Le Monde, o presidente soube ser um democrata, lutando contra a pobreza sem ignorar os motores de um crescimento mais respeitoso dos equilíbros naturais. "A consagração de Lula acompanha a renovação do Brasil", resume o jornal. Para ler a amatéria na íntegra, clique aqui.
(Fotografia: Agência Reuters)

(Fonte: Site Carta Maior)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ERA UMA VEZ UM VERÃO NA FLORESTA

Cabelos de ouro

Eugênio Magno

A minha maior lembrança era a do sol
se misturando àqueles cabelos de ouro

Nunca mais a vi
Não consigo me lembrar do seu rosto
Nem sei se o vi

Só sei que o seu caminhar era
de uma formosura sem par

Dos seus olhos não sei a cor
Na sua boca não vi sorriso

Só tive olhos para a sua pele alva
vestida de um branco translúcido

Para aqueles cabelos de ouro penetrados pelo sol
E eu, de longe, era só olhar e encantamento
(Inédito)

OS CAMINHOS DA MISÉRIA

Criança pede esmola perto de Teixeira de Freitas (BA), na BR-101, que corta o litoral de 12 Estados e é a 2ª maior rota rodoviária do país.

Fotografia: Fernando Donasci/Folha Imagem - Folha de S. Paulo, 21-12-2009.

(Fonte: Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - Curitiba, PR)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A CRISE DA GLOBALIZAÇÃO



A desglobalização começou. Não voltaremos para o velho regime
"A desglobalização já começou", assegura o sociólogo Richard Sennett (Chicago, 1943). A saída da crise será lenta, e de jeito nenhum voltaremos ao "ancient régime", à espumosa paisagens das duas últimas décadas, nas quais o sistema estava criando seu próprio colapso porque tinha "abandonado a economia real, que se nutre de trabalhadores qualificados, de artesãos".
Para ler na íntegra a reportagem de J. M. Martí Font, publicada no jornal El País, 22-12-2009, com tradução de Moisés Sbardelotto, clique aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A FESTA DO NATAL E O ANIVERSARIANTE ESQUECIDO

Um presépio exemplar

Eugênio Magno
Num domingo desses de dezembro, participando de uma celebração eucarística na Igreja de Santa Efigênia, me flagrei como que hipnotizado, olhando para um belo presépio, cujas luzes brilhavam a poucos metros de onde estava sentado.
Imediatamente após aquele alumbramento momentâneo me dei conta de que eu sempre gostei de presépios. Desde a infância que eu fico inebriado com essa representação celebrativa do cenário de nascimento do menino Jesus. A manjedoura e todos os personagens que compõem aquele quadro sempre me seduziram. Ainda lembro bem que era uma verdadeira viagem pelo mundo do sagrado ficar horas a fio com os amigos da vizinhança, em Montes Claros, a contemplar o presépio feito por dona Lózinha e depois por dona Júlia, que seguiu a mesma devoção de sua mãe.
Já vi muitos presépios, de todos os tipos: de traquitanas artesanais, como o famoso Pipiripau, a modelos mais modernosos, de concepção hi-tech. Mas dias atrás, um presépio me chamou a atenção. Foi numa tarde qualquer de um dia de semana comum que, por obra do acaso, entrei na capela do Colégio Santo Antônio, na Savassi, para meditar um pouco. E lá, em meio a caixas de leite longa vida, garrafas de óleo, sabonetes, dentifrícios e cestas básicas, havia uma pequena manjedoura com as imagens de Jesus, Maria, José e outros personagens.
A princípio, aquela estética me causou estranheza, mas numa questão de segundos, quando compreendi a proposta, o estranhamento se transformou em deleite. Estava diante de um presépio exemplar. Visite-o, se puder, caro leitor, e verá que ele nos desinstala e convoca-nos à participação, exigindo uma atitude concreta. Diante desse presépio, não temos outra alternativa, a não ser agir como os reis magos: Gaspar, Baltazar e Belchior e doar um pouco do muito que temos aos que como o Cristo, nada têm.
Todas as igrejas deveriam ter um presépio como este e, as pessoas, especialmente as mais aquinhoadas, bem que podiam encarnar o papel de reis magos e encher esses templos de mantimentos, roupas, agasalhos e também doces, brinquedos, quem sabe até mesmo garrafas de vinho... Porque não? Afinal de contas, Natal é celebração de nascimento e merece comemoração. Não nos esqueçamos, porém que, a festa é de Jesus Cristo, pobrezinho, nascido em Belém (num curral) e filho de pais refugiados. Entretanto, as luzes em torno do Papai Noel são muito maiores e mais brilhantes. E fica muito fácil esquecer do aniversariante e do grande contingente de refugiados da seca ou das enchentes, da falta de emprego, da fome e de tantas outras mazelas de nosso tempo, que nasceram e estão a se multiplicar, dia após dia em aglomerados, ou pior, às margens dos esgotos, sob as marquises e debaixo dos viadutos.
Que o Natal seja de mesa farta, muitos brindes, árvore cheia de presentes, saúde, paz, amor, harmonia, sucesso, dinheiro, e de todas as coisas que todo mundo diz desejar nessas ocasiões, acrescidas de dignidade, afeto, generosidade, solidariedade e justiça. Para todos... sem distinção de qualquer espécie.
Fotografias: Geovana R. Martins

