domingo, 25 de outubro de 2020

CONHECIMENTO DEMOCRATIZADO NA INTERNET

   Jessé Souza                                    Eduardo Moreira                                  Leonardo Boff


Nessa segunda quinzena de outubro surgiu no país um empreendimento educacional, de iniciativa privada, que se apresenta como um projeto de alcance social. Me refiro ao nascimento do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), uma iniciativa do empresário do ramo financeiro, Eduardo Moreira que, recém convertido ao espectro político progressista, vem fazendo uma grande cruzada no campo da educação econômica popular, que agora se estende também para outros eixos, visando uma formação mais completa e multidisciplinar da população.


       Heloisa Villela                               Katia Maia

Rafael Donatiello

A partir da formação de um conselho Curador integrado por Leonardo Boff (filósofo e teólogo), Rafael Donatiello (Especialista em Marketing Digital), Heloisa Villela (Jornalista), Frei David (Diretor da Educafro), Ligia Caetano (Especialista em Educação online), Katia Maia (Diretora da Oxfam Brasil), João Paulo Pacifico (Fundador do Grupo Gaia) e Jessé Souza (Sociólogo e pesquisador), além do próprio Eduardo Moreira que é Engenheiro de formação, com especialização na área econômica e empresário, o projeto se consolidou. O conselho definiu a missão do Instituto e estará orientando sua direção rumo a uma Educação Libertadora.


    Frei David                                           Ligia Caetano                                    João Paulo Pacifico

O ICL tem como missão mostrar que não existem barreiras quando há vontade de pensar e aprender. O seu propósito é mostrar o caminho para que as pessoas se libertem pelo conhecimento.
Os três pilares com os quais o Instituto Conhecimento Liberta trabalha são o Cultural, o Espiritual e o Profissional.
Os cursos iniciais e os seus respectivos professores são os seguintes: Filosofia - Suze Piza, História do Brasil - Lindener Pareto, Sociologia - Jessé Souza, Meditação e Mindfulness - Marco Schultz, História da Música - Ribeiro DiCastro, Excel - Arlane Gonçalves, Educação Financeira - Eduardo Moreira, Marketing Digital - Rafael Donatiello, Inglês - Vera Freitas, Chinês (Mandarim) - Vitória Zhang, História do cinema brasileiro - Adilson Inácio Mendes, Programação e Algoritmos - Geneflides Laureno, Mediação de conflitos - Pastor Henrique Vieira. No ICL os alunos têm acesso a mais de 100 horas de cursos, ao vivo e gravadas.
Os idealizadores desse Instituto de educação e cultura acreditam que a verdadeira liberdade só pode ser alcançada pelo conhecimento. Buscam democratizar os conteúdos essenciais ao desenvolvimento humano integral, tornando-os simples e acessíveis a todos.
Diferentemente de quase tudo que existe no mundo digital, o ICL oferece uma multiplicidade de cursos que podem ser acessados, simultaneamente, e por toda a família, por uma mensalidade que está abaixo de R$50,00. Existem ainda outros planos de pagamento em que com um acréscimo de 20% no valor dessa mensalidade o interessado contribui com uma bolsa integral para as entidades parceiras do Instituto fornecerem bolsas integrais para pessoas carentes.
Interessados em conhecer melhor o Instituo Conhecimento Liberta (ICL), poderão fazê-lo, clicando aqui.

Todas as imagens são do site do Instituto Conhecimento Liberta (ICL).

terça-feira, 20 de outubro de 2020

SOS SAÚDE! TODO CUIDADO É POUCO

(Foto: Reuters/Adriano Machado)


Mesmo em queda, mortes por covid-19 no Brasil 
ainda superam 2ª onda na Europa


O número de mortes por covid-19 no Brasil tem caído há semanas, mas em outubro ainda morrem mais pessoas neste país sul-americano de 212 milhões de habitantes do que na União Europeia, que tem 447 milhões de habitantes, conta com uma população mais velha e enfrenta uma segunda onda da pandemia.
Considerado os dados dos países da União Europeia, do Brasil e do Reino Unido, um levantamento do Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC) aponta que o Brasil é o terceiro com o maior número de mortes por 100 mil habitantes nas últimas duas semanas.
O primeiro é a República Tcheca, com uma taxa de 6,53 por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem a Romênia (4,76) e o Brasil (3,58).

Para continuar lendo a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

(Fonte: BBC News Brasil)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

QUEDA DE BRAÇO COM A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

 

(Imagem reproduzida do site Outras Palavras)


A batalha contra as patentes farmacêuticas chega à OMC

Índia e África do Sul pedem o óbvio: a Ciência necessária para lutar contra a pandemia deve ser propriedade Comum da humanidade. Mas as corporações farmacêuticas e os países ricos resistem. Brasil prepara-se para a omissão

Começou hoje a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) que vai debater a proposta de Índia e África do Sul sobre a quebra temporária das patentes de todas as tecnologias de saúde necessárias ao enfrentamento da pandemia. A ideia será debatida no Conselho TRIPS – sigla para o acordo que protege patentes no comércio internacional, mas prevê exceções em casos específicos. 

As chamadas “flexibilidades do TRIPS” foram introduzidas em 2001, na esteira de um debate sobre outra grande crise de saúde pública: a epidemia de HIV-Aids. Na época, o Brasil se uniu a outros países para defender mudanças que permitiram a fabricação e importação de medicamentos genéricos ou biossimilares – algo que, inclusive, se tornaria a principal marca do governo Fernando Henrique Cardoso na saúde, sob o comando de José Serra. 

O princípio que rege o debate hoje é o mesmo de 20 anos atrás: durante emergências, deve prevalecer a proteção da saúde da população. Em outras palavras, a vida deve prevalecer sobre o lucro; e a soberania dos Estados sobre os interesses privados – até porque a restrição do acesso a vacinas, por exemplo, terá efeitos também sobre a economia, aprofundando ainda mais as desigualdades entre nações ricas e pobres.

“A maioria dos países ainda adere às regras globais de patentes e faz uso das ‘flexibilidades do TRIPS’ muito criteriosamente porque pode enfrentar reivindicações na OMC – ou outros tipos de pressão e represália de países que sediam as empresas farmacêuticas que detêm as patentes originais. Como resultado, a OMC continua a controlar quando e em que medida as proteções de propriedade intelectual são aplicadas, ou negligenciadas”, resume uma excelente reportagem do site Health Policy Watch, situando a importância da reunião que vai até amanhã.

