terça-feira, 28 de julho de 2009

WERNER HERZOG DIZ QUE NÃO EXISTE CINEMA INDEPENDENTE

Cinema independente não existe, diz Herzog
Fernanda Ezabella
(de Los Angeles)

Foto: Kimberly White/Reuters

"O diretor alemão Werner Herzog, 66, tem dois longas inéditos na manga e um curta que rodou na Etiópia, além de uma ópera montada na Espanha e um livro em inglês, tudo realizado nos últimos 11 meses.
A seguir, leia trechos inéditos da entrevista que o cineasta deu à Folha, em sua casa em Los Angeles, cidade onde mora há cerca de dez anos. Aqui, ele fala sobre Hollywood, reality shows, financiamento de filmes e a busca pelo 'êxtase da verdade'.
Como é viver em Los Angeles, onde se concentra a indústria do cinema?
Ela existe, mas não me afeta. Não que eu vá dizer que é ridícula. É como deve ser. Eu amo alguns filmes de Hollywood, como os filmes de Fred Astaire, são alguns dos melhores que Hollywood já criou. Então, tem sua beleza. Mas só por coincidência eu vivo aqui. Não sou parte disso. Hollywood é uma definição cultural. Quando você vê 'Transformers' ou 'Transporters', qual é mesmo o nome? Existe uma certa definição cultural ali. E a minha definição cultural é bavariana.
Mas também existem os filmes independentes em Hollywood.
Cinema independente não existe. É um mito. Cinema independente apenas existe nos filmes caseiros, que você faz nas férias, na praia no Havaí, para mostrar para sua família. Todo o resto é dependente, de finanças, sistema de distribuição, mídia, de tudo, dos sindicatos, sindicatos de atores, diretores, roteiritistas.
E quanto aos programas de TV americanos? Li que o senhor gostava dos reality shows.
Não, não vejo nada. Na época assisti ao [reality] da [ex-coelhinha da ‘Playboy’] Ann Nicole Smith. Claro que ela era um fenômeno interessante, porque você tem que pensar em novos ícones de 'beleza', e eu tenho que dizer isso entre aspas. É uma beleza disforme, como os bodybuilders. Quase grotesco. E por causa disso ela era um fenômeno interessante.
O que te faz dizer então que Los Angeles é a cidade com mais substância dos Estados Unidos?
Por exemplo, o Museum of Jurassic Technologies, que provavelmente você nunca conheceu. Foi um homem genial que o fundou, fica no Venice Boulevard e muito do conteúdo do museu é completamente fantástico. E a 30 minutes daqui, em Pasadena, tem um laboratório de aviões a jato, com um centro de controle de inúmeras missões e um arquivo da Nasa com milhões e milhões de coisas preservadas de explorações do nosso sistema solar, da Lua. Los Angeles é cheia de coisas assim. E você encontra aqui os melhores escritores, fotógrafos, músicos, as coisas realmente são feitas aqui. Mas você precisa olhar além da superfície. E eu vivo completamente além da superfície. Por isso as pessoas mal sabem que eu vivo aqui.
O senhor costuma ir com que frequência aos cinemas?
Eu raramente vejo filmes. Nunca vou a nenhuma première de cinema, vejo talvez dois filmes por ano.
Por quê?
Não sei. Não tenho muito tempo de ver filmes. Nos últimos 11 meses, eu fiz dois longas-metragens e um curta na Etiópia. Fiz uma ópera (Parsifal) em Valência, publiquei o livro 'Conquest of the Useless' em inglês e trabalhei muito na sua tradução, e agora estou preparando outros projetos. Não sou um workaholic, eu trabalho muito focado e quieto e é isso. Eu nunca fui de ver muitos filmes. Nunca, nunca.
Nem quando era mais jovem e decidiu fazer cinema?
Não, eu não via muitos filmes.
O senhor gosta de dizer que o cinema verdade [vertente do documentário] não vai a fundo na verdade. Mas, ao mesmo tempo, diz que seus documentários não são documentários.
Isso me levaria 48 horas para explicar. Mas, para encurtar, digo que estou atrás de algo diferente do que o cinema verdade, simplesmente porque o cinema verdade é muito baseado em fatos, e fatos não signifcam necessariamente a verdade.
Mas, quando você faz um documentário, você encena, repete as cenas várias vezes. Como acha que está chegando mais perto da verdade assim?
Estou chegando perto da poesia, perto da imaginação, de algo que nos ilumina. E daí temos outra qualidade de verdade nisso, é um êxtase da verdade.
E da onde vêm as ideias para tantos filmes?
Elas sempre vêm até mim, como uma invasão, como ladrões na calada da noite, invadindo uma casa. Agora, enquanto estamos sentados aqui, sete, oito novos projetos estão forçando a porta para entrar. Não é que eu fico planejando uma carreira, eu nunca tive uma carreira. Você vê, outros [diretores] vão atrás de livros best-sellers, recém-lançados, para ver o que dá para transformar em um filme. Eu nunca estive nisso. Mas você pode ficar tranquila, eu tenho muitas histórias boas ainda para contar.
Ficou mais fácil para financiar seus filmes hoje?
Não. É mais difícil hoje.
Por quê?
Não vou falar da crise financeira, que claro que dificulta as coisas. Mas todos os distribuidores que existiam dos meus filmes, ou as distribuidoras dos meus filmes no Brasil e outros lugares, se extinguiram. E o público quase do mundo inteiro mudou sua atenção para filmes mais como “O Exterminador do Futuro” e menos para filmes como “Aguirre”. Então é uma grande mudança. E agora a atenção é mais para a internet. Mas eu nunca vou reclamar, porque sempre dou um jeito de fazer o meu próximo filme, e o próximo e o próximo." (Fonte: Ilustrada - Folha de São Paulo)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA ENCONTRO DE FÉ E POLÍTICA

