quinta-feira, 16 de maio de 2013

TRILOGIA DA NOITE


Noite - 1

Eugênio Magno

Ventos endiabrados sopram contra a ferida exposta. O sangue corre, escorre, turva a visão e cobre a face. O silêncio e a escuridão. Fragmentos de loucura sobrepõem a razão - em tons sombrios. Miragens fantasiosas de trilhas inacabadas remetem ao nada. Sobre os ombros a chuva fria fura como espinhos. O corpo no barro e o barro no corpo são lamas da mesma tempestade.

(Do livro IN GÊ NUA) IDA DE - versos e prosa, 2005)

domingo, 12 de maio de 2013

O PARADOXO DO CRISTIANISMO


Tornar-se cristão, o núcleo do pensamento de Kierkegaard 
 
“O tornar-se cristão não é um tema entre outros na obra de Kierkegaard, mas o núcleo de seu pensamento, o fio vermelho, por assim dizer, que atravessa toda a sua obra”, pondera o filósofo Jonas Roos* na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line. Nesse pensador, a fé “é entendida como um processo que envolve dois movimentos complementares, o de resignação, o abandono da realidade finita e temporal, e o de retomada da finitude e temporalidade. A fé só se realiza na conjunção dos dois movimentos, de modo que não é entendida como negação do finito e temporal, mas sua ressignificação”.
Contudo, questiona Roos, como é possível “chegar a uma construção de sentido que tenha um valor eterno para o indivíduo, mas que esteja fundamentada em relatos históricos como são, por exemplo, os evangelhos?”
E acrescenta: “O paradoxo do cristianismo é justamente o de que a verdade eterna irrompe na história e na finitude. Neste entendimento a verdade não é um conceito, mas uma pessoa, uma vida; a verdade cria corpo, é encarnação. Este é o sentido de Jesus Cristo, a rigor o único paradoxo do Cristianismo”. Para ler a entrevista clique aqui.

*Jonas Roos é graduado em Filosofia pela Unisinos, mestre e doutor em Teologia pelo Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Teologia com a tese Tornar-se cristão: o paradoxo absoluto e a existência sob juízo e graça em Soren Kierkegaard, com pós-doutorado em Filosofia pela Unisinos. É professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e autor de Razão e fé no pensamento de Soren Kierkegaard: o paradoxo e suas relações (São Leopoldo: Editora Sinodal; Escola Superior de Teologia, 2006).

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A TV FALA MAIS ALTO QUE O CINEMA NO SISTEMA AUDIOVISUAL BRASILEIRO


Em busca de (bons) contadores de histórias
Em entrevista à Folha de S. Paulo, na semana passada, o cineasta e sócio da produtora O2, Fernando Meirelles, declarou que “a TV é hoje mais interessante do que o cinema”. Segundo o diretor de seis longas (dois dos quais acumulam oito indicações ao Oscar), a televisão é um espaço “onde a inventividade é mais possível”. “A TV ainda não paga a qualidade (de produção) que o cinema paga. Mas acho que é por pouco tempo”. A constatação de Meirelles acontece em um momento crucial no mercado de produção publicitária brasileira. Por conta da nova lei da TV por assinatura, em vigor desde setembro, a obrigatoriedade da cota de produção nacional irá gerar uma demanda de 7,6 mil horas de conteúdo inédito por ano nos diversos canais pagos em operação no País. Esse processo representa uma injeção de nada menos do que aproximadamente R$ 2 bilhões no mercado audiovisual brasileiro. Uma verdadeira corrida ao ouro que, como sempre acontece em qualquer disputa, privilegia os mais preparados.
Ao longo das últimas décadas, as produtoras tiveram na publicidade a sua maior fonte de receita e por algum tempo, ainda o será. No entanto, com essa janela de oportunidade que se abre com a nova lei, há grandes chances de o perfil de negócios das empresas do setor sofrer modificações e a produção de conteúdo para TV ganhar um peso inédito. Contudo, levará ainda algum tempo para que isso de fato se concretize. E o maior gargalo para que haja oferta no mercado para atender a essa demanda está na essência dessa indústria. Faltam boas histórias e, principalmente, quem saiba contá-las. Nunca antes os roteiristas foram tão valorizados como agora.
Fazemos parte de um mercado cuja presença da TV aberta é absoluta a ponto de ditar uma linguagem que influencia o próprio cinema. Ao mesmo tempo (e até por conta disso) a grande escola de redatores publicitários está no comercial de 30 segundos. E o que mais se vê atualmente nos breaks comerciais são anúncios visuais, filmes sem grandes locuções, ideias cheias de truques nas quais se reproduz uma cultura rasa e ciclotímica da Archive.
Ou seja, há uma grande avenida a ser ocupada por contadores de história que ainda serão formados. Profissionais que não virão necessariamente, como se pode imaginar, nem da publicidade nem da TV aberta, mas que terão perfis mais autorais e que saibam lidar com um meio que está em mutação, sob forte influência de outras telas e dos desdobramentos transmídia.
Estimativas do mercado dão conta de que para cada 25 diretores de cena disponíveis, haja apenas um roteirista. É um número que representa uma realidade muito peculiar do Brasil: sua alta capacidade de realização. E a publicidade é uma grande escola nesse sentido.
O salto que se espera que aconteça agora é mais profundo. Exige uma volta às origens, quando os recursos eram mais escassos, e o essencial fazia a diferença. Algo que a escola argentina aprendeu na marra por conta de toda a crise que tem enfrentado ao longo das duas últimas décadas. Isso explica também por que o cinema brasileiro nunca levou um Oscar. Se este é o grande momento da TV, como diz Fernando Meirelles, espera-se que seja também uma grande oportunidade para reverter essa situação.
(Fonte: Blog da Regina Augusto no Site de Meio & Mensagem)

sábado, 4 de maio de 2013

PSDB-2014

Um Plano Collor requentado em forno mineiro 

O economista Edmar Bacha, um dos formuladores do PSDB, apontado como interlocutor credenciado do presidenciável Aécio Neves, resumiu em debate promovido esta semana pelo jornal Valor, algumas prioridades tucanas na eventual volta ao poder. São elas: a) retomar a Alca; b) supressão robusta das tarifas que protegem a indústria local; c) redução do tamanho do Estado, com desmonte da Previdência, por exemplo; d) fim das políticas indutoras de industrialização, a exemplo do conteúdo nacional imposto às encomendas da Petrobrás. O suposto é que isso, associado a forte desvalorização cambial, injetará eficiência à indústria brasileira, hoje cambaleante. Faltou dizer quantas unidades fabris e de emprego sobreviverão a esse Plano Collor de bico longo, agora requentado em forno mineiro. O importante a reter é a coerência do PSDB. O partido quer voltar ao poder para terminar o que começou nos anos 90: o desmonte completo do papel do Estado na agenda do desenvolvimento.  Para fortalecer seus alicerces, trouxe ao Brasil, Vito Tanzi, ex-FMI, 'amigo' do país desde a crise da dívida, nos anos 80. Tanzi veio demonstrar, em carne e osso, como a ideologia não muda. Independente dos vexames de sua prática. E por uma razão muito forte: por trás das ideias, melhor dizendo, à frente delas, caminham os interesses. Felizmente há quem discorde deles. E com decibéis intelectuais suficientes para evidenciar que, subjacente à gororoba do contracionismo-expansionista,  defendida pelos Rogoffs, Tanzis e similares locais  existe um déficit. Não propriamente fiscal. Mas de coordenação estatal da economia. Quem explica é o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, o interlocutor de Bacha, no  debate promovido pelo Valor.  Para ler a matéria completa do postada no site cartamaior.com.br, clique aqui.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MEIA-ENTRADA PARA ESTUDANTES E IDOSOS