Para continuar lendo a matéria de Maíra Mathias e Raquel Torres para o site Outras Palavras, clique aqui.

domingo, 11 de outubro de 2020

"A MELHOR IDADE DA VIDA É ESTAR VIVO" (MAFALDA)

Quino dá adeus, mas lição de Mafalda fica*  


Diogo Martins**  
Jornalista, assessor de comunicação 
e analista de marketing 
MTb 17.883-MG 

A nossa esperança é que as críticas e utopias da pequena rebelde se faça sempre presente 

Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, foi um cartunista e humorista argentino, autor das famosas tiras da personagem Mafalda, uma menina inteligente e contestadora que ganhou grande repercussão no cenário mundial. O desenhista argentino tinha um olhar crítico e politizado de uma sociedade que não mudou. O sonho utópico de uma criança. 
Quino nasceu em 17 de julho de 1932 e faleceu em 30 de setembro passado (2020), aos 88 anos. Um dia após sua principal personagem completar 56 anos. 
A emblemática e, talvez, principal personagem do argentino, Mafalda, foi desenvolvida para uma peça publicitária para divulgar os eletrodomésticos Mansfield. Mas a campanha nunca saiu e Mafalda, ficou guardada até convite para a publicação no Primeira Plana, jornal em papel argentino. Foi a primeira aparição da pequena que habita em nosso consciente. 

Quem é Mafalda? 
Quino afirmara diversas vezes que havia decidido por uma protagonista que deveria ser mulher, devido à influência do movimento de emancipação feminina dos anos 60 e porque, segundo ele, “as mulheres são mais espertas”. Assim nasceu Mafalda, rebelde, jovem e ansiosa por um mundo melhor. 
A garota discutia em suas tirinhas ideias progressistas, por isso nunca desceu bem para alguns setores da sociedade. Na Espanha, a censura da ditadura franquista (que durou de 1936 a 1975) obrigou editores a colocarem um aviso na capa dos livros, no qual dizia que se tratava de obra “Para Adultos”. 
Mafalda também encontrou barreiras durante governos autoritários do Brasil, Chile e Bolívia. “Eles me disseram: ‘Rapaz, piadas contra a família não, militares não, nudez não. Eu nasci e cresci com autocensura”, disse Quino. Ele já havia afirmado que Mafalda sempre existiu no seu imaginário e que imaginava que passaria por uma forte censura.

 
O autor português António Cluny, escreveu: “Não foi a morte de Quino que calou a Mafalda”. Para Cluny, Mafalda já havia se calado, pois o próprio Quino desacreditou do mundo. O português esperava a fase adulta de Mafalda, onde ela daria as respostas para questões impertinentes que a incomodavam. 
Acredito que Mafalda ainda dialoga com aqueles que ainda a tem em seu imaginário, embora cada vez mais polarizados. Talvez não fale a quem deveria falar. Mas devemos persistir no sonho da pequena. A personagem que sofria da falta das esperanças que coletivamente existe numa vida melhor, deve permanecer viva em nós e, cabe a cada um de nós trazer a nossa Mafalda sempre que precisarmos. 

*Esse artigo foi publicado originalmente no Jornal da Cidade - Holambra.

**diogormartins@gmail.com 

sábado, 10 de outubro de 2020

COVID-19 E MORTE CONTINUAM IMPLACÁVEIS

 

Covas abertas em cemitério de São Paulo (SP) em meio à pandemia de coronavírus - 16/07/2020 
(Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


Brasil registra mais 682 mortes por Covid-19 
e se aproxima de 150 mil óbitos

Gabriel Araujo


O Brasil registrou nesta sexta-feira 682 novos óbitos em decorrência da Covid-19, o que eleva o total de mortes pela doença no país a 149.639, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Também foram notificados 27.444 novos casos da doença provocada pelo coronavírus, com o total de infecções confirmadas no país atingindo 5.055.888.
O Brasil é o terceiro país do mundo com maior número de casos de Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. Já na contagem de óbitos, os números brasileiros ficam abaixo somente dos reportados pelos EUA.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou nesta sexta que o Brasil não está “resolvendo totalmente” o problema da doença, mas tem conseguido controlar os efeitos da pandemia e permitir o retorno gradual das atividades com um “novo normal”.
“Mesmo considerando o Brasil como um todo, nós já verificamos um decréscimo nessas curvas (de casos e óbitos), que está sendo constante e está sendo estável... Nós já identificamos muitos Estados que estão voltando à normalidade”, afirmou Franco em entrevista coletiva, acrescentando que o país está “sabendo conviver” com a doença.
“Mesmo nos Estados onde ela ainda está com uma incidência maior, e nós podemos destacar a Região Sul em particular, a gente já consegue observar um decréscimo na incidência de casos e principalmente na incidência de óbitos, devido também ao tratamento precoce”, disse o secretário.
Estado brasileiro mais afetado pela Covid-19, São Paulo atingiu nesta sexta as marcas de 1.028.190 casos e 37.068 mortes.
De acordo com os dados do ministério, o segundo Estado com maior número de óbitos causados pela Covid-19 no país é o Rio de Janeiro, que registrou até este momento 19.222 mortes, com 282.080 casos.
Na contagem de infecções confirmadas, porém, o Rio fica abaixo da Bahia e de Minas Gerais -- o Estado nordestino soma 323.210 casos e 7.075 mortes, enquanto Minas registrou 318.090 infecções e 7.992 óbitos.
Ceará, Pará, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul são os demais Estados que já notificaram mais de 200 mil casos de Covid-19.
O Brasil possui 4.433.595 pessoas recuperadas da doença e 472.654 pacientes em acompanhamento, segundo o ministério. A taxa de letalidade da doença no país é de 3,0%.

(Fonte: Reuters

terça-feira, 6 de outubro de 2020

ECONOMISTAS COMPLICAM A ECONOMIA PARA QUE NÓS NÃO A ENTENDAMOS

(Imagem do Google)

Economia a serviço da vida

por Eugênio Magno


Na "Economia de Francisco" - o santo (São Francisco) - proposta por Francisco (Jorge Mario Bergoglio), o papa, é urgente que haja uma reordenação de valores. É imprescindível que a economia esteja a serviço da vida e não a vida a serviço da economia, como vem acontecendo no mundo.

