sábado, 20 de agosto de 2016

ESSE CARA TEM QUE PAGAR PELO QUE FEZ


Atleta da desordem, da mentira e do desrespeito


O Comitê Olímpico Internacional (COI) abriu uma comissão disciplinar contra Ryan Lochte e outros três nadadores norte-americanos que estiveram envolvidos em um incidente no Rio de Janeiro nos últimos dias, após competirem na Olimpíada.
Mark Adams, porta-voz do COI, confirmou que um caso foi aberto contra Gunnar Bentz, Jack Conger, Jimmy Feigen e Lochte, que é o dono de seis medalhas de ouro olímpicas. Entre as diversas punições que ele poderia sofrer está uma eventual suspensão, penas financeiras ou até mesmo a perda de medalhas, em casos extremos.
Ainda que o caso num posto de gasolina tenha ocorrido fora da disputa de provas - a natação já havia sido encerrada no Rio-2016 -, o COI vai avaliar se o comportamento dos atletas olímpicos durante o evento deve ou não ser punido. O caso também colocou pressão sobre os Estados Unidos, que querem organizar os Jogos de 2024 em Los Angeles. Os organizadores da campanha temem que o projeto seja afetado pela polêmica.
Nesta sexta-feira, o Comitê Organizador do Rio-2016 e o COI "aceitaram" as desculpas de Ryan Lochte e dos demais nadadores. Depois de contar que foram alvos de uma operação de bandidos que colocaram armas sobre suas cabeças, o grupo reconheceu que a história não é verdadeira. "Brasileiros foram humilhados", alerta o Comitê Rio-2016.
Lochte pediu desculpas oficiais por conta do episódio nesta sexta-feira, depois que a delegação americana também apontou que tal comportamento era "inaceitável". "Há sentimentos que foram afetados nesse país", admitiu Mark Adams, o porta-voz do COI. "Ficamos chateados com o que ocorreu. Achamos que o pedido de desculpas de Lochte é apropriado", insistiu.
"Aceitamos seu pedido de desculpas e apreciamos isso", disse Mario Andrada, diretor-executivo do Rio-2016 encarregado da área de comunicação. "A população brasileira se sentiu humilhada pelas mentiras e que sua imagem foi afetada. Ficou decepcionada com as ações", disse.
Segundo ele, os organizadores do evento receberam 1,8 milhão de mensagens no Twitter se queixando do comportamento dos americanos. Isso representou 2,5% de total de menções nas redes sociais durante 24 horas dos Jogos. "Havia uma indignação que somente poderia ser lidada com um pedido oficial de desculpas", explicou.
"Obviamente que a população se sentiu humilhada. Acho que os brasileiros vão aceitar o pedido de desculpas", disse Mario Andrada. "Esse caso tem lições importantes. A mentira tem pernas curtas, mesmo sendo um atleta. O que foi definido como complexo de vira-lata acaba depois dos Jogos Olímpicos. Temos de dar esse caso como encerrado", completou.
(Fonte: Jornal O Tempo)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O PEIXE MORRE É PELA BOCA




                            Em tempos de crise

 Eugênio Magno


                            sua tagarelice guarda


                            silêncios do indizível


(Do livro Minas em mim, 2005: 32)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

ROGÉRIO SALGADO HOMENAGEIA SUA MÃE



ONDE ESTÁ A NOSSA "PÁTRIA EDUCADORA" ?


Como sair da pauta conservadora?
Desde o início do 2º mandato da Presidenta Dilma, em janeiro de 2015, o debate sobre educação tem sido pautado continuamente pelos setores mais conservadores da sociedade brasileira. Dentre outros aspectos, o anúncio do lema “Pátria Educadora” para o mandato, logo se mostrou uma vazia retórica diante dos sucessivos cortes do orçamento para a área de educação impostos sob o argumento da necessidade do ajuste fiscal, simbolizando a “recuperação”, pela Presidenta, de vários pontos do programa do candidato derrotado nas urnas.
Nada disso, no entanto, se assemelhava ao conservadorismo e à truculência que passaria a tomar conta do debate e das políticas públicas um ano depois, sobretudo após o afastamento da Presidenta e da subida ao poder do governo golpista e ilegítimo de seu vice, e conspirador, Michel Temer.
Um dos mais graves problemas destes últimos meses é que temos sido enredados, continuamente, pela pauta de debates e de políticas impostas pelos grupos mais conservadores que ocuparam o espaço público e o Estado brasileiro. E, sobretudo, não temos conseguido sair dela.
Sabemos, no entanto, que há razões de sobra para isso. O conjunto das medidas já estabelecidas e das políticas propostas pelo governo interino mostram o afã dos grupos que o apoiam no golpe e no governo para dilapidar o Estado brasileiro e para destruir as políticas públicas que buscavam a melhoria de vida dos mais pobres. Contra esse movimento não há alternativa que não seja lutar e resistir, aqui e agora.
Por outro lado, no calor da luta é preciso ir além da luta contra a destruição e avançar na construção. Recentemente o Blog do Pensar a Educação defendeu que retomar o ideário da educação republicana pode ser um bom caminho para sair da defensiva e combater as perspectivas negativas que se abatem sobre a educação pública brasileira. Tal ideário, ampliado e ressignificado, permitiria que nos colocássemos na tradição dos melhores movimentos sociais que, ao longo do último século, lutaram pela ampliação, consolidação e qualificação da escola pública entre nós.
O perigo que nos ronda é enorme e a nossa tarefa maior ainda, como se pode aquilatar pelo recente diagnóstico que nos foi oferecido pelo prof. Luiz Carlos Freitas. Qualquer que seja a alternativa, ou no conjunto delas, somente conseguiremos garantir políticas públicas e avançar em direção àquelas que ainda faltam conquistar, se atuarmos organizada e coletivamente.
(Fonte: Pensar a Educação em Pauta)