CCJ aprova regulamento da meia-entrada

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou o Projeto de Lei 4571/08, do Senado, que regulamenta a meia-entrada para estudantes e idosos em cinemas, teatros, competições esportivas e espetáculos culturais. Pelo texto, a concessão do direito é assegurada a 40% do total dos ingressos disponíveis para cada evento.
O deputado Ademir Camilo (PSD-MG) apresentará um recurso para que o projeto seja analisado pelo Plenário. Ele já obteve 125 assinaturas de apoio, muito mais do que os 10% necessários para que o recurso seja acatado.
O deputado Esperidião Amin (PP-SC), que apresentou um dos destaques à proposta, acredita na ação do Executivo para alterar o projeto. Ele lembrou que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República foi contra a limitação do direito à meia-entrada para idosos em 40% do total. O Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) não prevê limite para a aquisição de meia-entrada por idosos.
A CCJ rejeitou os destaques para retirar os idosos do projeto, entre eles o de Amin. “Estamos reduzindo em 60% a possibilidade de o idoso exercer um direito que ele tem”, disse o parlamentar. Íntegra da proposta: PL-4571/2008
 (Fonte: Agência Câmara)M

domingo, 28 de abril de 2013

O CINEMA E A TEOLOGIA NEGRA


A cruz e a árvore do linchamento

Rosino Gibellini*
Tradução: Moisés Sbardelotto


O cinema está propondo  – com dimensão internacional – o tema da escravidão praticada em particular nos Estados do sul dos Estados Unidos antes da Guerra Civil (1860-1865) com dois filmes.
O duro filme de Tarantino, Django Livre, que, através da ficção de um célebre escravo, ao qual são removidas as correntes, permite uma revisitação dos campos de trabalho de algodão e tabaco, e das fazendas, onde os escravos trabalhavam, submetidos também a práticas de extrema e perversa desumanidade, reconstruídas no filme com realismo.
Continua sendo um documento contra o racismo cruel da América branca. Um historiador escreveu: "Um reino de terror prevalecia em muitas partes do Sul" (cf. alguns livros que retornaram à atualidade historiográfica, do dossiê sobre a Teologia Negra, Giornale de Teologia, 109, 1978).
O douto filme de Spielberg – quase um contraponto ao filme de Tarantino –, de seco título Lincoln, reconstrói todo o processo, até mesmo tortuoso, para chegar, no fim da Guerra Civil, à aprovação da famosa 13ª Emenda à Constituição norte-americana, que abole a escravidão (1865) em todos os Estados Unidos, incluindo os 13 Estados norte-americanos secessionistas do Sul (Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississippi, Tennessee, Texas, Virgínia).
O filme termina com o som dos sinos, pela dupla vitória anunciada – fim da guerra (600 mil mortos) e abolição da escravidão –, mas também com a morte do presidente Lincoln, três dias depois da vitória.
Certamente, outros cadáveres seguirão no tempo – em conexão com a causa dos negros –, Martin Luther King, Malcolm X, o presidente Kennedy.
A luta pela dignidade dos negros nos EUA da arrogante supremacia dos brancos também é um capítulo da teologia do século XX – a Black Theology – que eu ilustrei em um capítulo escrito na biblioteca especializada em Black Studies, do International Theological Center, de Atlanta (Geórgia), para a Teologia do Século XX (1992, 2007, 6, 411-445).
A teologia negra está agora comprometida, culturalmente, com o estudo das slave narratives, os relatos do tempo da escravidão, que contêm uma teologia, em que a fé em Deus e em Cristo é expressada pela comunidade negra com a linguagem ancestral da cosmovisão africana.
Entre os textos recentes da black theology deve-se incluir o livro de James Cone, dedicado a uma sofrida comparação, A Cruz e a Árvore do Linchamento (New York, 2011).
O linchamento era uma forma de bárbaro suplício para os escravos, que, por punição (fora de qualquer regulamentação de lei), eram mortos enforcados em uma árvore, para o escárnio dos brancos. Os historiadores da escravidão enumeram em alguns milhares os casos de prática do linchamento de negros.
Agora, James Cone, o principal representante da teologia negra, autor de Uma Teologia Negra da Libertação (1970) e de O Deus dos Oprimidos (Queriniana, 1978), desenvolve no seu novo livro a história do linchamento, com ampla documentação histórica, acompanhada de uma intensa reflexão teológica.

* Teólogo, doutor em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma e em filosofia pela Universidade Católica de Milão.

(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

SEMANA DE AÇÃO GLOBAL PELA EDUCAÇÃO


Más y mejores docentes para todos


Pablo Gentili

1.700.000 nuevos docentes serían necesarios para atender a los 61.000.000 de niños y niñas que no reciben educación primaria en todo el mundo. Aunque la falta de maestros se concentra fundamentalmente en el continente africano, donde el déficit es de más de 1.000.000 de docentes, el problema también se extiende a las naciones más ricas y opulentas del planeta.
La situación se torna mucho más grave cuando se observa que los maestros y maestras en ejercicio, tanto en el Norte como en el Sur, ven deteriorarse sus condiciones de trabajo, mientras sus perspectivas de estabilidad en los cargos se vuelven inciertas y su reconocimiento social se desvanecerse bajo una lluvia de acusaciones que, sin demasiadas pruebas, les imputan la responsabilidad plena sobre todos los males que se ciernen en el futuro de nuestras naciones.
Casi todas los países del mundo están de una forma u otra en crisis, sea por dirigirse de manera certera al abismo económico y social o, contrariamente, por estar en una expansiva onda de crecimiento. Aquí y allá, cuando se pretende explicar por qué una nación está en problemas, la causa fundacional suele atribuírsele a la educación y, dentro de ella, a los docentes, quienes, por su falta de visión estratégica, de formación académica, por su alta politización o, simplemente, por su defensa de los derechos laborales que deberían protegerlos, son incriminados como uno de los factores más estructurales de las crisis existentes. Nada de lo que hace un maestro parecería merecer reconocimiento público. Una simple revisión de las noticias de educación que aparecen en cualquier periódico del mundo podría comprobarlo. El ataque a los maestros se realiza hoy con munición pesada, desmoralizando a los que ejercen la docencia y, naturalmente, desalentando a los que podrían animarse a ejercerla.
Estamos, pues, en problemas. Faltan maestros y maestras en todo el mundo. Y los que tenemos no parecen estar a la altura de los desafíos con que nos interpela el futuro.
Estos son algunos de los asuntos abordados en las numerosas actividades que componen la Semana de Acción Global “Todo niño y niña necesita un maestro", promovida por la Campaña Mundial por la Educación (CME)y replicada en los diversos continentes por diversas organizaciones de defensa de la escuela pública.
Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

AMÉRICA LATINA LIVRE E DEMOCRÁTICA

A ‘escalada democrática’