DOIS BICUDOS NÃO SE BEIJAM

Aécio depende da derrota de Serra para viabilizar seu projeto nacional
Serra poderá ser visto como mais um paulista que veio tirar o espaço dos mineiros, afirma Rudá Ricci, diretor do Instituto Cultiva, ao analisar a desistência de Aécio Neves em concorrer à presidência da República.
A entrevista foi feita por César Felício e publicada pelo jornal Valor, 21-12-2009. Confira:
"A candidatura de José Serra à Presidência sofrerá um abalo com a desistência de Aécio Neves em concorrer?
Sem dúvida, em razão da forma como Aécio preparou sua saída. Ele a fez causando um profundo desgaste na imagem de Serra, ao menos em Minas Gerais. Procurou-se transmitir a sensação de que Serra é um homem que empurrou Aécio para fora da disputa de forma maquiavélica, sem tomar uma decisão. O Aécio poderia esperar até janeiro, conforme as lideranças tucanas pediram, mas preferiu fazer na semana passada, na sequência das definições locais e do fortalecimento da candidatura de Ciro Gomes no PSB.
Como isso se traduzirá em termos eleitorais em Minas? Até que ponto o sentimento de frustração regional pesa para o eleitor?
Em Minas Gerais pesa muito. Ao contrário de São Paulo e Rio, aqui não é um Estado fundamentalmente de migrantes. Serra poderá ser visto como mais um paulista que veio tirar o espaço dos mineiros.
Mas uma recente pesquisa mostrou Serra com 40% dos votos em Minas. Como isso se dissiparia de uma outra para outra?
Por mais que Aécio tenha negado, sempre se partia da perspectiva de que poderia haver uma chapa Serra/Aécio para a Presidência da República. Na medida em que ficar claro que isso não vai ocorrer, Serra tende a cair aqui e Dilma (Rousseff, ministra da Casa Civil) a subir. Ou Ciro (Gomes, deputado federal do PSB), se tiver o apoio de Aécio nos bastidores.
Por que Aécio não vai sair de vice de Serra?
Aécio já anunciou a possibilidade de se colocar como uma espécie de conciliador nacional. Ele tentará ser senador para forjar uma nova aliança, diferente do alinhamento partidário atual, com o PT de um lado e o PSDB do outro. Ele não depende da vitória do candidato a governador dele aqui para isso e duvido que se empenhe muito para eleger (Antonio) Anastasia (vice governador). Mas ele depende da derrota de Serra para tal. Com Serra na Presidência, Aécio não tem como propor uma nova aliança.
Por que então ele não procurou fazer isso saindo do PSDB ao perceber que não tinha como concorrer com Serra?
Porque ele tinha que recompor suas bases no interior de Minas. Diferente do que a vitória dele em Belo Horizonte pode indicar, Aécio fragilizou-se no Estado como um todo. Precisava refazer sua liderança, abalada em 2008. Além disso, o PSDB é parte essencial do projeto de Aécio. O problema dele são os tucanos paulistas.
Ou seja, na visão do senhor, se o Serra tornar-se presidente, nascerá aqui em Minas um foco de oposição..
Na verdade, Aécio hoje talvez seja um obstáculo para Serra chegar à Presidência. Como Ciro Gomes é um obstáculo para a Dilma nesse mesmo sentido.
E porque a vitória de Anastasia não seria importante para o projeto conciliador de Aécio?
Evidentemente que a vitória de Anastasia fortaleceria Aécio, mas ele joga com mais de um cenário. Ele sabe que seu projeto não estará comprometido caso o PT ganhe em Minas, se o candidato petista for Fernando Pimentel, e o ex-prefeito ganhou as eleições internas do PT uma semana antes de Aécio retirar a candidatura. Ele sabe que o projeto também sobrevive com Hélio Costa, e o ministro das Comunicações ganhou as eleições internas do PMDB dois dias antes da retirada. Observe que trata-se de uma sequência. Houve um método. Mesmo se o próximo governador de São Paulo for (Geraldo) Alckmin, o projeto da conciliação nacional sobrevive. Ele só não sobrevive com Serra na Presidência.
Um dos propósitos de Aécio é tornar-se uma figura nacional, como era o avô Tancredo Neves pouco antes de eleger-se presidente no Colégio Eleitoral em 1985. O senhor acha que Aécio conseguiu?
Tancredo cresceu politicamente e tornou-se o que se tornou em seus dois últimos anos de vida. Mas antes disso ele era uma figura sem tanto impacto nacional, sem tanta presença no imaginário como a que Ulysses Guimarães tinha dentro do PMDB. Ulysses era paulista, controlava o partido e parecia vocacionado para chegar à Presidência. Tancredo era uma figura do conchavo político, estava em Minas Gerais, fora do palco. Há semelhanças entre a estaturas dos personagens do passado e dos de hoje."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PROTESTO EM COPENHAGUE