Desenvolvimento sem democracia econômica é um contrassenso do capitalismo ultraliberal rentista e excessivamente financeirizado, para o qual os maiores gênios da economia mundial vêm se empenhando no sentido de encontrar uma alternativa que o substitua. E nesse momento caótico em que vivemos é o papa Francisco, reconhecido por várias autoridades como o maior líder mundial dos tempos atuais, quem articula os principais movimentos globais sugerindo iniciativas de estudos, debates e ações com uma Igreja em saída - se encontrando com os leigos, intelectuais e com a sociedade -, na busca de soluções para garantir a vida no planeta.

Os números dão muito o que pensar. Para ficar com um único exemplo, basta saber que 3 milhões de crianças morreram de fome no ano passado. Isso, enquanto produzimos o equivalente a 1,5 kg de alimento por habitante da terra e que a riqueza total produzida no mundo, se dividida de forma igualitária para toda a população mundial, daria uma renda, em moeda brasileira, de algo em torno de R$18.000,00, mensais, para cada família de quatro pessoas. Isso para não falar da devastação do planeta, da falta de preservação de nossos biomas, e do total descuido com a água, a terra , o ar e para com a vida silvestre e os povos das florestas, nativos, quilombolas e ribeirinhos. 

(Logo da 6ª Semana Social Brasileira)

Foi dada a largada, em nosso país, para a 6ª Semana Social Brasileira - Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho, inspirada pelos diálogos do papa Francisco com os movimentos populares. Tendo como eixos, democracia, soberania e economia, as ações da Semana Social Brasileira (SSB), visam debater, compreender e formular soluções para as questões sociais mais urgentes que impactam especialmente os setores excluídos e marginalizados da sociedade. 

Sábado passado (dia 4.10.2020), aconteceram vários eventos de lançamento da Semana Social Brasileira, articulando forças populares e intelectuais para o debate de questões sociopolíticas de interesse público com o propósito de entender a conjuntura atual e traçar perspectivas para o presente e o futuro. Como era difícil acompanhar tudo, elegi a live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovida pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara. O evento contou com a participação do bispo da diocese de Itapipoca, Dom Antônio Roberto Cavuto, do padre e teólogo Francisco Aquino Júnior, do economista e escritor Ladislau Dowbor e de Reginha, da Cáritas e da Articlação das Pastorais Sociais do Ceará, mediadora da live que teve ainda a participação de membros da Escola Regional de Fé e Política, com cantos e declamações e contaria também com a presença do filósofo Manfredo Oliveira que, em razão de problemas técnicos, não pode participar.

(Foto: Janaína Abreu)

O mestre, Ladislau Dowbor, apesar do tempo restrito, fez uma brilhante apresentação. Ancorado em pesquisas e análises de vários estudiosos e usando uma linguagem de fácil compreensão ele mostrou como funciona a economia e incentivou a todos, para que, independentemente de conhecimentos prévios de economia, buscassem entendê-la para multiplicar sua compreensão. Segundo Dowbor, "a economia não tem nada de complicado, os economistas é que a complicam para que o povo não possa compreendê-la". E para auxiliar a todos nessa compreensão ele disponibiliza todos os seus livros, artigos e estudos, gratuitamente, em seu site na internet (www.dowbor.org).

O padre, Francisco de Aquino Júnior, chamou a atenção para o fato de que a Igreja apesar de não possuir meios técnicos e instrumentos de análise econômica é rica em parâmetros éticos e espirituais para iluminar e mostrar caminhos em que a economia pode ser colocada a serviço da humanidade. Seus argumentos, se ancoram na Doutrina Social da Igreja e nos vários documentos papais que, desde fins do século XIX, com Leão XIII e a Rerum Novarum, até Francisco, na atualidade, com as encíclicas Laudatto Si e a novíssima Fratelli Tutti, mostra sua preocupação com a vida social.

Embora chamada de "semana", a 6ª Semana Social Brasileira Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho, tem como vigência o período 2020-2022. Ela é convocada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e promovida conjuntamente com as pastorais sociais e movimentos populares. É realizada em mutirão, na pluralidade cultural e étnica do Brasil, assim como no ecumenismo e diálogo inter-religioso. Até o seu encerramento, muitos eventos, presenciais e online acontecerão. Para acompanhar tudo sobre a Semana Social Brasileira, acesse o site ssb.org.br.

(Print de tela da live)

A live "Lançamento da 6ª Semana Social Brasileira", promovido pelo Movimento Igreja em Saída, do Regional Nordeste 1 (Ceará) e da Escola Regional de Fé e Política Dom Helder Câmara ainda está disponível no YouTube e pode ser acessada em: https://www.youtube.com/watch?v=btQyQvIf9Ek.



quinta-feira, 1 de outubro de 2020

NÃO SOMOS TODOS IGUAIS

 

Manuscrito de P. Freire para Pedagogia do Oprimido (Acervo Paulo Freire)


Como o povo oprimido,

Paulo Freire é alvo e escudo a um só tempo


Eugênio Magno

        Paulo Freire é gigante. Sua robustez é de causar inveja à maioria dos mortais. Entretanto, de intelectual respeitado e homenageado em todo o mundo, se tornou nos últimos anos – em seu país natal – alvo de críticas e rechaços por parte dos atuais ocupantes do poder central. E daí está migrando ou, simultaneamente, ocupando também a posição de escudo.

Se variar entre a condição de alvo e escudo já é ruim, pior é estar na mira de ataques e, ao mesmo tempo, ser usado como anteparo de disparos contra quem nunca o prestigiou a altura do seu merecimento. O patrono da educação brasileira merece lugar melhor na história. É de bom tom que ele não seja usado indevidamente por quem se quer o conhece bem ou já o reconheceu um dia, nessa guerra encarniçada em que, para além da disputa política majoritária, se juntam vários outros interesses, como os da proteção de pequenos feudos na esfera pública. É assombroso darmos conta de como o corporativismo pode usar do oportunismo de forma tão cruel e sub-reptícia a ponto de lançar mão grande sobre a memória de um pensador que sempre esteve ao lado dos oprimidos, contra o establishment, praticando uma educação popular e libertadora. Freire não configurou uma pedagogia para os oprimidos, oportunizando empoderamentos que promovessem distinções entre pares de uma mesma comunidade, nem usou inclusão como retórica. Ele articulou várias pedagogias, como as do oprimido, da esperança, etc., tendo como centralidade a educação como prática da liberdade, pedagogias contra-hegemônicas forjadas nas lutas dos/com os pobres e oprimidos.

