Para ler na íntegra a matéria de Gram Slattery e Ricardo Brito para a Reuters, clique aqui.
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
COMO A CORRUPÇÃO INFLUENCIA A RESPIRAÇÃO DA POPULAÇÃO
Para ler na íntegra a matéria de Gram Slattery e Ricardo Brito para a Reuters, clique aqui.
domingo, 20 de setembro de 2020
ENCONTRO DA CNBB ARTICULA NO PAÍS O PACTO GLOBAL PELA EDUCAÇÃO
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO BRASILEIRO A TRUMP SÓ FERRA O PAÍS
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
DEPOIS DE TODOS OS ESTRAGOS BOLSONARO BRINCA DE PAPAI NOEL
sábado, 5 de setembro de 2020
DEUSES E ORÁCULOS
Eugênio Magno
Há quem diga que a Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade & Propaganda e Relações Públicas –, no formato que gerações com mais de 50 anos conheceram, morreu. Quem diz isso, em sua maioria, tem menos de 30 anos e fala meia verdade.
A Geração Z (mão no mouse), não reinventou a comunicação, muito menos inventou um novo marketing, apelidando-o de Marketing Digital, como apregoam por aí alguns apologistas digitais. Quase tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, de forma piorada. E digo quase tudo porque não podemos negar a capacidade interativa das redes sociais, a precisão com que é possível fazer micro segmentação, a confiabilidade das métricas, a velocidade da distribuição da mensagem e a convergência de mídias. Sem contar a eliminação de uma grande quantidade de intermediários no processo comunicacional aliado a outros fatores, dentre eles, um que não pode ser desconsiderado por quem paga a conta, custos bem mais acessíveis. Mas essa é apenas uma das metades da verdade que é acessível apenas para quem dispõe dos meios tecnológicos e/ou do poder de pagar o alto custo dos mais sofisticados bots produzidos e gerenciados pelas megacorporações que dominam a indústria dos big data e monitoram as ações dos cidadãos mundo afora.
Tidos por muitos como Oráculos de Delfos, é preciso que nos atentemos para a impostura robótica. Diferentemente dos sacerdotes e sacerdotisas da Grécia antiga, os robôs não advinham o futuro. Através do monitoramento comportamental do indivíduo, os bots induzem o usuário dos meios informacionais a escolhas das quais extraem, a cada click, mais dados que, acumulados, transportam o novo homem cibernético para currais de segmentos virtuais, cujas movimentações, por mais livres que pareçam ao navegante, são quase que totalmente controladas, previstas e previsíveis. É assustadora, a influência sobre o comportamento humano e a forma como o capitalismo tecnológico explora, inclusive laboralmente, o internauta que, a todo instante, ao utilizar os sistemas digitais produz – como mão de obra gratuita –, mais e mais informações que alimentam o capital e cada vez mais nos enredam em uma relação de submissão a sofisticados padrões de controle social.
O que foi prometido ao cidadão como democratização e universalização do acesso à informação e à comunicação, assim como possibilidade de difusão de mensagens sem intermediação se transmutou muito rapidamente em um engodo. Existe sim maior capacidade de emitir mensagens, porém, sem nenhuma garantia de que estas sejam recebidas. O fluxo do processo de comunicação foi invertido. Se no passado, os grandes veículos de comunicação: TVs, rádios, jornais, revistas e agências de notícias, controlavam a emissão, atualmente, empresas como Google, Facebook, Whatsapp, YouTube, Instagram, Tik Tok, Telegram, Twitter e outros mais, com seus algoritmos e robôs, controlam a recepção.
As grandes plataformas digitais nos encurralaram em bolhas de “iguais”. Pilotamos nossos computadores e celulares como se fossemos poderosos emissores de mensagens para uma grande audiência, quando na realidade se quer conseguimos atingir o vizinho do apartamento ao lado do nosso. Em alguns momentos e circunstâncias seria mais apropriado dar alguns telefonemas ou recorrermos ao e-mail, isso para não sairmos da perspectiva do mundo virtual. Mas como continuamos acreditando no que nos prometeram, em um passado próximo, preferimos viver a ilusória impressão de sermos livres e poderosos navegadores do ciberespaço.