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

BRASIL NA VITRINE DO MUNDO


Papa pede que jogos olímpicos 
tornem o Brasil "mais justo e mais seguro"



Durante a audiência geral desta semana, na última quarta-feira, dia 3, o papa Francisco manifestou o desejo de que os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, sirvam para tornar o Brasil um país "mais justo".
Um dia depois de ter dito que o esporte deve promover "a paz no mundo", o líder da Igreja Católica dedicou um pensamento especial à nação que abriga a Olimpíada deste ano, em meio a uma das mais graves crises de sua história recente.
"Para os brasileiros, que com sua alegria e hospitalidade características organizam a festa do esporte, desejo que esta seja uma oportunidade para superar os momentos difíceis e se empenhar no trabalho de equipe para construir um país mais justo e seguro, apostando em um futuro cheio de alegria e esperança", disse Jorge Bergoglio. Além disso, o papa afirmou que espera que os Jogos Olímpicos inspirem atletas e espectadores a combater a "boa batalha", buscando como prêmio não uma medalha, mas "algo mais precioso: uma civilização na qual reine a solidariedade, fundada sobre o reconhecimento de que todos somos membros de uma única família".
Na última terça-feira (2), Francisco havia incluído a importância do esporte em suas intenções de oração para o mês de agosto, pedindo a construção da "cultura do encontro" e de "um mundo de paz" durante a Olimpíada.
No mesmo dia, o teólogo Leonardo Boff informou no Twitter que Jorge Bergoglio chegou a enviar uma carta de apoio à presidenta afastada Dilma Rousseff, cujo processo de impeachment será julgado nas próximas semanas.

(Fonte: CNBB)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

MANIFESTAÇÕES PRÓ E CONTRA IMPEACHMENT


Próximo à decisão do Senado, 
esquerda faz manifestação maior que direita em São Paulo



Grupo favoráveis e contra o impeachment fizeram protestos ontem.
A cidade de São Paulo (SP) presenciou duas manifestações políticas neste domingo (31), semanas antes da data prevista para a decisão final do Senado sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. De um lado, grupos que defendem o afastamento da petista se reuniram na avenida Paulista. De outro, com maior número de participantes, os movimentos que compõe a Frente Povo Sem Medo iniciaram sua manifestação no Largo da Batata, zona oeste da capital paulista. Enquanto a direita pedia a confirmação do impeachment de Dilma, a Povo Sem medo exigia a saída de Michel Temer (PMDB). Para ler a íntegra da matéria do site Brasil de Fato clique aqui.


ASSALTAM OS COFRES DA NAÇÃO E A DEMOCRACIA, MAS É SEMPRE O POVO QUE PAGA O PATO. ATÉ QUANDO?


Reforma da Previdência vai afetar mais quem tem até 50 anos

Acima desta faixa etária haverá um "pedágio" para quem quiser se aposentar, a chamada regra de transição, prevendo um período adicional de trabalho de 40% a 50% do tempo que falta para que se tenha direito ao benefício. 

A ideia é que a idade mínima para que o trabalhador requeira a aposentadoria seja 65 ano,s no caso de homens, e 62 para mulheres. Para ler na íntegra a matéria do jornal O Tempo, clique aqui.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO


Lula: "Nem a Coca-Cola subestima a comunicação"


O prefeito Fernando Haddad cortou em 50% os gastos com a divulgação do seu governo nos quatro anos em que dirigiu a prefeitura da maior cidade do país.
Foi repreendido por Lula na convenção que homologou seu nome à reeleição de São Paulo, no último domingo.
O povo brasileiro não tem obrigação de saber’, disse Lula e sapecou: ‘O prefeito cometeu um pecado ao não  investir em   divulgar a gestão; achando que é obrigação do povo saber; achando que já é conhecido; ledo engano; fosse assim’, concluiu, ' a Coca-Cola, que todo mundo já conhece, não faria propaganda. E ela faz’. Para ler na íntegra o texto de Saul Leblon para Carta Maior, clique aqui.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

CRISES: POLÍTICA, MORAL, ÉTICA ...