Mas o pobre, no Brasil, para as elites, quando não é alvo, é bucha de canhão. E, ultimamente, o pobre, assim como Freire estão sendo usados como escudos e barreiras, por alguns segmentos da classe média, que espertamente negam sua condição social (de forma camaleônica), enquanto escondem patrimônios e recheadas contas bancárias com disfarces de um linguajar popular e trajes casuais, sem etiquetas à mostra. Essas aberrações estão em vários escalões, instituições e organizações do mundo público e privado e, no campo da educação, por incrível que pareça, também acontece. Não são poucos os banquetes à custa da inanição de profissionais da mesma estatura, combatentes, que por força de se manterem aguerridos, críticos e autocríticos – ad extra e ad intra –, são condenados ao exílio e à invisibilidade institucional, sobrevivendo à custa das migalhas que sobram dos empoderados “donos” das verbas que fingem fazer a multiplicação dos pães.

O Dia dos Professores se aproxima... O que pautar e comemorar de forma unificada? A categoria é imensa, mas condições de trabalho e salários são tão diversos quanto discrepantes. No entanto, perdura um discurso hegemônico que quer nivelar a todos – intencionalmente, por baixo – para esconder realidades ultrajantes, escravidão intelectual e outros descalabros.

Idealizando a solidariedade humana, o anarquista Piotr Kropotkin, diz em Apoio Mútuo:


Não é amor, e nem mesmo simpatia (compreendida em seu sentido literal), o que leva um rebanho de ruminantes ou de cavalos a fazer um círculo a fim de resistir ao ataque dos lobos; ou lobos a formar uma alcateia para caçar; ou gatinhos ou cordeiros a brincar; ou os filhotes de uma dezena de espécies de aves a passarem os dias juntos no outono. Também não é amor, nem simpatia pessoal, que leva muitos milhares de gamos, espalhados por um território do tamanho da França, a formar dezenas de rebanhos distintos, todos marchando em direção a um determinado ponto para cruzar um rio. É um sentimento infinitamente mais amplo que o amor ou a simpatia pessoal – é um instinto que vem se desenvolvendo lentamente entre animais e entre seres humanos no decorrer de uma evolução extremamente longa e que ensinou a força que podem adquirir com a prática da ajuda e do apoio mútuos, bem como os prazeres que lhes são possibilitados pela vida social. […] não é no amor, e nem mesmo na simpatia, que a sociedade se baseia. É na percepção – mesmo que apenas no estágio do instinto – da solidariedade humana. É o reconhecimento inconsciente da força que cada homem obtém da prática da ajuda mútua; da íntima dependência que a felicidade de cada um tem da felicidade de todos; e do senso de justiça ou de equidade que leva o indivíduo a considerar os direitos de todos os outros indivíduos iguais aos seus. É sobre esse alicerce amplo e necessário que se desenvolvem sentimentos morais mais elevados (1989, p. 32). 


            É pesaroso utilizar uma proposição tão potente como essa para denunciar comportamentos cujos fins transgridem o que ela encerra, mas o que ocorre é tão sutil que muitos dos protagonistas desse drama imoral sequer percebem o que fazem.

           Não gostaria de encerrar este texto de forma derrotista. Gramsci, Pessoa e o próprio Paulo Freire, me auxiliam a finalizar essa reflexão sonhando acordado e firme na crença de que o pessimismo para com as práticas atuais, não impedirá o otimismo da razão. Afinal, viver é preciso e esperançar também é preciso.

Este artigo também pode ser lido jornal Pensar a Educação em Pauta: http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/como-o-povo-oprimido-paulo-freire-e-alvo-e-escudo-a-um-so-tempo/

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

COMO A CORRUPÇÃO INFLUENCIA A RESPIRAÇÃO DA POPULAÇÃO

(Raphael Patrasso / Reuters)


ENFOQUE-Respiradores que nunca chegaram: como a corrupção dificultou o combate à Covid-19 no país


Enquanto pacientes com Covid-19 inundavam o sistema público de saúde do Rio de Janeiro do início de abril ao final de maio, o médico Pedro Archer tomava decisões angustiantes.
As pessoas com dificuldades para respirar precisavam de respiradores, disse ele, mas não havia o suficiente para todos; os que tinham pequena chance de recuperação foram preteridos.
“Todo turno era assim”, afirmou Archer, cirurgião de um hospital municipal do Rio. “Às vezes, eu dava sedativos apenas para que não sofressem. Por fim, eles morriam.”
Algumas dessas mortes, dizem agora promotores estaduais e procuradores da República, poderiam ter sido evitadas. Eles alegam que autoridades teriam embolsado até 400 milhões de reais por meio de esquemas de corrupção que conduziram a contratos inflacionados com aliados durante a pandemia. Os negócios, segundo eles, incluíram três contratos para 1.000 respiradores, sendo que a maioria nunca chegou.
O ex-secretário estadual de Saúde do Rio Edmar Santos foi preso em 10 de julho e acusado de corrupção em relação a esses contratos. Um advogado de Santos não respondeu a um pedido de comentário. Santos admitiu ter participado de vários esquemas ilícitos envolvendo licitações públicas fraudadas, de acordo com documentos judiciais confidenciais preparados por investigadores federais e analisados pela Reuters. Ele agora é uma testemunha que coopera na investigação, de acordo com os documentos.
Separadamente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), do cargo em 28 de agosto devido à preocupação de que ele pudesse interferir nas investigações. Witzel também está enfrentando um processo de impeachment por suposta corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Ele negou qualquer irregularidade em um comunicado à Reuters. O vice-governador Cláudio Castro (PSC), que assumiu a posição de Witzel em agosto, não respondeu a um pedido de comentário.
A América Latina foi duramente atingida pela pandemia, com mais de 8,6 milhões de casos confirmados de coronavírus até 21 de setembro, de acordo com uma contagem da Reuters. Só o Brasil registrou mais de 139.000 mortes por Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Se a cidade do Rio fosse um país, sua taxa de mortalidade per capita por coronavírus seria a pior do mundo, segundo cálculos da Reuters baseados em dados da Universidade John Hopkins. Mais de 10.000 pessoas morreram de Covid-19 na capital fluminense, e mais de 17.000 em todo o Estado.
A resposta da região à pandemia foi prejudicada por vários fatores, dizem especialistas, incluindo pobreza e condições de vida urbanas superlotadas. Alguns líderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, minimizaram a gravidade da pandemia.
Mas o vírus também foi ajudado pela ganância.
Assim como no Brasil, investigadores na Bolívia, no Equador, na Colômbia e no Peru também alegaram que as autoridades locais encheram seus bolsos por meio de esquemas de corrupção relacionados à pandemia.