Houve um tempo, não muito distante, em que como espectadores de nossos programas preferidos, no rádio ou na televisão, tínhamos a possibilidade de calcular até a hora de ir ao banheiro, fazer um lanche, dar um telefonema, ou coisa que o valha. O espaço para a programação era bem mais extenso e o momento do comercial, da propaganda era identificado como intervalo por vinhetas. No mundo digital, sem quê nem para quê, surgem comerciais aos borbotões, entrecortando falas de apresentadores, interrompendo raciocínios e desviando a atenção da audiência para verdadeiros testemunhais facilmente confundidos com notícias, informações ou disciplinas formativas pelos menos avisados.
Nem tudo que se anuncia como liberdade é deveras libertador. Baixo custo, acessibilidade, inclusão e letramento digital. Tudo é narrativa líquida. Desregulamentação, amadorismo maquiado por terminologias anglo-saxônicas, mensagens apócrifas, fake news, centrais de noticias odientas, etc. A imensa aldeia global está reduzida a minúsculas bolhas dispersas no caos das virtualidades.
* Esse artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
ENXURRADA DE FAKE NEWS
Como enfrentar as fake news
Para o bem e/ou para o mal, os meios de comunicação estão coalhados de fake news. O grande desafio é identificá-las, denunciá-las e evitar sua propagação.
A instantaneidade do digital deixa pouca margem para decodificar, apurar e refletir para depois agir. O estrago de reputações e a disseminação de mentiras, invenções, armações, picaretagens e até mesmo alertas, prevenções infundadas e esperanças falsas, tornaram-se fatos corriqueiros, principalmente nas redes sociais, mas também nos meios de comunicação tradicionais.
Existem plataformas especializadas em confirmar e apontar notícias falsas e aplicativos para ajudar o internauta na análise de fake news, assim como alguns (ainda que poucos) mecanismos para denunciar e excluir esse tipo de postagem nas principais redes sociais. O mais importante, entretanto, é que cada um se reconheça na sua expertise e não fique por aí brincado de comunicador ou jornalista. O mundo já está conturbado o suficiente para que atos impensados, ainda que bem intencionados, tragam ainda mais conflitos e turbulências para esta sociedade em desordem.
Veja, por exemplo, este vídeo, anunciado pelo seu autor como "de utilidade pública familiar" que circula pelas redes sociais (já há algum tempo) alertando a população para os perigos de se deixar medir a temperatura por termômetros infravermelhos apontados para a testa. Tendo em sua abertura a chamada "é melhor prevenir do que remediar", a primeira imagem do vídeo é o desenho de perfil uma cabeça humana, destacando o cérebro e colocando em evidência a glândula pineal.
Embora aqui esteja sendo citado esse vídeo, a informação circulou de forma escrita, como mensagem de áudio e também em outros vídeos, partindo de vários perfis em quase todas as mídias sociais.
No caso específico dessa informação, indico a matéria que Marion Lfévre, da agência de notícias AFP Argentina / Chile, realizou, cujo título é "Medir a temperatura com um termômetro infravermelho não danifica a glândula pineal".
Não espalhe notícias sem checar sua veracidade. Para ler a matéria da AFP, na íntegra clique aqui.
terça-feira, 25 de agosto de 2020
REVIRAVOLTA NAS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE BRASIL E ARGENTINA
'ArgenChina': por que a China desbancou Brasil como maior parceiro comercial da Argentina
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
EX-GURU MIDIÁTICO DE TRUMP É PRESO NOS ESTADOS UNIDOS
Steve Bannon estrategista mundial da extrema direita
acaba de ser preso
sábado, 15 de agosto de 2020
PRIMEIRA MULHER NÃO BRANCA A CONCORRER EM CHAPA PRESIDENCIAL DE UM GRANDE PARTIDO NOS EUA
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O PSIU POÉTICO
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
HUMANISMO SOLIDÁRIO PELA VIA DA EDUCAÇÃO
Pacto pela Educação no Planeta*
Eugênio Magno
Os ataques de que a educação
é vítima não são fatos novos. Ao longo da história, desde sua descoberta como
possibilidade e sistematização como área de conhecimento, sobretudo, a partir
da criação da escola, a educação vive a condição de ser portadora de
contradições: avanços e retrocessos. Por essa e outras razões, tão criticada e,
em certas circunstâncias, vilipendiada. De quando em vez observamos acenos
alvissareiros que logo são sequestrados pelo capital ou dissolvidos por uma
excessiva endogenia acadêmica.