Um mulher, caracterizada como a morte, fez protesto na praça do Parlamento, em Copenhague, na última segunda-feira, dia 14.12.2009 e ganhou destaque na midia internacional.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

domingo, 13 de dezembro de 2009

A ESCRITA É CURATIVA




O filósofo romeno, teórico do declínio da civilização, místico, cínico e cético, Emil Mihai Cioran (1911 - 1995), dizia que sua obra nasceu simplesmente por razões médicas e terapêuticas. É de sua lavra a frase abaixo:


"O escritor utiliza as palavras para se curar...
Escrever é desfazer-se de seus remorsos e rancores, vomitar seus segredos...
Quantas angústias venci graças a esses remédios insubstanciais!..."

sábado, 12 de dezembro de 2009

QUANDO O MUNDO DA INTERNET SE TORNA MOVIMENTO POLÍTICO

Com a difusão da web no mundo, um bilhão e 700 milhões de usuários (¼ da população mundial), certamente existem hoje mais instrumentos para resistir ao poder. Valores e interesses alternativos podem ser melhor defendidos diante daqueles que prevalecem. Entre poder e contrapoder, para usar a expressão de Manuel Castells, o jogo está em aberto (e não fechado em vantagem do primeiro), graças às redes sociais, às comunidades virtuais, ao Facebook, MySpace, Twitter, ao e-mail, a toda forma de Internet móvel e à autocomunicação individual de massa, que caracteriza a paisagem tecnológica contemporânea. A barreira da porta de ingresso para a cena pública se levantou.
Para ler na íntegra a reportagem de Giancarlo Bosetti, publicada no jornal La Repubblica, 10-12-2009, com tradução de Moisés Sbardelotto, clique AQUI.

(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

CPI DA REFORMA AGRÁRIA (OU DO MST?)