Sinceramente, o Brasil atual tem jeito?


Leonardo Boff

Quem olha a cena político-social-econômica atual se pergunta sinceramente:o Brasil tem jeito? Um bando de ladrões, travestidos de senadores-juízes tenta, contra todos os argumentos em contrário, condenar uma mulher inocente, a Presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não se acusa de nenhuma apropriação de bem público e de corrupção pessoal.
Com as recentes delações premiadas, ficou claro que o problema não é a Presidenta, É a Lava Jato que, para além das acusações seletivas contra o PT, está chegando à maioria dos líderes da oposição. Todos, de uma forma ou outra, se beneficiaram das propinas da Petrobrás para garantir a sua vitória eleitoral. “Precisamos estancar essa sangria” diz um dos notórios corruptos; “do contrário seremos todos comidos; há que afastar a Dilma”.
Ninguém aliena nada de seus bens para financiar sua campanha. Nem precisa: existe a mina do caixa 2 abastecida pelas empresas corruptoras que criam corruptos a troco de vantagens posteriores em termos de grandes projetos, geralmente superfaturados, donde adquirem grande parte de suas fortunas.
Chegamos a um ponto ridículo, aos olhos do mundo: dois presidentes, um usurpador, fraco e sem nenhuma liderança e outro legítimo mas afastado e feito prisioneiro em seu palácio; dois ministros do planejamento, um retirado e outro substituto: um governo monstruoso, antipopular e reacionário.    Estamos efetivamente num voo cego. Ninguém sabe para onde vai esta nação, a sétima economia do mundo, com jazidas de petróleo e gás das maiores do mundo e com uma riqueza ecológica sem comparação, base da futura economia. Assim como se delineia a correlação de forças, não vamos a lugar nenhum, senão a um eventual conflito social.


O pobre, a maioria da população, se acostumou a sofrer e a encontrar saídas como pode. Mas chega a um ponto em que o sofrimento se torna insuportável. Ninguém aguenta, indiferente, vendo um filho morrer de fome ou de absoluta falta de assistência médica. E diz: assim não pode ser; temos que rebelar-nos.
Isso me faz lembrar um bispo franciscano do século XIII da Escócia que recusando os altos impostos cobrados pelo Papa, respondeu: non accepto, recuso et rebello” (“não aceito, me recuso e me rebelo”). E o Papa retrocedeu. Não poderá ocorrer algo semelhante entre nós?
Quando, nas palestras, fazendo um esforço imenso para deixar um laivo de esperança, me dizem: ”mas você é pessimista”! Respondo com Saramago: “não sou pessimista; a realidade é que é péssima”. Efetivamente, a realidade está sendo péssima para todos, menos para aquelas elites endinheiradas, acostumadas à rapinagem, ganhando com a desgraça de todo um povo. Elas têm o seu templo de profanação na Avenida Paulista em São Paulo, onde se concentra grande parte do PIB brasileiro.
O grave é que estamos faltos de lideranças. Abstraindo o ex-presidente Lula, cujo carisma é inconteste, apontam dois, Ciro Gomes e Roberto Requião, para mim, os únicas lideranças fortes, que têm a coragem de dizer a verdade e pensam no Brasil mais que nas disputas partidárias.
Essa crise tem um pano de fundo nunca resolvido em nossa história, desmascarado recentemente por Jessé Souza. (A tolice da inteligência brasileira, 2015). Somos herdeiros de séculos de colonialismo que nos deixaram a marca  de “vira-latas” sempre dependendo dos outros de fora. Pior ainda é a herança secular do escravismo que fez com que os herdeiros da Casa Grande se sintam senhores da vida e da morte dos negros e pobres. Não basta lançá-los nas periferias; há que desprezá-los e humilhá-los. E a classe média que imita os de cima, tolamente se deixa manipular por eles e inocentemente se fazem cúmplices da horrorosa desigualdade social.
Essas elites de super-endinheirados (71.440 pessoas lucram 600 mil dólares por mês nos diz o IPEA) conquistaram os meios de comunicação de massa, golpistas e reacionários, que funcionam como azeite para a sua maquinaria de dominação. Essas elites nunca quiseram a democracia, apenas aquela de baixíssima intensidade, que a podem comprar e manipular; preferem os golpes e a ditadura.
Hoje já não é mais possível pelas baionetas. Excogitou-se outro expediente: o golpe vem por uma artificiosa articulação entre  políticos corruptos, o judiciário politizado e a repressão policial. Três tipos de golpe, portanto: o político, o jurídico e o policial.
Termino com as palavras pertinentes de Jessé Souza: “encontramo-nos num mundo comandado por um sindicato de ladrões na política, uma justiça de "justiceiros" que os protege, uma elite de vampiros e uma sociedade condenada à miséria material e à pobreza espiritual. Esse golpe precisa ser compreendido por todos. Ele é o espelho do que nos tornamos”. Direi como Martin Heidegger:“só um Deus nos poderá salvar”? Marx talvez seja mais modesto e verdadeiro:”para cada problema há sempre uma solução”. Deverá surgir uma para nós.
(Fonte: site Carta Maior)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

