domingo, 26 de abril de 2015

PAULO FREIRE, PATRONO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

 

Carta aberta: educadores brasileiros
se opõem aos ataques contra Paulo Freire

Ana Maria Saul

O Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no qual Paulo Freire atuou como docente, pelo período de 17 anos, desde sua volta do exílio a que foi forçado, tem discutido, com indignação, os fatos que ocorreram nos meses de março e abril, no Brasil, que visavam a atacar e deturpar a obra desse educador, Patrono da Educação Brasileira.
Os educadores desse Programa repudiam as manifestações ideológicas que se insurgiram contra Freire e que evidenciam que sua presença incomoda. Suas ideias foram consideradas “perigosas”, no Brasil, durante a ditadura militar, porque desafiavam o autoritarismo. Hoje elas continuam a incomodar e fustigar grupos que, equivocada e deliberadamente, buscam impor e legitimar propostas autoritárias e conservadoras. 
Freire é reconhecido em muitos países do mundo por ser autor de uma pedagogia que tem compromisso com a humanização, e que se opõe a todo tipo de opressão, comprometendo-se com a construção de uma sociedade mais justa e mais democrática.
Por defender uma pedagogia que afirma a não neutralidade da educação, denuncia a cumplicidade do sistema educativo com a desigualdade socioeconômica e política e anuncia compromissos com a dialogicidade, a solidariedade e a justiça social, Paulo Freire será sempre questionado por aqueles que se opõem a essa opção político-educativa.
Para Freire, o ensino-aprendizado se faz com diálogo crítico entre educadores e educandos, mediados por objetos de conhecimento, com os objetivos de ampliar a consciência sobre as razões da opressão que limita o potencial de “ser mais” dos seres humanos e desencadear processos de mobilização que permitam a superação desses limites. Ao propor o diálogo, como conceito fundante e radical de sua pedagogia, ele rejeita qualquer possibilidade de doutrinação por meio da educação. Sua pedagogia demonstra o valor de educadores e educandos desenvolverem um pensamento autônomo que lhes permita uma leitura cada vez mais crítica da realidade.
Freire continua sendo, hoje, uma alternativa ao fatalismo e ao dogmatismo. Sua filosofia advoga a não passividade diante das injustiças e da opressão e assume que a realidade pode ser transformada.
Diante do exposto entendemos que é hora de organizar, novamente, a resistência, em busca da garantia de uma educação democrática, com qualidade social. Isso implica  lutar pelo acesso e permanência de crianças, jovens e adultos em  escolas dignas e bem equipadas; respeitar o saber e a cultura dos educandos, como ponto de partida da prática educativa;  produzir conhecimentos com rigorosidade metódica, jamais separando o ensino dos conteúdos do desvelamento  da realidade;  garantir a formação permanente dos educadores  e a estrutura da carreira docente e opor-se aos processos que causam desigualdades e opressão, trabalhando com práticas solidárias e humanizadoras.
Enfim, urge retomar a proposta de escola defendida por Freire, uma escola séria, competente, justa e curiosa, onde os educandos tenham condições de aprender e de criar, com alegria e sejam estimulados a se arriscar para crescer. Uma escola na qual se pratique uma pedagogia da pergunta, garantindo a todos o direito de voz e a participação das famílias na educação de seus filhos.
Professores do Programa de Pós-Graduação em Educação:Currículo da PUC-SP.
Apoie e divulgue essa carta, expressando sua indignação com os ataques a Paulo Freire e a necessidade de valorizar a pedagogia desse importante educador brasileiro.
CARTA DIRIGIDA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO / PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO.
(Fonte: Boletim do Projeto "Pensar a Educação, Pensar o Brasil")

domingo, 19 de abril de 2015

HOJE É DIA DO ÍNDIO



Todo dia era Dia de Índio

Composição: 
Jorge Ben Jor

Curumim,chama Cunhatã
Que eu vou contar

Curumim,chama Cunhatã
Que eu vou contar

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Cunhatã
Cunhatã,Curumim

Antes que o homem aqui chegasse
Às Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis

Pois todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Amantes da natureza
Eles são incapazes
Com certeza
De maltratar uma fêmea
Ou de poluir o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra,fauna e flora

Pois em sua glória,o índio
É o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria

Da alegria de viver!
Da alegria de viver!