Eis a CPI contra a Reforma Agrária

Carlos Bandeira
Jornalista

"A vontade de um grupelho de parlamentares do DEM foi realizada na tarde desta quarta-feira (9/12), com a instalação da CPI contra a Reforma Agrária. O sorridente deputado federal Onyx Lorenzoni conseguiu colocar seus planos em marcha e conquistou a vice-presidência da comissão. O presidente da comissão será o senador Almeida Lima (PMDB-SE), que indicou o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) para a responsabilidade de fazer o relatório final.
Os demos Katia Abreu e Ronaldo Caiado, parceiros de Lorenzoni no esforço para levantar as assinaturas para instalar uma CPI contra as políticas públicas para assentamentos, não estavam presentes na primeira sessão. Quem sabe, estivessem dedicados a temas mais importantes para o país.
Os parlamentares que criaram a CPI garantiram em seus pronunciamentos o compromisso com a reforma agrária e que não pretendem criminalizar os movimentos sociais. Tomara que não seja apenas discurso. A CPI da Terra durou três anos e concluiu apenas que ocupação de terra é 'crime hediondo' e 'atendado terrorista'.
Os tópicos para investigação que apareceram na primeira sessão são muitos e de diferentes naturezas.
Há preocupações com o desvio de dinheiro público. Pelo que aparece nos jornais e na televisão há uma semana, o melhor lugar para achar é no Palácio dos Buritis ou na Câmara do Distrito Federal.
Outros querem investigar se as famílias assentadas têm aptidão para trabalhar na terra e se abandonaram o lote. Poderiam investigar também se as famílias expulsas do campo pelo agronegócio têm “aptidão” para morar nas periferias das grandes cidades e enfrentar o caos urbano.
Um deputado quer saber mesmo da 'interferência externa' nos movimentos sociais do campo. Não é necessário mesmo investigar a 'interferência externa' no território brasileiro das grandes empresas da agricultura, como Monsanto, Cargill, ADM, Dreyfus, Bunge e Syngenta. São todas estrangeiras.
Descobrimos também que ali estavam parlamentares responsáveis pela realização da Reforma Agrária no Paraná, no Mato Grosso e no Piauí. Estranho é que o índice Gini, que mede a concentração de terras, estão na média de 0,8 nesses estados e não variaram substancialmente de 1985 pra cá.
O consenso geral dos parlamentares se encontra na necessidade de o país encontrar, de uma vez por todas, uma solução para a questão agrária.
É um perigo e não pode continuar um bando de sem-terra nas beiras de estradas. O governo não pode reproduzir um modelo de assentamento sem assistência técnica, crédito agrícola e infra-estrutura. As famílias assentadas têm de gerar renda.
Tudo bem. O país precisa de fato assentar as famílias acampadas e implementar um novo modelo de Reforma Agrária. A democratização massiva de latifúndios deve estar casada com um amplo programa de agroindústrias, gerando renda para os trabalhadores rurais.
No primeiro round, os discursos foram bem bonitos. No entanto, até agora não apareceu nenhum requerimento no sentido da resolução dos problemas apontados.
Só quebra de sigilo das entidades sociais que atuam em assentamentos."