Episódios recentes na vida política da América Latina indicam que estamos diante de uma ‘escalada democrática’ . Em junho de 2012, numa sexta-feira, deu-se o golpe democrático’ contra Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai. Processado e derrubado pelo Congresso em 33 horas, seu afastamento consolidou-se na eleição deste domingo, que devolveu o poder à direita paraguaia. Três anos antes, a modalidade já havia sido testada em Honduras.
O Presidente Manuel Zelaya foi ‘impedido legalmente' em 29 de junho de 2009. Seis meses depois, uma nova eleição dava sua vaga ao conservador Porfírio Lobo, derrotado por Zelaya em 2005. Enfim, se você perde nas urnas o jeito é afastar quem ganha para liberar o caminho.
Isso lembra alguma coisa chamado 'mensalão'? Deflagrado em 2005 com o objetivo de levar Lula ao impeachment e impedir sua reeleição no ano seguinte, a AP 470 mantém sua 'funcionalidade eleitoral' e é assim que entra em fase decisiva de recursos esta semana (leia o editorial de Carta Maior: "Mais 250 dias ou Fux vai matar no peito?").
A contrapelo do cerco conservador, Lula foi reeleito em 2006 e repeliu o golpe contra Zelaya, em 2009. A embaixada brasileira em Honduras concedeu asilo ao presidente deposto.
O conjunto foi duramente criticado pelo dispositivo midiático. No caso de Lugo, as emissões conservadoras se alvoroçaram de maneira ainda mais ostensiva. A frente pró-golpe manifestar-se-ia, primeiro, no Congresso brasileiro.Expoentes tucanos e emissários do agronegócio brasileiro, que anexou extensões escandalosas de terras do país vizinho, em prejuízo dos camponeses locais, desfraldariam o lobby. Queriam o ‘reconhecimento imediato do novo governo amigável’ por parte da Presidenta Dilma. Rechaçados, entrou em campo a cavalaria midiática.
A Folha disparou um editorial sugestivamente intitulado ‘Paraguai soberano’(26-06). Curioso que não tenha produzido título equivalente no caso recente da Venezuela.
O texto esbravejava antecipadamente contra a reunião do Mercosul que ocorreria em Mendoza, três dias depois, para examinar a crise. O jornal da família Frias recomendava , quer dizer, ordenava: ‘o melhor que o Itamaraty tem a fazer é calar-se e respeitar a soberania do vizinho’.
Como os presidentes do Brasil, Argentina e Uruguai não se pautaram pelos editoriais e, ademais de suspender o Paraguai golpista, incorporaram a Venezuela ao bloco, as cepas e esporões direitistas passaram a reproduzir-se com furor lacerdista no noticiário. A política externa brasileira foi reduzida à posição de linha auxiliar do chavismo e do kichnerismo.
No caso recente da eleição venezuelana, o diapasão conservador arremeteu direto contra as urnas A margem estreita que marcou a vitória de Nicolas Maduro contra o direitista Enrique Capriles foi a senha para a contestação do processo democrático.
A ordem unida veio dos EUA: não legitimar Maduro enquanto uma recontagem não ‘esclarecesse melhor o quadro’. Para continuar lendo a matéria de Saul Leblon, clique aqui.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

SÓ FILMES BRASILEIROS


Cineclube da Casa de Cultura de Mateus Leme
divulga programação do mês de abril 
Em dezembro do ano passado, 60 filmes brasileiros aguardavam uma vaga para estrear nas salas de cinema do país. Mas 80% delas estavam ocupadas por filmes estrangeiros, sendo 60% por apenas três, “O Hobbit”, uma parte da saga “Crepúsculo” e o último James Bond. Em consequência, a fatia de público para o filme nacional caiu de 13,5% para 9,2% em 2012 e filmes como o novo “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, baseado em Guimarães Rosa, pronto desde setembro de 2011, até hoje não foi lançado nos cinemas.
O Brasil tem 2.528 cinemas em 500 municípios. E 1.620 pontos de cinema, como cineclubes, CEUs e Sescs, em 850 municípios. Nesses espaços, o cinema brasileiro é a base da programação, fornecida por uma distribuidora do Ministério da Cultura, a Programadora Brasil. Aí, muitos filmes têm um desempenho igual ao dos cinemas. Um exemplo é o documentário “Um Chamado de Deus”, de 2001: nos cinemas, ele só conseguiu fazer 4.535 espectadores; nos pontos de exibição, ele foi visto por mais 3.341 espectadores.
Por causa disso, o cineclube da Casa de Cultura Cássia Afonso de Almeida, de Mateus Leme, decidiu que, a partir deste ano, só vai exibir filmes brasileiros. A programação começou no último final de semana com o filme “Uma Vida em Segredo”, de Suzana Amaral, baseado em livro do escritor mineiro Autran Dourado, sobre a incapacidade de adaptação de uma jovem do interior ao meio social de uma cidade.
Dias 20 e 21, também às 17 horas, passam o longa-metragem “São Paulo SA”, de Luiz Sérgio Person, com Walmor Chagas, Darlene Glória, Eva Wilma e Otelo Zeloni, e o curta-metragem “O Cinegrafista de Rondon”, de Jurandyr Noronha. Produzido em 1965, “São Paulo SA” faz um contraponto vigoroso com o nascente Cinema Novo, em especial com os rurais “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Vidas Secas” e “Os Fuzis”. Filme urbano, aborda a crise existencial de um jovem trabalhador que é recrutado pela indústria automobilística e se perde entre as exigências de uma vida massacrante e sem sentido. O filme curto registra a vida e o trabalho de Luiz Thomaz Reis, cinegrafista que acompanhou as expedições de Rondon pelo interior do Brasil a partir de 1915.
Nos dias 27 e 28, no mesmo horário, serão exibidos o documentário “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho, e o curta-metragem “José Medina”, de Julio Heilbron. A matéria de “Edifício Master” são as vidas de 37 moradores do edifício Master, situado numa das esquinas do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Como é do seu estilo, Coutinho não “mente” para seus personagens e seus espectadores: os primeiros sabem que estão sendo filmados e se autoconstroem diante da câmera. O resultado é um concentrado de substância humana raramente visto no cinema brasileiro. O curta aborda aspectos da obra cinematográfica de José Medina, um dos pioneiros do cinema mudo no Brasil.
Os filmes são apresentados com projeção e som digital em tela de 75 polegadas. A sala tem 30 lugares. Os ingressos são distribuídos com 30 minutos de antecedência.
O Cineclube da Casa de Cultura Cássia Afonso de Almeida, um projeto do Instituto Humberto Mauro, é dirigido pelo cineasta e jornalista, Victor de Almeida. A Casa de Cultura  fica na rua Meyer, 105. Vila Suzana (Reta), em Mateus Leme, M.G. Maiores informações no site www.casadecassia.blogspot.com, ou pelos telefones(31)3535-1721 e 9247-6574.

domingo, 14 de abril de 2013

. . . À PRIMEIRA VISTA


Num clic

Eugênio Magno


Ela passou à minha frente:

largas ancas revestidas de setim

Sorriso de aeromoça cheiro matreiro

e olhos de querubim

A cor do seu passo

me envermelhou a face

Fogo pegou dentro de mim

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

REFORMA POLÍTICA NÃO ANDA


Falta de acordo entre partidos impede
votações da reforma política


Por falta de acordo entre os partidos, o Plenário da Câmara Federal não votou a Proposta de Emenda à Constituição 3/99, que prevê a coincidência dos mandatos e das eleições gerais e municipais. Por decisão dos líderes partidários, esse foi o único ponto incluído na pauta de (PT-RS).
A proposta de Fontana é mais ampla: além da coincidência das eleições, trata do financiamento público exclusivo de campanhas (PL 1538/07); do fim das coligações para eleições proporcionais (PEC 10/95); da instituição de uma lista flexível de candidatos; e da simplificação do processo de apresentação dos projetos de iniciativa popular.
(Fonte: Agência Câmara)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