Nos dias 28 e 29 de novembro deste ano acontece em Ipatinga, MG, o 7º Encontro Nacional de Fé e Política. A coordenação do evento espera receber cerca de 6000 pessoas no encontro. As inscrições já podem ser feitas. Maiores detalhes podem ser obtidos no folder abaixo ou acessando o site www.fepoliticamg.org.br .

terça-feira, 21 de julho de 2009

POEMA VISUAL

A postagem de hoje é um poema visual, cortesia de um amigo, o poeta Fernando Aguiar (Lisboa, Portugal).

Calligraphy

sexta-feira, 17 de julho de 2009

LEONARDO BOFF COMENTA A NOVA ENCÍCLICA DO PAPA


A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo
Leonardo Boff *
Teólogo

"A nova encíclica de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises, que atingem a humanidade e que comportam ameaças severas sobre o sistema da vida e seu futuro, demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia "uma análise concreta de uma situação concreta". Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectiva não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.
Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permanece principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subtexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central - o desenvolvimento - hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: 'correção', não a do profeta: 'conversão'.
Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz.
O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente 'neutro' como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.
E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transformação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construírem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.
Curiosamente, abstraindo de laivos fideístas recorrentes ('só através da caridade cristã é possível o desenvolvimento integral'), quando se 'esquece' do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo e a inclusão relacional da família humana.
Parafraseando Nietzsche: 'quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar'?"
* Leonardo Boff, também é filósofo e escritor, autor de Igreja: carisma e poder, Record 2005. (Fonte: site Adital)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A QUESTÃO DO DIPLOMA DE JORNALISMO