Para ler na íntegra a matéria de Gram Slattery e Ricardo Brito para a Reuters, clique aqui.

domingo, 20 de setembro de 2020

ENCONTRO DA CNBB ARTICULA NO PAÍS O PACTO GLOBAL PELA EDUCAÇÃO


Da esquerda para a direita, Maria de Jesus Silva, Odete  Martins, Soraya Aragão, Alice Vieira, Dom João Justino Medeiros, Marilda Umbelina Santos (coordenadora da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso (PEEDIR)  e  Frei Valdomiro Machado (assessor da PEEDIR) da Arquidiocese de Montes Claros*

O Minas e Gerais, traz hoje um breve relato sobre o Encontro Nacional da Pastoral da Educação, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que aconteceu, virtualmente, no final da semana passada. 

A pedagoga aposentada, Odete Martins de Oliveira Campos, que é agente da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso, da Arquidiocese de Montes Claros - MG, apresenta, com exclusividade, para este blog, uma síntese do Encontro.


Logotipo da Pastoral da Educação, Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Arquidiocese de Montes Claros*

Refletindo sobre o XX ENCONTRO NACIONAL 
DA PASTORAL da Educação da C.N.B.B  

                                                                                                                                     
Odete Martins*


Nos dias 11 e 12 de setembro de 2020, a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da C.N.B.B, promoveu o XX Encontro Nacional da Pastoral da Educação, com o tema "Igreja em saída: a Pastoral da Educação na Escola Pública".
A proposta é baseada no apelo do Papa Francisco, em vista do Pacto Educativo Global. Devido a pandemia e as consequentes medidas preventivas de isolamento social o Encontro aconteceu por transmissão ao vivo pelo canal do YouTube, "Cultura e Educação" da C.N.B.B. Bispos de diversas regiões do país disponibilizaram vídeos focando o assunto como suporte e sensibilização aos mais de 1.500 participantes do evento.
O Encontro teve início, dia 11/ 09 , sexta- feira, às 20h, com a Cerimônia de Abertura à cargo de Dom João Justino Medeiros, Arcebispo de Montes Claros e presidente da Comissão de Cultura e Educação da C.N.B.B., seguido de painel sobre os desafios e esperanças da Escola Pública. No sábado, dia 12, às 9h aconteceu um painel com partilhas das experiências de pastorais da educação em algumas dioceses e às 15h, uma mesa de reflexão sobre as perspectivas da ação pastoral na Escola Pública. No encerramento do Encontro, Dom João Justino presidiu uma Celebração Eucarística, às 17h, na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida de Montes Claros. 

Dom João Justino Medeiros*

A mensagem principal do Encontro, ressaltada por seus idealizadores e aclamada por todos os participantes é de que a Educação é um compromisso de católicos cristãos que, juntamente com todas as pessoas de boa vontade e bom coração, devem somar forças para construir uma sociedade mais justa, solidária, humana e fraterna.
Os cristãos/as, católicos/as, religiosos/as e leigos/as estão se colocando à disposição da escola pública, no sentido de se empenharem em favor de uma educação de qualidade em que todos sejam adequadamente e indistintamente valorizados.
O Papa Francisco, quer que a escola, seja uma escola em saída, assim como deve ser a igreja, indo ao encontro do outro, mesmo que este outro seja e pense diferente; dialogando e escutando, dentro de uma espiritualidade, que o conduza à fé, paz e luz, numa educação integral.
As propostas, temas e falas dos participantes do Encontro foram todos inspirados e ancorados nos ideais e objetivos do sumo pontífice para o Pacto Educativo Global: 
- que a escola, seja um lugar de missão, de testemunho cristão, onde a educação seja transcendente, as pessoas apaixonadas por seus irmãos, pela escola e por Jesus;
- que educadores e todos os envolvidos na educação, se pautem por uma maior interioridade, superando as diferenças, ignorâncias e individualismo, para que assim, os educandos, recebam o que há de melhor em cada um;
- que os jovens sejam acreditados e os educadores e funcionários, valorizados;
- e que o homem - seja criança, jovem ou adulto -, deve ser educado com um olhar para Deus, para a terra, sua casa comum e, para o mundo, respeitando suas origens, trabalhando nas três dimensões mais importantes de sua humanidade: a antropologia, a educação e a ecologia. Não podemos perder as raízes, as origens, pois o mundo é habitado por pessoas de diversas raças, cores, valores e espiritualidades.
Cabe à Pastoral da Educação, juntamente com educadores, instituições, famílias, enfim todos, respeitarem as diferenças culturais e promoverem o Ecumenismo do diálogo, para que as diferenças existentes, sejam para somar e não dividir, separar ou fragilizar.
Abraçando este projeto, estaremos todos, contribuindo para o legado que deixaremos para as novas gerações: um mundo melhor.
Esse abraço é um abraço global, de carinho e reconhecimento a todos os educadores e educadoras, que neste momento de pandemia, sem aulas presenciais, inventam e si reinventam, para que suas aulas e propostas educativas cheguem a seus educandos e às famílias brasileiras.
Todos nós, participantes do Encontro, Povo de Deus em Comunhão,  temos esperança de que todas as nossas articulações sensibilizem as autoridades políticas e eclesiásticas, instituições, famílias, comunidades escolares e a sociedade em geral, pois Educação é responsabilidade de todos.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da C.N.B.B espera que toda a sociedade se mobilize para tornar realidade esse grande projeto global. Dioceses de todo o Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão disponibilizando textos e vídeos com as diretrizes do Pacto Educativo Global. Maiores informações poderão ser obtidas no site da CNBB. Para ter acesso a esses subsídios, clique aqui.

