quarta-feira, 5 de junho de 2019

A INDÚSTRIA DAS DOENÇAS


Pfizer ocultou indícios de que um de seus fármacos poderia prevenir o Alzheimer


(Foto: Getty)

Foi um achado surpreendente. Em 2015, depois de analisar centenas de milhares de reclamações de seguros, uma equipe de pesquisadores da Pfizer descobriu que um dos fármacos campeão de vendas da empresa, o Enbrel, um potente anti-inflamatório para o tratamento de artrite reumatoide, poderia reduzir o risco de Alzheimer em 64%. É o que revela The Washington Post em uma reportagem exclusiva, com base em documentos internos da empresa, aos quais teve acesso.
Acontece que a verificação desses efeitos do remédio exigiria um teste clínico caro. E, depois de um longo debate interno, a gigante farmacêutica decidiu não prosseguir com a pesquisa e não divulgar os resultados, como a empresa confirmou ao jornal.
"O Enbrel poderia potencialmente prevenir, tratar e retardar a progressão do mal de Alzheimer", dizia o documento em PowerPoint, de acordo com o Post, preparado por um grupo de pesquisadores da Pfizer para ser apresentado a um comitê interno da empresa em fevereiro de 2018. Esses especialistas, do departamento de doenças inflamatórias e imunologia, pediram à Pfizer que realizasse um ensaio clínico com milhares de pacientes e um custo estimado de 80 milhões de dólares (cerca de 320 milhões de reais).
Para continuar lendo a matéria de Pablo Guimón para o El País, de Washington, clique aqui.

sábado, 1 de junho de 2019

QUEREMOS EDUCAÇÃO, INCLUSIVE PARA OS DESEDUCADOS QUE COMANDAM O PAÍS


Quem é contra a educação?

(o crédito da foto foi identificado pelo "Pensar a Educação em Pauta" como Reprodução/Facebook)

A imagem acima se constitui num exemplo paradigmático dos tempos em que vivemos: ela retrata um grupo de manifestantes pró Bolsonaro retirando uma faixa em defesa da educação do prédio da Universidade Federal do Paraná. Diferentemente dos manifestantes dos últimos dias 15 e 30 de maio, os bolsonaristas foram às ruas no dia 26 em defesa de um conjunto de políticas de morte e, é evidente, contra a educação pública.
Ao atuarem contra a educação pública em todos os níveis, da educação infantil à pós-graduação, o governo Bolsonaro, seu Ministro da Educação e os minguados manifestantes que foram às ruas no último 26 estabelecem um novo paradigma de atuação do Estado e, mesmo, dos grupos conservadores brasileiros em relação à escola. Nunca, mesmo nos momentos em que as regras do Estado Democrático de Direito foram suprimidas, como no caso do Estado Novo e da Ditadura civil-militar, tivemos governos que estivessem publicamente contra a educação pública.
O novo paradigma estabelecido pelo governo Bolsonaro investe contra a escola pública e os sujeitos que cotidianamente a põem em funcionamento – alunas e alunos, professoras e professores e demais profissionais da educação. São os novos inimigos da pátria a serem combatidos. No entanto, se o paradigma é novo, as formas de atuação do governo Bolsonaro e seus aliados não o são. Como seus correlatos regimes nazifascistas, a mentira tem sido a principal arma do bolsonarismo para desclassificar os adversários e criar um clima social e político de que é necessário eliminá-los para o bem da Nação.
Não é sem razão que o bolsonarismo oficial que ocupa a Explanada dos Ministérios tem apontado as ciências sociais e a filosofia como áreas que não mais merecem apoio, incentivo ou financiamento sob o argumento de que são doutrinadoras de nossa ingênua juventude. Para o governo Bolsonaro e para os grupos que o apoiam, a simples possibilidade de que as crianças e a juventude sejam convidadas a pensar sobre o mundo é, já, uma ameaça que precisa ser combatida.
Defender a escola pública é fundamental. É a mais capilar e inclusiva das instituições republicanas. E é, em parte, por isso mesmo que ela tem sido sistematicamente atacada pelos bolsonaristas, ardorosos defensores dos privilégios de alguns e das desigualdades que sempre marcaram a sociedade brasileira. O que se quer evitar é que a escola se configure como, ainda que minimamente, uma ameaça ao status quo, seja pela inclusão dos “outros” que dela sempre estiveram alijados, seja pela possibilidade de crítica que a educação representa.
Mais uma vez convocados e convocadas, os defensores e as defensoras da escola pública ocupam as ruas do Brasil e reafirmam o direito inalienável das novas gerações a uma escola pública de qualidade e, inclusive, de qualidade porque é pública. Se o bolsonarismo é herdeiro daquilo que de pior tivemos em nossa história, nossa herança é outra: estamos ao lado de Nísia Floresta, da Pagu, de Maria Lacerda de Moura, de Anísio Teixeira, de Mário de Andrade, de Paulo Freire, de Florestan Fernandes, de Aparecida Joly Gouvea e de milhões de professoras e professores que, de forma anônima, silenciosa e contínua, fizeram e fazem a diferença na infância do/no mundo.
A política defendida pelos bolsonaristas é a política da destruição e da morte. É, de fato, uma antipolítica. E isto em todas as áreas e não apenas na educação. É por isso, também, que a reação ao que está acontecendo tem que ultrapassar o campo educacional e tomar o Brasil de ponta-a-ponta. E isto passa, sem dúvida, pela articulação de todos os setores e movimentos democráticos. É nessa direção que devemos avançar para derrotar não apenas o governo Bolsonaro, mas o bolsonarismo que ele representa.
(Fonte: "Pensar a Educação em Pauta" - Ano 7 – Nº 239/ sexta-feira, 31 de maio de 2019 - Editorial)

sexta-feira, 24 de maio de 2019

TEATRO EM SANTA LUZIA


Santa Luzia tem Teatro e tem história

A ROUPA NOVA DO IMPERADOR

(Foto: Eugênio Magno)

Há poucos dias tive o privilégio de assistir a pujança do teatro de Santa Luzia com a apresentação, em praça pública, da peça teatral "A Roupa Nova do Imperador", uma produção da Companhia Teatral Solares, para a adaptação livre, inspirada no conto homônimo de Hans Christian Andersen, com texto e direção de Edsel Duarte; Direção Musical: Saimon Rodrigues; Cenário: Arthur Duarte; Figurino e Caracterização Cênica: Edsel Duarte; Produção Executiva: Leticia Araújo; Identidade visual: Arthur Duarte. No elenco, Maiara Lima, Débora Apolinário, José Mateus Soares, Fran Gonçalves, Amara Rubia, Karen Costa, Val Santos, Leila Moraes e Saimon Rodrigues.
Brevemente a peça será encenada na Praça da Juventude, no São Benedito. Vale a pena ver.