Educação e escola vêm sendo
confundidas, fundidas e amalgamadas de tal forma, por agentes internos e
externos ao seu próprio campo, que no imaginário popular é senso comum
interpretá-las como sinônimas. Apesar dos esforços de teóricos e gestores
comprometidos com a causa educacional, a situação se agrava progressivamente e
a correnteza que arrasta hora uma e hora outra, para o brejo, ofusca conquistas
e achados importantes que poderiam, ao contrário, apoiá-las, reposicionando-as
aos seus devidos e merecidos lócus. Se assim não fosse, mas é possível que esse
quadro venha a se reverter, escola e educação poderiam ser interpeladas uma
pela outra e, provocadas por uma sociedade que as distinguisse, fazer irromper
uma pedagogia capaz de libertar a própria educação, a escola e,
consequentemente, as instituições e seus líderes, dos vícios que as enredaram.
São muitas as práticas sociais que são importantes demais para merecer apenas o
cuidado de governos, de ministérios e dos experts. A educação é um desses campos que não pode
prescindir de uma ampla rede de contribuições, para além da pedagogia
disciplinar, curricular. Carece de aportes que transcendam o universo acadêmico
e contemplem saberes e fazeres – práxis – da ordem do familiar, do comunitário,
do cultural, da terra – nossa casa comum –, da antropologia, da geopolítica,
das artes, da ancestralidade, da ética, dos valores e virtudes e, porque não,
do espiritual.
É, no mínimo, curioso
observar de onde e com que pujança emerge o chamado planetário para repensar a
educação. Ironicamente, ele vem justamente de uma das mais criticadas
instituições mundiais, a Igreja Católica, que carrega ônus e bônus na condução
de processos educativos pelos quatro cantos do mundo. Mas o que pode ser visto
como paradoxal, é providencial e tem como protagonista o mais importante líder
mundial da atualidade, o papa Francisco que, em visita aos países unidos dos
Emirados Árabes assinou um documento sobre Fraternidade Humana, que propõe uma
mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.
No ano em que se comemora o
quinto aniversário de lançamento da encíclica Laudato Si – documento que trata do consumismo e das questões
climáticas e ambientais –, o sumo pontífice encaminha então mais uma das
grandes ações contempladas no referido documento apostólico de apelo à
unificação global. Neste ponto me refiro, precisamente, ao Pacto Educativo
Global que, discutido em 2019, está sendo difundido mundialmente, pelo
Vaticano, desde maio deste ano, de forma supraconfessional. Seu principal
objetivo é recuperar o humanismo e posicionar a vida de todos os seres
(humanos, animais, minerais e vegetais), da terra, da água, do ar e do céu,
tendo a pessoa humana como centralidade do aprender, do educar, da partilha de
saberes e conhecimentos.
Inspirado pelo provérbio
africano “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, o papa
propõe uma educação que permita relações abertas e fraternas, o que expressa a
urgente necessidade de que toda a sociedade renove o compromisso de assegurar
às gerações futuras uma educação voltada para a fraternidade e o diálogo.
Escolas, universidades e a comunidade mundial estão sendo chamadas para
promover estudos e reflexões sobre essa proposta. O Pacto Educativo Global, em
essência, faz mais do que um apelo ou chamado, seu texto convoca e intima cada
pessoa de bem para “se tornar protagonista desta aliança, assumindo compromisso
pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário,
que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.
É em boa hora que o Brasil, nestes tempos sombrios, recebe o anúncio dessa boa nova, para a qual deve abaixar a guarda e atendê-la, sem preconceitos e mi mi mis, mas de peito aberto, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.
* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.
sábado, 1 de agosto de 2020
152 BISPOS CATÓLICOS MANIFESTAM DESCONTENTAMENTO COM GOVERNO BOLSONARO
sábado, 25 de julho de 2020
"OS SATÉLITES DE ELON MUSK ESTRAGARAM O CÉU"
segunda-feira, 20 de julho de 2020
VACINA À VISTA
sexta-feira, 10 de julho de 2020
CENTRAIS DE PRODUÇÃO DE FAKE NEWS ENCURRALADAS
domingo, 5 de julho de 2020
BRASIL VAI TESTAR VACINA
quarta-feira, 1 de julho de 2020
LUZ NO HORIZONTE
Democracia
fala mais alto e governo baixa a bola
Eugênio Magno
A reprovação do governo Bolsonaro é alta e cresce
na crise, mesmo entre os brasileiros que receberam o auxílio emergencial. Mas a
luta contra o obscurantismo desse governo ainda não chegou ao fim. A batalha
tem sido renhida.
As disputas por votos e os embates entre
familiares, amigos, colegas de trabalho, de escola e contatos de redes sociais,
durante as eleições de 2018, foram intensas, polêmicas e polarizadas a extremo.
O que era para ser pontual, datado, em um momento de disputa política
acalorada, se estendeu por um longo tempo e ainda tem dado pano pra manga. Até poucos
dias atrás ainda éramos vítimas constantes do encaminhamento de mensagens
apócrifas, replicadas nas redes sociais, alardeando a cura miraculosa do novo
coronavírus, demonizando a política e atacando a educação, a cultura e os
poderes da república.
É com tristeza que assistimos a
irresponsável politização da pandemia. Quantas vezes tivemos que recorrer a
textos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e à opinião de cientistas para
esclarecer os desinformados que o coronavírus foi batizado
com esse nome desde o início dos anos 2000 e que é bem provável que o vírus até
já existisse antes disso sem um nome que o identificasse. Era e continua sendo
necessário ressaltar que estamos vivendo a pandemia do novo coronavírus (COVID-19).
A China, os Estados Unidos, o Brasil, o mundo, todos sabiam de sua existência,
como sabiam que o vírus sofreu mutação e, por falta de controle, voltou com
altos índices de letalidade em todos os continentes. Não existem testes suficientes,
nem equipamentos e medicamentos para combater a doença, assim como ainda não existem
fármacos para imunizar a população mundial. Os especialistas afirmam que uma
vacina para ser validada necessita de, no mínimo, dois anos de aplicação em
massa, para fazer parte de um protocolo internacional de saúde. Mas o
hipercapitalismo oportuniza sempre o lucro para os detentores do poder e do
capital, reforçando esse famigerado pacto pela desigualdade que persiste entre
nós e, em tempos de pandemia se intensifica empurrando os mais pobres para a
morte. São vexatórios os flagrantes da corrupção praticada por agentes públicos
nas várias instâncias de poder, durante a pandemia, envolvidos com
superfaturamento de equipamentos de saúde e a exploração indevida de
medicamentos e leitos de hospitais.
A crise brasileira na atualidade é
multissetorial, o que revela mais do que incompetência política e falta de
conhecimento sobre gestão pública, mas também e, principalmente, deficiência
cognitiva dos nossos dirigentes, como já apontaram alguns estudiosos. Vejamos a
questão da cloroquina, por exemplo, propagandeada e defendida pelo presidente
da república a ponto de trocar ministros da saúde como se troca de roupa em
plena crise pandêmica, em razão dos ministros discordarem da adoção do
medicamento como solução no combate a covid-19. Vários estudos revelam que esse
remédio só deve ser administrado nas doses propostas para combater o corona, em
pacientes que estejam em estado gravíssimo, pois seus efeitos colaterais são extremamente
danosos. Aliás, vale lembrar que esse medicamento não é nenhuma novidade, já é utilizado
para combater outros males, como artrite, malária, etc., há algum tempo. Não
podemos negar a existência de uma grande corrida mercadológica entre os
laboratórios da indústria farmacêutica para ver quem chega à frente com a
descoberta dos fármacos preventivos e curativos. Mas precisamos reconhecer que a
polarização política em torno da pandemia chegou ao extremo de acirrar os
ânimos entre as oposições no Brasil, a ponto dos bolsonaristas acusarem de
contra a vida, todos que se posicionaram a favor da ciência. Quanta
insensatez... Arrisco dizer que não haveria um único brasileiro que deixasse de
festejar a cura comprovada dessa doença, mesmo que o receituário fosse o portentoso
e inflacionado grão de feijão do pastor Waldomiro.