ÍNDIOS FAZEM OCUPAÇÃO NA BAHIA


Tupinambá ocupam hotel-fazenda
e denunciam crimes ambientais

Um grupo composto por cerca de 70 índios Tupinambá de Olivença ocuparam o Hotel Fazenda da Lagoa, no município de Una, localizado na rodovia BA-001, altura do km 18. O hotel possui como um dos sócios o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
Segundo as lideranças, a ocupação se deve ao fato do hotel ser alvo de denúncia dos indígenas de crime ambiental. Segundo o cacique Valdenilson existe um interdito do Ibama a ampliação do empreendimento. “Fizemos esta ação para barrar a destruição que eles vêm fazendo dentro do nosso território, matando o nosso manguezal”, disse o cacique Val.
Outros motivos explicitados pelo cacique são da necessidade de sensibilizar as autoridades para a celeridade do processo de regularização do território Tupinambá de Olivença: a demora tem feito com que muitos atos de violência e discriminação ocorram contra a comunidade Tupinambá, relata o cacique.
As lideranças desmentiram a informação de que ocorreu cárcere privado e depredação do local. A Polícia Federal se dirigiu ao local acompanhada por representantes da Funai de Ilhéus e o chefe de posto do CLT/Ilhéus, Nicolas Melgaço.
Valdenilson informou ainda que outros caciques e lideranças Tupinambá se dirigem ao local para oferecer apoio. Toda a repercussão causada, inclusive com inserção imediata no programa Fantástico, da Rede Globo, pela ação se deve ao fato do hotel ter como um dos sócios o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
A área está em processo de demarcação territorial. No entanto, o procedimento é barrado pela existência de dezenas de resorts localizados entre a rodovia e o mar, cujas praias serviram de cenário para um dos maiores massacres praticados pela colonização, quando nove quilômetros de corpos indígenas foram deixados pelos homens de Mem de Sá, em 1567.
(Fonte: Equipe do CIMI de Itabuna Extremo Sul)

domingo, 7 de abril de 2013

AS MINAS TERRESTRES CONTINUAM A FAZER VÍTIMAS


Em El-Fasher, no Darfur, no Sudão, um rapaz chamado Harum Ali, 17 anos, originário de Mellit, no Darfur do Norte, se recupera da explosão de um pedaço de artilharia com que brincava. A explosão, que ocorreu no dia 26 de janeiro, feriu Harum nas pernas e nos braços e matou seus dois irmãos menores. Este tipo de artefato, que ainda não explodiu e, portanto, ainda pode detonar, são muito numerosos há decadas. O dia 4 de abril é quando se celebra a Jornada Internacional da luta contra as minas.
A foto foi difundida pela Missões da ONU e da União Africana no Darfur - UNAMID.


(Foto: Albert Gonzalez Farran, EPA/Unamid/Ha)




quinta-feira, 4 de abril de 2013

O SUCESSO DOS CELULARES


Acesso a celular supera audiência de TV


Um cruzamento de diferentes pesquisas realizado pela agência We Are Social aponta que hoje há mais gente conectada a celulares do que telespectadores. Cerca de 4,4 bilhões de pessoas pagam por serviços de operadoras de telefonia móvel, enquanto se estima que existam 4,2 bilhões de pessoas com acesso a televisores.
O estudo se utilizou dos números divulgados em fevereiro pelo Mobility Report da Ericsson e projeções da International Telecommunication Union, da ONU, para posse e penetração de TV em 2012. “É uma grande mudança”, diz Simon Kemp, diretor executivo da We Are Social em Cingapura, em artigo para o blog inglês The Wall, do Brand Republic Group. “Além do que a adesão global ao celular está crescendo num ritmo de 140 milhões de novos pagantes por trimestre.”
Para Kemp, esses dados são mais um indicativo de que os investimentos em mídia não seguem as tendências em telecomunicação. Citando dados da World Advertising Research Center para a Ásia e o Pacífico, 39% das marcas na região consideram dispositivos móveis uma plataforma de marketing muito importante, enquanto só 29% dessas empresas têm, de fato, estratégias de mídia para esse setor.
“O Google já apontou que mais pessoas hoje possuem um celular que uma escova de dentes; enquanto a ONU acabou de revelar que mais pessoas tem acesso a esses dispositivos do que a saneamento básico”, descreve Kemp. Ainda que a maioria dos celulares sejam simples, sem conexão com internet, o executivo registra que a taxa de crescimento de adesão a smartphones aumenta em cerca de 30% por trimestre, segundo dados da Ericsson. Na América Latina em especial, a taxa de penetração de celulares – entre todos os tipos de dispositivos – é de 112% no mesmo período.
(Fonte: Meio & Mensagem online)

POR UM MUNDO MELHOR (?)


Afinal, quais são as necessidades do público mesmo?

Philippe Bertrand
Publicitário


Lembro do meu primeiro conflito pessoal com a propaganda na primeira semana de aula da faculdade, quando um lendário professor ensinava que 'não criamos necessidades'. O conceito é que o 'mkt e a propaganda identificam necessidades para que produtos/serviços atendam a elas, melhorando a vida das pessoas'. Vindo de uma família de classe média trabalhadora que gastava toda sua grana com escola particular, tive uma formação não-consumista. Simplesmente porque não existia o dinheiro para ser consumista. Consumir pra mim não era uma necessidade, nem possibilidade. A mim, parecia estranho e extremamente excludente associar um jeans a necessidades existenciais de status, superioridade, identidade. Estaríamos afinal, atendendo a essas necessidades vendendo às pessoas um jeans? E os 87% da população que não podem ter esse jeans (na época as classes CDE), fica simplesmente excluído dessa promessa social de identidade? Não temos responsabilidade sobre isso? O professor, assumidamente publicitário e Marxista, teve que dar o debate por encerrado dizendo que estava trabalhando para que o sistema capitalista sucumbisse, como disse Marx. Ninguém mais me aguentava falar então deixei o assunto passar e passei a também trabalhar para o sistema, tentando “identificar e atender necessidades, pra melhorar a vida das pessoas” - como dizia a teoria.
De repente, passam 16 anos. Como previu o professor, o sistema econômico (ao menos do 1o mundo) sucumbiu graças à especulação desenfreada de ganhar sempre mais. O Brasil se salvou da crise graças à ascensão econômica de quase metade da população que finalmente passou a ser valorizada nas pesquisas de marketing. Passamos grande parte da vida congestionados sob o conforto de carros bacanas, ou não. Aliás, a desigualdade e exclusão social faz das ruas de SP um ambiente potencialmente inóspito e inseguro. O mundo sofre com a indigestão de nossos dejetos de plástico, petróleo, computadores e celulares que viram lixo tóxico tão rapidamente. A individualidade parece ser um conceito muito triste, e novas gerações nos ensinam sobre sharing e colaboração. Redes de pessoas em todo o mundo reinventam a cultura, economia.. Inventam softwares, hardwares e universidades livres e abertas na Internet. E é aí que me pergunto.

Quais são as necessidades desse novo mundo?
E afinal, como elas deveriam ser atendidas?

