sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

"COM DEUS TUDO É POSSÍVEL"



A Teologia no cotidiano

Eugênio Magno

O saudoso teólogo e padre jesuíta João Batista Libânio, em uma ocasião em uma aula fez a seguinte provocação, invertendo a lógica habitual: “o que a política pode oferecer a um cristão que tem fé?” E com as interações do grupo respondeu que, “a política oferece mediações para o exercício da fé e permite à fé se concretizar materialmente”. Disse ainda que “a política pode ser uma instância que denuncia os aspectos idólatras da fé e da religião em suas práticas não-éticas. Que a política faz uma crítica ideológica da fé”. A  proposta aqui é fazer um breve exercício dialético onde a política interroga a fé e a fé interroga a política.

É sabido que exegetas, teólogos e biblistas se dedicam ao estudo bíblico, à pesquisa dos textos sagrados e a história da salvação. Seus estudos trazem reflexões e ensinamentos sobre o Cristo histórico e os costumes da época, entre outras tantas revelações importantes que alicerçam a fé.

Mas o vivente comum tem pressa, quer fazer a teologia do (e no) cotidiano. Quer compreender o que Deus está  a dizer. Afinal, são tantos fatos, tantos acontecimentos, tantos “sinais”, ou será que o que vemos não está sendo mostrado por Deus, não são revelações...

Nunca é demais lembrar o que a Bíblia ensina: o cristão é Rei, Sacerdote e Profeta. Daí então, pergunto: onde está esse grande contingente de cristãos, a maior corrente religiosa do mundo, com suas várias denominações, para exercerem com dignidade e altivez seus mandatos, ministérios e a vida cidadã? E aqui não me restrinjo aos religiosos, pertencentes às hierarquias das várias Igrejas e seitas que se autointitulam cristãs. A cada esquina encontramos uma Igreja, com e sem aspas. A todo instante ouvimos alguém pronunciar o nome de Deus: chefes de nações, empresários, trabalhadores, apresentadores de rádio e TV, cantores... E a quantidade de carros com adesivos: “Foi Deus que me deu”, “Mais um presente de Deus”, “Deus é fiel”, "Com Deus tudo é possível", “Dirigido por mim, guiado por Deus” e por aí vai... Mas, a despeito dessas declarações, tome tiranos chefiando nações, empresários exploradores, fake news, desinformação, trânsito caótico e direção criminosa. Será que tudo isso que estamos vivendo no mundo é apenas uma “pegadinha” de mau gosto dos deuses, ou um baile à fantasia, onde os donos da festa são meninos malvados brincando, com máscaras de seus heróis do tipo Hitler, Stalin, Mussolini, Franco e mais um enorme elenco de prestidigitadores e outros bichos e bestas do Apocalipse, ou seriam reencarnações dos algozes de Deus?

Os reis enlouqueceram todos e, como Nero, atearam fogo nas cidades e as coroas destinadas aos rebeldes da hora não são mais de espinhos. São caríssimas ogivas midiáticas de milhões de dólares, jogadas na rede sobre as cabeças de plebeus famintos de inutilidades que pagam com seu tempo e atenção por essas bagatelas manipuladas por mãos e polegares de tecnocratas, desprovidos de qualquer centelha de humanismo? Os verdadeiros reis a exemplo do Cristo Jesus, de Nazaré, não têm trono e seus castelos são feitos de papelão e da sobra – pobre, podre e rota – dos avarentos.

O anúncio da morte de Deus, feito por Nietzsche há dois séculos e, que escandaliza tantos que não compreenderam Nietzsche é infinitas vezes menos grave do que o uso do nome de Deus em vão e o assassinato cotidiano do filho de Deus por aqueles que se dizem seus seguidores. Ainda que não seja maioria, graças a Deus, não se pode ignorar o crescimento espantoso do número de religiosos radicais, que estão de costas para o Cristo dos Evangelhos. São militantes da teologia da prosperidade. Não sabem fazer a multiplicação dos pães, exceto, quando em benefício próprio. Criticam a pajelança e vários outros cultos, enquanto seus fieis, de tanta fidelidade e resignação morrem com a mão estendida, na sarjeta, nos corredores dos hospitais, quando lá chegam, atingidos por balas perdidas e achadas (em inocentes), de inanição, ou dormindo como anjos bêbados, enquanto seus barracos desabam com as águas que caem do céu.

O cristão também deve ser profeta. E profeta é aquele que anuncia e denuncia: na família, nas Igrejas, nos bairros, nas empresas, nos sindicatos, nas escolas, nas ruas, nas ciências, na imprensa, nas artes, na política e na vida cotidiana. Mas os falsos profetas se multiplicaram oferecendo consolações falsas e corrompidas pelo “farisaísmo” e pelos artifícios da retórica e do legalismo de uma justiça injusta que insiste em não tirar a venda dos seus olhos.

Diante da escassez de vocações para profetas, sabedor de que a messe é grande e poucos são os operários e arautos da “boa nova” e menor ainda é a plêiade dos que denunciam, faço aqui uma breve encenação deste papel na tentativa de amplificar a voz dos que não têm voz, mesmo que apenas por uns poucos instantes, neste breve tempo e espaço. Tenho consciência de que é um grito surdo e rouco, mas é legítimo. Vem das ruas, das vilas, das favelas, dos ribeirinhos, dos povos indígenas, dos camponeses, dos quilombolas, dos discriminados. É o grito das crianças famintas e daqueles que um dia construíram o futuro e foram esquecidos no passado com seus cabelos esbranquiçados e o corpo alquebrado pela desesperança. E até mesmo dos antigos abastados, da mesma faixa etária dos miseráveis, que não mais são chamados de velhos ou idosos. Virou moda dizer que estão na “melhor idade”, para alimentar sonhos de vida eterna e na contra partida surrupiarem suas economias...

É isso mesmo que acontece. Até a classe média, da terceira idade que, até pouco tempo atrás era um mercado em plena ascensão, está em queda vertiginosa e, agora, se vendo na bica de um rebaixamento econômico e social, começa a dar sinais de insatisfação e ensaia as primeiras articulações para a luta contra esse curto, mas medonho, tempo de obscurantismo que vem destruindo décadas de avanços civilizatórios. 

Antes tarde do que nunca.

Mas se faz necessário indagar: quantas quarentenas... sofrimentos e mortes teremos que viver? Quantas pandemias sobreviver ou padecer? Quanto nos resta aprender...

domingo, 10 de janeiro de 2021

BOLSAS PARA JORNALISTAS

(Imagem: Divulgação/Imagem Pública)


Agência Pública e Idec oferecem bolsas 
para produção de reportagens


Jornalistas de todo o país são convocados a participar do processo seletivo de bolsas para pautas investigativas sobre as desigualdades no acesso à internet no Brasil. Esta é a 13ª edição das Microbolsas distribuídas pela Agência Pública em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que contemplará quatro reportagens. Para participar, os profissionais devem preencher o formulário de inscrição até o dia 5 de fevereiro.