CIDADÃOS OU (DES)EMPREGADOS DAS CORPORAÇÕES: O QUE SOBRA PARA OS MORTAIS COMUNS?


A captura do poder pelo sistema corporativo

Segundo Octávio Ianni, "a política mudou de lugar: a globalização desafia radicalmente os quadros de referência da política como prática e teoria".


A expansão dos lobbies, a compra dos políticos, a invasão do judiciário, o controle dos sistemas de informação da sociedade e a manipulação do ensino acadêmico representam alguns dos instrumentos mais importantes da captura do poder político geral pelas grandes corporações. Mas o conjunto destes instrumentos leva em última instância a um mecanismo mais poderoso que os articula e lhe confere caráter sistêmico: a apropriação dos próprios resultados da atividade econômica, por meio do controle financeiro em pouquíssimas mãos. As dinâmicas de poder político, econômico e cultural estão sendo reorientadas, gerando uma nova configuração que se trata de estudar. É o pano de fundo de uma sociedade em busca de novos caminhos de gestão. 
Olhar o século 21 pelas lentes do século passado não ajuda. Quando pensamos o mundo da economia, pensamos ainda em interesses econômicos e mecanismos de mercado. A política, o poder formal, os impostos, o setor público em geral representariam outra dimensão. Não é nova a ruptura destas fronteiras, a penetração dos interesses de grupos econômicos privados na esfera pública. O que é novo, é a escala, a profundidade e o grau de organização do processo. O que já foram deformações fragmentadas, penetrações pontuais através de lobbies, de corrupção e de “portas-giratórias” entre o setor privado e o setor público se avolumaram, e por osmose estão se transformando em poder político articulado em que o interesse público é que aflora apenas por momentos e segundo esforços prodigiosos de manifestações populares, de frágeis artigos na mídia alternativa, de um ou outro político independente. O poder corporativo se tornou sistêmico, capturando uma a uma as diversas dimensões de expressão e exercício de poder, e gerando uma nova dinâmica, ou uma nova arquitetura do poder realmente existente.
Para continuar lendo a reflexão do articulista do Portal Carta Maior, Ladislau Dowbor, clique aqui.
  

sexta-feira, 15 de julho de 2016

PLANTÃO DE BILTRES



Rapinagem


Eugênio Magno



Tudo é palha. A fome é o milho não colhido

Somos todos aves de rapina


Nossa visão só alcança o que nos alimenta

(Do livro Minas em mim, 2005: 31)

domingo, 10 de julho de 2016

VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA E DA DESIGUALDADE

Sete estados mineradores concentram 31,2% dos casos de violência contra a mulher



Foto: Amaralina Fernandes / Fórum Mulheres Vale Jequitinhonha
Com salários mais baixos que o dos homens, a atuação feminina nas minas cresceu 28% em 2013. Os cargos preenchidos pelas mulheres vão de funções operacionais a ocupações gerenciais.
Uma pesquisa do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) revela que 18% das mulheres que trabalham na mineração não tem remuneração. Conforme o estudo, essas mulheres vão para minas, principalmente de garimpo, para ajudar os maridos.
A esse trabalho, muitas vezes considerado análogo à escravidão, soma-se a presença dos filhos, geralmente crianças, que compõe a ajuda da mão de obra familiar na mineração. 
“Muitos desses casos são recorrentes em garimpos de pedra preciosas e pedreiras sem contar com nenhuma fiscalização dos órgãos responsáveis”, observa Lourival Araújo Andrade, do Instituto Brasileiro de Educação, Integração e Desenvolvimento Social (Ibeids). 

Para ler na íntegra a matéria de Márcio Zonta, clique aqui.

terça-feira, 5 de julho de 2016

CARTA DE NITA FREIRE AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


Carta a Michel Temer

Exmo. Sr. Presidente Interino do Brasil
Prof. Dr. Michel Temer
 
ASSUNTO: PAULO FREIRE: Wikipidia e SERPRO
 
Na qualidade de viúva, estudiosa e sucessora legal da obra do Educador PAULO FREIRE, quero, através dessa carta, estabelecer um diálogo cordial e franco com V.Exa., mesmo estando nós dois, em termos ideológicos, em posições diferentes, no sentido de esclarecer assunto que vem sendo divulgado pela imprensa nacional, de que partiu de dentro do governo através da rede do SERPRO, uma entidade pública, portanto sob a responsabilidade do Estado Brasileiro, a alteração no conteúdo da biografia de meu marido na enciclopédia livre Wikipedia, colocando-o como envolvido com um projeto de educação atrasado e fraco de caráter doutrinário marxista e manipulador.
 