Prefiro deixar a resposta pra quem ler as perguntas. Tenho certeza que surgirão melhores ideias que as minhas. Cada vez mais vemos propostas de posicionamento com conceitos “por um mundo melhor”. Cada vez mais marcas adotam ações em pról do coletivo (seja promovendo a locomoção por bicicleta, seja inspirando a tolerância e o sorriso, seja promovendo a doação de livros). Cannes, por sua vez, tem celebrado cada vez mais propostas que oferecem uma 'solução social' inovadora para as pessoas.
(Fonte; Meio & Mensagem online)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A LUTA CONTINUA...

 
Gramsci e as lutas políticas
 

“Gramsci coloca que se a hegemonia é um dos elementos-chave para a luta política, para a de classes, ou seja, a classe que quer se tornar dirigente precisa alcançar hegemonia. Então, ela tem diferentes batalhas a serem travadas que não se limitam à esfera econômica, mas que se ampliam para a esfera política. Nesse sentido, existe uma batalha cultural a ser travada”, afirma Cristina Bezerra, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora e especialista na obra do revolucionário italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Para ler na íntegra a entrevista da especialista na obra do revolucionário italiano a Pedro Carrano, clique aqui.
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DE CRISTO


Sexta-Feira Santa. Paixão do Senhor

Qual é o poder deste crucificado? A atração irresistível da Verdade! Verdade que não vem juntar-se a “verdades”, ao que já existe no homem, mas que desvela o que nele, embora oculto, é capaz de torná-lo plenamente humano: o amor, pois amor e verdade se casam. Onipotência de um amor poderoso o bastante para renunciar ao poder e, amorosamente, ir ao encontro da fraqueza.


A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras bíblicas da Sexta-Feira Santa (29 de março de 2013: 1ª leitura: Is 52,13-53,12; Salmo: Sl 30; 2ª leitura: Hb 4,14-16.5,7-9; Evangelho: Jo 18,1 a 19,42), com tradução de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.

“Eis o homem”
A ninguém passam despercebidas as semelhanças que existem entre a profecia do Servo (1ª leitura) e os relatos da Paixão. Os evangelistas tinham, com certeza, Isaías em mente, ao redigirem o texto. Tem-se a impressão de que Jesus segue um modelo pré-fabricado. Os exegetas se perguntam quem seria este Servo sofredor de Is 52-53. Seria Davi perseguido por Saul? Ou Jeremias, o profeta perseguido? Ou o povo de Israel, hostilizado pelos pagãos? É forçoso responder: são estes e muitos outros mais, ou seja, todos os que foram, são e serão um dia levados a bradar “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34). Jesus assume as dores e angústias de todos os perseguidos da história, de todos os que sofreram, sofrem e sofrerão por não importa qual motivo. “Eis o homem”, diz Pilatos: eis o homem todo e todos os homens! Em Isaías, à vista do estado miserável a que foi reduzido o Servo sofredor, as testemunhas o tomam primeiramente por um pecador castigado por Deus, um “leproso” a ser evitado. Mas, bruscamente (Is 53,4), elas se voltam em outra direção: o que ali vemos, somos nós mesmos! Este homem é a revelação do nosso mal, da nossa desgraça conhecida ou ignorada. Ele carrega o pecado do mundo e forçoso é voltarmos nosso olhar para aquele que trespassamos. Nele se manifestam todas as dimensões de nossa sempre disfarçada perversidade bem como “a largura, a altura e a profundidade do amor” de um Deus que quis ser até este extremo Emanuel, o “Deus-conosco”.

Falência da justiça
A Paixão é um processo. A Bíblia está cheia de alusões ao processo que Deus move contra os homens: é o tema do julgamento. Aqui, porém, assistimos ao processo que os homens movem contra Deus. Aliás, um duplo processo: dos judeus (que O conhecem) e dos pagãos (que não sabem onde se encontra a verdade). Os dois inimigos, que materializam na Escritura o imemorial conflito entre homem e homem, participam agora da condenação à morte do Justo. Primeira conivência, primeiro acordo, compartilhamento perverso na injustiça. Esta primeira cumplicidade reverterá depois, tornando-se aliança no amor entre judeus e não judeus, por obra do Espírito que Jesus “emite” no momento mesmo de sua morte: “paredoken to pneuma” (Jo 19,30). Mas, antes disso, eis que a justiça é escarnecida pelos homens! Jesus prossegue em seu caminho... Renuncia também Ele à justiça: os culpados não serão punidos, mas salvos. Tudo é subvertido pela Paixão de Cristo. E nós ficamos definitivamente isentos do regime da justiça, em virtude da qual poderíamos ser condenados. A Paixão é sentença de absolvição para todos os pecadores!

Da justiça ao amor
Não é possível inventariar tudo o que nos revela a Paixão segundo S. João. No seio mesmo de sua humilhação, Jesus é nela Mestre e Senhor: no Jardim das Oliveiras, os guardas caem por terra ante a revelação de sua identidade (18,6); Ele não julga diretamente o guarda que o esbofeteia, mas convida-o a julgar-se a si próprio (18,23); avalia, pelo contrário, a falta de Pilatos, comparando-a à "de quem o entregou" (19,11). Eis como é exercido o julgamento cujo veredito é sempre de perdão: não se trata de ignorar a culpa, mas, sim, de absolvê-la! Desviar os olhos do que foi trespassado é passar ao largo do perdão. Jesus é Senhor e até mesmo Rei (18,23-38). Ora, todo Rei exerce o poder. Qual é o poder deste crucificado? A atração irresistível da Verdade! Verdade que não vem juntar-se a “verdades”, ao que já existe no homem, mas que desvela o que nele, embora oculto, é capaz de torná-lo plenamente humano: o amor, pois amor e verdade se casam. Onipotência de um amor poderoso o bastante para renunciar ao poder e, amorosamente, ir ao encontro da fraqueza. Retornamos assim ao início do relato de S. João: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (13,1).
(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)

segunda-feira, 25 de março de 2013

COMENTADOR DA OBRA DE MARX FAZ PALESTRA NO SUL


“Temos a obrigação de articular uma alternativa anticapitalista”

Geógrafo de formação, o britânico David Harvey é um dos grandes comentadores da obra de Karl Marx. Ele profere hoje, 25.03.13, em Porto Alegre, a palestra Para Ler “O Capital”. O título da conferência ancora-se no livro Para Entender “O Capital” (Boitempo, 335 páginas, R$ 49), que está saindo agora no Brasil.
Abaixo, a entrevista dada a Carlos André Moreira:  jornal Zero Hora

O que o senhor pode adiantar de sua conferência?
O tema vai girar sobre os motivos para ler Marx hoje, e que tipo de coisas podemos aprender com ele e o que não podemos aprender com ele, dado que tem havido muitos mal-entendidos a respeito disso. Vou falar também sobre sua significação política e também o quão útil ele pode ser para a compreensão do contexto das atuais dificuldades enfrentadas pela economia global.
E por que ler Marx hoje?
Porque o que Marx fez, em O Capital, particularmente, foi escrever uma exposição crítica de como o capitalismo funciona. E hoje, após 30 ou 40 anos de políticas neoliberais, de muitas maneiras, o que Marx conta descreve exatamente o mundo que está sendo construído agora. Então, ele é muito relevante para o entendimento da dinâmica da atual situação mundial.

Com a crise de 2008, muitos se apressaram em declarar o fim do capitalismo financeiro. O senhor, entretanto, alertou recentemente que as grandes fortunas especulativas só aumentaram. Por que isso aconteceu?
Porque muitos integrantes da elite financeira têm uma influência real e direta sobre a mídia e sobre conexões políticas e usaram a crise para melhorar sua situação. Alguns deles se deram mal, alguns foram para a cadeia, é verdade, mas a longo prazo, essa fatia de 0,1% da população que compõe a fatia mais rica ficou ainda mais rica do que há cinco anos, quando a crise estourou.