Além das bolsas, no valor de R$ 7 mil, os jornalistas selecionados receberão a mentoria da Agência Pública para produzir a reportagem proposta, que será publicada no site da agência e parceiros republicadores.

De acordo com o coordenador de telecomunicações e direitos digitais do Idec, Diogo Moyses, o tema desta edição foi escolhido com base na essencialidade do uso da internet durante a pandemia, que evidenciou ainda mais esse cenário de desigualdades.

“Com a iniciativa de bolsas de reportagens, buscamos compreender de forma mais profunda os impactos da desigualdade e, especialmente, como o modelo de mercado que temos atualmente favorece e até aprofunda esse problema”, explica.

As pautas devem abordar as diversas questões relacionadas ao tema, como falta de acesso a dispositivos, franquias de dados limitadas e bloqueio do acesso móvel, falta de infraestrutura e de políticas públicas de acesso à internet, práticas abusivas e pouco transparentes de empresas de telecomunicação, aumento da desinformação, entre outras.

Para se inscrever, é necessário enviar uma breve apresentação do repórter, referência profissional, resumo e descrição da pauta, plano de trabalho e plano de orçamento para a produção da reportagem. Segundo o regulamento, as propostas serão selecionadas pela direção da Agência Pública em parceria com o Idec, considerando a originalidade e relevância da pauta, consistência na pré-apuração, segurança e viabilidade da investigação e os recursos e métodos jornalísticos que serão utilizados. Os vencedores serão anunciados a partir do dia 18 de fevereiro no site da Agência Pública.

(Fonte: Portal comunique-se)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O PODER DA TECNOLOGIA SOBRE A VIDA HUMANA

 Entrevista especial com Carlos Affonso de Souza

(Foto: Acervo da Câmara dos Deputados)

João Vitor Santos, do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) realizou uma entrevista com o professor Carlos Affonso de Souza, onde são abordados vários temas ligados à tecnologia, dentre eles uma Ação antitruste dos Estados Unidos contra a Google. Leia abaixo alguns trechos da entrevista.

No final do ano passado, Donald Trump colocou o Vale do Silício em rota de colisão com Washington, acusando uma das gigantes das Big Techs, a Google, do que podemos chamar de um certo monopólio. E mais: estaria a empresa erguendo fortuna a partir dos dados pessoais gerados pelos seus usuários. O episódio foi lido por muitos como mais um rompante do presidente dos EUA em controlar a tecnologia da informação desde o seu gabinete. E é, mas o professor Carlos Affonso de Souza chama atenção para o fato de haver outras nuances que precisam ser consideradas. “A ação antitruste do governo norte-americano contra a Google é bastante simbólica. De certa forma, ela é um produto direto do tempo em que vivemos, no qual se busca uma maior reflexão sobre o papel que a tecnologia, e em especial a Internet, desempenha em nossas vidas”, avalia, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Além disso, Souza observa que “para compreender os meandros dessa disputa é preciso juntar componentes políticos, econômicos, tecnológicos, sociais e – é claro – também jurídicos”. Para ele, é reducionista também achar que a Google é a grande vilã que põe todos os seus usuários como reféns a gerar dados que sustentarão seu império. “A figura do refém parece não ser a mais apropriada quando se misturam situações em que interesses dos usuários são atendidos e tantos outros são criados. É sempre lembrada a frase de Steve Jobs sobre a importância de suprir os desejos dos consumidores, ainda que eles próprios ignorem a existência desses desejos”, pondera.
Ou seja, há sempre uma opção ativa dos usuários que, embora quase sempre muito inebriados, têm de ter condições de opção. E é aí que reside um dos aspectos da ação dos EUA. “Quando se repete o mantra de que ‘dados são o novo petróleo’ à exaustão, muitas das diferenças importantes entre a economia do petróleo e a economia dos dados passam despercebidas, mas um ponto é inegável: a ascensão do tratamento de grandes volumes de dados (big data) gerou novas oportunidades de negócios e novas experiências”, acrescenta.
O professor ainda lembra que mesmo Trump deixando a Casa Branca, isso não significa necessariamente o sepultamento dessa ação antitruste. “Me parece que a ação transcende os interesses da Administração Trump e encontra também certo eco do lado democrata, embora as preocupações sejam um pouco distintas. A pré-candidata democrata Elizabeth Warren fez da regulação das Big Techs uma plataforma de governo. Mesmo não tendo recebido a indicação do Partido Democrata, as suas ideias encontraram adeptos e devem ter repercussões na Administração Biden”, destaca. E, no fim, talvez a questão nem seja a condenação ou absolvição da Google. Para Souza, o fato em si já é interessante por acender o sinal de alerta de usuários. “Estar atento a essas transformações é o primeiro passo para sermos protagonistas e não apenas consequências desse processo”, finaliza.

Além de professor da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Carlos Affonso de Souza é diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro - ITS, pesquisador visitante do Information Society Project, da Faculdade de Direito da Universidade de Yale e  participante de diversos fóruns internacionais sobre regulação e governança da Internet. Para acessar a entrevista conduzida por João Vitor Santos para o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), clique aqui.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

GANHADORES DA MEGA DA VIRADA VÃO DIVIDIR O PRÊMIO DE R$325 MILHÕES

$$$, Dinheiro, $$$, Dinheiro, $$$

(Revista Capital Econômico)

Os reveillons  já não são os mesmos. Para além dos fogos de artifício e da bebedeira de costume, acompanhar o sorteio da Mega da Virada já foi incorporado ao ritual das celebrações das passagens de ano de grande parte do povo brasileiro. As chances são mínimas, mas a expectativa é sempre grande. 

O dinheiro e o sucesso ocupam os primeiros lugares entre os maiores desejos da população e as simpatias para alcançar tais bendições são de todos os tipos, das cores da ornamentação dos ambientes festivos e roupas à comida. Não falta mandinga.

Mas a realidade, os fatos, logo se revelam e a vida se apresenta para ser vivida e encarada de frente. Apenas dois ganhadores vão dividir o grande prêmio da Mega-Sena da Virada 2020/2021, concurso nº 2330. Cada um dos vitoriosos terá direito a R$162.625.108,62.

Estas foram as dezenas sorteadas: 17, 20, 22, 35, 41, 42.

A  quina vai pagar R$48.978,81 para cada uma das 1384 apostas vencedoras e a quadra que teve 105.342 apostas ganhadoras tem como prêmio R$919,27 para cada acertador.