TEATRO SÃO FRANCISCO, EM TAQUARAÇU DE BAIXO


(Foto: Eugênio Magno)

Encontra-se em estado de abandono, o Teatro rural São Francisco, em Taquaraçu de Baixo, distrito de Santa Luzia, MG.
O teatro, um dos poucos exemplares do mundo, com tais características, foi tombado pelo município de Santa Luzia, por meio do Decreto nº 2.131/2008 e integra o patrimônio histórico da cidade, todavia sem merecer a devida atenção por parte da administração municipal.
Convidado para dar aulas de música, com o objetivo de formar uma banda em Taquaraçu, o jovem ex-seminarista, Raimundo Nonato da Costa, resolve montar ali uma peça de teatro. E é assim que, em 28 julho de 1954, Raimundo, apelidado de Du, estréia a peça teatral "Mundo Velho sem Quintino", no curral da Fazenda Taquaraçu, adaptando o compartimento dos bezerros para palco e a cocheira como espaço para a platéia.
No mesmo ano, o então dono da fazenda, Nelson Gonçalves Marques, mobilizou a comunidade e, em mutirão, adaptaram o curral e construíram o Teatro São Francisco que foi palco de muitas apresentações teatrais, com texto, direção e atuação dos próprios moradores de Taquaraçu que se revezavam em várias funções.
Uma enchente de grandes proporções, no final dos anos 1990, atingiu o Teatro São Francisco, obrigando-o a ficar fechado por um longo período, até que em 2007 a Prefeitura Municipal de Santa Luzia promoveu a restauração da edificação. Atualmente o teatro se encontra em péssimas condições e necessita de uma nova reforma, urgentemente, sob pena de desaparecer, como já desapareceu a sede da Fazenda Taquaraçu.


 (Foto: Eugênio Magno)

ALGOZES DA EDUCAÇÃO EMANCIPADA


A filosofia e seus coveiros 

Claudio Andrade

O absurdo está se reinventando e procura monstros para justificar sua imbecilidade. Autoridades desautorizadas pelo justo conhecimento enxergaram as Ciências Humanas e, com miopia, acreditam ver a filosofia. O retorno ao primitivismo parece ser a tônica do grupo que acredita dirigir o Ministério da Educação com conselhos de um quase pseudo instrutor de Filosofia que confunde ‘Universidade’ com ‘Perversidade’, a saber, Olavo de Carvalho, que se quer teve condições de ler e compreender o metafísico Étienne Gilson que sentenciou a maior experiência filosófica de todos os tempos: “a filosofia sempre enterra seus coveiros”. Complementaria a máxima, sobretudo quando seus coveiros são leitores de um único autor ou de um único livro. Desde os tempos mais antigos a filosofia sempre preservou a liberdade e a autonomia para construir novas formas de vida e novos olhares sobre os problemas que nos impõe a ordem dominante, gastando energia em novos estilos de vida que sempre considerou um outro mundo em comum. Quem teve o ócio para ler e compreender Platão e Xenofonte sobre a trajetória de Sócrates, o mestre, vai se lembrar da perversa acusação a ele imputada de corromper a juventude que, na verdade, não era outra coisa senão a reflexão sobre a possibilidade de recusar a submissão cega às opiniões estabelecidas. A subversão da filosofia sempre foi a defesa da livre interpretação, afinal apenas a liberdade é a chave para a verdade. 
O que tentam defender os atuais algozes da educação emancipada e propositiva é absurdamente indefensável, pois desconsideram a premissa que antes de sermos técnicos ou profissionais somos seres humanos. Faz tempo que a filosofia e, posteriormente as ciências humanas, tentam qualificar a máxima de que melhorar a si mesmo tem potencialidade para melhorar a sociedade através da arte, da ciência ou da própria política, em declínio neste tempo de obscuridade instrumental e mediocridade. 
Mal sabem “eles” que o atual eclipse político tem sido a alavanca para a vitalidade filosófica, sempre renovada com novos fundamentos. 
A filosofia, incapturável, é sempre um choque diante do triste empobrecimento da sensibilidade humana neste momento de esclerose múltipla de um governo instituído por um ato de raiva e irracionalidade provisória. 
A desintegração está em processo e as pessoas [insensíveis] não percebem os danos irrecuperáveis em curso. Sem a experiência de sentir e estranhar, próprios da filosofia, vive-se o automático e o novo, abrindo espaço para uma legião de desmemoriados que banalizam o mal com justificativas injustificáveis. A filosofia sempre construiu a tensão do ‘como não’, ou seja, nunca fazer do mundo um objeto de propriedade, mas sim de uso e, preferencialmente, de um novo uso que vem ao encontro da essência dos seres humanos. 
Ora, em sua essência, a filosofia é uma arte de viver, um estilo de vida que compromete toda a existência tornando-nos uma versão melhor de nós mesmos. Assim, mais que uma disciplina com instrumentos metodológicos, a filosofia é terapêutica porque permite-nos a compreensão do sentido e da superação do próprio eu, sempre com novas experiências. No tempo em que escrevo, o filósofo Agamben, tem nos provocado com um lampejo a pensar novas formas de vida, em reconhecer o sujeito não mais como substância, mas sim como forma, sendo esta passível de transformação, qualificação e requalificação. Faz tempo que Agamben tem defendido a distinção de vida qualificada em relação à vida nua ou vida comum, assujeitada aos inúmeros dispositivos de dominação. Mais que viver simplesmente, precisamos viver bem. Só a filosofia como um novo suspiro tem potencialidade de nos libertar de prisões invisíveis que o sistema impõe. A filosofia e seu jeito de se colocar no mundo nos emancipa e isto, por si só, atrapalha os muitos dispositivos de dominação em curso. Ora, apenas a filosofia advoga em favor da vida e o que está em jogo [hoje] é a vida. 
É possível uma felicidade diferente, ligada não à realização tão somente profissional ou instrumental, podendo dar corpo a uma novidade no mundo e isto tem incomodado muito. A ideia de que a filosofia veio para deslocar a concepção espontânea tem deixado muitos sem dormir, pois quando mais batem, mais apanham. 