''Curiosidade está acima do diploma de jornalismo'', afirma jornalista
Em encontro no MASP na última terça-feira (07/07), Gay Talese afirmou que a curiosidade está em primeiro lugar entre as qualidades de um jornalista, acima do diploma. “Acho que o diploma não é essencial para o jornalismo. O essencial é a curiosidade", disse o jornalista em debate moderado pelo editor executivo do jornal O Estado de S. Paulo, Ilan Kow.
A reportagem é de Izabela Vasconcelos e publicada pelo portal comunique-se, 08-07-2009.
A primeira matéria
Durante o encontro, Talese contou sua trajetória no jornalismo, sempre enfatizando a curiosidade como principal ponto para seu crescimento na carreira. O jornalista, que começou com 21 anos no The New York Times, como copy boy, algo parecido com office boy, como descreve Talese, despertou interesse pelo trabalho do homem responsável pela inserção das manchetes do noticiário, por meio de um jogo de luzes, em toda a Times Square.
Talese observou o homem e perguntou se poderia entrevistá-lo. “Mas você não é repórter, disse ele. Mas pretendo ser um repórter, respondi. Aí comecei a minha primeira matéria”, conta o jornalista, que pediu uma máquina de escrever emprestada de um repórter e entregou a reportagem para o editor. A matéria foi publicada, mas sem créditos.
A imprensa esportiva
O primeiro emprego de Talese no jornalismo foi na imprensa esportiva. “Eu gostava de esporte, mas não de escrever sobre quem ganhou, quem perdeu. Nenhum placar de jogo me interessava. As pessoas me interessavam, as histórias", explica.
Entre alguns dos perfis mais conhecidos do esporte, escritos pelo jornalista, estão o jogador de baseball Joe DiMaggio e os boxeadores Floyd Patterson e Joe Louis.
O jornalismo atual
“Os jornalistas de hoje têm um melhor vocabulário, uma melhor formação. Mas pecam em sua principal missão, de vigiar e criticar o poder”, diz Talese. Para ele, não existem mais excelentes repórteres como antigamente, tudo porque não há contestação como antes, apenas a reprodução de versões oficiais.
Sobre a crise econômica na imprensa, principalmente na norte-americana, o jornalista, que não é adepto das novas tecnologias, como a internet e o celular, é otimista. “A tecnologia não vai matar o jornal. O jornal deve oferecer o que as pessoas não podem encontrar na internet. O jornalismo honesto e bem escrito sempre terá espaço e será valorizado”, avalia.
O segredo do sucesso
Talese, conhecido como o pai do new journalism, destacou que sempre procurou um estilo próprio de texto. “Pensava que se eu escrevesse ficção seria apenas mais um autor de ficção, mas seu escrevesse algo que parecesse ficção, nesse estilo, mas com histórias e nomes reais, isso sim seria diferente”, relembra o autor de O Reino e o Poder, Fama e Anonimato, A Mulher do Próximo, Vida de Escritor, entre outros.
O jornalista, que escreveu o famoso “Frank Sinatra está gripado”, perfil do cantor norte-americano, também contou os bastidores de outras reportagens de sua carreira, lembranças da infância, suas impressões sobre o Festival Literário Internacional de Paraty (FLIP) e o livro que escreve sobre os seus 50 anos de casamento com a editora Nan Talese. (Fonte: IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

A CAUSA DOS ACIDENTES AÉREOS

Recebi da amiga, Terezinha Oliveira, um e-mail com um depoimento de um comandante aposentado da Varig que é esclarecedor. Quem anda preocupado com a aeronavegação vai saber porque acontece tanto acidente envolvendo os Airbus.