E no entanto,hoje
O seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Cunhatã
Cunhatã,Curumim

Terêrê,oh yeah!
Terêreê,oh!

Para ver o clipe da música TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO, com Baby Consuelo (Baby do Brasil), acompanhada por Jorge Ben Jor na guitarra, clique aqui.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

NOVOS HORÁRIOS DE FILMES NA CASA DE CULTURA DE MATEUS LEME


Cineclube em novo horário

O cineclube da Casa de Cultura está funcionando, neste mês de abril, com sessões que começam às 19 horas dos sábados, e não mais às 17 horas, como antes. A programação dos próximos finais de semana são as seguintes:
Dia 18:  Coincidindo com a presença do músico Tavinho Moura na Casa de Cultura, onde inaugurará uma exposição de fotos e participará de uma roda de leitura, o cineclube apresentará o média-metragem “Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais” (2007), de Carlos Alberto Prates Correia, com Tavinho Moura e, em imagens de arquivo, os cineastas Schubert Magalhães, Joaquim Pedro de Andrade, Alberto Graça, Humberto Mauro, Andrea Tonnacci e o próprio Carlos, realizador de “Cabaré Mineiro” e “Noites do Sertão”. O filme trata dos filmes feitos em Minas durante os anos da ditadura como se fosse um musical coreografado pela câmera e iluminado por imagens cinematográficas do passado. Premiado como melhor filme em Gramado.
Dia 25: “Sanã” (2013), de Marcos Pimentel, e “Estômago” (2007), de Marcos Jorge, com João Miguel e Paulo Miklos. O curta foca num menino e suas buscas na imensidão da paisagem no interior do Maranhão. O longa é uma fábula sobre poder, sexo e comida, vivida por um migrante nordestino que descobre que tem mão boa para a cozinha, praticada num boteco, num restaurante chique e numa prisão, onde ele aprende que quem não devora, é devorado.
Entrada franca. Sala de exibição com projeção e som digital e tela de 75 polegadas. Com 23 lugares, os ingressos são distribuídos 30 minutos antes da sessão.
O Cineclube da Casa de Cássia, fica na rua Meyer, 105. Vila Suzana (Reta). 35670-000 – Mateus Leme, M.G. Maiores informações no site www.casadecassia.com/ ou pelos telefones: (31)3535-1721, 9247-6574 e 9786-4465.

O SI, NO SER




Unidade


Eugênio Magno


eu

                    sou vários

Eu

                 sou 1 no

                                            [{Todo}]


(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

O PENSAMENTO LATINO-AMERICANO ESTÁ MAIS POBRE


Morreu Eduardo Galeano


"O escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Germán Hughes Galeano, autor de livros emblemáticos como As veias abertas da América Latina, Memória do Fogo, e O Livro dos Abraços, faleceu na última segunda-feira, 13 de abril, em Montevidéu, aos 74 anos. O juri que lhe entregou o doutorado honoris causa da Universidade de Havana, em 2001, o definiu como um recuperador da memória real e coletiva sul-americana e um cronista do seu tempo.
Sua visão foi refletida em sua narrativa de uma América Latina unida e da busca de um mundo onde não imperasse os valores do capital." Para ler, na íntegra, matéria sobre a morte de Gaelano, clique aqui.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A INFLUÊNCIA DA PUBLICIDADE NO JORNALISMO


No jornalismo, mentira não tem vez

Peter OborneCrédito: Christ's College Cambridge/Divulgação

"O que não se pode na regra do bom jornalismo é mentir. Londres foi abalada pelas declarações do ex-colunista político Peter Oborne, que deixou o The Daily Telegraph em janeiro. Oborne alega ter pedido contas por interferência direta da direção do jornal britâncio para proteger o HSBC. A direção orientou a redação a 'pegar leve' nas reportagens sobre o banco, apesar das denúncias de contas secretas na Suíça e na Ilha Jersey - notícia em toda a mídia internacional. O HSBC, vale dizer, é um dos maiores anunciantes do Telegraph". Para ler, na íntegra, o aretigo de Eduardo Tessler, sobre o assunto, clique aqui.