* Doutor em História e Sociedade pela UNESP, Professor Associado do Departamento de Filosofia da UNICENTRO. Assessor do CEFEP/CNBB e Presidente da Academia de Letras, Artes e Ciência de Guarapuava.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O FILME QUE ANTECIPOU O REALISMO SOCIAL DO CINEMA NOVO E A AÇÃO DA LAVA JATO


"Tocaia no Asfalto"



Um pistoleiro é contratado para matar um político corrupto. O contrato é cancelado, mas o matador insiste em executar a empreitada.

"Tocaia no Asfalto", filme de 1962 de Roberto Pires, com Agildo Ribeiro, Araçari de Oliveira, Othon Bastos, Geraldo del Rey e Antônio Pitanga, é o programa do Cinema Falado da próxima terça-feira, 21 de maio, às 19h30, na Sala Geraldo Veloso do MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).
Oportunidade para um encontro com críticos e cineastas para ver este filme e conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira. O filme será apresentado pelo professor e pesquisador Pedro Vaz Perez.
Cinema Falado é um projeto do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso, com o apoio do Museu da Imagem e do
Som (MIS), do jornal O TEMPO, da rádio SUPER FM e da Contorno Áudio & Vídeo.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

UM PAIS NÃO SE FAZ COM ARMAS, MAS COM LIVROS


Mobilização por educação confronta bolsonaristas nas redes e testa força nas ruas

(Fonte: Camila Svenson)

Os cortes de verbas nas universidades públicas e o cancelamento de mais de 3.000 bolsas de pesquisa anunciados pelo Governo Federal no fim de abril desencadearam intensas manifestações de usuários nas redes sociais e começaram a movimentar as peças de um tabuleiro político virtual até então dominado por bolsonaristas. Desde que o ministro Abraham Weintraub disse que cortaria recursos de universidades que promovessem "balbúrdia" em vez de melhorar o desempenho acadêmico, no dia 30 de abril, o WhatsApp foi infestado por imagens e mensagens que ridicularizavam essas instituições, muitas delas de teor sexual. A ação foi orquestrada por grupos mais alinhados à direita, avaliam pesquisadores que monitoram manifestações políticas nas redes sociais desde as últimas eleições, quando o fenômeno mudou de escala no Brasil. Pela primeira vez, no entanto, essa rede de apoio ao presidente encontrou uma resistência mais forte, a partir de uma contranarrativa da comunidade acadêmica, que começou a compartilhar suas experiências pessoais e produções na universidade, principalmente pelo Twitter. A movimentação em torno do tema rivaliza com um debate mais antigo e também crucial para o Governo: o da reforma da Previdência.
Para os pesquisadores, trata-se de um índice não desprezível do movimento, que começa a confrontar a hegemonia virtual dos bolsonaristas e tem seu teste de força nas ruas nesta quarta-feira, nos diversos protestos marcados para acontecer todo o país em defesa da Educação e contra os cortes de verbas nas universidades federais. São mais de 7 bilhões de reais congelados em todos os níveis educativos, incluindo o não repasse de 30% do orçamento não obrigatório das instituições de ensino superior. A mobilização cresceu na esteira da greve nacional de um dia já convocada por professores contra a reforma previdenciária e a organização das manifestações não está apenas nas redes sociais, mas também nos tradicionais espaços de mobilização, como sindicatos e assembleias universitárias. Os partidos políticos, porém, têm se mantido comedidos até agora, ainda que apoiem os atos, numa tentativa de criar uma rede de coalizão e atrair novos atores em um momento político que segue marcado por uma forte polarização. A movimentação ganhou a esperada adesão da UNE (União Nacional dos Estudantes), mas também endossos menos óbvios, como das principais universidades estaduais de São Paulo (USP, Unicamp e Unesp) e de uma série de colégios particulares da capital paulista, a maior cidade do país.
Um dia antes do ato geral pela educação, o ministro Weintraub ignorava o desgaste do Governo com as ações anunciadas para as universidades e defendia a presença policial nas instituições, que segundo ele não poderiam confundir autonomia com soberania. O Governo ainda veria a mobilização em torno do tema virar uma arma dos parlamentares da Câmara, inclusive governistas, insatisfeitos com a relação do Planalto com o Congresso. De surpresa, a oposição e nomes do Centrão (entre eles PP e MDB), aprovaram por 307 votos a 82 convocar o ministro dar explicações aos 513 deputados nesta própria quarta-feira
Para continuar lendo a matéria de Beatriz Jucá para o El País, clique aqui.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

LÁ VEM "TSUNAMI"...


Bolsonaro diz que governo tem enfrentado alguns problemas e talvez tenha "tsunami" na próxima semana


Lisandra Paraguassu


O presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta sexta-feira que o governo vem enfrentando alguns problemas e que pode até ter de encarar “um tsunami” na próxima semana, mas que vencerá os obstáculos e que está sempre em busca de se antecipar aos problemas.
“Alguns problemas, sim, talvez tenha um tsunami na semana que vem, mas a gente vence o obstáculo com toda certeza. Somos humanos, alguns erram, alguns erros são perdoáveis, outros não”, disse Bolsonaro em discurso de improviso ao participar de encontro com gestores da Caixa em Brasília.
O presidente não deixou claro se o “tsunami” se referia a alguma situação específica a ser enfrentada pelo governo.
Na próxima semana o governo tentará aprovar no Congresso a medida provisória 870, que trata da reestruturação administrativa do governo. A MP perderá a validade em 3 de junho caso não tenha sua tramitação concluída até lá.
(Fonte: Reuters Brasil)

domingo, 5 de maio de 2019

AS MINAS DE MINAS E AS MINAS QUE MINAM O BRASIL


A maldição das minas no Brasil: entre o medo do desemprego e o fantasma da impunidade

Bairro residencial de Congonhas, cidade de Minas Gerais, rodeado por 23 barragens 
de resíduos de mineração (Foto Douglas Magno / El País)