A crise financeira levou pessoas às ruas para manifestações contra a falta de regulamentação do capital. Que oportunidades se abriram para propostas alternativas ao modelo vigente?
Em minha opinião, abriram-se muitas oportunidades. Acho, contudo, que a grande pergunta é: por que tais oportunidades não estão sendo aproveitadas de modo mais efetivo pela esquerda? Em especial, acho que não vimos os partidos políticos da esquerda se apresentarem à altura do desafio. A maior parte desses protestos ocorreu nas ruas, e não parece ter alcançado os políticos. Penso que as instituições por meio das quais as mudanças políticas são organizadas tradicionalmente, como sindicatos ou partidos políticos, simplesmente desapareceram e não foram fortes o bastante para articular o que deveria ser uma alternativa anticapitalista. As oportunidades apareceram. A pergunta é por que a esquerda não tirou melhor proveito.

Slavoj Zizek, que veio a Porto Alegre no início deste mês, comentou que as manifestações não geraram proposta concreta alguma, e que faltava aos manifestantes uma ideia do que queriam de fato. O senhor concorda?
Sim. A maior parte das manifestações tinha caráter de pura oposição, e não foram construtivas a respeito de alternativas. Meu trabalho tem sido no intuito de mudar isso, de tentar criar uma visão alternativa, com a qual as pessoas possam se identificar e pela qual possam se mobilizar. Penso que foi o que Marx e Engels fizeram quando escreveram o Manifesto Comunista, e deveríamos estar fazendo algo parecido agora. Claro que as condições hoje são diferentes, não podemos repetir o Manifesto..., temos que lidar com a situação de crise global, com as interações que estão ocorrendo com as novas tecnologias e, é claro, com a natureza financeira do capitalismo atual. Temos um cenário diferente hoje do de há 150 anos, mas temos a obrigação de articular o que poderia ser uma alternativa anticapitalista.

Zizek também comentou que, passados cinco anos, a maior consequência da crise foi a perda, pela Europa, do papel de modelo. Na sua opinião, a crise é apenas europeia?
Não. A crise está em toda parte, mas assumiu diferentes formas. Se você perguntar sobre a situação do desemprego, obviamente certas partes da Europa têm altos índices, e outras, como a Alemanha, têm baixos índices. E na própria Europa parte está se saindo muito bem e parte está se saindo muito mal, é o que eu chamo de dessenvolvimento geográfico desigual da crise. Nós vemos isso mesmo em outros países. Em Nova York, de onde venho, a economia não está se saindo muito mal. Temos algumas dificuldades, mas não está tão mal quanto Las Vegas, Florida ou Phoenix. É um desenvolvimento desigual da crise, e você tem de ser muito específico sobre qual a natureza da crise. Em uma parte do mundo, é desemprego, em outra, é a instabilidade financeira, e em outra ainda, é a crise política. A maior parte da Europa em dificuldades, principalmente na zona do Euro, está em uma crise política.
(Fonte: jornal Zero Hora)
 

segunda-feira, 18 de março de 2013

TIBUM!...



Mergulho no amor


Eugênio Magno


Enquanto o sol

flertava a lua

eu me embreagava

nas profundas

mansas

e tímidas

águas

do teu amor caliente.

(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE -  versos e prosa, 2005)

FÉ E POLÍTICA


Equipe do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP) se reuniu em Brasilia



O Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), órgão vinculado a CNBB que trabalha com a formação política de cristãos leigos e leigas, esteve reunido em Brasília, DF, no último final de semana. Cerca de 15 assessores e professores do centro, de várias áreas do conhecimento, de diversas regiões do país, representantes de escolas de fé e política de 18 estados brasileiros e atuais alunos do Centro escola de que já formou três turmas de especialistas na área, participaram do encontro.
Nos três dias de seminários, reuniões e palestras foram feitas análises de conjuntura política e eclesikal e, debatidos temas como: a Igreja nos processos eleitorais, a participação de cristãos leigos como candidatos nas eleições, além de interpretações dos primeiros sinais dados pelo papa Francisco, de como deve ser a sua conduta à frente da Igreja.

quarta-feira, 13 de março de 2013

NÃO FALTAM BONS EXEMPLOS


Traição e coerência: lições do avô ao neto


Imediatamente após o golpe 1964, os militares tentaram cooptar grandes nomes da política brasileira, cuja credibilidade pudesse mitigar a violência cometida contra a democracia.
Ao então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, avô do atual ocupante do cargo, Eduardo Campos, foi dada a opção seca: adesão com renúncia 'espontânea', ou prisão.
Cercado no Palácio das Princesas, o sertanejo Miguel Arraes honrou a fibra que lhe dera fama.
'Não vou trair a vontade dos que me elegeram', mandou dizer aos emissários do Exército.
Foi preso imediatamente. Sobral Pinto, famoso jurista da época, conseguiu-lhe um habeas corpus, cujo relator foi Evandro Lins e Silva.
Em 1965, Arraes exilou-se na Argélia. Em 1967 foi condenado à revelia a 23 anos de prisão.
Voltou ao país com a abertura, em 1979. A coerência que o transformara em legenda, impulsionou a retomada da carreira política.
Arraes elegeu-se governador mais duas vezes em Pernabuco, em 1986 e 1994.
Outro exemplo de retidão sertaneja foi o paraibano de Pombal, Celso Furtado.
Decano dos economistas brasileiros, Furtado dirigia a Sudene, em Recife.
No dia do golpe, esvaziava gavetas quando sua sala foi invadida por um grupo de oficiais de alta patente.
A exemplo de Arraes, foi chantageado pelos que buscavam aliados vistosos.
Sua resposta não foi menos enfática:
'Sou um servidor da República, não me peçam para trair minha pátria', disparou sobre seus interlocutores.
Cassado, Furtado exilou-se na França.
O governador          conhece essas histórias, conviveu com seus personagens.
O governador tem recebido emissários frequentes das mesmas forças e interesses que em 1964 acossaram seu avô e perseguiram reservas morais da Nação, a exemplo de Furtado.
O governador deve em boa parte a sua carreira política aos que souberam dizer não aos emissários da traição e do golpismo.
(Fonte: Site Carta Maior)

domingo, 10 de março de 2013

A IGREJA DEPOIS DE RATZINGER . . .