sábado, 4 de abril de 2015

O SAL DA TERRA


A epifania da criação



Vou indicar aqui no blog, um filme que está em cartaz e que é co-dirigido e co-produzido por um dos cineastas vivos que eu mais admiro, o alemão, Wim Wenders um dos ícones do Novo Cinema alemão, ao lado de Werner Herzog e Fassbinder. Wenders realizou vários clássicos do cinema como “Paris, Texas”, “O amigo americano”, “Estrela Solitária”, “Asas do desejo”, “Tão longe, tão perto” e tantos mais, entre documentários, ficções e filmes minimalistas, sempre deixando sua marca de gênio criativo e pensador atento aos movimentos da vida. Seus filmes são belos e profundos e, ao mesmo tempo leves, uma vez que não carregam nenhum tipo de afetação típica de várias produções de cineastas ególatras.
Se o cineasta é Wim Wenders e o filme, eu disse que está em cartaz, fica fácil saber que eu estou falando de “O Sal da terra”, uma produção de 2014, que recebeu um Prêmio Especial na mostra Un Certain Regard em Cannes 2014 e foi o filme de abertura do Festival do Rio do ano passado e é o filme brasileiro indicado ao Oscar de 2015, como melhor documentário.
O filme é um retrato, ou melhor, são retratos da obra e da vida desse grande fotógrafo brasileiro, conhecido em todo o mundo, Sebastião Salgado, nascido em Aimoré, Minas Gerais, que lutou pelas liberdades democráticas no Brasil, nos anos de chumbo e acabou tendo que abandonar o país com sua esposa Lélia, com quem fixou residência na França e de lá viajou para várias partes do mundo, como economista, a serviço do Banco Mundial. Sua esposa, que era artista, passou a se interessar por arquitetura e para tanto comprou uma máquina fotográfica da qual Sebastião se apropriou, tomou gosto e resolveu abandonar o emprego tecnocrata-burguês, no Banco Mundial, para se aventurar na fotografia. O filme revela que no início da carreira como fotógrafo, Salgado fez fotos esportivas, propaganda, moda, casamento e até mesmo nus, para conhecer o ofício e sobreviver. Mas foi somente com o início dos projetos de correr o mundo para retratar o social que ele encontrou definitivamente o seu caminho e se celebrizou no mundo da fotografia. No documentário, contemplamos na telona, as imagens que Salgado eternizou com sua câmera fotográfica e que, os que visitaram sua exposição que tem percorrido várias galerias, teve oportunidade de ver. Tudo o que se viu nessa sua exposição está no filme: Comunidades e tribos latino-americanas, indígenas da Nova Guiné, Campos de Refugiados na Etiópia, África, Amazônia, Garimpo de Serra Pelada... E as belezas naturais retratadas em seu último projeto “Gêneses”, que revela a exuberância da criação: pássaros, animais terrestres e marinhos, e os santuários sagrados de água pura e mata virgem. Soberbos personagens desse projeto que tem ingredientes de catarse, ou obra testamentária, do fotógrafo que parece ter acalmado o seu espírito atormentado pelas imagens da degradação humana e do planeta, com este último trabalho, cujo nome “Gênesis” homenageia a epifania da criação.
 O filme foi conduzido com maestria por Wim Wenders e pelo seu co-diretor, o estreante Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião.
Senti falta das fotografias de mendigos brasileiros, feitas por Salgado e tão criticadas por moradores de rua e agentes de pastorais sociais de São Paulo, no filme “À margem da imagem”, do diretor brasileiro Evaldo Mocarzel. Outra ausência sentida em “O Sal da Terra”, foi a das fotos tiradas por Sebastião no atentado sofrido pelo presidente norte-americano, Ronald Reagan, em 1981. Mas, essa história do Reagan, segundo Juliano “é muito factual, e qualquer pessoa poderia ter tirado essa foto”.
E, por falar em Juliano, ele também revela em entrevista, que tem dificuldades de relacionamento com o pai. Parte dessas dificuldades, ao assistir o filme, inferimos que tenha sido fruto das grandes ausências de Sebastião Salgado. Outros motivos só a família Salgado poderá nos revelar. Tem mais curiosidades no filme: mais uma revelação do jovem Juliano Salgado - que diz ter tido dificuldades também com Wim Wenders, ao dirigirem o filme a 4 mãos. Como espectadores, no entanto, não vemos isso traduzido no filme. E, se houve tensão entre os co-diretores, ela só colaborou, no sentido de que encontrassem as melhores soluções. Assim como a dificuldade de Juliano com o seu pai, Sebastião, ao meu ver, só ajudou os realizadores a buscar compreender, de forma menos passional, o ofício e a alma desse homem e artista, chamado Sebastião Salgado. 
Fica aí então a dica do longa-metragem documental, de 110 minutos, realizado em 2014, uma co-produção França-Brasil sobre o fotógrafo brasileiro, Sebastião Salgado, dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. Não deixe de ver “O Sal da Terra”, em cartaz nos cinemas do país.