As legiões de aventureiros avarentos que penetraram nestas terras do Brasil no século XVIII não pararam para pensar que o ouro não se come. Alguns morreram de fome com pedras brutas no bolso. Não havia comida, estradas nem comércio. Aquela febre do ouro estabeleceu as bases de um Estado que deve quase tudo às minas. Seu nome, seu desenvolvimento, seu patrimônio histórico e sua economia. A paisagem verde de Minas Geraisé pontilhada por enormes lacunas de ocre intenso que a mineração escava na terra e por depósitos descomunais para colocar os resíduos que essa atividade gera. O colapso de uma dessas barragens em Brumadinho matou há cem dias, completados neste domingo, 235 pessoas. Outras 35 − também devoradas em segundos pela avalanche de rejeitos − continuam desaparecidas. A Vale, empresa proprietária da mina e uma das maiores multinacionais brasileiras, é reincidente. A tragédia provocou uma grande onda de indignação popular que levou a algumas poucas mudanças, mas o medo de que se repita está muito presente.
Maria Lourdes Anunciação, de 64 anos, vive tomada pelo medo em uma moradia de tijolos descobertos muito perto de uma barragem quatro vezes maior do que a que se rompeu em 25 de janeiro em Brumadinho. Não é a única. Nada menos que 23 depósitos de resíduos rodeiam Congonhas, uma cidade turística de 50.000 habitantes. Só uma colina separa a família Anunciação da mais próxima. Eles contam depois do desastre as autoridades fecharam a escola, e ficou nisso. “Depois de Brumadinho, não fizeram nenhuma simulação. Só a sirene, que tocou uma vez. Eram quase nove da manhã e quase ninguém ouviu. Tocou muito baixo”, recorda Maria. As vítimas de Brumadinho também não a ouviram, porque não tocou. “As pessoas têm mais medo das barragens agora, mas do desemprego também”, aponta sua filha Tatiane. Elas, como tantos na área, têm parentes que trabalham no setor.
As minas são a grande fonte de emprego local. E um potente motor da economia nacional, tanto que a mineração em Minas Gerais contribui com 8% das exportações brasileiras, que mesmo em épocas de crise é um gigante econômico. E, no setor, reina a Vale. Fundada em 1942 e privatizada em 1997, é a maior produtora de minério de ferro do mundo. Seu poder é enorme. A proclamação “Mariana nunca mais”, adotada por seu presidente, o agora substituído Fabio Schvartsman, depois de uma tragédia escandalosamente similar em 2015, ficou sepultada sob toneladas de ferro em Brumadinho. O rompimento da barragem de Mariana matou 19 pessoas, e causou o maior desastre ecológico do Brasil.
Para ler na íntegra a matéria de Naiara Galarraga Gortázar para o El País, clique aqui.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

MEDO DO SABER


'Ciências humanas são tão importantes quanto exatas e biológicas', diz professora de Harvard

(Foto: Melissa Blackhall / Hutchins Center) 

Sem os conhecimentos das ciências humanas "não é possível entender a sociedade", diz a cientista política Danielle Allen, professora da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
Em entrevista à BBC News Brasil, Allen disse ver como "um erro" o plano do governo brasileiro de reduzir investimentos em faculdades de ciências humanas - como filosofia e ciências sociais - e se concentrar, segundo um tuíte do presidente, Jair Bolsonaro, em "áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina".
O presidente escreveu que "a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta".
Para Allen, que dirige o Centro de Ética Edmond J. Safra de Harvard, a capacidade de uma sociedade de alcançar uma boa governança depende de ciências humanas como ciência social e filosofia, "porque são estas disciplinas que fazem esse tipo de trabalho".
"Você não cria leis para ter uma boa governança com os conhecimentos de Engenharia e de Física. Sem os conhecimentos das ciências humanas não é possível entender a sociedade."
Para continuar lendo a matéria de Rafael Barifouse para a BBC News Brasil, clique aqui.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

CONVOCATÓRIA PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS EM REVISTA DE EDUCAÇÃO CHILENA




MONOGRÁFICO “EDUCACIÓN E INTERCULTURALIDAD EN CHILE Y AMÉRICA LATINA”

Fecha límite envío de manuscritos: 30 de mayo de 2019

Comunicamos que “Autoctonía. Revista de Ciencias Sociales e Historia” (http://www.autoctonia.cl), dependiente del Centro de Estudios Históricos (CEH) y del Centro de Investigación en Educación (CIE), ambos de la Universidad Bernardo O’Higgins (UBO), se encuentra preparando su próximo  número (Vol. 3, Nº 2), que esta vez será un monográfico sobre “Educación e interculturalidad en Chile y América Latina”, coordinado por Dra. Raquel Flores Bernal (CIE-UBO), Dr. Juan Ortiz López (Pontificia Universidad Católica de Chile) y Dr. Rolando Poblete Melis (CIE-UBO).

La educación latinoamericana, hoy en día, se posiciona como un sitio de debate respecto del abordaje de la diversidad. La teorización ha devenido en la discusión respecto del multiculturalismo y la interculturalidad, en tanto conceptos fuertemente arraigados en la tradición estadounidense y europea. Por otra parte, el desarrollo de programas de educación intercultural a lo largo de Latinoamérica se han visto demandados por nuevos desafíos, como por ejemplo la migración al interior de la región. A pesar de que las distintas legislaciones educacionales en la región han apuntado al desarrollo de enfoques y metodologías que acogen a la diversidad y organizan el quehacer educativo, los hallazgos investigativos a la fecha dan cuenta de diversos escenarios tanto adversos como exitosos. Es por ello que, a través de esta convocatoria, planteamos reunir diversas experiencias de indagación sobre la interculturalidad en su amplitud conceptual y contextual, aceptando distintos enfoques y paradigmas de investigación.

En este número pretendemos abordar la interculturalidad y su relación con la educación y los procesos de escolarización desde una mirada amplia y latinoamericanista. En este sentido, se aceptarán trabajos que varíen en su macro nivel de análisis desde los fenómenos migratorios, las relaciones interculturales en contextos de convivencia indígena, y de las relaciones que se establecen con estudiantes de identidades culturales minoritarias. Un especial énfasis se pondrá en aquellos trabajos que adopten una posición interseccional. Sin embargo, otros sistemas de análisis podrán ser igualmente evaluados y publicados.

En síntesis, se aceptarán manuscritos originales que sean preferentemente resultados de estudios realizados dentro del campo de las Ciencias de la Educación, las Ciencias Sociales y las Humanidades, con especial énfasis en los siguientes tópicos:

  1. Ciudadanía intercultural en la escuela latinoamericana.
  2. La escuela como espacio propicio para el diálogo y la comunicación intercultural.
  3. Interculturalidad en la política pública educacional.
  4. Currículum, evaluación e interculturalidad.
  5. Formación docente e interculturalidad.
  6. Interculturalidad en la educación superior.


Los trabajos deben ser elaborados siguiendo las normas para autoras y autores:

Solo se recibirán las contribuciones a través de la plataforma on line:

La fecha límite para el envío de manuscritos es el 30 de mayo de 2019 y la fecha de publicación será en agosto de 2019.