E, vida que segue...


terça-feira, 29 de dezembro de 2020

A DESIGUALDADE TEM CAUSA E CAUSADORES

Os trilhões emitidos pelos bancos centrais na pandemia irrigaram as elites e os cassinos financeiros. Este “resgate” produzirá desigualdade obscena. Há alternativa: como no pós-guerra, criar dinheiro para o Comum e taxar pesadamente as fortunas.


(Foto publicada no site Outras Palavras)

Piketty: hora de fazer os ricos pagarem

Como os Estados enfrentarão o acúmulo de dívidas geradas pela crise da Covid-19? Muitos já ouvem a resposta: os bancos centrais assumirão em seus balanços uma parcela crescente das dívidas, e tudo será resolvido. Na verdade, as coisas são mais complexas. O dinheiro faz parte da solução, mas não será suficiente. Mais cedo ou mais tarde, os mais ricos deverão dar sua contribuição.

Recapitulemos. A criação de dinheiro tomou proporções sem precedentes em 2020. O balanço do Federal Reserve saltou de 4,159 trilhões de dólares em 24 de fevereiro para 7,056 trilhões em 28 de setembro, perto de 3 trilhões de dólares de injeção monetária em sete meses, o que jamais foi visto. O balanço do Eurossistema (a rede de bancos centrais dirigida pelo Banco Central Europeu, BCE) passou de 4,692 trilhões de euros em 28 de fevereiro para 6,705 trilhões em 2 de outubro, uma alta de 2 trilhões.

Em relação ao PIB da zona do euro, o balanço do Eurossistema, que já tinha passado de 10% para 40% do PIB entre 2008 e 2018, saltou para perto de 60% entre fevereiro e outubro de 2020.

Para que todo este dinheiro? Em tempos normais, os bancos centrais contentam-se em conceder empréstimos de curto prazo a fim de garantir a liquidez do sistema. Como as entradas e saídas de dinheiro nos diferentes bancos privados nunca se equilibram exatamente a cada dia, os bancos centrais emprestam por alguns dias somas que os estabelecimentos reembolsam depois.

Após a crise de 2008, os bancos centrais começaram a emprestar dinheiro com prazos cada vez mais longos (algumas semanas, depois alguns meses, ou mesmo vários anos) a fim de tranquilizar os atores financeiros, paralisados com a ideia de seus parceiros de jogo irem à falência. E havia muito o que fazer, pois, na falta de regulação adequada, o jogo financeiro tornou-se um gigantesco cassino planetário ao longo das últimas décadas.

Todos começaram a emprestar e tomar emprestado numa escala sem precedentes, se bem que o total de ativos e passivos financeiros privados detidos pelos bancos, empresas e famílias ultrapassa hoje 1.000% do PIB nos países ricos (inclusive sem incluir os derivativos), contra 200% nos anos 1970. O patrimônio real (isto é, o valor líquido dos imóveis e das empresas) também aumentou, passando de 300% para 500% do PIB, mas bem menos intensamente, o que ilustra a financeirização da economia. De certa forma, os balanços dos bancos centrais apenas seguiram (com atraso) a explosão dos balanços privados, a fim de preservar sua capacidade de ação diante dos mercados.

Para continuar lendo o texto publicado pelo site Outras Palavras, clique aqui.

domingo, 20 de dezembro de 2020

SEM TRUMP BOLSONARO PERDE ESPAÇO E OPOSIÇÃO AVANÇA NO BRASIL

 

(Foto: Getty Images)

Enquanto Bolsonaro patina em se aproximar de Biden, oposição brasileira ganha terreno com democratas

Se o presidente brasileiro Jair Bolsonaro demorou 38 dias para reconhecer a vitória de Joe Biden à Presidência dos Estados Unidos e patina para estabelecer conexões com os democratas, a oposição ao seu governo no Brasil tem se mostrado mais efetiva em construir pontes com a nova administração, que começará oficialmente no dia 20 de janeiro.
E uma parte importante dessa conexão tem sido operada por meio de lideranças indígenas, com quem Bolsonaro tem acumulado embates.
A última prova disso é o lançamento de uma parceria entre a parlamentar americana democrata Deb Haaland e a deputada federal brasileira Joênia Wapichana (Rede-RR).
Na semana passada, as duas conversaram pelo telefone para coordenar esforços interamericanos para avançar em pautas de respeito aos direitos dos povos nativos e proteção ao meio ambiente nos dois países.
Para ler, na íntegra a matéria de Mariana Sanches, da BBC News Brasil em Washington, clique aqui.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

ESTAMOS A DEUS-DARÁ: NINGUÉM ASSUME NADA

 

(Imagem de divulgação modificada)


Bolsonaro diz que assina nesta 3ª MP de recursos para vacinas


O presidente Jair Bolsonaro disse que deve assinar nesta terça-feira a medida provisória que irá liberar 20 bilhões para compra de vacinas contra a Covid-19, mas ressaltou mais uma vez que o uso não será obrigatório no país e quem quiser tomar o imunizante terá de assinar um termo de responsabilidade.
“Devo assinar nesta terça-feira a medida provisória de 20 bilhões de reais para comprar vacinas”, disse o presidente em conversa com apoiadores na noite de segunda, no Palácio da Alvorada.
O governo tenta negociar com fabricantes, especialmente a Pfizer, cujo imunizante já está em uso no Reino Unido e nos Estados Unidos, a compra de doses de vacina para além do acordo com a Astrazeneca/Oxford, cujos testes clínicos ainda não foram finalizados.
Bolsonaro, no entanto, resiste à ideia das vacinas e defende que a aplicação dos imunizantes não seja obrigatória. Por mais de uma vez, questionou especialmente a vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, que está sendo testada pelo Instituto Butantan, ligada ao governo paulista.
A seus apoiadores, na noite de ontem, voltou a dizer que só quem quer deverá tomar e ainda afirmou que há riscos e quem decidir pela vacina terá que assinar um termo de responsabilidade.
“E detalhe, não obrigatória, vocês vão ter que assinar um termo de responsabilidade para tomar. Porque a Pfizer, por exemplo, é bem clara no contrato: ‘nós não nos responsabilizamos por efeitos colaterais’”, disse. “Tem gente que quer tomar, então tome. A responsabilidade é tua. Quer tomar, toma. Se der algum problema por aí... Espero que não dê.”
Para ler, na íntegra, a matéria de Lisandra Paraguassu para a Reuters, clique aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

1/3 DOS REMÉDIOS USADOS NO BRASIL VÊM DA CHINA

 

(Foto: Getty Images)