Juliano Ribeiro Salgado, Sebastião Salgado e Wim Wenders

UM NOVO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (???)


Educação Brasileira: os desafios do novo Ministro

A escolha do prof. Renato Janine Ribeiro para comandar o Ministério da Educação foi uma grata surpresa que ultrapassa em muito o campo educacional. Observador arguto da realidade brasileira, teórico refinado e de reconhecida erudição, Renato Janine transfere ao ministério Dilma certa aura de idoneidade e permite pensar que a época da balcanização da educação pode ter sido superada neste governo.
Indicado, certamente o novo Ministro já começou a mapear os seus grandes desafios na pasta. E estes, como sabemos, não são poucos.  Em primeiro lugar, há que se reconhecer que o próprio Ministro precisa aprender mais sobre a educação brasileira, sobretudo a básica, se quiser governar com os professores e com os movimentos sociais que disputam o sentido da educação no espaço público. A sua competência no campo da filosofia, do pensamento social brasileiro e, mesmo sobre ensino superior e sobre pós graduação, não o capacita, por si só, para dirigir o mais amplo e complexo serviço público do estado brasileiro: a educação básica.
Em segundo lugar, já falando de seu plano de governo da educação, nele não pode faltar um compromisso inarredável com a execução do Plano Nacional da Educação. Nesse terreno, não há que se inventar nada. O grande desafio é mobilizar as estruturas de Estado e a sociedade civil brasileira para implementação do Plano, de suas Metas e Estratégias. Em terceiro lugar, e na mesma direção posta acima, é preciso que o MEC deixe para traz a tradição, já quase centenária, de campanhas e planos pontuais e mirabolantes e articule políticas contínuas e bem estruturadas que visem o enfrentamento dos obstáculos estruturais que impedem a elevação da qualidade da escola pública básica no Brasil.
Qualquer plano de governo da educação fracassará se não foi ancorado, se não tiver como prioridade absoluta, a valorização dos professores e professoras da escola básica brasileira. E, obviamente, não estamos falando que devemos intensificar ainda mais os inúmeros programas de formação de professores, por mais que estes sejam importantes. Estamos falando, isso sim, de construirmos carreiras, de pagarmos salários e criarmos condições de trabalho dignas do e para o professorado brasileiro. Professor da mais importante universidade brasileira que é, o Ministro bem sabe que essas três condições são primordiais para manter a USP entre as melhores do mundo, e, certamente, sabe também que o mesmo se aplica à escola básica.
Em quinto lgar, o novo Ministro não poderá descuidar do sistema federal de ensino superior. A rápida expansão propiciada pelo Reuni e, agora, o corte de verbas para a educação - que a crise econômica, os problemas da Petrobrás e a queda do preço do petróleo no mercado internacional, dentre outros, deixam entrever que não será passageiro - criam um barril de pólvora a ameaçar a manutenção dos níveis de qualidade das universidades federais, as principais responsáveis, ao lado das estaduais paulistas, pela produção de conhecimentos científicos e tecnológicos no país.