* Todas as imagens são do arquivo pessoal de Odete Martins de Oliveira Campos.

Para ler mais sobre o tema, acesse: 



quarta-feira, 16 de setembro de 2020

SUBSERVIÊNCIA DO GOVERNO BRASILEIRO A TRUMP SÓ FERRA O PAÍS

 


(Foto: Getty Images)

As derrotas diplomáticas que o Brasil pode ter aceitado 
para ajudar Trump a se reeleger


Em um período de apenas 15 dias, o Brasil amargou três derrotas diplomáticas para os Estados Unidos. Mas, de acordo com pessoas com conhecimento direto das negociações, que conversaram reservadamente com a BBC News Brasil, o governo brasileiro não foi pego de surpresa pelos reveses: ao contrário, o Itamaraty teria atuado diretamente para promover o interesse dos Estados Unidos sobre os nacionais.
O motivo: ajudar o republicano Donald Trump em sua tentativa de reeleição à Casa Branca. Em desvantagem nas pesquisas eleitorais nacionais, Trump enfrentará as urnas em menos de 50 dias.
A sequência de ações é considerada "eleitoreira" e "mostra de subserviência", disseram diplomatas ouvidos pela reportagem.
No dia 28 de agosto, os americanos anunciaram que cortariam em mais de 80% a importação de aço brasileiro até o fim do ano. Ao fazê-lo, ainda agradeceram ao "diálogo construtivo" com o chanceler Ernesto Araújo. Treze dias mais tarde, o governo brasileiro decidiu expandir por mais três meses o prazo para importação de etanol americano com tarifas mais baratas, contrariando o interesse dos próprios produtores brasileiros.
As derrotas diplomáticas recentes do Brasil para os EUA não só tiveram conhecimento do Itamaraty, mas participação dele. Continue lendo a matéria de Mariana Sanches para a BBC News Brasil clicando aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

DEPOIS DE TODOS OS ESTRAGOS BOLSONARO BRINCA DE PAPAI NOEL


Políticas públicas e estratégia eleitoral

Neste cenário de recessão, de aumento do desemprego e empobrecimento generalizado, o que vai acontecer quando o governo federal encerrar o auxílio emergencial? Mesmo considerando que o Renda Brasil se efetive, sobram 40 milhões de brasileiros que se habilitaram por sua condição de pobreza a acessar o auxílio emergencial e que não terão mais nenhum recurso para enfrentar as adversidades. O que vai acontecer com a popularidade de Bolsonaro?
Para ler a íntegra do texto de Silvio Caccia Bava para Le Monde Diplomatique Brasil, clique aqui.

sábado, 5 de setembro de 2020

DEUSES E ORÁCULOS

 

Robot hand touching fingertips with human hand
(Tumisu / Pixabay)

A impostura do digital*

Eugênio Magno

Há quem diga que a Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade & Propaganda e Relações Públicas –, no formato que gerações com mais de 50 anos conheceram, morreu. Quem diz isso, em sua maioria, tem menos de 30 anos e fala meia verdade.

A Geração Z (mão no mouse), não reinventou a comunicação, muito menos inventou um novo marketing, apelidando-o de Marketing Digital, como apregoam por aí alguns apologistas digitais. Quase tudo continua como dantes no quartel de Abrantes, de forma piorada. E digo quase tudo porque não podemos negar a capacidade interativa das redes sociais, a precisão com que é possível fazer micro segmentação, a confiabilidade das métricas, a velocidade da distribuição da mensagem e a convergência de mídias. Sem contar a eliminação de uma grande quantidade de intermediários no processo comunicacional aliado a outros fatores, dentre eles, um que não pode ser desconsiderado por quem paga a conta, custos bem mais acessíveis. Mas essa é apenas uma das metades da verdade que é acessível apenas para quem dispõe dos meios tecnológicos e/ou do poder de pagar o alto custo dos mais sofisticados bots produzidos e gerenciados pelas megacorporações que dominam a indústria dos big data e monitoram as ações dos cidadãos mundo afora.

Tidos por muitos como Oráculos de Delfos, é preciso que nos atentemos para a impostura robótica. Diferentemente dos sacerdotes e sacerdotisas da Grécia antiga, os robôs não advinham o futuro. Através do monitoramento comportamental do indivíduo, os bots induzem o usuário dos meios informacionais a escolhas das quais extraem, a cada click, mais dados que, acumulados, transportam o novo homem cibernético para currais de segmentos virtuais, cujas movimentações, por mais livres que pareçam ao navegante, são quase que totalmente controladas, previstas e previsíveis. É assustadora, a influência sobre o comportamento humano e a forma como o capitalismo tecnológico explora, inclusive laboralmente, o internauta que, a todo instante, ao utilizar os sistemas digitais produz – como mão de obra gratuita –, mais e mais informações que alimentam o capital e cada vez mais nos enredam em uma relação de submissão a sofisticados padrões de controle social.

O que foi prometido ao cidadão como democratização e universalização do acesso à informação e à comunicação, assim como possibilidade de difusão de mensagens sem intermediação se transmutou muito rapidamente em um engodo. Existe sim maior capacidade de emitir mensagens, porém, sem nenhuma garantia de que estas sejam recebidas. O fluxo do processo de comunicação foi invertido. Se no passado, os grandes veículos de comunicação: TVs, rádios, jornais, revistas e agências de notícias, controlavam a emissão, atualmente, empresas como Google, Facebook, Whatsapp, YouTube, Instagram, Tik Tok, Telegram, Twitter e outros mais, com seus algoritmos e robôs, controlam a recepção.

As grandes plataformas digitais nos encurralaram em bolhas de “iguais”. Pilotamos nossos computadores e celulares como se fossemos poderosos emissores de mensagens para uma grande audiência, quando na realidade se quer conseguimos atingir o vizinho do apartamento ao lado do nosso. Em alguns momentos e circunstâncias seria mais apropriado dar alguns telefonemas ou recorrermos ao e-mail, isso para não sairmos da perspectiva do mundo virtual. Mas como continuamos acreditando no que nos prometeram, em um passado próximo, preferimos viver a ilusória impressão de sermos livres e poderosos navegadores do ciberespaço.  