Se não o tivesse conhecido na festividade de formatura de uma de suas filhas, creio que do curso de Psicologia/PUC-SP, ocorrida nos gramados do Clube Hípico de Santo Amaro, em São Paulo, quando sentados lado a lado na Mesa Diretora, ouvi de V.Exa. o enorme respeito e admiração que tinha pela obra e pela pessoa de Paulo Freire, não teria a ousadia de Vos escrever.
 
Como V. Exa. sabe, enquanto intelectual e jurista, o meu marido jamais praticou nenhum ato e nunca escreveu nenhuma palavra dos quais se pudesse, em sã consciência, outorgar-lhe a pecha de doutrinador marxista e homem de princípios filosóficos e educacionais fracos e débeis, acusações contidas na nova biografia agora publicada pela Wikipedia.
 
Para a construção de um país verdadeiramente democrático é da mais alta importância, que, órgãos do Estado ou que prestam serviços a ele, como o SERPRO, não estejam compactuando com interpretações de espíritos liberais inescrupulosos, que, intencionalmente maculam a honra de um homem que deu sua vida para que a educação, sobretudo a do Brasil, possibilitasse a libertação e a autonomia dos homens e das mulheres de nosso querido país. Nunca sob o bastão da intolerância, do fascismo ou do comunismo.
 
Acredito que o atual Ministro da Educação, natural do estado de Pernambuco, Mendonça Filho, como Paulo Freire o foi, teria o prazer (pessoalmente considero que o dever) de esclarecer e inibir que inverdades sejam ditas de seu conterrâneo, homem ético, probo e honrado, Patrono da Educação Brasileira. Acredito que o referido ministro se colocará e agirá, positivamente, a favor, no momento em que for instigado a isso por V. Exa., contra a manipulação da máquina do Estado a serviço do amesquinhamento de um dos mais importantes homens desta Nação
 
É claro que Paulo Freire não é unanimidade, ninguém o é. Ele pode ser lido, analisado e contestado, isso faz parte da liberdade de expressão necessária e desejável à construção da cultura letrada de alto nível de qualquer país. Entretanto, o local dos contraditórios deve ser aberto, responsável, no seio da sociedade civil __ na rua, na universidade e nas escolas, através da mídia, nos sindicatos e fóruns etc __ e nunca dentro, exaltado por fato tendenciosamente ideológico-inverídico, acobertado pelo anonimato, por qualquer órgão da sociedade política.
 
É inconcebível que numa sociedade democrática se divulgue frases carregadas de ódio e de preconceito como: “Paulo Freire e o Assassinato do Conhecimento” __ absurda e ironicamente, no ano em que Paulo Freire está sendo considerado nos EEUU como o terceiro intelectual do mundo, de toda a história da humanidade, mais citado, portanto mais estudado nas universidade norte-americanas, que, a princípio são contra o marxismo.
 
Contando com Vossa compreensão e interferência para que se restabeleça a Justiça e a Verdade.
 
Cordialmente
São Paulo, 30 de junho de 2016.
 
ANA MARIA ARAÚJO FREIRE

sexta-feira, 1 de julho de 2016

GOVERNO TEMER É DESAPROVADO PELA POPULAÇÃO


Temer: 39% de desaprovação



Com pouco mais de um mês de gestão, o governo do presidente interino Michel Temer foi considerado ruim ou péssimo por 39% da população, regular por 36%, bom por 13% e 12% dos entrevistados não se manifestaram. Os dados são referentes ao mês de em junho de 2016, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira, 1º de julho pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