Comité Editorial
Autoctonía. Revista de Ciencias Sociales e Historia

domingo, 21 de abril de 2019

FELIZ PÁSCOA!!!


Páscoa - Passagem

Jean-Yves Leloup
Sacerdote Hesicasta 

Sede passantes 
Este tema da passagem é o tema da Páscoa. 
Pessah em hebraico, quer dizer passagem. 
A passagem, no rio, de uma margem à outra margem, a passagem de um pensamento a outro pensamento, a passagem de um estado de consciência a outro estado de consciência. 
A passagem de um modo de vida a um outro modo de vida.
Somos passageiros.
A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói sua casa sobre uma ponte. 
Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio, a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino e fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes, sabendo que estamos de passagem.
É importante lembrar-se do caráter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas as coisas, pois o sofrimento geralmente é por querermos fazer durar o que não foi feito para durar.
A grande *PÁSCOA* é a passagem desta vida mortal para a vida eterna, é a abertura do coração humano ao coração divino.
É a passagem da escravidão para a liberdade, passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus, do Egito para a terra Prometida.Mas não é preciso temer o "Mar Vermelho".
O mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossas reações.
Temos que atravessar todas estas ondas, todas estas tempestades, para tocar a terra da liberdade, o espaço da liberdade que existe dentro de nós.
Sede passantes. 
Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite para continuarmos nosso caminho a partir do lugar onde algumas vezes paramos.
Observemos o que pára a vida em nós, o que impede o amor e o perdão, onde se localiza o medo dentro de nós. 
É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.
Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz, não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida.
Boa Passagem!


terça-feira, 16 de abril de 2019

DIA MUNDIAL DA VOZ


Homenagem do Vozes de Minas a todos os Profissionais da Voz




Dia 16 de Abril, Dia Mundial da Voz

Homenagem do Vozes de Minas - Grupo de Profissionais da Voz.


"OS INCONFIDENTES": HOJE NO CINEMA FALADO



A Melhor versão cinematográfica 
da Inconfidência Mineira



Em 1972, enquanto muitos brasileiros enfrentavam o regime militar do jeito que podiam, era produzido o filme sobre um grupo de intelectuais das Minas Gerais, que no século XVIII, almejava libertar o Brasil da opressão portuguesa.
"Os Inconfidentes", filme de 1972 de Joaquim Pedro de Andrade, com José Wilker e grande elenco, é o programa do Cinema Falado de hoje, terça-feira, 16 de abril, às 19h30, na Sala Geraldo Veloso do MIS Cine Santa Tereza (praça Duque de Caxias, bairro Santa Tereza).
Oportunidade para um encontro com críticos e cineastas para ver este filme e conversar sobre cinema, poesia, política e outros assuntos da cultura brasileira. O filme será apresentado pelo historiador Luiz Maia.
Cinema Falado é um projeto do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG) e do Instituto Humberto Mauro, em memória do crítico e cineasta Geraldo Veloso, com o apoio do Museu da Imagem e do Som (MIS), da Prodemge, do jornal O TEMPO, da rádio SUPER FM e da Contorno Áudio & Vídeo.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

CEM DIAS DE UM PRESIDENTE


O que os primeiros 100 dias de Bolsonaro indicam 
sobre os desafios de seu governo

(Foto: AFP)

Alçado pela maioria do apoio popular, um presidente estreante no cargo tem, em geral, boas condições para iniciar seu governo. O período costuma ser chamado de "lua de mel" - uma metáfora bem ao gosto do presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente compara as relações políticas com namoro e matrimônio.
No caso dele, que completa cem dias no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, o casório com o povo brasileiro começou mais tumultuado do que o comum.
Nos cem primeiros dias de governo, Bolsonaro já trocou dois ministros, algo inédito considerando os presidentes eleitos após a redemocratização - c.
O primeiro a cair foi c, que comandava a Secretaria-Geral da Presidência e era tido como homem de confiança de Bolsonaro até o escândalo do desvio de recursos eleitorais no PSL por meio de candidaturas de mulheres. O segundo foi Ricardo Vélez, substituído no comando da Educação por Abraham Weintraub, após os mais de três meses de total paralisia na pasta.
Outra peculiaridade, segundo o Instituto Datafolha, é o rápido aumento da rejeição logo no início da administração. Em pesquisa recém divulgada, 30% dos entrevistados consideraram o governo de Bolsonaro ruim ou péssimo, pior índice alcançado se comparado também a Collor, FHC, Lula e Dilma (considerando sempre o primeiro mandato).
Para continuar lendo a matéria de Mariana Schreiber para BBC News Brasil, clique aqui.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

CARTA AOS BISPOS BRASILEIROS


Participantes do Seminário Nacional do CEFEP fazem carta dirigida aos bispos do Brasil

O Seminário Nacional do CEFEP (Centro Nacional de Fé e Política Dom Hélder Câmara, organismo ligado a CNBB) aconteceu dos dias 22 a 24 de março passado, reunindo a rede de Assessores e as Escolas locais. Levando em conta a complexa conjuntura social, econômica, política e religiosa do país, os participantes aprovaram uma carta destinada aos bispos do Brasil, com cópia para o Papa Francisco, cujas posições também inspiraram os signatários da carta. Assinada pelos presentes, foi entregue ao Presidente da CNBB, o cardeal Dom Sergio da Rocha e enviada a todos os bispos.

Leia a íntegra do texto:

CARTA À CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

Senhores bispos,

“Construirão casas, para nelas morar, plantarão vinhas, para comer seus frutos. Não acontecerá que um construa e outro more, tampouco um plantará e outro comerá; pois meu povo alcançará a idade das árvores e meus eleitos consumirão o produto do seu trabalho.” (Isaías 65, 22).

“A necessária mudança das estruturas sociais, políticas e econômicas injustas não será verdadeira e plena se não for acompanhada pela mudança de mentalidade pessoal e coletiva com o respeito ao ideal duma vida humana digna e feliz, que por sua vez dispõe à conversão”. (Puebla, 1155).

Nós, leigos e leigas, agentes de Pastoral, reunidos no seminário da rede de Assessores e das Escolas de Fé e Política do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara, engajados/as na missão de “tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Papa Francisco – Alegria do Evangelho) queremos dialogar com os nossos Pastores e expressar algumas preocupações e propostas em vista de sermos uma Igreja cada vez mais discípula e missionária.

