
Prudêncio*
Blog de Eugênio Magno

Prudêncio*
A janela do meu quarto
Eugênio Magno
da janela do meu quarto
não vejo a minha rua
vejo outras ruas
da janela do meu quarto
vejo a minha vizinha nua
vejo as estrelas
pela janela do meu quarto
não se vê luz
não se vê nada
pela janela do meu quarto
muito menos se vê _____ .
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
A cidade de Santa Luzia, está em festa
O Cine Humberto Mauro no Palácio das Artes apresenta entre os dias 5 e 13 de Dezembro a Mostra de Cinema "Wajda no Brasil".
Crimes de tortura e morte cometidos por razões políticas vão ser investigados por comissão que terá dois anos de prazo. Foco deve ser ditadura militar. Nenhum documento oficial poderá passar mais de 50 anos escondido da população. Em seis meses, órgãos públicos terão de divulgar gastos e contratos na internet. 'Cidadão ganha mais poder perante o Estado', diz Dilma Rousseff.
Jorge de Sena disse: "Nós, os poetas, não somos profetas, contrariamente às ilusões românticas. Somos aqueles que, falando poeticamente, devem continuamente recordar àqueles que pensam que sabem muito, que nós -seres humanos- não sabemos nada, para além da gramática convencional de algumas ciências. Mas assim sendo, sabemos mais num plano diferente, uma vez que somos, como somos, os registros e arquivos da experiência humana através da linguagem."
Quatro civis e um desertor foram mortos nesta segunda-feira, dia 31-10-2011, por forças de segurança da Síria cujo regime é sacudido por um movimento de contestação sem precedentes que iniciou em março, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. O regime sírio deverá responder a um plano da Liga Árabe que pede o imediato fim da violência, a retirada dos tanques das ruas e um diálogo entre o regime e a oposição, na cidade do Cairo. Em Damasco, uma comissão nacional começou os trabalhos, nesta segunda-feira, para elaborar um projeto da nova Constituição para a Síria.
(Site Adital)
Silêncio
Eugênio Magno
Sendo
Somente
aSSim
Serei
Sempre
aSSim
Somente
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)
Palavra: força e fraqueza
Ricardo Lengruber
As palavras são mais do que meras portadoras de significado. Por meio delas, conseguimos tornar a aparente desorganização das coisas em algo minimamente compreensível e, por conseguinte, domável.
Mesmo entre os grunhidos dos nossos ancestrais mais distantes, já estava presente essa busca por fazer a realidade circundante menos selvagem. As pinturas de Lascaux, entre tantos exemplos, revelam que, desde há muito, a busca humana por significar tem por instrumento essencial a palavra, mesmo que sob códigos ainda muito rudimentares.
Essa é razão pela qual a Bíblia, ao menos em dois momentos angulares, faz referência à palavra. A Palavra pela qual o mundo fora criado e a Palavra que se fez carne e armou uma tenda entre os homens. Na narrativa da Criação, em Gênesis 1, "disse Deus: haja luz; e houve luz!" No evangelho de João, capítulo 1, há uma longa reflexão sobre o fato de a mesma palavra criadora – logos – ser aquela que ilumina o mundo e mora entre os homens.
Por meio da Palavra, a Teologia judeu-cristã conseguiu exprimir a absurda diferença entre Deus e os homens, mas, ao mesmo tempo, e por paradoxal que seja, a mais profunda solidariedade e comunhão entre os dois. O totalmente Outro é, agora, por meio da Palavra, um Próximo, semelhante.
A palavra que, ao mesmo tempo, distancia e aproxima (e que é instrumento no gesto criador divino) é emprestada ao ser humano para sua empreitada de nomear e significar seu jardim recém criado. Essa aparente contradição revela que a Palavra parece ter vida própria ou, então, que não pertence a esse ou aquele.
A religião é uma colcha de palavras que pretende significar o mundo que mora dentro das pessoas. Os desafios que o mundo de fora empreende para com o mundo de dentro fizeram com que os homens procurassem um abrigo para se salvaguardar das ameaças tantas. As religiões são formas de enxergar a realidade, mas, acima de tudo, de interpretá-la. Daí o uso mais que instrumental da palavra. Em matéria de religião, a palavra torna-se Palavra e, como tal, ganha caráter sagrado e sacramental.