As importações que mostram como saúde do brasileiro 
já depende da China


Uma das vacinas em estágio mais avançado de desenvolvimento, a Coronavac é produzida no Brasil por um consórcio da empresa chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, em São Paulo. A instituição anunciou que pretende enviar os resultados dos testes de eficácia para a Anvisa até dia 15 de dezembro.
Mais ainda há muita desconfiança em relação à ela por causa da origem chinesa — apesar do Brasil já importar uma enorme quantidade de remédios e insumos farmacêuticos do país asiático.
A Coronavac tem um alto índice de rejeição entre os brasileiros: uma pesquisa feita pelo Instituto Real Time Big Data, mostrou que 46% dos entrevistados "não tomariam uma vacina de origem chinesa". A pesquisa entrevistou mil pessoas por telefone nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de três pontos (para mais ou para menos) e o nível de confiança é de 95%.
Os teste feitos até agora comprovaram que a vacina é segura. Diante disso, diversas hipóteses surgiram para explicar essa rejeição. Elas vão desde preconceito contra a China e desconfiança de produtos chineses até a politização criada pela rivalidade entre o presidente Jair Bolsonaro e João Doria, o governador de São Paulo, onde a Coronavac está sendo produzida e estudada no Brasil.
Para continuar lendo a matéria de Letícia Mori, para a BBC News Brasil, clique aqui.

sábado, 5 de dezembro de 2020

O BUG DO CALENDÁRIO

 

Bricolagem de Calendários 2020
(Eugênio Magno)

2020 o ano que não acaba em dezembro*

Eugênio Magno

            “Nada como um dia após o outro”, reza o dito popular. Nos idos da infância acordava sempre no primeiro dia do ano com a expectativa de que o Ano Novo fosse verdadeiramente novo. De tanto crer e querer, lampejos melodiosos desse desejo bafejavam aquela doce e saudosa inocência com reluzentes novidades.

            Os anos foram passando e os vislumbres daquele novo tão brilhante e vivo foram escasseando e as novidades se acomodando na sequencialidade linear do tempo Kronos que, apesar de trivial por ser sequencial avançava, ainda que sem rumo. Mas eis que chegamos em 2020 e em uma manobra rápida passamos a ter um misto de impressões difusas sobre a realidade: o tempo passou a avançar circularmente engolindo sua própria cauda? Caminhamos em slow, estamos no modo stand by, o tempo parou... ou retrocedemos (?). Às vezes a sensação é de que vivemos tudo isso e mais alguma coisa não dita, não explicada e quiçá nem mesmo explicável. Este ano, cujo calendário dá por encerrado em 31 de dezembro, definitivamente, não findará agora. Necessitaremos de outros tantos anos para podermos viver novamente um novo ano.

            Não vou recorrer a nenhum expediente complexo nem a textos de outros autores para justificar essa minha tese. Apenas os temas abordados por mim nos artigos que publiquei no jornal Pensar a Educação em Pauta (do Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil, da Faculdade de Educação, da UFMG) e também neste blog. Apenas esses em que tratei de alguns dos acontecimentos mais impactantes de 2020 serão suficientes; afinal, eles falam por si. No primeiro artigo do ano, Escassez e má gestão: A água é uma dádiva da natureza ou apenas um $? (de março), falava sobre falta de saneamento, estupidez na destinação do lixo e do esgoto, descuido com as águas – das chuvas, das nascentes, dos rios – e sobre os prejuízos causados pelas enchentes. Denunciava as empresas que trabalham com recursos hídricos por não disporem de nenhuma tecnologia avançada para coletar melhor e em maior quantidade a água da chuva e chamava a atenção para a inoperância e a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico sustentável do (e no) setor, que continua coletando água do mesmo modo que coletava séculos atrás.  Às vésperas das eleições municipais (em novembro), no texto “Vota no João e elege o Tião”, discorria sobre contradições e armadilhas de nosso sistema eleitoral e do pouco entendimento que a população tem da política e dos pleitos.

            Mas isso, não obstante a gravidade do que reverbera, ainda é pouco para validar o suposto que defendo no presente artigo. Por isso, sugiro ao leitor que (re)visite as demais reflexões que deixei aqui e também no jornal Pensar a Educação em Pauta – em outros textos –,  entre abril e outubro deste ano. Em primeiro lugar, a sequência de três artigos sobre a pandemia da Covid-19: Oportunistas, apocalípticos e proféticos em tempos de contaminação global” (abril); O Vírus interroga as instituições” (maio) e Pandemônio na República Federativa do Brasil” (de junho). Nesses textos busquei realçar o que a pandemia colocou a descoberto, sobre o despreparo de nossas instituições, inclusive algumas que são louváveis em se tratando críticas e diagnósticos, mas pouco afeitas à autocrítica e a prognósticos.

Depois, a fortuna ou a desventura de me saber brasileiro, essa raça alegre e otimista, me fez acreditar que o que estava entre ruim e péssimo não poderia piorar e, com todas as reservas e críticas contundentes ao poder central, escrevi Democracia fala mais alto e governo baixa a bola” (em julho). Doce ilusão. Foi somente uma mínima desacelerada obscurantista, de poucos dias, por conta de fatos da hora. Em tempos sombrios como esses sonhei também que pudesse haver um acolhimento caloroso para a boa nova anunciada pelo papa Francisco, o Pacto Educativo Global. O texto (de agosto), Pacto pela Educação no Planeta” e, mais grave, o próprio Pacto proposto pelo papa, obteve pouquíssima repercussão no meio educacional.

Os artigos, A impostura do digital” (setembro), “Como o povo oprimido, Paulo Freire é alvo e escudo a um só tempo” (outubro) e Nova Constituinte, um projeto a ser construído” (de novembro), vieram em seguida dando conta de mais algumas práticas e omissões que, infelizmente, não podem ser atribuídas apenas aos governantes de plantão.

Toda essa argumentação feita aqui e nos artigos que citei está longe de ser uma retrospectiva de 2020, um panorama dos fatos por nós vividos e assim tematizados. Falei apenas de dez textos que publiquei, mensalmente, de março a novembro. Quando os publiquei, talvez até tivesse a ilusão de que hoje já pudesse considerá-los coisas do passado, dificuldades vencidas. Infelizmente não o são, uma vez que os fatos persistem. Nos primeiros dias de dezembro já são contabilizadas quase 180 mil mortes por coronavírus no Brasil e aqui estamos, empobrecidos, sem trabalho e renda, isolados e paralisados, à mercê da indústria farmacêutica e dos ditames da tecnologia e do capital.

É difícil precisar quando essa nave louca parou ou, desafortunadamente, potencializou sua aceleração a ponto de nem darmos conta da velocidade em que viajamos, no piloto automático digital, com o controle remoto estilhaçado em mãos de alguns poucos milhares de acionistas que não se entendem.