CIBERCULTURA E DIREITOS HUMANOS

Comunicação e economia glogal
Carlos Valle
Comunicador e ex-secretário-geral da
Associação Mundial para as comunicações Cristãs
"A aprovação da esperada lei de Serviços de Comunicação Audiovisual e a busca de sua breve implementação exigem uma séria consideração sobre o amplo contexto econômico e social no qual o nosso mundo moderno está imerso. Para começar, um aspecto a considerar neste novo mundo das ciberculturas é o lugar que os direitos humanos ocupam.
De diversas partes, chamou-se a atenção sobre o fato de que em nenhuma das áreas da comunicação mundial pode-se identificar um forte conteúdo sobre os direitos humanos. Alguma coisa aparece principalmente no que se vincula aos direitos de autor (copyright), à legislação sobre patentes, à liberdade de informação, à cultura, mas não se encontra nada com relação ao comércio dos serviços de telecomunicações, aos direitos de propriedade intelectual, à concentração da propriedade dos meios e à padronização do consumo de eletrônicos.
Para Cees Hamelink: 'Se tomamos o conteúdo dos direitos humanos como um indicador da representação dos interesses das pessoas, temos que concluir que as pessoas não importam nas políticas de comunicação mundial'.
Para Alain Touraine, a reflexão sobre a sociedade contemporânea está governada por duas constatações principais: 'a dissociação crescente do universo instrumental e o universo simbólico, das economias e das culturas, e, em segundo lugar, o poder cada vez mais difuso, em um vazio social e político em aumento, de ações estratégicas cuja meta não é criar uma ordem social, mas sim acelerar a mudança, o movimento, a circulação de capitais, bens, serviços, informações' (Touraine 1997:20).
Alguns efeitos da expansão desse sistema econômico sobre o desenvolvimento da democracia e da comunicação mais evidentes são:
1. O número cada vez maior de decisões que uns poucos tomam em nome de todos, com só uma aparente participação das pessoas. A tomada de decisões passa progressivamente para o âmbito reservado daqueles que ostentam o poder. Eles consideram que sempre estão na frente de situações que requerem 'decisões executivas' que só será preciso justificar mais tarde, se for necessário.
2. A tendência dos meios comerciais de reforçar a despolitização das pessoas. Como alguma vez indicou G. Gerbner, os grandes meios de comunicação 'não têm nada para dizer, mas muito para vender'. A despolitização aumenta por causa da exaltação do individualismo. Isso leva a rejeitar e a combater tudo o que afete os interesses básicos: o país, se afeta o meu grupo; o meu grupo, se afeta os meus bens; e assim sucessivamente. A despolitização consegue que as pessoas meçam as ações dos governos segundo e como elas as afetam individualmente.
3. A tendência desse sistema tende a desmoralizar as pessoas, promovendo o abandono de toda esperança de mudança e da aceitação da realidade. Na selva moderna, a lei principal é: 'Salve-se quem puder!'. Eduardo Galeano comentava: 'O sistema nega aquilo que oferece, objetos mágicos que tornam os sonhos realidade, luxos que a TV promete, as luzes de neon anunciando o paraíso nas noites da cidade, esplendores da riqueza virtual: como bem sabem os donos da riqueza real, não há Valium que possa acalmar tanta ansiedade, nem Prozac capaz de apagar tanto tormento'. (Galeano 1998:21).
4. O aumento do papel que as corporações globais desempenham em todas as esferas da vida, enquanto que o papel dos estados nacionais se reduz cada vez mais.
5. A exaltação da liberdade de informação na vida da sociedade, ao mesmo tempo em que se acentua o controle e a censura.
6. A diminuição e desaparecimento dos centros físicos de poder. Hoje, é difícil determinar onde esses centros residem. Adquiriram uma mobilidade muito particular, ao mesmo tempo em que desenvolvem sua concentração.
7. A acentuação da distância entre ricos e pobres em todos os níveis.
Nesse complexo panorama, será importante indagar como essa concentração de poder dos meios de comunicação foi influenciando nossas sociedades e quais serão os passos que devem ser dados para que se realize uma real democratização da comunicação."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

QUEREM DIZIMAR 1/3 DA POPULAÇÃO MUNDIAL

No vídeo abaixo, que está sendo divulgado pela internet (hospedado no site do Youtube), a "ex-ministra da Saúde da Finlândia", Dra. Rauni Kilde, fala sobre a Gripe Influenza H1N1 e a indústria farmacêutica e sobre as drásticas consequências do uso dos celulares e da ingestão de alimentos geneticamente modificados. Ela faz ainda uma revelação bombástica: "querem dizimar 1/3 da população mundial". Outras fontes dizem que ela se autoproclama ex-ministra da Finlândia, mas que é lunática, etc. De qualquer forma, vale à pena conferir.

A CORRUPÇÃO CORRÓI O SENTIMENTO PÁTRIO


sábado, 5 de dezembro de 2009

VAI FALTAR ÉTICA NAS ELEIÇÕES DE 2010

E a ética não poderá subir nos palanques de 2010
"Acostumados a subir nos palanques para exaltar suas qualidades e bater nos pontos fracos dos adversários, os candidatos à Presidência da República e a governador terão que pensar em outra estratégia para as eleições de 2010, depois das denúncias de mensalão tanto no PT como no PSDB de Minas e no DEM do Distrito Federal. “O roto não pode falar do esfarrapado”, diz Roberto Romano, professor de Ética e Política da Unicamp:
— Como PT, DEM e PSDB têm seu mensalão, acredito que as campanhas serão baseadas nas grandes obras já realizadas. Dilma (a ministra Dilma Rousseff, do PT) não deve abrir mão do PAC, e o Serra (o governador tucano de São Paulo) vai aproveitar para relembrar o que fez quando era ministro da Saúde e as mudanças no governo de São Paulo. Para ler a matéria na íntegra clique aqui. (Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