Nunca vi o Brasil tão desprestigiado e
desacreditado, interna e externamente como nos últimos tempos. Já fomos colônia,
império, subdesenvolvidos, terceiro-mundistas, passamos por ditaduras, mas
agora estamos desgovernados. Até poucos dias atrás testemunhávamos ataques
exacerbados contra os poderes legislativo e judiciário, num claro sintoma de
desespero político por parte do executivo que vinha acenando com a
possibilidade de governar sozinho, sem os contrapesos dos demais poderes da
república. Com todas as críticas cabíveis aos três poderes, não existe nenhum
registro de que o legislativo ou o judiciário tenha atacado ou ameaçado o poder
executivo. O que tem ocorrido são manifestações de membros dos dois poderes e
de vários setores da sociedade brasileira contra o chefe do executivo nacional. Existem mais de 40 pedidos de
impeachment para barrar Bolsonaro.
É preciso muito, muito mais que força e
voluntarismo para ser um chefe de estado. A Presidência da República não é para
estagiários. Além de bagagem, inteligência e maturidade política, há que se ter
o lombo curtido para ocupar tal posição. Leva-se muita pancada naquela cadeira
– e quem não as levou? Getúlio, Jânio, JK, Jango, os militares (de Castelo
Branco a Figueiredo), Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula (que chegou a ser
preso), Dilma e Temer (?). Agora, vem o senhor Jair Messias Bolsonaro com uma
equipe da pior qualidade, achar que pode passar ileso e que vai resolver tudo
de forma autoritária, mandando a imprensa calar a boca, sobrevoando
manifestações populares de helicóptero, ameaçando as instituições e se fazendo
de vítima de um complô? Se ele tivesse vocação para estadista buscaria resolver
as coisas de forma republicana e aceitaria os ônus do cargo. Mas o presidente e
seus correligionários sempre pareceram estar deslocados no tempo. É impossível
saber se ainda estão em 2018 ou se deram um salto temporal e já se encontram em
2022, disputando nova eleição. O certo é que o capitão venceu as eleições e
permanece com a mesma retórica de campanha eleitoral, esquecendo de que é
preciso governar e governar para todos não só para aqueles que nele votaram, mas,
inclusive e, também, para os que já se arrependeram de terem lhe dado o voto.
O que vivemos no atual momento requer
articulações suprapartidárias e comportamento republicano. Se os três poderes
não fizerem seu dever de casa e o presidente não aprender a conviver com os
contrários, que na política e na democracia é o que de mais precioso deve existir
para que não haja totalitarismos e autoritarismos nem à direita, nem à
esquerda, daremos com os burros n’água. Quero crer que o presidente tenha
tomado tento e que busca agora garantir seu mandato, sair do isolamento
político, tirar a cara da vidraça e deixar de insultar e insuflar os ânimos de
seus opositores. A indústria das fake news políticas diminuiu consideravelmente
sua produção de conteúdo após o início da investigação dos suspeitos de
gerenciar e distribuir por meio de robôs informações falsas, incitar o ódio e
promover a desinformação. A prisão do Queiroz, ao que parece, também contribuiu
para essa baixada de bola. É grande o número de milicianos digitais que, amedrontados
pela ação da Polícia Federal, fecharam seus QGs ou entraram em recesso, deixando
internautas militantes – os arautos do caos –, sem munição para seus disparos
tresloucados. São notórios os sinais de arrefecimento dos extremistas frente às
reações que começam a surgir de vários grupos econômicos e instituições republicanas,
depois das insistentes manifestações populares contra a onda que vinha
ameaçando agressiva e sistematicamente a democracia e a república brasileira.