Dois registros pelos quais a religião se movimenta são baseados na palavra. Tanto o mito quanto o rito da palavra dependem e dela sabem usufruir. Se, por um lado, o mito é a narrativa sobre as profundezas da alma empreendida pela palavra; por outro, o rito é a celebração que a mesma palavra empreende sobre si. Mesmo quando só há o silêncio, a palavra se faz presente exatamente por conta de sua ausência.
Os operadores dos cultos religiosos revelam-se tanto mais eficientes quanto mais capazes são de conduzir e administrar a palavra. A palavra criadora e a palavra que mora entre os homens é aquela que sacralizada no culto religioso e se torna capaz de consolar ou culpar, de confortar ou instigar, de pacificar ou guerrear.
Essa talvez seja a questão na qual residem problemas sérios no mundo das religiões. Como há centralidade da palavra e como os sacerdotes são os seus articuladores, o uso que dela é feito é sempre com vistas à obtenção de determinados resultados. Via de regra, o resultado que se espera é a condução por uma experiência autêntica de encontro do ser humano com o significado de sua existência, mas há que se ter clareza que entre o mundo real e o ideal existe um largo e profundo abismo.
Minha intuição é que isso ocorre porque a vida das palavras nasce da experiência que elas são capazes de impulsionar em seus protagonistas. Palavras ditas e ouvidas que não foram geradas de uma autêntica experiência não conseguem empreender nada em quem as fala ou em quem as ouve. No mundo da religião, todavia, há uma busca séria e legítima por experiência e os sacerdotes conseguem manipular bem essa demanda. Conseguem, por exemplo, ser porta-voz de uma massa imensa que não quer ou não consegue se expressar e, ao invés de ajudá-la a superar tal limitação, a torna cativa de seu discurso e a estimula a mimeticamente seguir seus passos meramente rituais. Isso é o que tem feito a religião ser recorrentemente acusada de ser o “ópio do povo”.
É urgente que se aprenda a observar melhor o conteúdo do discurso em detrimento de sua forma e que não se permita ser conduzido pela força do rito e das emoções que esse gera no coração humano. A potência das palavras – sobretudo as palavras religiosas – emerge quando elas são ditas a partir de um autêntico encontro com seu significado.
Sempre que se permitir ser conduzido por outro, o homem abdica de sua identidade e se torna mero repetidor alienado. Isso ocorre mesmo quando se tem a ilusão de liberdade que o culto religioso pode fazer crer que se experimenta.
A beleza da religião está no fato de conseguir ser o suspiro da criatura oprimida e conseguir nela estimular a busca por liberdade.
Curioso, entretanto, é que esses vocábulos (libertação, cura, vitória, realização etc) fazem parte do dia-a-dia dos templos e sermões, mas não significam exatamente o que essas palavras podem expressar. As palavras dependem de seu contexto, mas, acima de tudo, fazem com que seu meio signifique isso ou aquilo. Assim, no discurso religioso, liberdade expressa obediência e, por meio dela, o suspiro dos oprimidos apenas se emudece.
* O autor é professor de História, Filosofia e Teologia. Doutor pela PUC do Rio de Janeiro
(Fonte: Site do jornal Fórum século XXI)
(Foto: Omar Sobhani / Reuters)
(Foto: Neel Van Eijk /AP/SIPA)
(Fonte: Site Adital)
(Foto: Chandrashekhar Chawan/REX/SIPA)
Silvio Tendler, um cineasta contra a maré
Sílvio Tendler. Ao fundo, grafite da vídeo instalação do Poema Sujo no Espaço Oi, Rio de Janeiro. Acusado por analistas do Fundo Setorial Audiovisual, do Ministério da Cultura (MinC), de não saber fazer roteiro e de que seus filmes têm bilheterias pífias, o cineasta chuta o balde e mostra que, além de conquistar as maiores plateias do mercado brasileiro de documentários – O mundo Mágico dos Trapalhões (1 milhão e 800 mil espectadores), Jango (1 milhão) e Anos JK (800 mil) –, seu Utopia e Barbárie é um dos filmes mais vistos em exibições alternativas.
O ”Sr. Documentário” fala da carreira, projetos e do cinema engajado com a luta pela utopia de Silvio Tendler. Fala também da relação do cinema com a literatura e da batalha que continua a ser fazer filmes no Brasil. Para ler a matéria completa do jornalista e escritor, Oswaldo Faustino, com direito a entrevista e tudo, acesse o site http://www.cineclubebrasil.com.br e procure a revista nº 4, 2011.