Mas não menos importante será, também, que o Ministro volte seu olhar para a rede de Institutos Federais de Educação Tecnológica criada recentemente e ainda em implantação no país. Assegurar a sua efetiva operacionalização é um grande desafio. Mas será desafiador para o ministério assegurar que tais Institutos venham a cumprir a sua missão institucional de formação técnico-científica e não sejam capturados, seja pelo seu corpo docente em direção à cultura acadêmica das universidades, seja pelas classes médias locais em direção à preparação de seus filhos para prestar o ENEM em condições mais favoráveis do que o conjunto da população brasileira.
Pensamos, ainda, que o Ministro deveria cuidar mais do que seus antecessores da constituição de Redes e Programas de Pesquisa que tenham uma vinculação direta com as necessidades de conhecimentos postas pelas práticas dos professores e pela gestão das políticas educacionais. Um sistema e um serviço de tamanha extensão e complexidade não podem ser geridos e praticados amadoristicamente. Essa articulação entre a pesquisa e a escola básica e os impactos positivos que dela se espera, não se faz com editais erráticos e sem diálogo com o que já se sabe e com o que já se conhece da realidade educacional brasileira.
Finalmente, mas não menos importante, é preciso que o Ministro enfrente o desafio de repactuar a relação do Estado brasileiro com a iniciativa privada, no campo da educação.  Não é mais possível tolerar o repasse de recursos públicos para a iniciativa privada em educação no montante em que se faz no Brasil e, ademais, sem que as mantenedoras e/ou empresas privadas que se ocupam do setor demonstrem maior preocupação com a qualidade do ensino ofertado às nossas crianças e à juventude.
Diante desses desafios e de muitos outros que não foram aqui elencados, resta saber se o novo Ministro terá a humildade para aprender com aqueles que sabem sobre a educação, se conseguirá frear o ímpeto de “criação de novidades” que assalta a quase todos que passam pelo ministério, se terá capacidade e disponibilidade para dialogar franca e abertamente com os ocupantes das próprias estruturas de Estado e com os movimentos sociais diversos que disputam a educação, se conseguirá mobilizar as estruturas de Estado e a sociedade civil brasileira em torno de um tema que há muito os setores mais ricos e de classe média brasileiros renegaram: a qualidade da escola pública como um direito social e uma condição para a vida democrática. Se conseguir isso, certamente estaremos criando as condições para uma efetiva contribuição da educação pública ao desenvolvimento científico, cultural, econômico e social dos brasileiros e das brasileiras.
(Fonte: Informativo do Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

CRIANÇA SÍRIA SE "RENDE" À MÁQUINA FOTOGRÁFICA


Milhares de pessoas compartilharam a imagem de uma criança síria com as mãos para cima, 
como se estivesse se entregando, ao confundir 
câmera fotográfica com o cano de uma arma