terça-feira, 28 de junho de 2016

O QUE PODE ESTAR POR TRÁS DA BREXIT DO REINO UNIDO DA UNIÃO EUROPÉIA


Cameron descarta novo plebiscito 

e negociação para saída da UE começará em outubro

Durante pronunciamento no Parlamento nesta segunda-feira (27), o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, descartou a possibilidade de realizar um novo referendo sobre a “Brexit”, a saída britânica da União Europeia, apesar de uma petição popular por uma nova votação ter angariado mais de 3,7 milhões de assinaturas.
“O resultado da votação não foi o que eu queria, mas eu e meu gabinete concordamos que deve ser respeitado”, disse Cameron, que fez campanha pela permanência da região na UE e anunciou sua renúncia do cargo de primeiro-ministro assim que os resultados do referendo foram divulgados, na madrugada da última sexta-feira (24).
“[Um segundo referendo] não está nem remotamente em jogo. O resultado foi decisivo”, reforçou um porta-voz do premiê ao jornal britânico The Independent.
petição online foi criada pela sociedade civil no site do Parlamento britânico na sexta-feira (24), dia seguinte ao referendo, pedindo que o governo realize um novo plebiscito sobre a "Brexit". Até o momento, mais de 3,7 milhões de britânicos subscreveram o pedido. O Parlamento britânico é obrigado a debater os temas propostos pelos cidadãos caso uma petição reúna mais de 100 mil assinaturas.
Sobre as negociações para a saída do bloco, Cameron disse que elas deverão ser lideradas pelo novo premiê, que deve ser eleito em outubro, durante a convenção do Partido Conservador.
Cameron afirmou também em seu pronunciamento que a saída do Reino Unido da União Europeia não provocará mudanças imediatas nos direitos da população e que a economia do país está bem posicionada para “enfrentar os desafios à frente”. Ele também condenou o aumento de ataques racistas e xenófobos após a votação pelo "Brexit" e pediu aos parlamentares fazerem "tudo o que puderem" para frear estes ataques.
Entretanto, Jeremy Corbyn, líder do partido Trabalhista que enfrenta grande oposição por membros de sua legenda, pediu que Cameron comece as negociações assim que ele for para Bruxelas, sede da União Europeia, o que deve acontecer esta semana. “Não podemos ficar em um estado de paralisia pelos próximos três meses”, defendeu.
(Fonte: Site Brasil de Fato)