A realidade nos desafia para uma resposta profética
A realidade brasileira é marcada pela desigualdade socioeconômica e regional; um país onde a maioria da população conta com muitas dificuldades de sobrevivência e serviços públicos insuficientes diante das demandas sociais. A Constituição Federal de 1988 garantiu um marco legal de direitos fundamentais e sociais que ao longo dos últimos 30 anos se desdobraram em Políticas Públicas universais que possibilitaram a diminuição das desigualdades e a melhoria de todos os indicadores sociais.

A crise econômica e política dos últimos anos representa um ataque à Constituição Brasileira e a qualquer possibilidade de termos no Brasil um Estado de Bem Estar Social que garanta uma sociedade de igualdade e de oportunidades.

A  Agenda Econômica do governo Bolsonaro está comprometida com uma visão de mundo onde o mercado por si só é capaz de resolver os problemas da sociedade, dado que o poder público é usado para diminuir as políticas públicas e fazer do Estado mero incentivador das forças do mercado. Uma visão ultraliberal que não se compromete com a eliminação das desigualdades.

Essa Agenda está articulada com a restrição das liberdades democráticas; os direitos civis estão ameaçados e o uso da força e da perseguição política já é uma realidade. A intolerância e o ódio se tornam políticas oficiais e presentes nas relações pessoais e até em nossas comunidades eclesiais; o futuro do Brasil pode significar um aprofundamento da pobreza e da miséria e do trabalho precarizado, com consequências imprevisíveis no campo das relações familiares e sociais.

A atual proposta de “reforma da previdência” é um exemplo da restrição de direitos.

As ameaças dos fundamentalismos
O ódio virou arma para destruir todo aquele que pensa ou tem posições diferentes; ele atua por razões políticas, econômicas e religiosas e mina a democracia; impede que os conflitos sejam resolvidos de forma pacífica no campo da política. Também no interior da Igreja, sofremos a vigilância e a perseguição de alguns grupos organizados comprometidos com uma ação contra o Concílio Vaticano II e até contra o Papa Francisco. A própria CNBB tem sido acusada e difamada por estes grupos que se dizem católicos.

Afirmamos a necessidade de investirmos em uma cultura do encontro e do diálogo, como pede o Papa Francisco. Não há democracia sem respeito e pluralidade, sem a vivência de uma cultura democrática que sustente o Estado Democrático de Direito.

A conjuntura que enfrentamos pede de todos nós e de modo particular a manifestação profética dos nossos bispos e comunidade eclesiais, denunciando as injustiças e tudo aquilo que fere a dignidade humana e a possibilidade da convivência democrática.

Também nos preocupa a formação dos agentes de Pastoral, dos recursos disponíveis para tais atividades em todos os níveis, bem como a formação dos seminaristas sobre a relação Igreja/sociedade, Doutrina Social da Igreja  e formação sociopolítica.

Caminhar juntos
Com o Papa Francisco, sentimos um novo vigor da eclesiologia do Povo de Deus. Com isso, a nossa intenção é que cada vez mais a CNBB seja uma Instituição que testemunhe a renovação conciliar e a conversão pastoral convocada pela Conferência de Aparecida. Esperamos uma maior presença e participação do laicato nas diversas comissões e instâncias da Conferência, bem como nos regionais e nas próprias dioceses. Uma maior colegialidade e um compromisso renovado com a Opção Preferencial dos Pobres.

Seguindo as pegadas do Evangelho e como nos recorda o Papa Francisco na “Alegria do Evangelho”, não existe evangelização sem a dimensão socioambiental que a Palavra de Deus exige e, por isso, mais uma vez conclamamos que a CNBB se manifeste, como o fez em toda a sua história, a favor do povo brasileiro e, principalmente, dos mais pobres. Que tanto na Igreja como na sociedade possamos vivenciar a profecia e ensaiarmos desde já o Reino de Justiça, Fraternidade e Igualdade.

Que o próximo quadriênio esteja à altura desses grandes desafios; de uma evangelização encarnada; de uma nova inserção eclesial no contexto complexo das cidades e na defesa de uma ecologia integral, semeando o testemunho do Amor de Deus.

Contem conosco!

(Fonte: Cefep/CNBB e Nesp/Pucminas)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

CENTRO CULTURAL DE MONTES CLAROS FESTEJA 40 ANOS EM MAIO PRÓXIMO


40 Anos do Centro Cultural Hermes de Paula 
Prefeitura convida a comunidade para as comemorações


O Centro Cultural Hermes de Paula comemora, no próximo mês de maio, 40 anos de criação. Para celebrar a data, a Prefeitura está convidando a população para participar das comemorações do aniversário do local, que é palco de espetáculos, encontros, exposições e lançamentos literários que enriquecem e engrandecem o cenário artístico e cultural de Montes Claros.
Até o dia 5 de maio a Prefeitura de Montes Claros está recebendo fotos, materiais gráficos e de audiovisual que ajudem a contar parte da história do Centro Cultural. As pessoas que tiverem esses registros podem entregá-los até o dia 5 de maio, no próprio Centro Cultural ou na Secretaria Municipal de Cultura, pois eles farão parte da atração “Exposição de Memórias”, agendada para a segunda quinzena de maio.  A proposta é fazer com que esses registros sejam expostos no hall de entrada do Centro Cultural até o mês de dezembro, prestando uma honrosa homenagem a este local considerado uma referência na história de Montes Claros.
Sinto-me honrado em fazer parte dessa história. Estive lá na inauguração, como ator, na peça teatral "A formiga que queria ser cidade e virou princesa", de autoria do saudoso Reginauro Silva, sob a competente direção de Eduardo Brasil, assistido por Raymundo Mendes.
Vida longa nosso querido Centro Cultural!!!

quarta-feira, 27 de março de 2019

SEMINÁRIO DE FÉ E POLÍTICA NO CEFEP


Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara promove seu tradicional Seminário Anual em Brasília



Aconteceu no último final de semana, no período de 22 a 24 de março, na Sede do Centro Cultural Missionário, em Brasília - DF, o "Seminário Anual da Rede de Assessores e Articulação das Escolas", do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP).
Na condição de assessor do CEFEP, estive lá participando do evento que contou com várias apresentações como "Anarcocapitalismo e Doutrina Social da Igreja", com Paulo Fernando Andrade; "Análise de Conjuntura", com Robson Sávio e "Idolatria e Meio Ambiente", com Roberto Malvezzi (Gogó). 
Além das palestras, seguidas de acaloradas discussões, participamos de trabalhos em grupos temáticos e fomos brindados com o lançamento do livro "Religião, Política e Transformação Social: experiências de fé" que vai engordando a coleção das publicações do CEFEP.
Durante o encontro foi redigida uma carta dirigida aos bispos brasileiros e ao papa Francisco que foi assinada por todos os participantes e que em breve - assim que for entregue aos seus destinatários -, estarei publicando aqui no blog.