* O presente artigo também pode ser lido no jornal Pensar a Educação em Pauta.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

O MUNDO A MERCÊ DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA


Pfizer e BioNTech 
pedem uso emergencial de vacina contra Covid-19 na UE


FRANKFURT (Reuters) - A Pfizer e a BioNTech pediram ao regulador de medicamentos da Europa autorização condicional para sua vacina contra Covid-19, após submeterem pedidos semelhantes nos Estados Unidos e no Reino Unido, informaram as empresas nesta terça-feira.
O pedido para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) vem depois de as empresas pedirem aprovação nos EUA em 20 de novembro, deixando-as um passo mais perto de lançarem sua vacina.
Na busca por lançar o imunizante na Europa, potencialmente ainda neste ano, as empresas estão passo a passo com a rival Moderna, que anunciou na segunda-feira que pediria ao regulador da União Europeia para recomendar a aprovação condicional para sua vacina.
A norte-americana Pfizer e a alemã BioNTech anunciaram o resultado final dos testes com sua vacina em 18 de novembro, mostrando que sua candidata é 95% eficaz na prevenção da Covid-19, sem preocupações de segurança relevantes, levantando a perspectiva de uma aprovação nos EUA e na UE em dezembro.
Para continuar lendo a matéria de Ludwig Burger para a Reuters, clique aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

GODARD CONTRA A VULGARIDADE CAPITALISTA

(Imagem reproduzida pelo Site Outras Palavras)

A política pictórica de Godard


Em toda sua obra, da Nouvelle Vague aos filmes do século XXI, cineasta francês que faz 90 anos em dezembro utilizava a pintura como elemento essencial. Às vezes de forma irônica, noutras para afastar o cinema da vulgaridade capitalista

No incontornável texto “Jean-Luc Godard: cinema e pintura, ida e volta”, integrante do livro Cinema, vídeo, Godard (Cosac Naify), Philippe Dubois distingue dois momentos da relação ubíqua entre cinema e pintura na obra godardiana. No primeiro deles, concernente aos filmes produzidos na década de 1960, a pintura se mostra no cinema como uma prática de “citação” e “ex-citação” generalizada, pela qual reproduções frontais de quadros canônicos invadem a diegese, interagindo implícita ou explicitamente com as personagens, seus rostos, situações ou vínculos afetivos. Lembremos, por exemplo, em Acossado (1960), da mania de Patricia (Jean Seberg) de colar na parede de seu apartamento pôsteres de retratos pintados por Pierre-Auguste Renoir, Paul Klee e Pablo Picasso com os quais se identifica. Ou, então, em Tempo de guerra (1963), da cena hilária em que os soldados Michelangelo (Albert Juross) e Ulysses (Marino Mase) voltam para casa e presenteiam solenemente suas esposas, Venus (Geneviève Galéa) e Cleopatre (Catherine Ribeiro), com uma valise repleta de tesouros do mundo: monumentos, meios de transporte, lojas, obras de arte, indústrias, riquezas da terra, maravilhas da natureza, os cinco continentes, tudo sob a forma de cartões-postais cujo ganho parece valer exatamente como a posse das coisas em si — o valor de exposição tornado “objeto de culto, de reinvestimento simbólico de segundo grau”.
Nesse amálgama entre turismo e pilhagem, espetáculo e barbárie, já despontava a chave da reflexão godardiana sobre arte pop e cultura de massa, cada vez mais evidente ao longo dos anos 1960. Digamos que, no começo da carreira, Godard partiu de referências espirituosas a gêneros hollywoodianos, especialmente filmes B, noir e de gângster, mas também de musicais, frutos da paixão cinéfila contraída enquanto era redator exímio da revista Cahiers du cinéma, e desembocou no exame detalhado da sociedade de consumo, acentuando seu aspecto mortífero, em um paralelo sugestivo com o melhor de Andy Warhol. Em Week-end à francesa (1967), um casal burguês viaja pelo interior da França para reclamar uma herança e no caminho depara com um engarrafamento descomunal, filmado em travelling e livremente inspirado no conto “A autoestrada do Sul” (1964), de Julio Cortázar, no qual a violência escala desde acidentes de trânsito, estupro, assassinatos, até canibalismo, fenômenos testemunhados com indiferença atroz em meio a passatempos. Sem dúvida, por perpetuar a lógica industrial do trabalho alienado e do tempo livre, o cinema estava no cerne da crítica godardiana, sendo então abandonado na iminência de maio de 1968, quando Godard, na companhia de Jean-Pierre Gorin, fundou o Grupo Dziga Vertov, coletivo audiovisual militante de orientação maoísta que, em vez de proceder segundo tais modelos, filmava politicamente.
Para continuar lendo o ensaio de Dalila Camargo Martins para a Revista Cult, clique aqui.
(Fonte: Outras Palavras)

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

DÓLAR ESTÁVEL: ATÉ QUE DIA/HORA (?)


(Foto: Eugênio Magno)

Dólar mostra estabilidade nesta 6ª, mas caminha para perda semanal com otimismo sobre vacina


By Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha variação discreta ante o real nesta sexta-feira, mas já chegou a cair 0,52% mais cedo, caminhando para registrar perda semanal na esteira do ânimo global sobre o desenvolvimento de vacinas para a Covid-19 e um dia depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltar a demonstrar otimismo sobre a economia.
Às 9:18, o dólar recuava 0,05%, a 5,3106 reais na venda, enquanto o dólar futuro de maior liquidez tinha variação positiva de 0,08%, a 5,3110 reais.
Na última sessão, o dólar spot registrou queda de 0,45%, a 5,3131 reais na venda.
O Banco Central anunciou para esta sexta-feira leilão de swap cambial tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em abril e agosto de 2021.
(Fonte: Reuters Brasil)

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ARMADILHAS DO SISTEMA ELEITORAL BRASILEIRO


(Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Vota no João e elege o Tião 

Eugênio Magno 

            Para evitar que se vote no João e eleja o Tião, é preciso compreender o sistema eleitoral brasileiro.

            Neste ano temos duas eleições, em todos os municípios do país, uma majoritária e outra proporcional. O Sistema Majoritário é adotado para as eleições de Presidente, Governador, Prefeito e Senador e o Sistema Proporcional para todas as casas legislativas.

            Na eleição majoritária, de prefeito, em todas as cidades com mais de 200 mil eleitores, será eleito em primeiro turno, o candidato que obtiver mais de 50% dos votos válidos e, em segundo turno, o mais votado. Nas cidades com menos de 200 mil eleitores, o candidato que obtiver a maior quantidade de votos, independentemente da porcentagem, será o vencedor. Aparentemente, nada mais justo. Mas veja como o nosso sistema eleitoral precisa de aperfeiçoamentos. Tomemos como exemplo hipotético, uma cidade com 100 mil eleitores que tenha três fortes candidatos à prefeito e de tendências bastante diferentes. Se o número de abstinências, votos nulos e brancos somar 20 mil, 80 mil é o total de votos válidos. Digamos que o candidato mais votado obtenha 30 mil votos, o segundo 27 mil e o terceiro 23 mil votos. Observe que o candidato vencedor está sendo legitimado para o cargo com menos de um terço dos votos correspondentes ao total de eleitores da cidade.