 
A hora impossível de um Papa Francisco I



Os quartos de Bento XVI estão vazios: com que o nome irá responder ao Escrutinador o próximo papa que irá dormir no seu leito? Após o anúncio do conclave, o pontífice pré-escolhido tem "um minuto inteiro" para pensar a respeito. O primeiro sinal da Igreja que muda poderia ser o nome do sucessor de Ratzinger. Da sacada, ninguém nunca anunciou "eis Francisco", Francisco I, para reiterar o compromisso do santo que protege a Itália, mas sempre esquecido pelos descendentes de Pedro.
Para ler na íntegra a reportagem  de Maurizio Chierici, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, com tradução de Moisés Sbardelotto, clique aqui.
 

quarta-feira, 6 de março de 2013

NOVOS SECRETÁRIOS DE EDUCAÇÃO


MEC nomeia novos secretários
 
O Ministério da Educação (MEC) divulgou os nomes dos novos secretários de Educação Superior (Sesu) e de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) da pasta. O reitor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Paulo Speller, assume a Sesu, no lugar de Amaro Lins. Macaé Evaristo, diretora de Políticas de Educação do Campo, Indígena e Relações Raciais do MEC, fica à frente da Secadi, em substituição a Cláudia Dutra.
Os dois secretários deixaram os cargos alegando motivos pessoais. Macaé e Speller tomam posse assim que tiverem os nomes publicados no Diário Oficial da União.
(Fonte: Agência Brasil)
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

CORINTHIANS FICA SEM PATROCÍNIO DA CEF


Patrocínio da Caixa ao Corinthians é suspenso

Uma ação popular na Justiça do Rio Grande do Sul conseguiu a suspensão do pagamento da verba de patrocínio da Caixa Econômica Federal ao Corinthians. A determinação partiu do juiz Altair Antonio de Gregório, da 6ª Vara do Tribunal Regional Federal-RS. A ação foi ajuizada pelo advogado Antônio Beiriz e ainda será julgada. O contrato com a Caixa rende ao Corinthians R$ 30 milhões por ano, pagos pelo direito de expor a marca do banco no espaço principal da camisa do atual campeão do mundo.
Em entrevista Rádio Globo, Beiriz defendeu que o patrocínio só seria interessante para o clube paulista. “É um caso para que órgãos públicos, como Caixa e Petrobras, revejam sua estratégia de patrocinar uma instituição privada (...). Patrocinar um clube de futebol não dá retorno nenhum. É apenas um ônus ao Tesouro.”
A assessoria da Caixa Econômica Federal afirmou que a instituição ainda não foi intimada oficialmente por conta liminar. Em comunicado, o banco “reitera a legalidade do contrato de patrocínio ao Corinthians” e diz que “analisará seus termos e providenciará o recurso” assim que for acionado pela Justiça.
O advogado não acionou a Justiça contra outros clubes patrocinados pela Caixa, como o Atlético-PR e o Avaí (SC). Beiriz disse em entrevistas para a imprensa esportiva desconhecer esses acordos e que se informaria a respeito para entrar com novas ações questionando a legalidade de tais contratos.

Em 2012, clube superou os R$ 350 milhões em receitas
O Corinthians divulgou na quinta-feira 28 o balanço financeiro de 2012. As receitas do clube chegaram aos R$ 358,5 milhões. A diretoria do clube ressaltou a diminuição da entrada de dinheiro nos caixas por meio das vendas de jogadores, que representaram menos de 10% do faturamento no ano passado. No resultado de 2007, o montante arrecadado com as negociações de jogadores respondia por quase metade das receitas do time paulista.
(Fonte: Site Meio & Mensagem)
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

REFORMA ELEITORAL


Anteprojeto do novo Código Eleitoral será entregue em junho
 
O anteprojeto de reforma do Código Eleitoral será entregue em 30 de junho conforme informou  o presidente da comissão especial de juristas criada para propor mudanças ao texto que data de 1965, ministro Dias Toffoli, em reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
O colegiado foi criado em 2010 e tem como relator Carlos Velloso, que já foi presidente tanto do Supremo Tribunal Federal (STF) como do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
(Fonte: Agência Senado)

BELEZA NATURAL

 
A imponência das belezas naturais de Conceição do Mato Dentro
 
 

Ambientalistas e a população local precisam ficar atentos para que as mineradoras que estão chegando na região, com fome de leão, não depredem esse paraíso tão belo, tão próximo, tão encantador...
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ENSINO A DISTÂNCIA CRESCE NO PAÍS


MEC reconhece cursos
superiores presenciais e a distância
 
O Ministério da Educação (MEC) publicou na edição do dia  15 de fevereiro do Diário Oficial da União portarias que reconhecem 126 cursos superiores de graduação em instituições privadas e públicas. Foram reconhecidos ainda 30 cursos superiores na modalidade de educação a distância.
A maior parte dos cursos presenciais e de educação à distância reconhecidos nas portarias está em instituições particulares, mas há também vagas em universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia.
O reconhecimento é uma segunda etapa do processo de abertura de cursos. Primeiramente, a instituição pede autorização do Ministério da Educação para iniciar a oferta de uma turma. O reconhecimento deve ser solicitado pela instituição de ensino superior quando o curso de graduação tiver completado 50% de sua carga horária. O reconhecimento de curso é condição necessária para a validade nacional dos diplomas.
 (Fonte: Agência Brasil)
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

HOMENAGEM AOS POETAS

 
Bardo
 
 
Eugênio Magno


O poeta
 
de pena e vida
 
não açoita o tempo
 
Beija o vento
 
disseca a tempestade
 
Febril anda em brasas
 
com o coração em
 
chamas


(do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

SE VOCÊ ACHA QUE BERIMBAL É GAITA...


O custo oculto dos hipermercados

Jornadas de trabalho flexíveis, contratos a tempo parcial, salários baixos, tarefas rotineiras e repetitivas e agora trabalho aos domingos como se fosse um dia normal fazem parte da vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras dos grandes supermercados. O comentário é de Esther Vivas em artigo publicado pelo sítio Canal Ibase. A tradução é de Natália Mazotte.

Eis o artigo:

A abertura de um grande centro comercial, um supermercado… sempre vem associada à promessa de criação de emprego, dinamização da economia local, preços acessíveis e, definitivamente, ao progresso. Mas será esta a realidade? A distribuição comercial massiva se sustenta em uma série de mitos que, geralmente, sua prática desmente.
A Associação Nacional de Grandes Empresas de Distribuição (ANGED), o patronal da grande distribuição, que agrupa empresas como Alcampo, El Corte Inglês, FNAC, Carrefour, Ikea, Eroski, Leroy Merlin, entre outras, acaba de impor um novo e duro acordo a seus 230 mil empregados. A partir de agora, trabalhar no domingo equivalerá a trabalhar em um dia de semana, e aqueles que até o momento estavam isentos por motivos familiares, também terão que fazê-lo. Desse modo, fica ainda mais difícil conciliar a vida pessoal/familiar com a profissional, em um setor onde a maioria dos trabalhadores é formada por mulheres.
Além disso, aplica-se a regra de ouro do capital, trabalhar mais por menos: amplia-se a jornada de trabalha e diminui-se o salário. Da mesma forma, se as vendas caírem para abaixo do registrado em 2010, salários serão cortados em 5%. Chover no molhado em um setor por si só já extremamente precário. A ANGED, por sua vez, considera que “o acordo reflete o esforço de empresas e trabalhadores para manter o emprego”. Mas que emprego?
E agora Caprabo, propriedade de Eroski, anuncia que quer demitir 400 trabalhadores, não aplicar o aumento salarial pactuado e cortar em 20% os salários de parte de seus funcionários. A culpada? A “previsível” queda nas vendas e a crise. No ano passado, curiosamente, a empresa anunciou que em 2011 seus lucros haviam aumentado 12%. A santa crise “resgata” de novo a empresa.
Nesse contexto, supermercados e criação de emprego parecem muito mais um paradoxo. São vários os estudos que observam como a abertura destes estabelecimentos implica, consequentemente, o fechamento de lojas e comércio locais e, portanto, a perda de postos de trabalho. Assim, desde os anos 80, e na medida em que a distribuição moderna se consolidava, o comércio tradicional sofria uma erosão constante e incontrolável chegando a ser hoje em dia quase residual. Se em 1998 existiam 95 mil lojas, em 2004 este número foi reduzido a 25 mil, segundo dados do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente.
E se o pequeno comércio diminui, o mesmo ocorre com a renda da comunidade, já que a compra em uma loja de bairro repercute em maior medida na economia local do que a compra em uma grande rede varejista. Segundo um estudo de Friends of the Earth (2005), na Grã Bretanha , 50% dos lucros do comércio em pequena escala retorna ao município, normalmente através da compra de produtos locais, salários dos trabalhadores e dinheiro gasto em outros negócios, enquanto que empresas da grande distribuição reinvestem apenas insignificantes 5%. Ademais, devemos nos perguntar que tipo de emprego os supermercados, redes de desconto e hipermercados fomentam. A resposta é fácil: jornadas de trabalho flexíveis, contratos a tempo parcial, salários baixos e tarefas rotineiras e repetitivas.
E o que acontece se alguém decide se organizar em um sindicato e lutar por seus direitos? Se o contrato de trabalho for precário, é melhor ir se despedindo do seu trabalho. Wal-Mart, o gigante do setor e a multinacional com o maior número de trabalhadores no mundo todo, é o exemplo por excelência. Seu slogan “Sempre preços baixos”, pode ser substituído por “Sempre salários baixos”. E não só isso, um estudo sobre o impacto do Wal-Mart no mercado de trabalho local, de 2007, concluía que por cada posto de trabalho criado pelo Wal-Mart, 1,4 postos de trabalho eram destruídos nos negócios preexistentes.
Mas as consequências negativas da grande distribuição para os que participam da cadeia de produção, distribuição e consumo não acabam aqui. Desde os agricultores, que são os que mais perdem com as grandes varejistas, obrigados a acatar condições comerciais insustentáveis e que os condenam à desaparição, até consumidores instados a comprar para além de suas necessidades produtos de má qualidade e não tão baratos quanto parecem, até um tecido econômico local que se fragmenta e descompõe. Este é o paradigma de desenvolvimento que promovem os supermercados, de onde a grande maioria de nós sai perdendo enquanto uns poucos sempre ganham.
(Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - IHU)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