A imagem - foto tirada pelo fotógrafo turco, Osman Sağırlı, em 2014 - começou a viralizar no Twitter na terça-feira da semana passada, quando foi tuitada por Nadia Abu Shaban, uma fotógrafa baseada em Gaza.
A mensagem original foi retuitada mais de 11 mil vezes. "Estou chorando", "muito triste" e "a humanidade fracassou" foram alguns dos comentários.
Na sexta-feira, a imagem foi compartilhada no Reddit, onde recebeu mais de 5 mil votos positivos e 1,6 mil comentários.
Não demorou para que surgissem acusações de que a foto era falsa. Muitos no Twitter questionaram quem seria o autor da foto e porque a imagem havia sido postada sem crédito.
Nadia confirmou que não tinha tirado a foto, mas não sabia explicar quem havia feito a imagem.
No Imgur, um site de compartilhamento de imagens, um usuário pesquisou a origem da fotografia - um clipping de um jornal - e disse que ela era real, mas tirada "por volta de 2012". A mensagem também nomeou o fotógrafo: o turco Osman Sağırlı.
A BBC conversou com Sağırl, que agora trabalha na Tanzânia, e desvendou o mistério.
A criança é uma menina, Hudea, de 4 anos. A imagem foi tirada no campo de refugiados de Atmeh na Síria, em dezembro do ano passado. Hudea viajou ao campo - a cerca de 10 km da fronteira turca - com a mãe e dois irmãos, a 150 km da cidade deles, Hama.
"Eu usei uma lente de telefoto e ela pensou que fosse uma arma", disse Sağırlı.
"Depois que eu tirei eu olhei (para a foto) e percebi que ela (a criança) estava assustada, porque ela mordeu os lábios e levantou as mãos. Normalmente, crianças correm, escondem os rostos ou sorriem quando veem uma câmera", disse.
Ele diz que fotos de crianças dos campos de refugiados são especialmente reveladoras.
"Você sabe que há pessoas que foram desalojadas nos campos. Faz mais sentido ver o que elas sofreram através das crianças e não dos adultos. São as crianças que refletem os sentimentos com a inocência que têm".
A imagem foi publicada inicialmente no jornal Türkiye em janeiro e foi amplamente compartilhada pelas redes sociais em turco, mas só na semana passada tornou-se viral em mídias na língua inglesa.
(Fonte: Site da BBC Brasil)

sábado, 28 de março de 2015

DESCULPAS E PRECONCEITO


IBGE derruba a tese preconceituosa de que “pobres fazem filhos para conseguir bolsa família”

A tese defendida pelos eleitores conservadores de que o programa Bolsa Família estimularia o nascimento de filhos entre os mais pobres, em busca de recursos do governo, acaba de cair por terra. Levantamento realizado pelo IBGErevela que foi exatamente junto aos 20% mais pobres do país que se registrou a maior redução no número médio de nascimentos.
A reportagem é do portal Brasil29, 27-03-2015.
Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.
Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01.
Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.
“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.
Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.
A demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Suzana Cavenaghi acredita que o melhor indicador para se trabalhar a questão da fecundidade no país deve ser o número de filhos por mulher e não por família, já que, nesse último caso, são identificados apenas os filhos que ainda vivem no mesmo domicílio que os pais e não os que já saíram de casa ou os que vivem em outros lares.
Segundo ela, estudos com base no Censo de 2000 a 2010 e que levam em consideração o número de filhos por mulher confirmam o cenário de queda entre a população mais pobre. A hipótese mais provável, segundo ela, é que o acesso a métodos contraceptivos tenha aumentado nos últimos anos, além da alta do salário mínimo e das melhorias nas condições de vida.
“Sabemos de casos de mulheres que, com o dinheiro que recebem do Bolsa Família, compram o anticoncepcional na farmácia, porque no posto elas só recebem uma única cartela”, disse. “É importante que esse tema seja estudado porque, apesar de a fecundidade ter diminuído entre os mais pobres, há o problema de acesso e distribuição de métodos contraceptivos nos municípios. É um problema de política pública que ainda precisa ser resolvido no Brasil”, concluiu.


(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)

segunda-feira, 23 de março de 2015

DOIS IMPORTANTES EVENTOS NA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UFMG