O ACIDENTE FATAL COM O AIRBUS A-330
NO VÔO 447 DA AIR FRANCE
QUE CAIU NO ATLÂNTICO

Texto de autoria do Comandante da VARIG (retired),
Manoel Jorge Pahim Dias.
Para ler e pensar!!!
Apesar de muitos nomes técnicos, dá para perceber que aviões muito grandes e complexos não conseguem evitar o conflito entre homem e máquina na hora de tomada de decisões e de manobras importantes a serem executadas pelos pilotos. Com a palavra os amigos pilotos, sobre o que escreveu esse seu colega aposentado. Minha opinião é, no mínimo, pragmática. Aproveitando o "gancho" de opiniões abalizadas de colegas da aviação, temos que encarar, e assumir, que há uma linha de aeronaves ditas de "última geração" que deverá passar por sérias e urgentes reformulações no projeto, a exemplo do que ocorreu com o Comet (que explodia no ar devido ao perfil angular das janelas); o Electra (explodia em vôo devido à rebitagem que não resistia à vibração das hélices); o Trident e o Boeing 727, que tinham deep stall (estol profundo - Redução da velocidade relativa ao ar, de um avião ou de um aeromodelo, a ponto de o fazer cair, por ser o seu peso maior que a força de sustentação das asas; perda (Aurélio); o "Zarapa", que teve que implantar a quilha porque não saia do parafuso; o Bandeirante que teve reestruturado por completo o sistema de compensador do profundor, porque a ‘cauda saia’ em vôo, etc. A linha recente da Airbus, em várias condições de vôo, sobrepuja, e por vezes chega até a anular qualquer ação de comando proveniente da cabine, o que não deixa de ser um absurdo. Cito um exemplo: uma manobra evasiva anti-colisão será limitada pela não-aceitação de comando brusco. Pelo mesmo viés, o fato dos comandos de vôo serem fly-by-wire (comando por fio elétrico), totalmente potenciados eletricamente sem qualquer back-up (comando mecânico paralelo) que não seja o elétrico, significa necessariamente que a perda total de energia elétrica redunda inexoravelmente na perda total de atuação nos comandos de vôo! Um exemplo recente ocorreu com o Swissair FLT 111 em 1998, que se estatelou sobre o mar sem qualquer tipo de orientação e comando (detalhes: www.jetsite.com.br/acidentes/blackbox).

Até hoje não há uma conclusão definitiva sobre a ocorrência da superposição do comando proveniente do computador de bordo x comando de cabine no acidente com o avião da TAM em Congonhas. Mesmo que se dê razão ao ilustre investigador que afirmou que o recuo das manetes tem que ser total, ao ponto de uma folga de 2 mm simbolizar que o piloto quer arremeter é de um absurdo paralisante, característica de quem não sabe para o que serve um "curso de manete". Mas esse acidente foi o 5° em circunstâncias idênticas. Várias operadoras, após esse acidente, passaram a incluir no treinamento de simulador o corte do motor quando tal fenômeno vier a ocorrer, ou seja, há um reconhecimento tácito de que o projeto é falho e temerário.
Mas, voltando à nova geração AIRBUS, é bom lembrar que durante o vôo de demonstração inaugural em Fairbourough, Inglaterra, a aeronave entrou voando sobre as árvores porque os computadores de bordo não aceitaram o comando dos pilotos. Mais cinco acidentes idênticos ocorreram após esse. Dois incidentes de brusca variação de atitude sem comando da cabine ocorreram no ano passado com um Airbus A330 na Austrália e mais um na Nova Zelândia. Hoje, 04/06/09, já estamos vendo as primeiras manifestações "plantadas" pelo interesse do fabricante, no sentido de sutilmente colocar na opinião pública a idéia de que os pilotos incorreram em erro ao adentrar em turbulência com velocidade inadequada. Nada mais patético! Qualquer piloto sabe qual a velocidade de penetração em turbulência, quanto mais os colegas de vôo internacional de uma empresa como a AIR FRANCE!