GOVERNO VAI HABILITAR 40 RÁDIOS COMUNITÁRIAS


Ministério das Comunicações abre seleção
para novas rádios comunitárias
 
Os interessados em montar uma rádio comunitária em municípios que não contam com esse tipo de emissora terão dois meses para se inscrever no Ministério das Comunicações. O aviso de habilitação foi publicado pelo governo, e a seleção vai incluir 40 localidades em quatro estados: a Bahia (28), o Maranhão (8), Pernambuco (3) e o Rio Grande do Norte (1).
O formulário de inscrição pode ser obtido no site do Ministério das Comunicações ou na Delegacia Regional do Ministério em São Paulo, e o pagamento da taxa de cadastramento deverá ser feito em qualquer agência do Banco do Brasil. O Ministério das Comunicações quer dar condições para que todos os municípios brasileiros tenham pelo menos uma rádio comunitária funcionando até o fim de 2013.
Neste ano, serão lançados mais 11 avisos de habilitação para rádios comunitárias, tanto para municípios que ainda não têm nenhuma emissora quanto para as cidades que já contam com uma rádio comunitária, mas que querem novas outorgas. Em 2012, foram contemplados 719 municípios e neste ano serão mais 706 cidades.
Veja aqui a lista dos municípios contemplados e a documentação necessária para a habilitação
(Fonte: Agência Brasil).
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

COMBATE AO VENENO NOS ALIMENTOS


Prefeitos se comprometem a promover
o combate ao uso de agrotóxicos

Maria Mello









Mais de 400 novos prefeitos e prefeitas eleitos de todas as regiões do país se comprometeram com o desenvolvimento de ações de combate aos agrotóxicos e a promoção de políticas voltadas à produção sem venenos. O compromisso foi firmado durante atividade promovida pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, realizado em Brasília (DF).
Ao longo dos três dias da atividade, militantes do Comitê do Distrito Federal da Campanha aplicaram a cerca de 400 novos governantes municipais um questionário composto por questões que visam investigar o grau de utilização de agrotóxicos, a existência de produção livre de venenos e o interesse dos prefeitos em promover políticas públicas de combate aos agrotóxicos e de incentivo à produção agroecológica nas cidades que administram.
Além dos questionários - que serão sistematizados e terão seus resultados divulgados posteriormente pela Campanha -, foram distribuídos panfletos com dados sobre a situação alarmante do emprego de agrotóxicos na agricultura do país e sugestões de atuação das prefeituras em relação ao tema, como a elaboração de leis municipais que aumentem o ICMS sobre a circulação de venenos no município e estabeleçam restrições à sua circulação; a realização de convênios para promover a agroecologia como prática agrícola de aumento de produtividade na agricultura; e o estímulo à aferição de casos de intoxicação ou enfermidades resultantes do uso dos venenos, entre outras iniciativas. Cópias do filme “O veneno está na mesa”, produzido pelo cineasta Silvio Tendler em parceria com a Campanha, também foram entregues aos participantes.
“Acreditamos que a atuação em âmbito municipal de combate ao uso de venenos e de estímulo à produção que garanta alimentos sadios para a população rural e urbana é fundamental para avançarmos nesta luta”, avalia Iara Campos, nutricionista e integrante do Comitê local da Campanha.
(Fonte: Site Brasil de Fato)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

3ª CONFERÊNCIA PELO EQUILÍBRIO DO MUNDO


Lula diz que EUA perderam guerra para Cuba
e pede fim do bloqueio

Havana – Em discurso na 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco e que acontece na capital cubana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os Estados Unidos perderam guerra para Cuba e pediu fim do bloqueio econômico imposto pelos norte-americanos ao país.
“Não existe mais nenhuma razão de se manter o bloqueio [de Cuba] a não ser a teimosia de quem não reconhece que perdeu a guerra, e perdeu a guerra para Cuba”, disse Lula, ao discursar no encerramento da conferência.“Espero que [Barack] Obama neste mandato tenha um olhar mais igualitário e mais justo para a nossa querida América Latina”, defendeu o ex-presidente. “Como sou otimista, eu acredito que um dia os Estados Unidos vão rever a sua posição, e espero que seja no governo Obama, pois não tem nenhuma razão para continuar com o bloqueio a Cuba.”
A conferência é a terceira realizada em 10 anos e se propõe a debater internacionalmente a contribuição intelectual do herói da independência cubana José Martí. O evento coincide com os 160 anos de Martí e com o aniversário de 60 anos da invasão do Quartel Moncada, um importante marco da revolução cubana. Participaram cerca de 1500 pessoas, dos quais 800 estrangeiros de 44 países.
Lula abriu o seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e fez uma homenagem a Hugo Chávez, que se encontra internado em um hospital de Havana para tratamento de um câncer na região pélvica.
O ex-presidente ressaltou a importância do evento para a integração latino-americana e criticou a imprensa. “Nem reclamo, porque no Brasil a imprensa gosta muito de mim”, afirmou.
“Eles não gostam da esquerda, não gostam de [Hugo] Chávez, não gostam de [Rafael] Correa, não gostam de Mujica, não gostam de Cristina [Kirchner],não gostam de Evo Morales, e não gostam não pelos nossos erros, mas pelos nossos acertos”, disse. Para Lula, as elites não gostam que pobre ande de avião, compre um carro novo ou tenha uma conta bancária.
(Fonte: Instituto Lula)