Já para a Câmara de Vereadores, o sistema adotado é o proporcional. Nesse sistema existem dois elementos importantes a serem considerados: quociente eleitoral e quociente partidário que muita gente não conhece. O quociente eleitoral é determinado dividindo-se o número de votos válidos apurados, pelo número de lugares em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração, se igual ou inferior a meio e, equivalente, a um, se superior. E o quociente partidário é determinado para cada partido ou coligação dividindo-se pelo quociente eleitoral, o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação, desprezada a fração. No caso das eleições municipais, estarão eleitos vereadores, tantos candidatos registrados por partido ou coligação, quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem de votação nominal que cada um tenha recebido.

            É aí que mora o perigo, pois se corre o risco de votar em um candidato e eleger outro. As velhas raposas políticas, especialmente candidatos que já vêm de um mandato, vivem insistindo em candidaturas de pessoas bem intencionadas e de boas relações, mas sem chances de se elegerem, simplesmente para engordar o quociente partidário de seus partidos ou coligações para que eles (as “raposas”) se elejam. Outro expediente usado pelos “raposões” é se filiar a um partido pequeno que tem apenas um ou dois nomes de expressão, mas que são bons de voto, para que eles sejam eleitos, muitas das vezes com um número de votos desprezível, a custa dos votos de legenda capitaneados pelo grande líder daquele partido ou coligação e a soma dos candidatos chamados nanicos.

Para concluir aqui vai um exemplo: Digamos que o total de votos válidos em Belo Horizonte nessas eleições seja de 1.000.000. Um milhão de votos divididos pelo número de cadeiras da Câmara de Vereadores que são 41, dá um quociente eleitoral de 24.390 votos, já com os arredondamentos previstos. Isso significa que cada partido ou coligação precisa ter 24.390 votos para eleger cada um dos seus candidatos. Se o Partido “X” obtiver 48.780 votos que é o dobro do quociente eleitoral, ele elegerá dois candidatos, pois obteve um quociente partidário igual a dois. Mas imaginemos que o partido consiga um pouco mais de votos: 52.600, por exemplo. Na hipótese do candidato mais votado desse partido, que estou chamando de “X”, conseguir 50.000 votos, o segundo colocado 1.000, o terceiro 850, o quarto 400, o quinto, 250, e o sexto 100 votos, o partido “X” elegerá o candidato que obteve 50.000 votos e o que obteve apenas 1.000 votos. E o que isso quer dizer? Quer dizer que pode acontecer do eleitor ter votado no candidato que obteve 100, 400 ou até mesmo no que obteve 850 votos, no entanto ajudou a eleger o candidato que obteve 1.000 votos. E no Brasil, apesar de termos partidos consolidados, alguns com projetos bem definidos, os eleitores nem sempre conhecem os programas partidários e votam, por simpatia ou afinidade, na pessoa do candidato e, em muitos casos, sem saber por que, contribuem para a vitória de candidatos que não escolheram.

            É assim o nosso sistema eleitoral. Se ele é bom ou ruim, depende do ponto de vista: se do partido, do eleitor, do João ou do Tião.

* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e seu conteúdo também está no episódio # 1 do Podcast Política com Fé



terça-feira, 10 de novembro de 2020

O FIM DE UM PESADELO NÃO NOS LEVA AO PARAÍSO


Maravilha e limites da derrocada de Trump

(Imagem: Outras Palavras)

Rompeu-se o movimento de pinça por meio do qual a classe do 0,1% impôs seu projeto desde 2008. Será inútil – se persistir o grande déficit de imaginação política da esquerda. Mas uma nova oportunidade está se abrindo, em especial no Brasil…

Com o título acima dessa forte imagem e, como introdução, o texto em itálico, Antonio Martins, reflete as análises e repercussões do resultado das eleições estadunidenses, para Outras Palavras. 
Para ler o texto na íntegra, clique aqui

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

CONSTITUIÇÃO NÃO É PANFLETO


Ulysses Guimarães ergue a Constituição Cidadã, promulgada em 5 de outubro de 1988, símbolo de redemocratização nacional (Acervo MDB-BA)


 Nova Constituinte, um projeto a ser construído*


Eugênio Magno 


Os progressistas, em toda a América Latina, têm razões de sobra para comemorar os últimos acontecimentos em nosso continente. No Chile, 78% da população aprovou em plebiscito a mudança de sua Constituição, numa clara demonstração de rejeição a atual constituinte que remonta à ditadura de Pinochet. A população chilena também deseja por fim ao modelo econômico capitalista neoliberal que desde os anos 1980 vem destruindo as políticas sociais daquele país. Já na Bolívia, Luis Arce Cataroca, considerado pupilo de Evo Morales, de quem foi ministro, venceu seu adversário, Carlos Mesa, com uma vantagem de 20%. E isso é muito bom, para o Chile, para a Bolívia e para animar o povo latino americano e, especialmente, para nós brasileiros a continuarmos na luta pela reconquista dos direitos perdidos nos últimos anos. Mas é bom que nos acautelemos. O buraco aqui é bem mais embaixo e uma nova constituição é um projeto – de médio prazo –a ser construído. 

Se não, vejamos: na esteira desses importantes fatos, o líder governista brasileiro, na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), propôs, dias atrás, um plebiscito para a elaboração de nova Constituição para o país. Até aí, nada de mais. Aliás, às vésperas das eleições de 2006, em artigo intitulado “Cidadão constituinte”, no jornal O Tempo, elogiei o breve aceno do então presidente, Lula, na direção de convocar uma nova Carta Magna. O projeto morreu no seu nascedouro. E aquele era um momento em que tínhamos reais condições para tal. Poderíamos até avançar para uma Democracia Social Participativa. À época o que eu defendia era uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva – específica para votar a tão esperada reforma política –, formada por cidadãos, sem a presença de parlamentares (com mandato), porque eles dificilmente votariam contra seus interesses particulares. Se naquela ocasião uma ação política de tal envergadura requeria um protagonismo que o Congresso Nacional não podia nos oferecer, imagine na atualidade (?). Não temos clima favorável para isso agora. 

Não obstante as defesas em contrário é inegável o fato de que a Constituição Cidadã, de 1988, que tantos avanços sociais garantiu em sua letra, carece de uma ampla e competente revisão para que a prática de seus enunciados seja uma realidade concreta. Entretanto, não podemos esquecer que a plena consolidação de um Estado Democrático de Direito, infelizmente, é anseio de apenas um pequeno extrato da sociedade brasileira que, mais politizado, luta pelo aperfeiçoamento das instituições. A maioria da população, alijada do debate político compulsoriamente – no passado, pelos vários anos de ditadura e, no presente, pela dominação econômica, alienação cultural e obscurantismo do atual governo –, demonstra pouco interesse em participar de forma engajada na discussão dos grandes temas nacionais. No que diz respeito às questões dos mandatos públicos, constatamos com perplexidade que pouco vale o exercício do voto para um eleitor que mal conhece o sistema político partidário e eleitoral do seu país. 