LADRÃO (PEQUENO) QUE ROUBA DE LADRÃO (GRANDE) - DEVERIA TER - CEM ANOS DE PERDÃO

Ladrões grandes enforcam os pequenos

Gilvander Moreira
Frei Carmelita e Pároco da
Igreja do Carmo em Belo Horizonte


A descoberta do Mensalão do DEM/PFL-Arruda, em Brasília, gerou uma explosão de indignação nas pessoas de boa vontade. Todos comentam. Uns abominam, outros ironizam, há ainda os que zombam ou propõem impeachment... A senvergoinhice e a cara de pau de políticos profissionais, mais podres que ... me fizeram recordar o padre Antônio Vieira, em um dos seus célebres sermões, onde ele diz: 'Não são ladrões os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões, que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: LÁ VÃO OS LADRÕES GRANDES ENFORCAR OS PEQUENOS. Ditosa a Grécia, que tinha tal pregador. E mais ditosas as outras nações se nelas não padecera a justiça as mesmas afrontas. Quantas vezes se viu em Roma ir a enforcar um ladrão por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, um ditador por ter roubado uma Província. E quantos ladrões teriam enforcado estes mesmos ladrões triunfantes? De um chamado Seronato disse com discreta contraposição Sidônio Apolinário: Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer. Isso não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo, para roubar ele só.' (VIEIRA, Sermões, Vol. 5, p. 69. Porto, Lello & Irmão Editores, s/d).
Hoje, no Brasil, parodiando Diógenes, podemos dizer que políticos profissionais, como os 'mensaleiros', são grandes ladrões que enforcam os 'pequenos', que não são ladrões, mas são: a) 30 mil jovens assassinados por ano; b) 150 mil famílias sem-terra debaixo da lona preta; c) milhões de desempregados humilhados; d) 500 mil presos enjaulados em prisões que são verdadeiros campos de concentração...
Indignação é imprescindível, mas não basta. Precisamos organizar a indignação e encontrar soluções para problemas reincidentes como o dos Mensalões do PSDB, do PT e, agora, do DEM/PFL. Qual será o próximo? O grande poeta Thiago de Mello nos mostra um facho de luz: 'As colunas da injustiça sei que só vão desabar quando o meu povo, sabendo que existe, souber achar dentro da vida o caminho que leva à libertação! Quando a verdade for chama nos olhos da multidão, o que em nós é palavra no povo será ação!' Urge acordar em nós e no povo a infinita luz e força humano-divina existente em nós. Basta de acreditar que eleições nos salvarão. Devemos investir 5% das nossas energias para elegermos os melhores (ou os menos piores) políticos e 95% das nossas energias na organização do povo empobrecido e excluído. Pobres organizados se transformam em protagonistas de lutas libertárias concretas e constroem saídas verdadeiras de baixo para cima e de dentro para fora. Eis um caminho para evitar novos mensalões."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A PÓS-REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

Tecnologias que mudarão o mundo: entrevistas IHU
"Vivemos em uma sociedade cada vez mais globalizada e tecnológica. Por isso precisamos refletir a respeito das contribuições e conseqüências que as novidades técnicas e científicas trazem para nossas realidades. Pensando nisso o sítio do IHU está realizando uma série de entrevistas sobre tecnologia, na sessão “Entrevista do dia”. Da computação pensada ecologicamente às mobilidades possibilitadas pela web, as entrevistas abordam temas relevantes e polêmicos sobre as transformações da internet na vida das pessoas e a revolução de seus recursos.
O professor de informática, Sílvio Cazella concedeu uma entrevista a respeito da Computação verde, que consiste no trabalho de reaproveitamento e reciclagem de dispositivos informáticos como hardwares, por exemplo. Segundo Cazella 'as mudanças já estão ocorrendo, tanto com a conscientização de quem produz como de quem consome e até da legislação'. Confira a entrevista.
Sobre as possibilidades da web semântica, a professora e engenheira eletrônica, Karin Breitman, falou em entrevista ao IHU, sobre a capacidade de computadores processarem, interpretarem e concatenarem conceitos, além da contribuição da web semântica em contextos sociais. Confira a entrevista.
O coordenador do curso de Jogos Digitais da Unisinos, João Bittencourt, concedeu uma entrevista sobre as revoluções tecnológicas na internet. Ele explicou como os novos recursos da web podem modificar nosso mundo cotidiano. Segundo Bittencourt 'o século XXI irá tornar-se um caos caso se mantiver por mais alguns anos com esta mentalidade analógica'. Confira a entrevista.
Sobre um dos mais aparelhos mais utilizados na atualidade, o celular, o professor de comunicação digital, Tiago Lopes, concedeu sua entrevista. Ele destaca a mobilidade e as possibilidades das novas interfaces do aparelho. Confira a entrevista.
O pesquisador Luli Radfahrer conversou com o IHU sobre um conceito que vem mudando de forma significativa o mundo: a computação em nuvem. Na entrevista ele fala sobre a tecnologia, que consiste em compartilhar ferramentas computacionais pela interligação dos sistemas. Confira a entrevista."
(Fonte: Site IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sábado, 28 de novembro de 2009