quarta-feira, 20 de março de 2019

REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA MIRA DO CAPITÃO


Bolsonaro promete todo esforço na reforma da Previdência 
para aprová-la "o quanto antes"

(Foto: 247)
Pedro Fonseca

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em artigo publicado nesta quarta-feira, que a reforma da Previdência é o carro-chefe de seu governo e prometeu colocar todo o esforço para a aprovação da matéria no Congresso o quanto antes, prevendo um crescimento do PIB de 3,3 por cento em 2023 se o texto for aprovado.
Em artigo publicado no jornal Valor Econômico no dia em que retornou de viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro descreveu o atual sistema previdenciário como “ator principal desta telenovela chamada desequilíbrio fiscal, que custa ao país 800 bilhões de reais ao ano”.
Segundo o presidente, não há opções viáveis para a retomada do crescimento econômico sustentado sem a realização da reforma da Previdência, além das também prometidas reformas tributária e trabalhista.
“Se mantidas as regras (previdenciárias) atuais, estarão em risco não apenas as nossas aposentadorias, mas também a dos nossos filhos e netos. Sem a reforma, a saúde econômica se encaminhará rapidamente para a UTI da crise social, já vivida recentemente por muitos países”, disse Bolsonaro no artigo.
O presidente citou a fraqueza da indústria nos últimos anos e os 13,2 milhões de desempregados, e apontou as reformas como único caminho para a retomada do crescimento econômico. “Com a Nova Previdência, a nossa expectativa é chegar a 3,3 por cento (de crescimento do PIB) em 2023”, afirmou.
“É nítido o grau de deterioração das contas públicas. Se a reforma não for aprovada agora, haverá uma completa exaustão da capacidade financeira, o que impedirá o governo de resolver as questões vitais da sociedade”, acrescentou.
Ao lembrar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência já foi enviada ao Congresso e se encontra atualmente na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) da Câmara, Bolsonaro disse que hoje existe “mais maturidade na sociedade brasileira” sobre a questão.
“Essa interlocução política está sendo feita, a base está se formando e eu acredito firmemente que durante o período de tramitação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, essa base estará formatada e dará segurança para aprová-lo”, afirmou.
“Entendemos que é legítimo o Congresso querer aperfeiçoar o projeto entregue pelo governo e que é normal e constitucional utilizar o orçamento como inflexão de políticas públicas em prol da população brasileira. O orçamento brasileiro está cada vez mais pressionado e, se nada for feito, teremos cada vez menos recursos discricionários para investimentos”.
Nesta quarta-feira está previsto que Bolsonaro se reúna com ministros e auxiliares para bater o martelo sobre o projeto que muda as aposentadorias e reestrutura a carreira dos militares, no âmbito da reforma da Previdência. O governo prometeu entregar essa proposta ao Congresso até esta quarta.
O envio pelo governo de proposta com alterações na aposentadoria dos militares tem sido apontado por líderes parlamentares como condição para o andamento da PEC de reforma geral da Previdência. Líderes já anunciaram que só votarão a PEC na CCJ após o envio do projeto que trata da nova aposentadoria para militares.
(Fonte: Reuters)

quinta-feira, 14 de março de 2019

AS TRAGÉDIAS DA SAMARCO E DA VALE


Decorridos três anos desde o rompimento da barragem da Samarco, muito pouco foi feito. As indenizações pagas correspondem a menos de 1% do valor pedido inicialmente. As comunidades destruídas não foram recuperadas. Multas não foram pagas. Nenhum responsável está preso. Localidades destruídas tampouco foram recuperadas.


Mariana, Brumadinho e depois: 
o que fazer quando o criminoso é uma corporação?
(Foto: Corpo de Bombeiros)

Longe de ser exceção, esse estado de fatos é uma regra em Minas Gerais. Multiplicam-se os casos de ruptura de barramento nos anos recentes. Ao invés de se aperfeiçoarem a regulação e o controle, caminha-se no sentido inverso: a legislação vem sendo sistematicamente afrouxada de modo a facilitar os licenciamentos. Sem ações eficazes para enfrentar o problema, todos os casos de ruptura de barragem vão, aos poucos, caindo no esquecimento.
É uma situação que leva a constatar a incapacidade institucional dos sucessivos governos para exercer sua tarefa de fiscalizar as atividades econômicas tendo em vista o bem comum e a sustentabilidade ambiental e social. Ao contrário, dependentes economicamente das receitas que obtêm da mineração por meio de taxas e impostos, os governantes tendem a ignorar o problema ou a contribuir diretamente para que a situação se agrave. Também no Poder Legislativo, assiste-se à capitulação de parlamentares e políticos frente ao lobby das empresas mineradoras, que oferecem aos políticos fartos recursos pela defesa de seus interesses.
A tragédia que se abateu sobre a cidade de Brumadinho no final de janeiro deu visibilidade às complexas relações entre a política e o poder econômico das grandes empresas da extração mineral. No centro dos acontecimentos se encontra novamente uma das maiores mineradoras do mundo, a Vale, que já havia protagonizado, em Mariana, outra das maiores tragédias ambientais do Brasil.
As investigações já têm apontado que a catástrofe em Brumadinho poderia ter sido evitada. Multiplicam-se na imprensa as notícias de que, meses antes, a Vale já tinha conhecimento do risco de uma iminente ruptura da barragem. Argumenta-se que pelo menos a perda de tantas vidas humanas poderia ter sido evitada se medidas efetivas tivessem sido tomadas para informar funcionários e moradores sobre a ameaça.
Além disso, nas últimas décadas a Vale e outras mineradoras fizeram a opção de adotar uma técnica de contenção dos rejeitos tendo como critério o seu mais baixo custo. Com tal decisão, escolheram um modelo reconhecido pelo seu alto risco. Por essa razão, vem se fortalecendo a tese de que não houve acidente, mas sim um crime contra o meio ambiente e contra a humanidade.
Graças à pressão popular dos movimentos sociais e de outros agentes públicos foi aprovada uma nova lei estadual chamada “Mar de lama nunca mais”, com um novo marco regulatório para a segurança de barragens de rejeito. O embate, agora, se desloca para o Congresso onde prossegue o desafio de se criar uma regulação nacional que proteja o meio ambiente e as comunidades próximas às atividades de extração mineral.
Para continuar lendo a matéria clique aqui.