OFICINAS E RODAS DE CONVERSA DE FORMAÇÃO DOCENTE
PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA


O Programa de Apoio a Laboratórios Interdisciplinares de Formação de Educadores (LIFE) e o PIBID, da Faculdade de Educação da UFMG, realizarão nos dias 26, 27 e 28 de março, o “Colóquio: Formação Docente para a Educação Básica: como avançar?”.
A conferência de abertura do colóquio “Configuração histórica, cenário atual e perspectivas para a formação de professores”, será proferida pela professora Bernadete Angelina Gatti, da Fundação Carlos Chagas, e acontece no dia 26 de março, de 19 às 22 h, no Auditório Neidson Rodrigues, da Faculdade de Educação, da UFMG. O evento contempla ainda Rodas de Conversa e Círculo de Estudos PIBID/PRODOC, no dia 27 e Oficinas simultâneas de Cinema e Educação e do PIBID, no dia 28.
A organização do colóquio está sob a responsabilidade do Grupo Mutum de Educação, Docência e Cinema, coordenado pela professora Inês Teixeira e conta com o apoio do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio – PNEM/UFMG, Observatório da Juventude da UFMG, GEINE, Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil e PRODOC.
Para participar, basta solicitar a ficha de inscrição pelo e-mail: mutumcinedocen@gmail.com. A programação detalhada das rodas de conversa e das oficinas estarão indicados no saguão de entrada do prédio novo da FaE/UFMG.


DOUTORANDOS LATINO-AMERICANOS TÊM 
ENCONTRO MARCADO NA UFMG

Nos dias 26, 27 e 28 de março de 2015, acontece o “I  Encontro  Acadêmico  Internacional  de Doutorado  Latino-americano  em  Educação”.
O evento configura-se, principalmente como espaços e momentos de encontros presenciais de estudantes e professores do Doutorado Latino-americano em Educação, para pensar e refletir sobre as políticas públicas de educação na América Latina, formação acadêmica e o desenvolvimento de atividades extracurriculares, além do intercâmbio de experiências e confraternização entre  estudantes  e  professores dos vários países que se farão representados.
Participarão do encontro que tem uma vasta programação, docentes e discentes das seguintes instituições: Universidade Federal de Minas Gerais; Universidad Pedagógica Nacional de Mexico; Universidad Pedagógica Experimental Libertador de Venezuela; Universidad Pedagógica Nacional de  Colômbia  e Universidad Nacional de San Luis de Potosi de México.
O “I  Encontro  Acadêmico  Internacional  de  Doutorado  Latino-americano  em  Educação” acontecerá na Faculdade de Educação (FaE/UFMG) e a organização local do evento é de responsabilidade da professora Maria de Fátima Cardoso Gomes (Mafá), que é a Coordenadora do Doutorado Latino-americano na FaE/UFMG.

As inscrições para estudantes da UFMG poderão ser feitas no dia 25 de março, das 13h às 17h, na sala 1622, DECAE/FaE/UFMG e para o público em geral, no dia 26 de março em frente ao auditório Luiz Pompeu, da Faculdade de Educação, da UFMG, de 8h às 12h, ao preço de R$ 30,00. Maiores informações pelos telefones: (31) 3409.6177 / 34095310, Fax: (31) 340905326, e pelos e-mails: colpgsec@fae.ufmg.br, lorenagouveiam@gmail.com, luisamejia88@gmail.com.

MOVIMENTOS LIBERTÁRIOS


Paulo Freire: por um movimento a favor de um diálogo amoroso!

Paulo Freire certamente estaria na fileira das lutas daqueles que de forma honesta e sincera buscam uma transformação na sociedade que a torne mais justa, não entre aqueles que apenas estão ocupados em espalhar gritos carregados de ódio e revanchismo pela perda de privilégios... Para ler na íntegra o artigo escrito a quatro mãos por Conceição Clarete Xavier Travalha e Mácio Antônio da Silva, clique aqui.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O TIRO SAIU PELA CULATRA


Quero fazer coro com Almir Sales: 
eu também sou mais Minas 

Com a sua licença, Almir, reproduzo aqui o seu artigo - na íntegra - e abaixo, faço algumas considerações ao que me cabe nesse latifúndio.