A ideia de uma nova constituição vem crescendo e o presidente, Bolsonaro, que de bobo não tem nada, já começa os movimentos de regência, com sua inseparável caneta Bic, orquestrando seus asseclas nessa direção. Atentemos para alguns dos argumentos do deputado, Ricardo Barros, ao defender a convocação de uma nova constituinte: “Precisamos escrever mais deveres”. Segundo ele, a Constituição Federal, “só tem direitos”, “... tornou o Brasil ingovernável”. E os governistas jogam, no mínimo, com três forças: a aprovação do governo, que ainda é significativa; a desinformação da massa, que representa grande parte do seu eleitorado e a esperteza dos lacaios da sua base de apoio, dentro e fora do governo. Por essas e outras, o melhor é colocar as barbas de molho, ou como dizem nuestros hermanos argentinos: Ojo! 

Alguns setores das esquerdas têm de superar o ingenuísmo cirandeiro. Ação política transformadora não se efetiva com o soprar dos ventos, ainda que seja um bom vento-sul. A resposta democrática dos nossos vizinhos ameríndios não deve ser tomada como um sinal dos tempos e sim como exemplo de luta para mobilizar a participação popular para a construção de projetos concretos e realizáveis. Não nos esqueçamos de que para seguirmos a mesma trilha necessitamos de sujeitos coletivos dispostos e em condições de fazer essa articulação. Mas, é bom lembrar que, infelizmente, no atual momento, os partidos políticos e as principais lideranças nacionais que dispõem de recursos e capilaridade para fazê-la, estão em outra vibe. 

O cenário que se nos apresenta é desafiador. Além da falta de projetos, carecemos de atores sociais experientes, com competência, coragem, ética, honradez e, sobretudo, desapego pessoal suficiente para protagonizar o que queremos e precisa ser (re)construído no Brasil em caráter de urgência urgentíssima. 

* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

domingo, 1 de novembro de 2020

CEFEP REÚNE ASSESSORES E APRESENTA NOVOS MEMBROS

 

Dom Joaquim Giovani Mol 
(Imgem: divulgação - ANEC)

Fé e Política: o Reino de Deus presente no mundo


O Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Câmara (CEFEP), órgão de formação política para cristãos leigos e leigas, ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou neste final de semana seu segundo encontro virtual de assessores em 2020.

Sábado, 31 de outubro foi reservado às trocas de apresentações entre os 25 novos assessores e assessoras que passaram a integrar a Rede de Assessores do Centro, que agora conta com cerca de 50 membros. Padre Paulo Adolfo, secretário executivo do CEFEP, falou sobre a importância da ampliação do quadro de assessores que tem como objetivos, além de uma renovação complementar, equilibrar a participação por gênero (aumentar a participação das mulheres), contemplar outras disciplinas e áreas do conhecimento, cobrir, em capilaridade, as várias regiões do país e integrar representações de outras instituições parceiras. 

No domingo, 1º de novembro, os assessores se reuniram de 9 da manhã ao meio dia para ouvir dom Joaquim Giovani Mol, bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB. Sua reflexão teve como inspiração o manifesto Pacto pela Vida e pelo Brasil, que as mais importantes instituições brasileiras são signatárias e a Carta ao Povo de Deus, assinada por 152 bispos católicos. Dom Mol fez um resgate do teor desses dois importantes documentos à luz do texto inicial do capítulo IV - A dimensão social da evangelização, da exortação apostólica, Evangelli Gaudium, do papa Francisco: "Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo"

Após as interações dos participantes, padre Paulo Adolfo deu por encerrado o encontro e foi proferida a benção final, pelo presidente do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), Dom Giovane Pereira de Melo, bispo de Tocantinópolis – TO, que também é presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato.

Visite o site do Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Câmara - CEFEP.

domingo, 25 de outubro de 2020

CONHECIMENTO DEMOCRATIZADO NA INTERNET

   Jessé Souza                                    Eduardo Moreira                                  Leonardo Boff


Nessa segunda quinzena de outubro surgiu no país um empreendimento educacional, de iniciativa privada, que se apresenta como um projeto de alcance social. Me refiro ao nascimento do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), uma iniciativa do empresário do ramo financeiro, Eduardo Moreira que, recém convertido ao espectro político progressista, vem fazendo uma grande cruzada no campo da educação econômica popular, que agora se estende também para outros eixos, visando uma formação mais completa e multidisciplinar da população.


       Heloisa Villela                               Katia Maia

Rafael Donatiello

A partir da formação de um conselho Curador integrado por Leonardo Boff (filósofo e teólogo), Rafael Donatiello (Especialista em Marketing Digital), Heloisa Villela (Jornalista), Frei David (Diretor da Educafro), Ligia Caetano (Especialista em Educação online), Katia Maia (Diretora da Oxfam Brasil), João Paulo Pacifico (Fundador do Grupo Gaia) e Jessé Souza (Sociólogo e pesquisador), além do próprio Eduardo Moreira que é Engenheiro de formação, com especialização na área econômica e empresário, o projeto se consolidou. O conselho definiu a missão do Instituto e estará orientando sua direção rumo a uma Educação Libertadora.


    Frei David                                           Ligia Caetano                                    João Paulo Pacifico

O ICL tem como missão mostrar que não existem barreiras quando há vontade de pensar e aprender. O seu propósito é mostrar o caminho para que as pessoas se libertem pelo conhecimento.
Os três pilares com os quais o Instituto Conhecimento Liberta trabalha são o Cultural, o Espiritual e o Profissional.
Os cursos iniciais e os seus respectivos professores são os seguintes: Filosofia - Suze Piza, História do Brasil - Lindener Pareto, Sociologia - Jessé Souza, Meditação e Mindfulness - Marco Schultz, História da Música - Ribeiro DiCastro, Excel - Arlane Gonçalves, Educação Financeira - Eduardo Moreira, Marketing Digital - Rafael Donatiello, Inglês - Vera Freitas, Chinês (Mandarim) - Vitória Zhang, História do cinema brasileiro - Adilson Inácio Mendes, Programação e Algoritmos - Geneflides Laureno, Mediação de conflitos - Pastor Henrique Vieira. No ICL os alunos têm acesso a mais de 100 horas de cursos, ao vivo e gravadas.
Os idealizadores desse Instituto de educação e cultura acreditam que a verdadeira liberdade só pode ser alcançada pelo conhecimento. Buscam democratizar os conteúdos essenciais ao desenvolvimento humano integral, tornando-os simples e acessíveis a todos.
Diferentemente de quase tudo que existe no mundo digital, o ICL oferece uma multiplicidade de cursos que podem ser acessados, simultaneamente, e por toda a família, por uma mensalidade que está abaixo de R$50,00. Existem ainda outros planos de pagamento em que com um acréscimo de 20% no valor dessa mensalidade o interessado contribui com uma bolsa integral para as entidades parceiras do Instituto fornecerem bolsas integrais para pessoas carentes.
Interessados em conhecer melhor o Instituo Conhecimento Liberta (ICL), poderão fazê-lo, clicando aqui.