UM LIVRO QUE VAI ENTRAR PARA A HISTÓRIA

O tempo presente entre a história e o jornalismo – A máquina da memória, livro do professor de História da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Mateus Henrique de Faria Pereira, será lançado dia 04 de dezembro, a partir das 18h30, na Quixote Livraria e Café. – Rua Fernandes Tourinho, 274, Bairro Funcionários.
O livro percorre a história do Almanaque Abril, o mais longevo e bem-sucedido produto editorial do gênero em circulação no Brasil Lançado em 1974 pela Editora Abril, o Almanaque é certamente mais bem sucedido empreendimento editorial do ramo, com recordes sucessivos de tiragem e boa aceitação junto ao seu público.
Como compreender e explicar o feito dessa obra que, em sua campanha publicitária de 1984, definiu-se como uma Máquina da Memória? O que era lembrado e o que era esquecido por esse livro-máquina? No livro o autor sugere como as mudanças editoriais do Almanaque pode ter interferido no modo de pensar de seus leitores. O Almanaque Abril é um almanaque? Como jornalistas e historiadores usam o passado, abusam dele e o representam? Os historiadores detêm o monopólio do passado? Por quais razões uma história dita factual, tradicional e cronológica é desejada e solicitada pelos leitores de textos históricos? A história singular coletivo ainda faz (e produz) sentido? Estas são algumas das respostas que Mateus Pereira procura responder com sua obra.
“A máquina da memória” narra com riqueza de detalhes as estratégias editorias adotadas pelo Grupo Abril. As pesquisas realizadas por Mateus Pereira abrangeram as edições de 1974 a 2006 e procuram mostrar, numa análise densa, mas de leitura estimulante o que o autor chama de “tempo presente” a partir da leitura das páginas do Almanaque Abril.
Mateus Pereira acredita que a obra despertará especial interesse entre profissionais de jornalismo e acadêmicos, em particular professores de História.
Detalhe da capa do livro:

terça-feira, 24 de novembro de 2009

COMER A COMIDA OU SER COMIDO POR ELA

Terra madre. Come non farci mangiare dal cibo [Terra Mãe. Como não sermos comidos pela comida, em tradução livre], da Editora Giunti, 173 páginas, é o novo livro de Carlo Petrini, cozinheiro italiano fundador do movimento Slow Food. O texto foi publicado no jornal La Repubblica, de 20.11.09 e vamos reproduzí-lo aqui com a tradução livre de Moisés Sbardelotto.
Antigos saberes agrícolas podem nos levar para o futuro