terça-feira, 21 de junho de 2016

AMEAÇA AO ESTADO DE DIREITO


Bukharin em 37, Moscou: a democracia em 2016, Curitiba


Tarso Genro*



Foto: Ramiro Furquim - Sul 21


Norberto Bobbio, nos “Direitos e Deveres da República”, fala do papel preponderante que o dinheiro assumiu na vida política e mostra que, no regime dos Médici na Florença do Século XV, aquela família não alterou a fachada das instituições republicanas, mas, graças ao dinheiro distribuía favores e fazia amizades, que gestavam os consensos para o exercício da sua dominação política, mesmo sem alterar, formalmente, as regras de exercício do poder. Mais adiante, mostra Bobbio, uma só pessoa na Itália de hoje pode conseguir apoios pelos mesmos meios e, graças à mídia, pode exercer um forte poder ideológico, com severas consequências negativas no jogo democrático. Dinheiro e poder da burocracia alimentam um ao outro, de tal forma que podem neutralizar os sinais da soberania popular, pois – como também ensinava Bobbio – nenhum Estado real se sustenta na virtude dos seus cidadãos, mas nas regras que organizam as suas lutas pelo poder e as lutas pela sobrevivência. 
Integro aquela parte da sociedade e a “parte” dos próprios partidos, que entende que os inquéritos e processos, que visem atacar a corrupção e responsabilizar indivíduos dentro da legalidade do Estado de Direito, devem ser saudados e apoiados. E integro, igualmente, a parte da sociedade que entende que a cidadania deve estar atenta, para combater as deformações das ações do Estado, pelo uso manipulatório dos processos judiciais, seja pelos meios de comunicação oligopolizados, seja por facções de partidos ou de empresas, que escondem suas próprias mazelas, promovendo campanhas falsamente moralizadoras, para prover seus propósitos políticos e interesses econômicos. Qualquer Estado – de legalidade “socialista” ou “capitalista”- tem espaços para flexibilizar, um maior (ou menor) grau de autoritarismo, na sua função de “estado-polícia” e “estado-sancionador”: o que a sua Constituição aponta que está “fora”, ou “dentro” da sua legalidade, é sempre passível de ser maleado pelas contingências da política e da economia. 
Um exemplo clássico desta manipulação – neste momento em que são investigados os líderes dos principais partidos do país – é “misturar”, na informação, as propinas e os financiamentos de “Caixa 2”, com as contribuições legais das empresas aos partidos. Esta “mistura” ajuda os verdadeiros criminosos a se safarem dos processos e desconstitui os processos – enquanto processos penais – transformando-os em meros instrumentos do debate político. Outro exemplo é a consideração das delações premiadas como “meios absolutos” de prova, pois os principais criminosos sempre dirão o que for necessário dizer, para se safarem das penas que lhes esperam, se não “colaborarem” com o Ministério Público. A divulgação destas delações – sem critérios legais – agride o princípio da ampla defesa e pode, mais tarde, anular os processos e beneficiar massivamente, tanto os que não cometeram delitos e foram denunciados levianamente (o que é bom), como os que cometeram crimes contra o Estado (o que é péssimo), assim enfraquecendo a capacidade punitiva do Estado. 
Mas o exemplo mais brutal da perversão do Estado de Direito, no âmbito penal, são os vazamentos seletivos. Os vazamentos seletivos transformam a autonomia dos órgãos de Estado, como a Polícia e o Ministério Público (independentemente da vontade dos seus chefes), em soberania privada: soberania interna aos Poderes Soberanos. Os vazamentos seletivos internalizam, cotidianamente, na máquina estatal, a luta de partidos, que se dá na Sociedade Civil, já que aquelas instituições passam a ser espaços onde os estamentos confrontam. Se eu seleciono de maneira arbitrária, por exemplo, vazar uma informação que pode prejudicar Lula, ou Aécio, ou Marina, colocando-os na defensiva – num determinado tema que está sendo investigando – estou tratando-os de forma desigual, em relação a outras pessoas que não tiveram seus nomes “vazados”, estimulando a plutocracia a promover ações políticas que estão fora do seu dever constitucional. O próximo passo é ela apresentar-se como portadora de um messianismo de “salvação da República”, com o estupro da neutralidade formal do Estado. As publicações seletivas de informação caracterizaram a imprensa soviética e a imprensa nazista, nos períodos dos seus grandes processos administrativos e judiciais, de natureza política, assim partidarizando a Polícia e o Poder Judiciário de forma plena. 
O resultado, aqui no Brasil, num processo que não é idêntico, mas análogo – dentro da democracia política – foi o afastamento de uma Presidenta sem crime e a assunção ao poder de uma Confederação de Investigados e Denunciados, promovida pelo oligopólio da mídia, articulado com a direita política, setores do Ministério Público e dos Juízes, sobre os quais o Estado de Direito “perdeu o controle”.
A “perda do controle”, quer dizer – no caso – que alguns agentes públicos movem-se com desembaraço “fora da legalidade”, não que eles devam ser “controlados” para descumprir as suas funções “dentro da legalidade”. O exemplo mais flagrante desta deformação do Estado de Direito, foi a gravação e a divulgação seletiva, pelo Juiz Moro, da conversa entre a Presidente Dilma e o ex-Presidente Lula, vazamento este celebrado nas ruas com consignas como “Cunha nos representa” e “Sonegação de impostos é legítima defesa”. São os mesmos que agora veem as suas lideranças atingidas por novas delações premiadas, já tidas como “provas absolutas”, pelo campo político que lhe é adverso. A internalização irracional da política, na plutocracia estatal, leva à irracionalidade da política na Sociedade Civil. Perdem a Democracia e o Estado de Direito, já que estas ações do Estado enfraquecem o que nos resta de senso comum republicano. 
Cada tipo de Estado tem as suas formas de exercer o poder e as suas formas de aceitar violações da sua legalidade, mantendo a aparência de respeito aos fundamentos das sua Constituição. Trata-se de uma questão que não está relacionada com a estrutura econômica da sociedade em questão, mas vincula-se aos modos através dos quais, no Estado Moderno, os grupos que detém o poder obtém sucesso, nos seus objetivos nem sempre coerentes com o espírito da sua constituição. Por exemplo, a Constituição de 36, na URSS, não admitia a tortura, bem como a Constituição de 88, no Brasil, não admitia o início do cumprimento de uma pena sem seu trânsito em julgado. Em ambas as hipóteses, todavia, isso foi violado pela coerência de uma burocracia, responsável pelo funcionamento geral do sistema. 
No X Congresso do PCUS (1921), o herege tido como “liberal” Bukharin, involuntariamente começou a preparar as condições de inimizade que no futuro iriam lhe levar à condenação à morte, pela Justiça Soviética. É um episódio muito ilustrativo da burocratização da política, que pode ocorrer em qualquer Estado, independentemente de suas formas de legalidade.
Dizia Bukharin em 1921, com flagrante ironia, para atacar os novos gestores-burocratas do Estado Soviético, originários do Partido, que já começara a ressecar a sua capacidade criativa: “A história da humanidade se divide em três períodos -o matriarcado, o patriarcado e o secretariado”. Lá em março de 1937, quando o aparato estatal soviético já é composto por milhões de burocratas, enquadrados pelo stalinismo (em que pese o presumido Estado de Direito Socialista da Constituição de 1936) Bukharin está respondendo ao Procurador Vishinsky, por suas (inventadas) “atividades de espionagem” e ações “anti-soviéticas”. Era o final dos processos judiciais de natureza politica, que assassinaram toda a velha guarda bolchevique, organizados pelo poder burocrático do “secretariado” no Estado, que tinha no seu centro o “Guia Genial dos Povos”.
Entre 5 e 7 de março, resistindo à fúria condenatória do Procurador Vishinsky, Bukhárin não só mostra-se um mestre em evasivas, mas também confessa-se culpado de todos os crimes que lhe são imputados, “independentemente de conhecê-los ou não”, ou mesmo de ter “participado dos mesmos de forma especial”. Prefere, desta forma, deixar uma mensagem para a História, sobre a ilegalidade completa da sua futura condenação, que já estava definida pela burocracia Judiciária do Estado.
Um dos crimes absurdos, que lhe é imputado, é a tentativa de assassinato de Lenin, falecido de causas naturais há mais de uma década, que teria sido promovido por pessoas que Bukharin sequer conhecia. Quando ele é defrontado com um suposto companheiro de crime, Vladmir Karelin – destruído física e moralmente pelas torturas no inquérito – responde à pergunta do Procurador (sobre se conhecia o presumido coautor) da seguinte forma: “Ele mudou tanto que eu não diria tratar-se do mesmo Karelin”.
Com a falência precoce do Governo interino e com a responsabilização cada vez maior que a mídia vem sofrendo, por ter promovido a ruptura da ordem constitucional do país, esta quer, agora, absolver-se. Trata de “separar-se” do seu Governo golpista e criar uma imagem de neutralidade, a partir da disseminação da tese que o Brasil “não será mais o mesmo”, depois da Lava-jato, o que é inteiramente falso. 
Em primeiro lugar, é preciso ver se a Lava-jato, voltando para os trilhos da legalidade também irá punir os responsáveis pelos vazamentos seletivos, causadores de delações forçadas, que certamente destruirão a vida de pessoas que, no futuro, poderão ser inocentadas. É preciso verificar se os ladrões, que sonegam impostos todos os dias, passarão a ser punidos -dentro da legalidade- com o mesmo correto rigor que estão sendo punidos os políticos corruptos. Se teremos uma reforma política, a proibição de contribuição de empresas a partidos e candidatos. Se vamos democratizar os meios de comunicação e, através da soberania popular recuperada, dotar de nova legitimidade a esfera política democrática. 
Se isso não ocorrer é mera falácia dizer que o Brasil vai “mudar” para melhor, depois da Lava-jato. Ao contrário, a Lava-jato como está -vista como causa do golpismo em curso e abalada pelos vazamentos seletivos na mídia oligopólica- será considerada apenas mais um espasmo de moralismo, fundado em razões justas que foram devidamente anuladas pelas manipulações políticas. Se isso ocorrer, poderemos dizer sobre a democracia, depois da Lava-jato (parodiado Bukharin sobre Karelin): “Esta democracia mudou tanto, que custa crer que seja a mesma da Constituição de 88”. E o grupo de Curitiba, que instaurou uma jurisdição nacional inconstitucional, será então conhecido apenas como um grupo de gestores de uma República do Galeão composta por civis.
 
Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

(Fonte: Site Carta Maior)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PAUSA PARA MEDITAÇÃO...


Veredas Crucis


Eugênio Magno



a minha caminhada não pode ser

  reiniciada enquanto não encontrar

                   os calçados adequados

 os antigos ficaram despedaçados

e os meus pés estão em chagas

(Do livro Minas em mim, 2005: 30)

sábado, 11 de junho de 2016

NÃO DEVEMOS SER ANALFABETOS POLÍTICOS


A Igreja deve envolver-se na política”, afirma o Papa Francisco



“Existe o adágio da Iluminismo que a Igreja não deva envolver-se em política, mas a Igreja deve envolver-se na grande política, porque – cito Paulo VI – a política é uma das formas mais altas da caridade”: disse-o o Papa falando no sexta-feira, 03-06-2016, à tarde a uma convenção de magistrados sobre “tratamento de seres humanos e criminalidade organizada”, convidados ao Vaticano pela Academia das Ciências sociais.
“A Igreja – disse ele ainda – deve empenhar-se para ser fiel às pessoas, e ainda mais quando se tocam as chagas e os sofrimentos mais dramáticos”.
Isto, para Francisco, é seguramente o caso do tráfico das pessoas, do narcotráfico, da prostituição, do tráfico de órgãos que eram os temas da convenção que – disse ele – são “crimes contra a humanidade que devem ser reconhecidos como tais por todos os líderes políticos, sociais e religiosos no mundo”.
Bergoglio louvou o empenho de muitos magistrados em perseguir as escravidões modernas: “Sei que sofreis ameaças e condicionamentos de tantas partes. Sei que hoje ser procuradores, ser ministros públicos é arriscar a vida e isto me faz ser reconhecido da coragem de alguns de vós que querem ir em frente, permanecendo livres. Sem esta liberdade, o poder judiciário se corrompe e gera corrupção”.
O que está em curso no Vaticano é a terceira convenção sobre o tema: são encontros desejados pessoalmente por Francisco, porque tráfico de vidas e corrupção são “os maiores males da humanidade”.
(Fonte: Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP-DF)