Todas as imagens são do site do Instituto Conhecimento Liberta (ICL).

terça-feira, 20 de outubro de 2020

SOS SAÚDE! TODO CUIDADO É POUCO

(Foto: Reuters/Adriano Machado)


Mesmo em queda, mortes por covid-19 no Brasil 
ainda superam 2ª onda na Europa


O número de mortes por covid-19 no Brasil tem caído há semanas, mas em outubro ainda morrem mais pessoas neste país sul-americano de 212 milhões de habitantes do que na União Europeia, que tem 447 milhões de habitantes, conta com uma população mais velha e enfrenta uma segunda onda da pandemia.
Considerado os dados dos países da União Europeia, do Brasil e do Reino Unido, um levantamento do Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC) aponta que o Brasil é o terceiro com o maior número de mortes por 100 mil habitantes nas últimas duas semanas.
O primeiro é a República Tcheca, com uma taxa de 6,53 por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem a Romênia (4,76) e o Brasil (3,58).

Para continuar lendo a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

(Fonte: BBC News Brasil)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

QUEDA DE BRAÇO COM A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

 

(Imagem reproduzida do site Outras Palavras)


A batalha contra as patentes farmacêuticas chega à OMC

Índia e África do Sul pedem o óbvio: a Ciência necessária para lutar contra a pandemia deve ser propriedade Comum da humanidade. Mas as corporações farmacêuticas e os países ricos resistem. Brasil prepara-se para a omissão

Começou hoje a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) que vai debater a proposta de Índia e África do Sul sobre a quebra temporária das patentes de todas as tecnologias de saúde necessárias ao enfrentamento da pandemia. A ideia será debatida no Conselho TRIPS – sigla para o acordo que protege patentes no comércio internacional, mas prevê exceções em casos específicos. 

As chamadas “flexibilidades do TRIPS” foram introduzidas em 2001, na esteira de um debate sobre outra grande crise de saúde pública: a epidemia de HIV-Aids. Na época, o Brasil se uniu a outros países para defender mudanças que permitiram a fabricação e importação de medicamentos genéricos ou biossimilares – algo que, inclusive, se tornaria a principal marca do governo Fernando Henrique Cardoso na saúde, sob o comando de José Serra. 

O princípio que rege o debate hoje é o mesmo de 20 anos atrás: durante emergências, deve prevalecer a proteção da saúde da população. Em outras palavras, a vida deve prevalecer sobre o lucro; e a soberania dos Estados sobre os interesses privados – até porque a restrição do acesso a vacinas, por exemplo, terá efeitos também sobre a economia, aprofundando ainda mais as desigualdades entre nações ricas e pobres.

“A maioria dos países ainda adere às regras globais de patentes e faz uso das ‘flexibilidades do TRIPS’ muito criteriosamente porque pode enfrentar reivindicações na OMC – ou outros tipos de pressão e represália de países que sediam as empresas farmacêuticas que detêm as patentes originais. Como resultado, a OMC continua a controlar quando e em que medida as proteções de propriedade intelectual são aplicadas, ou negligenciadas”, resume uma excelente reportagem do site Health Policy Watch, situando a importância da reunião que vai até amanhã.

Para continuar lendo a matéria de Maíra Mathias e Raquel Torres para o site Outras Palavras, clique aqui.

domingo, 11 de outubro de 2020

"A MELHOR IDADE DA VIDA É ESTAR VIVO" (MAFALDA)

Quino dá adeus, mas lição de Mafalda fica*  


Diogo Martins**  
Jornalista, assessor de comunicação 
e analista de marketing 
MTb 17.883-MG 

A nossa esperança é que as críticas e utopias da pequena rebelde se faça sempre presente 

Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, foi um cartunista e humorista argentino, autor das famosas tiras da personagem Mafalda, uma menina inteligente e contestadora que ganhou grande repercussão no cenário mundial. O desenhista argentino tinha um olhar crítico e politizado de uma sociedade que não mudou. O sonho utópico de uma criança. 
Quino nasceu em 17 de julho de 1932 e faleceu em 30 de setembro passado (2020), aos 88 anos. Um dia após sua principal personagem completar 56 anos. 
A emblemática e, talvez, principal personagem do argentino, Mafalda, foi desenvolvida para uma peça publicitária para divulgar os eletrodomésticos Mansfield. Mas a campanha nunca saiu e Mafalda, ficou guardada até convite para a publicação no Primeira Plana, jornal em papel argentino. Foi a primeira aparição da pequena que habita em nosso consciente. 

Quem é Mafalda? 
Quino afirmara diversas vezes que havia decidido por uma protagonista que deveria ser mulher, devido à influência do movimento de emancipação feminina dos anos 60 e porque, segundo ele, “as mulheres são mais espertas”. Assim nasceu Mafalda, rebelde, jovem e ansiosa por um mundo melhor. 
A garota discutia em suas tirinhas ideias progressistas, por isso nunca desceu bem para alguns setores da sociedade. Na Espanha, a censura da ditadura franquista (que durou de 1936 a 1975) obrigou editores a colocarem um aviso na capa dos livros, no qual dizia que se tratava de obra “Para Adultos”. 
Mafalda também encontrou barreiras durante governos autoritários do Brasil, Chile e Bolívia. “Eles me disseram: ‘Rapaz, piadas contra a família não, militares não, nudez não. Eu nasci e cresci com autocensura”, disse Quino. Ele já havia afirmado que Mafalda sempre existiu no seu imaginário e que imaginava que passaria por uma forte censura.

 
O autor português António Cluny, escreveu: “Não foi a morte de Quino que calou a Mafalda”. Para Cluny, Mafalda já havia se calado, pois o próprio Quino desacreditou do mundo. O português esperava a fase adulta de Mafalda, onde ela daria as respostas para questões impertinentes que a incomodavam. 
Acredito que Mafalda ainda dialoga com aqueles que ainda a tem em seu imaginário, embora cada vez mais polarizados. Talvez não fale a quem deveria falar. Mas devemos persistir no sonho da pequena. A personagem que sofria da falta das esperanças que coletivamente existe numa vida melhor, deve permanecer viva em nós e, cabe a cada um de nós trazer a nossa Mafalda sempre que precisarmos. 

*Esse artigo foi publicado originalmente no Jornal da Cidade - Holambra.

**diogormartins@gmail.com