Houve um tempo, não muito distante, em que como espectadores de nossos programas preferidos, no rádio ou na televisão, tínhamos a possibilidade de calcular até a hora de ir ao banheiro, fazer um lanche, dar um telefonema, ou coisa que o valha. O espaço para a programação era bem mais extenso e o momento do comercial, da propaganda era identificado como intervalo por vinhetas. No mundo digital, sem quê nem para quê, surgem comerciais aos borbotões, entrecortando falas de apresentadores, interrompendo raciocínios e desviando a atenção da audiência para verdadeiros testemunhais facilmente confundidos com notícias, informações ou disciplinas formativas pelos menos avisados.

Nem tudo que se anuncia como liberdade é deveras libertador. Baixo custo, acessibilidade, inclusão e letramento digital. Tudo é narrativa líquida. Desregulamentação, amadorismo maquiado por terminologias anglo-saxônicas, mensagens apócrifas, fake news, centrais de noticias odientas, etc. A imensa aldeia global está reduzida a minúsculas bolhas dispersas no caos das virtualidades.

* Esse artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

ENXURRADA DE FAKE NEWS

 

Captura de tela feita em 19 de agosto de 2020 de uma publicação no Facebook reproduzida pela AFP Chile

Como enfrentar as fake news

Para o bem e/ou para o mal, os meios de comunicação estão coalhados de fake news. O grande desafio é identificá-las, denunciá-las e evitar sua propagação.

A instantaneidade do digital deixa pouca margem para decodificar, apurar e refletir para depois agir. O estrago de reputações e a disseminação de mentiras, invenções, armações, picaretagens e até mesmo alertas, prevenções infundadas e esperanças falsas, tornaram-se fatos corriqueiros, principalmente nas redes sociais, mas também nos meios de comunicação tradicionais. 

Existem plataformas especializadas em confirmar e apontar notícias falsas e aplicativos para ajudar o internauta na análise de fake news, assim como alguns (ainda que poucos) mecanismos para denunciar e excluir esse tipo de postagem nas principais redes sociais. O mais importante, entretanto, é que cada um se reconheça na sua expertise e não fique por aí brincado de comunicador ou jornalista. O mundo já está conturbado o suficiente para que atos impensados, ainda que bem intencionados, tragam ainda mais conflitos e turbulências para esta sociedade em desordem.

Veja, por exemplo, este vídeo, anunciado pelo seu autor como "de utilidade pública familiar" que circula pelas redes sociais (já há algum tempo) alertando a população para os perigos de se deixar medir a temperatura por termômetros infravermelhos apontados para a testa. Tendo em sua abertura a chamada "é melhor prevenir do que remediar", a primeira imagem do vídeo é o desenho de perfil uma cabeça humana, destacando o cérebro e colocando em evidência a glândula pineal.

(Identificado como mídia da rede social Tik Tok) 

Embora aqui esteja sendo citado esse vídeo, a informação circulou de forma escrita, como mensagem de áudio e também em outros vídeos, partindo de vários perfis em quase todas as mídias sociais.

No caso específico dessa informação, indico a matéria que Marion Lfévre, da agência de notícias  AFP Argentina / Chile, realizou, cujo título é "Medir a temperatura com um termômetro infravermelho não danifica a glândula pineal". 

Não espalhe notícias sem checar sua veracidade. Para ler a matéria da AFP, na íntegra clique aqui.


terça-feira, 25 de agosto de 2020

REVIRAVOLTA NAS RELAÇÕES COMERCIAIS ENTRE BRASIL E ARGENTINA

 

(Foto: Getty Images)

'ArgenChina': por que a China desbancou Brasil como maior parceiro comercial da Argentina

O fato inédito ocorreu, quase desapercebido, em setembro e outubro de 2019, quando o país vizinho exportou US$ 74 milhões a mais para o país asiático do que para o mercado brasileiro. Em outubro, a diferença a favor da China foi menor, US$ 37 milhões.
Na época, pelo quase empate, os números não chamaram atenção. Fato que ocorre agora, depois de os chineses terem ultrapassado os brasileiros três meses seguidos, abril, maio e junho, e por um volume maior. Em abril, a Argentina exportou US$ 509 milhões para a China, principalmente em soja e carne bovina, um aumento de 50,6% em relação ao mesmo período de 2019.
Já para o Brasil, as vendas totalizaram US$ 393 milhões, enquanto no mesmo mês de 2019 tinham totalizado US$ 907 milhões, queda de quase dois terços, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística da Argentina (Indec).
No mesmo período, a Argentina importou mais do Brasil do que da China, mas os chineses encerraram o mês com saldo positivo de US$ 98 milhões no comércio bilateral, enquanto que o Brasil teve déficit de US$ 132 milhões.
Mas como a China conseguiu desbancar o Brasil como maior parceiro comercial da Argentina?

Para continuar lendo a matéria de Marcia Carmo, de Buenos Aires para a BBC News Brasil, clique aqui.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

EX-GURU MIDIÁTICO DE TRUMP É PRESO NOS ESTADOS UNIDOS

Foto: Reprodução: DCM/Josías Teófilo/Instagram

Steve Bannon estrategista mundial da extrema direita 

acaba de ser preso

Televisões, rádios, jornais, portais e agências de notícias do mundo inteiro estão noticiando a prisão do ex-estrategista-chefe, da Casa Branca, Steve Bannon, que também é próximo da família Bolsonaro. 
O guru da extrema direita mundial e mais três associados foram indiciados por investigadores do Distrito Sul dos EUA (Nova York) nesta quinta-feira, sob acusação de fraudarem centenas de milhares de doares para a arrecadação de fundos para a campanha "Nós Construímos o Muro". Os responsáveis pela detenção de Bannon e seus comparsas alegam que as fraudes do grupo geraram “mais de US $ 25 milhões para construir um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos”.

sábado, 15 de agosto de 2020

PRIMEIRA MULHER NÃO BRANCA A CONCORRER EM CHAPA PRESIDENCIAL DE UM GRANDE PARTIDO NOS EUA

(Reuters)

 A obscura teoria que Trump encampa para questionar candidatura de Kamala Harris como vice-presidente