Para além dos arrependidos – confessos e
velados –, existem os ressentidos consigo mesmos. Estes que no calor do seu
entusiástico apoio a Bolsonaro no período da campanha eleitoral se indignavam
contra o espectro político-partidário do qual divergiam e, de forma ensandecida
tripudiavam de quem não partilhava de suas convicções. Uma pequena parte desse
grupo ainda persiste na defesa do indefensável. Órfãos de uma liderança coerente
com as bandeiras levantadas durante as eleições presidenciais de 2018 e das
promessas descumpridas de construção de um novo Brasil, teimam, ainda hoje, em
defender as suas equivocadas decisões passadas, despejando todo o ódio de suas pesadas
consciências contra aqueles que não ficaram do lado errado da história. Não
estou convicto de que continuam defendendo Bolsonaro. Ouso inferir que o
orgulho não lhes permite admitir o equívoco e que se debatem na areia movediça
em que se chafurdaram.
Apesar do naufrágio iminente, a debandada total
ainda não se concretizou e a república, o estado democrático de direito, a
vida, a saúde, a economia, os direitos humanos e sociais e a liberdade estão minados
e necessitam, urgentemente, serem salvos e reconstruídos.
Mas nem tudo está perdido. Muitas ações, e mobilizações estão sendo deflagradas em todo o país, online e offline. Na semana passada, por exemplo, aconteceu um evento virtual de grande envergadura. Durante quase 5 horas, o III Ato do movimento Direitos Já, com o tema “Em defesa da democracia, da vida e proteção Social”, reuniu, algo em torno de 130 das mais importantes lideranças e personalidades da política e da sociedade brasileira, para dar um recado ao governo e à nação. Unidos na diferença, os participantes da live foram unânimes em afirmar que não há espaço no Brasil para outro regime político que não seja a democracia. E, no dia 29 de junho veio outro recado importantíssimo: Pesquisa Datafolha revelou que a democracia segue majoritária na preferência da população. Entre os brasileiros adultos, 75% - três em cada quatro brasileiros – têm a democracia como a melhor forma de governo. Será que já não é o bastante?
Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta e no site do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.
quinta-feira, 25 de junho de 2020
ENCONTRO VIRTUAL DA PRIMEIRA TURMA DE ALUNOS DO CEFEP
1ª Turma do Curso Nacional de Política do CEFEP faz encontro virtual
A
primeira turma (2006-2007) do Curso de Formação Política para Cristãos Leigos e
Leigas, do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), se
encontrou virtualmente no dia 21 de junho.
Com o objetivo de refletir sobre a conjuntura atual nos campos político e eclesial, em tempos de pandemia, o encontro da turma aconteceu na tarde do último sábado e durou cerca de três horas, com a participação de 28 ex-alunos. Áurea Emília, Cida de Jesus, Luiz Henrique Ferfoglia e Tales Lemos, formados pela primeira turma, organizaram e mediaram as participações no evento virtual, realizado com o suporte da plataforma digital zoom que possibilitou reunir colegas de várias regiões do país.
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sábado, 20 de junho de 2020
JORNAL NACIONAL: QUEIROZ, MARIELLE, FAMÍLIA BOLSONARO
segunda-feira, 15 de junho de 2020
ECONOMIA BRASILEIRA DESCE A LADEIRA
quarta-feira, 10 de junho de 2020
34º FESTIVAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA PSIU POÉTICO
sexta-feira, 5 de junho de 2020
SÓ MESMO USANDO MÁSCARAS
Pandemônio na República Federativa do Brasil
Eugênio Magno
Quando a vida é ameaçada por um inimigo mortal, como o coronavírus, há que se dispor de governantes e técnicos preparados e ágeis para orientar e socorrer adequadamente o seu povo, de forma universal, sem acepção de qualquer natureza. Entretanto, o que temos testemunhado no Brasil é bizarro.
A falta de entendimento entre as autoridades e a disputa política em torno da pandemia que é tema do campo científico é algo vexatório. Chegou-se ao ponto de termos um presidente que, posando de médico, receita remédio em cadeia nacional e ouvirmos horrores de uma reunião ministerial. Em vídeo, recentemente divulgado, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, disse com todas as letras que o governo deveria aproveitar que a imprensa só fala em coronavírus e passar toda a “boiada”: desregulamentações das reservas indígenas e de normas de exploração dos recursos naturais brasileiros, entre outros despropósitos. Ainda bem que o ministro do STF, Celso de Mello, teve a prudência de não permitir a divulgação de certos trechos da malfadada reunião ministerial, nos quais, alega o decano da suprema corte brasileira, conter afirmações que ferem a diplomacia internacional e que poderiam gerar sérias represálias ao Brasil.