Concordo com tudo o que foi posto por Almir, mas queria dizer, entretanto, que tudo tem um começo e um fim. Espero que este não seja o fim e, que acordemos a tempo para não sermos apenas espectadores passivos de um fim trágico.
O começo de tudo isso se deu no (e com) o elo mais fraco da corrente: os fornecedores. Principalmente com locutores, atores e cantores. Isso, para falar apenas do segmento que conheço melhor, no qual atuo e há mais de 10 anos quando criamos e fui fundador e primeiro presidente do Vozes de Minas, associação que congrega os locutores, atores e cantores que atuam na publicidade mineira, advertia sobre o perigo de uma prática, no mínimo esquizofrênica que era contratar atores e locutores para atuar em produções mineiras, especialmente àquelas de órgãos públicos: secretarias, autarquias e publicidade oficial de prefeituras e do Governo do Estado. A algumas instituições, que nos receberam, fizemos visitas. Outras, se quer conseguimos agenda. Grande parte das agências de propaganda também não nos ouviram e algumas produtoras de áudio e vídeo adotaram a contratação de locutores, atores e cantores de outras regiões como uma prática constante. Uma das poucas exceções, merece ser citado: Paulo Joel Bizarria, Paulinho, do Stúdio HP, que sempre brigou pelo nosso mercado.
Há cerca de uma década temos ouvido, constantemente, nos intervalos comerciais do rádio e da TV, locuções com o (chatíssimo) sotaque paulista, as produtoras também perderam uma enorme fatia do mercado mineiro e, nos últimos anos, os maiores responsáveis, por essa falta de "autoestima" e desrespeito aos seus pares da cadeia produtiva, estão sentindo o estrago causado pelo tiro que deram no próprio pé.
O trem tá feio. Mas, parafraseando, Almir, quero dizer também que sou mais Minas, que estamos vivos e, se quisermos, juntos, podemos sacudir a poeira e dar a volta por cima, uai!
(O artigo "Eu sou mais Minas", de autoria do publicitário Almir Sales foi publicado, no Jornal Tudo)

MODA JAPONESA


O desfile do estilista Jotaro Saito durante a semana da moda em Tóquio, no Japão.


 (Foto: Toru Hanai / Reuters - Contrasto)

domingo, 15 de março de 2015

PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO, PRIMAVERA ...


4 Estações

Eugênio Magno


                 Nos idos da minha primavera
  bebí o sol e a chuva
a lua e as estrelas
Mais tarde ensandecido
              nas profundezas
do vazio
                            de minha existência
                          mergulhei no nada
Também incendiei
    o meu corpo caboclo
  entre seios e vulvas
Depois gelei meu coração
               me embriagando
                    na frieza dos cristais
                              No verão perambulei
 sem teto
   sem porto
   sem rumo
Andei no fio da navalha
            Já no outono
    verti torrentes
          de águas salgadas
Joguei dados com o demônio
                      tirei a sorte grande
                anjos entraram
  pelas frestas
    de minh’alma
  então escura
Acenderam luzes
                        e continuam a iluminar
                    os campos e recantos
                    sombrios do meu ser
                                  Se o inverno for rigoroso
              terei espero
                   cinzas ainda quentes
                             teto  cobertor e luzes
                     a cada dia mais fortes
              para me aquecer.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - Versos e prosa, 2005)

terça-feira, 10 de março de 2015

A DIFICULDADE DE SE MANTER UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE ENSINO SUPERIOR


A Crise das Universidades Estaduais

Nos  últimos meses tornou-se público e notório que as universidades estaduais do país vivem uma séria crise de sustentabilidade financeira. Primeiro em São Paulo, mas logo seguida do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, para dizer apenas dos casos de grande repercussão pública, os professores e os funcionários técnico-administrativos vieram a público denunciar a fragilidade  financeira e o comprometimento dos salários e das condições de trabalho nas  instituições estaduais de ensino superior.
Mesmo considerando que há especificidades, dado a importância dessas universidades no conjunto das universidades estaduais, a situação acende uma intensa luz vermelha sobre a sustentabilidade de todas as instituições.  Como afirma o prof. Carlos Roberto Jamil Cury em entrevista publicada neste número do Pensar a Educação em Pauta, com exceção do chamado sistema estadual paulista, há muito consolidado, quase todas as universidades estaduais de ensino superior foram criadas após a Constituição de 1988, quando os governos estaduais usaram e abusaram do direito de criar tais instituições. O problema, afirma ele, é que criar uma universidade é fácil, o difícil é  mantê-la ao longo do tempo! Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.