O presidente americano, o republicano Donald Trump, afirmou ter lido que a candidata à vice-presidente na chapa democrata, a senadora Kamala Harris, “não se qualifica” para o cargo que disputará na eleição de novembro.
A declaração amplifica uma teoria jurídica marginal que críticos de Trump consideram racista. O mandatário, aliás, promoveu por anos a falsa teoria de que o presidente Barack Obama não havia nascido nos Estados Unidos.
Filha de um jamaicano com uma indiana, Kamala nasceu em Oakland, no Estado da Califórnia, em 20 de outubro de 1964. Ao ser escolhida como vice do candidato Joe Biden, ela se tornou a primeira mulher não branca a disputar a eleição presidencial em um dos dois grandes partidos.
Para continuar lendo a matéria da BBC News Brasil, clique aqui.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O PSIU POÉTICO

(Arte do Psiu Poético 2020 - Criação: Gabriel Filpi)

Psiu Poético Festival de Arte Contemporânea

Estão abertas até 31 de agosto, as inscrições para o 34º Festival de Arte Contemporânea Psiu Poético. Os poetas interessados em participar poderão se inscrever pelos e-mails: psiupoetico@gmail.com e psiupoetico.cinema@gmail.com.
A versão 2020 do Psiu acontecerá de 04 a 12 de outubro,  virtualmente.
Gabriel Filpi, autor da arte do Psiu Poético deste ano deseja aos participantes do evento que sua criação "suscite significados dentro de cada pessoa que a vir, que este estilingue nos lance além de tudo o que o psiu já foi. E, no vôo, antes de atingir a mira, que aprendamos juntos a voar".
A arte-logo da trigésima quarta edição do Psiu, DANÇAPALAVRA, é um desenho com finalização digital: grafite, lápis aquarelado, giz pastel oleoso, borra de café e marcador sobre papel, arte gráfica.
Aroldo Pereira aguarda todos os habitués do Psiu e conta também com a participação de novos poetas de todos os cantos do país. Participe!

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

HUMANISMO SOLIDÁRIO PELA VIA DA EDUCAÇÃO



(Imagem: Logotipo do Pacto Educativo Global)


Pacto pela Educação no Planeta*

Eugênio Magno

Os ataques de que a educação é vítima não são fatos novos. Ao longo da história, desde sua descoberta como possibilidade e sistematização como área de conhecimento, sobretudo, a partir da criação da escola, a educação vive a condição de ser portadora de contradições: avanços e retrocessos. Por essa e outras razões, tão criticada e, em certas circunstâncias, vilipendiada. De quando em vez observamos acenos alvissareiros que logo são sequestrados pelo capital ou dissolvidos por uma excessiva endogenia acadêmica.

Educação e escola vêm sendo confundidas, fundidas e amalgamadas de tal forma, por agentes internos e externos ao seu próprio campo, que no imaginário popular é senso comum interpretá-las como sinônimas. Apesar dos esforços de teóricos e gestores comprometidos com a causa educacional, a situação se agrava progressivamente e a correnteza que arrasta hora uma e hora outra, para o brejo, ofusca conquistas e achados importantes que poderiam, ao contrário, apoiá-las, reposicionando-as aos seus devidos e merecidos lócus. Se assim não fosse, mas é possível que esse quadro venha a se reverter, escola e educação poderiam ser interpeladas uma pela outra e, provocadas por uma sociedade que as distinguisse, fazer irromper uma pedagogia capaz de libertar a própria educação, a escola e, consequentemente, as instituições e seus líderes, dos vícios que as enredaram. São muitas as práticas sociais que são importantes demais para merecer apenas o cuidado de governos, de ministérios e dos experts.  A educação é um desses campos que não pode prescindir de uma ampla rede de contribuições, para além da pedagogia disciplinar, curricular. Carece de aportes que transcendam o universo acadêmico e contemplem saberes e fazeres – práxis – da ordem do familiar, do comunitário, do cultural, da terra – nossa casa comum –, da antropologia, da geopolítica, das artes, da ancestralidade, da ética, dos valores e virtudes e, porque não, do espiritual.

É, no mínimo, curioso observar de onde e com que pujança emerge o chamado planetário para repensar a educação. Ironicamente, ele vem justamente de uma das mais criticadas instituições mundiais, a Igreja Católica, que carrega ônus e bônus na condução de processos educativos pelos quatro cantos do mundo. Mas o que pode ser visto como paradoxal, é providencial e tem como protagonista o mais importante líder mundial da atualidade, o papa Francisco que, em visita aos países unidos dos Emirados Árabes assinou um documento sobre Fraternidade Humana, que propõe uma mudança de mentalidade em escala planetária por meio da educação.

No ano em que se comemora o quinto aniversário de lançamento da encíclica Laudato Si – documento que trata do consumismo e das questões climáticas e ambientais –, o sumo pontífice encaminha então mais uma das grandes ações contempladas no referido documento apostólico de apelo à unificação global. Neste ponto me refiro, precisamente, ao Pacto Educativo Global que, discutido em 2019, está sendo difundido mundialmente, pelo Vaticano, desde maio deste ano, de forma supraconfessional. Seu principal objetivo é recuperar o humanismo e posicionar a vida de todos os seres (humanos, animais, minerais e vegetais), da terra, da água, do ar e do céu, tendo a pessoa humana como centralidade do aprender, do educar, da partilha de saberes e conhecimentos.

Inspirado pelo provérbio africano “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”, o papa propõe uma educação que permita relações abertas e fraternas, o que expressa a urgente necessidade de que toda a sociedade renove o compromisso de assegurar às gerações futuras uma educação voltada para a fraternidade e o diálogo. Escolas, universidades e a comunidade mundial estão sendo chamadas para promover estudos e reflexões sobre essa proposta. O Pacto Educativo Global, em essência, faz mais do que um apelo ou chamado, seu texto convoca e intima cada pessoa de bem para “se tornar protagonista desta aliança, assumindo compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário, que corresponda às expectativas da humanidade e ao desígnio de Deus”.

É em boa hora que o Brasil, nestes tempos sombrios, recebe o anúncio dessa boa nova, para a qual deve abaixar a guarda e atendê-la, sem preconceitos e mi mi mis, mas de peito aberto, com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”.

* Este artigo também foi publicado no jornal Pensar a Educação em Pauta.