Internamente, a situação do país é calamitosa: a economia vai de mal a pior, a constituição não para de ser rasgada, ao longo dos anos, governo e aliados radicais ameaçam rupturas com os poderes da república, ministros da suprema corte do país são insultados e constrangidos cotidianamente. Enquanto isso, continuamos sem testar a população para o coronavírus, corremos o risco de ocupar os últimos lugares na fila da vacina quando ela estiver disponível e galopamos na frente (atrás apenas dos Estados Unidos) em contaminação e letalidade pandêmica. Se desde o início de março tivéssemos cumprido os protocolos recomendados pelas autoridades mundiais de saúde já teríamos maior controle sobre a contaminação. Certamente não atingiríamos essa triste marca de mais de 33 mil óbitos, nem tampouco ocuparíamos as constrangedoras primeiras posições em contaminação e mortes pela covid-19 (dados do início da semana). Isso, sem que a doença tenha chegado ao seu pico em nosso país.
São tempos difíceis que precisam ser enfrentados com mais inteligência e disposição cooperativa, patriótica também; mas, sobretudo, humanitária. Contudo, o obscurantismo grassa no governo e, pelo menos, 30% da população brasileira ainda não acordou do delírio coletivo a que se submeteu servilmente, de forma néscia, nos últimos quatros anos, trocando o que não ia bem pelo pior. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já informou aos desavisados que o novo coronavírus é de origem natural e não uma criação de laboratório. Muito menos tem nacionalidade, como andou sendo especulado por certos arautos do caos. As imagens do vírus aparecem na maioria das publicações na cor vermelha, mas o corona não é comuna e, embora, tenha surgido em Wuhan, não tem cidadania chinesa. E mais, a China não é comunista, nos moldes do que foi a União Soviética, no passado. A República Popular da China pratica o chamado capitalismo estatal. Sua economia é tão capitalista quanto a estadunidense e, a propósito do hipercapitalismo, vale lembrar que as implicações mais dramáticas do novo coronavírus, para os grupos de risco, o povo e as nações mais pobres, têm origem justamente na mão invisível do livre mercado. Esse senhor, sem nome e sem rosto, e todo poderoso é quem inviabiliza o acesso de uma expressiva parcela da população mundial infectada, aos equipamentos de tratamento que estão sendo disputados a peso de ouro. E no que diz respeito à prevenção, mais uma vez é o fator econômico e a concentração de riquezas que aparecem como definidoras das condições de saúde e higiene das populações mais vulneráveis a contaminações de toda espécie.
No caso do Brasil, além da própria questão pandêmica que por si só já é bastante trágica e complexa, estamos mergulhados em uma crise sem precedentes na história recente de nosso país. Em outros períodos históricos, vicissitudes de grandes proporções como esta funcionaram como cortina de fumaça para escamotear instabilidades de várias naturezas. De modo reverso, agora, o coronavírus colocou uma grande lupa sobre as entranhas das nossas instituições e, como se não bastasse essa visão horripilante, não há perfume que dê conta de disfarçar a inhaca que infesta nossa atmosfera tropical.
Aliás, por falar do ar que respiramos, aproveito para ressaltar aqui uma virtude do povo brasileiro, sempre presente em momentos decisivos, a sua criatividade. Uma das primeiras e principais medidas de proteção e prevenção contra a contaminação do vírus não veio de nenhum setor especializado. Ao arrepio da indústria, do setor sanitário e da lassidão e imperícia do governo de plantão, a gente simples do povo paramentou a população com máscaras caseiras, artesanais, customizando – inclusive – esse novo adereço, que ao que parece, veio para ficar por um bom tempo entre nós. Não faltaram tutoriais nas redes sociais ensinando a confecção dos mais variados modelos da proteção, utilizando de uma ampla gama de materiais.
Mas isso, apesar de sua importância, é só um pequeno detalhe. Afinal, é muita histeria pra uma gripezinha. Será que já chegamos ao fundo do poço ou o pior ainda está por vir?
O artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.
