Carlo Petrini

"Se quisermos começar a pensar sobre a comida com bom senso, sem preconceitos, e tentar de algum modo corrigir o sistema global industrial agroalimentar, devemos desfazer absolutamente um lugar comum: a rejeição a priori do passado e de tudo aquilo que tem sabor de passado. Assim como as economias das comunidades são consideradas marginais, e a busca do prazer alimentar, um coisa elitista, também a tradição, os saberes antigos, os estilos de vida mais sóbrios são investidos de um preconceito enraizado e são pontualmente marcados como nostálgicos e fora da realidade. Isso faz com que se liquidifiquem como superados séculos de cultura popular, e que, portanto, grande parte do saber próprio das comunidades do alimento – ou ainda mais as suas origens – não sejam nem levados em consideração.
É paradoxal que a maioria das pessoas reconheça a superioridade – embora, talvez, considerando-a uma prerrogativa elitista – de muitos produtos tradicionais, artesanais, tirados de ingredientes frescos e da estação, produzidos e consumidos localmente, mas depois não reconheça o importante valor das culturas e das competências que os criaram. Quase dizendo: 'Sim, são melhores, mas estão fora do mundo, só existem em pequenos nichos, é a mesma coisa que comer mal'.
Não acredito que seja o caso de renunciar assim, sem se perguntar se existem alternativas possíveis. Estamos convictos de que, justamente sobre esses saberes, as comunidades fundarão o seu papel de protagonistas da terceira revolução industrial. Não é provocação, mas consciência de que, se o mundo pede energias limpas, produções sustentáveis, reuso e reciclagem, abatimento do desperdício, prolongamento da durabilidade dos bens, alimentos salutares, frescos e de qualidade, as comunidades do alimento não estão apenas em linha, mas já estão até na vanguarda. Seja por causa das técnicas utilizadas, mas ainda mais por causa da mentalidade que as apoia.
De fato, é lógico que não é possível replicar os seus métodos em todo o lugar, fundamentados talvez sobre tecnologias muito limitadas. É normal que esses aspectos da sua existência não sejam exportáveis para todos os lugares – embora em alguns casos não seja impossível – porque são filhos de uma adaptação local, e, no local, funcionam muito bem. Ao invés, é fundamental estudar sua sistematicidade, entendida como harmonização em um sistema complexo, e compreender os seus motivos.
Não se pode continuar considerando os saberes tradicionais e populares como um degrau abaixo dos da ciência que sai das universidades ou da pesquisa financiada por grupos privados. Pelo contrário, eles têm a mesma dignidade. O 'savoir faire' agrícola é filho de uma experiência secular, e pouco importa que a sua praticidade seja demonstrada ou demonstrável cientificamente. Assim como também seria errado desejar uma supremacia desses conhecimentos, que eu defini como saberes lentos. É preciso que se instaure um diálogo em que os preconceitos sejam colocados à parte, em que a pesquisa esteja também ao seu serviço, e em que pesquisa e ciência colaborem sobre o mesmo plano paritário.
À tradição, muitas vezes, associa-se também o erro de vê-la como uma dimensão imóvel, que pertence ao passado. Até quem se refere a ela, a relata e a honra corre muitas vezes o risco de cometer o erro de vivê-la como um 'unicum' que não evolui, que se interrompeu em um certo ponto. Essa é uma visão que acaba nos separando das nossas raízes, que nos tira a memória daquilo que fomos, da história dos nossos povos.
As comunidades sabem bem disso. Para elas, a tradição não é uma repetição monótona de gestos, ritos e produções. São abertas às novidades e a tudo o que, no sulco da tradição, pode lhes fazer progredir, sabem que é verdadeira aquela frase (da qual se abusa um pouco) que entende a tradição como "uma inovação bem sucedida" e a colocam em prática. Não abandonam o velho pelo novo, ao invés, inserem o novo no sistema complexo que forjou a sua identidade. Sabem de onde provêm e tem muito claro quais são os seus objetivos.
Não devemos decidir se é melhor a tradição ou o progresso, o passado ou o futuro, mas sim rejeitar generalizações, reducionismos e a separação desses conceitos, a sua contraposição. As comunidades existem para a continuidade da tradição, levam-na no coração e protegem a sua memória justamente porque lhes dá identidade em um mundo que tende à homologação, mas sabem bem que cometeriam um grave erro se não quisessem aproveitar os meios que a globalização e a tecnologia lhes oferecem. Querem apenas poder fazer isso de maneira responsável, com bom senso. Querem comer, e não ser comidos." (Fonte: Site IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

MILITANTES DO PT PREFEREM PATRUS

O ministro Patrus Ananias seria o candidato ao governo de Minas pelo Partido dos Trabalhadores se as prévias do partido fossem hoje. Este é o resultado de pesquisas recentes entre os filiados do PT em Minas Gerais.



(fonte: Blog do Carlão Pereira)