domingo, 10 de março de 2019

SOCIALISMO "MILLENNIAL" NOS ESTADOS UNIDOS


A temida palavra ‘socialista’ já não é mais tabu entre os jovens do país. Críticos da má distribuição de oportunidades e do ‘status quo’, encontraram sua voz em Alexandria Ocasio-Cortez

(Foto: Diego Quijano)

Uma das maiores fraturas políticas atuais, junto com a urbana/rural, é a de gerações. E, mais do que em outros lugares, isto se torna visível no mundo anglo-saxão. Se fossem apurados unicamente os votos dos menores de 25 anos nas últimas eleições legislativas britânicas, o Partido Conservador não teria obtido nem um só assento na Câmara dos Comuns. O voto dos jovens, que já tinha sido majoritariamente contrário ao Brexit, foi em massa para o Partido Trabalhista, que vinha se reaproximando das suas bases pelas mãos do imprevisível líder Jeremy Corbyn. Nas eleições de 2017, soube cortejar com acerto as ânsias de ascensão social frustradas pela crise econômica.
O socialismo millennial, seguindo o caminho esboçado por políticos como Sanders e movimentos como o Occupy, voltou para politizar a desigualdade, que já não é mais vista como uma externalidade inevitável. Além disso, os jovens norte-americanos vivem cotidianamente o endividamento decorrente das caras tarifas universitárias e o pagamento dos planos de saúde. Para atingir o objetivo é preciso mirar nas grandes fortunas, às quais Ocasio, por exemplo, gostaria de impor uma alíquota fiscal de 70%. Aqui a classe média, cujos salários mal se moveram em termos relativos nas últimas quatro décadas, também deveria ser parte da coalizão. A opressão não se articula só a partir de critérios econômicos: abandonar em seu nome a luta pelo reconhecimento de determinadas minorias fica totalmente excluído.
Para ler, na íntegra, a matéria de Fernando Vallespín para o El País, clique aqui

quarta-feira, 6 de março de 2019

"FRATERNIDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS"


CNBB lança Campanha da Fraternidade 2019 em Brasília (DF)



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente nesta quarta-feira de cinzas, dia 6 de março, a Campanha da Fraternidade (CF) 2019 com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O lançamento acontece na sede provisória da entidade em Brasília (DF).
Nesta Campanha, a ser desenvolvida mais intensamente no período da Quaresma, a Igreja Católica buscará chamar a atenção dos cristãos para o tema das políticas públicas, ações e programas desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis.
Nesta CF 2019, a Igreja no Brasil pretende estimular a participação dos cristãos em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade. O texto-base da campanha, descreve, entre outros tópicos, sobre o ciclo e etapas de uma política pública e faz a distinção entre as políticas de governo e as políticas de Estado, bem como apresenta os canais de participação social, como os conselhos previstos na Constituição Federal de 1988.
Todos os anos, a CNBB apresenta a CF como caminho de conversão quaresmal. É uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de temas específicos. Em 2019, a Conferência convida todos a percorrer o caminho da participação na formulação, avaliação e controle social das políticas públicas em todos os níveis como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados ao povo brasileiro.
(Fonte: Site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB)

sexta-feira, 1 de março de 2019

O SAMBA DOS AGRICULTORES


Unidos do Roçado, a escola de samba de agricultores que transformou o Carnaval no sertão do Ceará



Na comunidade do Roçado de Dentro —na zona rural de Várzea Alegre, uma cidade de quase 40.000 habitantes no sertão do Ceará—, o bom inverno é o principal termômetro do Carnaval. Ali, há 56 anos, um grupo de agricultores deixa suas roças para levar até a zona urbana da cidade o desfile de uma escola de samba com mais de 300 integrantes e cuja trajetória transformou a cidade em polo carnavalesco. Da tradição iniciada pelos homens do campo, Várzea Alegre ganhou nos últimos anos outra escola de samba (Mocidade Independente do Sanharol) e uma série de blocos que todos os anos atraem centenas de pessoas ao município.
Esta história começa em 1963. Enquanto golpeava o solo para plantar legumes, o agricultor Pedro Souza cantava a marchinha de Emilinha Borba que ouvia repetidas vezes no único rádio de pilha do Roçado de Dentro. A voz saía ritmada ao tilintar da enxada: "Vem cá, seu guarda / Bota pra fora esse moço / Que tá no salão brincando / Com pó de mico no bolso / Foi ele / Foi ele sim / Foi ele quem jogou o pó em mim". Os companheiros agricultores, de tanto ouvi-lo cantar o Pó, aprendiam a letra e, mesmo sem portar os instrumentos necessários, reproduziam a música na roça. Era Pedro Souza, acostumado a tocar sanfona nas festas populares da comunidade, quem conduzia aquela orquestra improvisada, nascida imersa a um matagal de mudas de feijão e milho. Um ditava o tom, os outros o seguiam em coro. Valia ainda imitar, com a boca, o som do trombone, da sanfona e da corneta, enquanto o do surdo e o da caixa ficavam por conta de um batuque ritmado em um pedaço de madeira ou na própria coxa.
Em mais uma tarde como esta, em fevereiro de 1963, os agricultores do Roçado largaram as enxadas, pegaram instrumentos emprestados da banda cabaçal da comunidade, um conjunto musical típico do interior cearense, e decidiram entrar em cena para enfrentar uma espécie de abismo social que naquela época separava as zonas urbana e rural. Iluminados pelo sol a pino do meio-dia e usando galhos de plantas como alegoria, saíram animados pelas estradas do sítio, tocando e convidando os demais moradores para a empreitada. “A minha sanfona era novinha, e a princípio eu nem queria colocá-la no meio daquele negócio”, conta Matias Alves de Souza, sem saber direito se os amigos pegaram primeiro o braço dele ou a alça da concertina. Sem ter como fugir daquela intimação, o jeito foi seguir com os companheiros rumo à cidade. No percurso de dois quilômetros que separam a comunidade da zona urbana, vários momentos de hesitação. Com medo de serem ridicularizados na cidade, os agricultores tentaram esconder o rosto com carvão e goma —uma forma de não serem reconhecidos.
Para continuar lendo a matéria de Beatriz Jucá para o El Páis, clique aqui.