Mesmo que você seja apanhado de surpresa, o ajuste é rápido: motor no "esbarro" para pouca velocidade; speed-brake (baixar a velocidade) e power off (cortar o motor) para velocidade alta. Em segundos, você se acerta, não é mesmo? A propósito, quando saímos para um vôo, levamos conosco o folder contendo todas as informações necessárias, incluindo a surface prog e wind aloft prog, ou seja, ninguém vai voar sem saber o que tem pela frente. Seguramente, não pode ter sido diferente com os colegas franceses. Portanto, a pífia imputação de desconhecimento das condições meteorológicas da rota também não pode prosperar. O AF 447 emitiu quatro wakes (alarmes) antes da queda, com coincidentes quatro minutos de intervalo um do outro: o primeiro reportando falha elétrica no sistema principal; o segundo reportando a atuação do sistema stand-by (de sobreaviso) operando com restrição nos comandos de vôo (spoilers - aletas escamoteáveis nas asas, yaw damper - aletas de guinada, etc.); o terceiro informando a perda do sistema de navegação lateral e vertical e, finalmente, o quarto: o mergulho na vertical com despressurização (o que é previsível, pois não há sistema que aguente descida no cone "sustentação zero").
Diante disso, conclui-se que o ocorrido em tudo se assemelha ao acidente com o SWISSAIR, no qual a aerovane ficou totalmente desgovernada, sem qualquer tipo de orientação, E SEM QUALQUER TIPO DE COMANDO NA CABINE, INCLUINDO O DE POTÊNCIA. Estamos diante, MAIS UMA VEZ, de um avião que foi projetado por engenheiros, que se dizem perfeitos e que acham que pilotos só servem para atrapalhar... Estou de pleno acordo... Desde que eles mesmos voem essa máquina, levando a bordo outros tantos de sua equipe, de preferência, todos eles!
A pergunta que fica: até quando vamos aceitar com passividade voar aviões como esses? Associações e sindicatos não devem temer o poder econômico, principalmente quando há vidas humanas envolvidas. A quem possa interessar, é como eu penso!

Saudações,
VIANNA

Minha conclusão é a seguinte: AIRBUS é AIRBOMBA. De agora em diante só quero voar em BOEING.
Álvaro P. de Cerqueira

Reis,
Concordo com tudo o que está dito aqui. Na época do acidente de Congonhas eu e o Schittini trabalhavamos juntos na ANAC e conversamos muito sobre o assunto. Lembro-me de um incidente ocorrido com um 320 da TAM em RJ que quase deu "luz e calor". Acontece que o avião é programado para não inclinar mais de 30° e não ultrapassa essa inclinação nem que o piloto se veja na contingência de fazê-lo. Pior: se estiver monomotor, esse limite é 20°. Pois bem em uma aproximação visual para a pista norte do Santos Dumont o piloto esticou um pouco a perna do vento e ficou meio em cima do Pão de Açucar. Como não conseguiu inclinar mais de 30°, usou sua experiência anterior e reduziu o motor de dentro na tentativa de apertar a curva. O diabo do avião entendeu que estava perdendo um motor e reduziu a inclinação para 20 °, quase jogando o avião no morro. Essa é a "segurança' desse produto francês. Na época eu dei para o Schittini minha opinião que é a mesma até hoje: francês é bom para fazer comida, vinho, queijo fedorento e perfume cheiroso. O resto é pura merda. Avião e computador, então, nem se fala...
Um abraço,
Rubens.


quinta-feira, 9 de julho de 2009

PREVINA-SE CONTRA A "GRIPE SUÍNA"

Recebi de uma amiga um e-mail do Doutor Odair Alfredo Gomes, professor do Laboratório Morfofuncional da Faculdade de Medicina - Unaerp, dando algumas dicas sobre prevenção de gripe, em geral, e da Influenza (chamada erroneamente, segundo o médico, de "gripe suína"), em particular. Eis o texto na íntegra:
É sempre bom se prevenir...

"A pedido de um amigo de pesquisas no tempo do nosso saudoso e querido Corsini, do qual fui amigo (nos anos 70) e discípulo no começo dos anos 80 em Imunologia e Genética (Unicamp), vou repassar a todos amaneira mais correta e saudável de enfrentar essa Influenza A (erroneamente chamada de gripe suína).
O melhor que vc pode fazer é reforçar o seu sistema imunológico através de uma alimentação correta e saudável, no sentido de manipular sua imunidade, preparando suas células brancas do sangue (neutrófilos)e os linfócitos (células T) as células B e células matadoras naturais. Essas células B produzem anticorpos importantes que correm para destruir os invasores estranhos, como vírus, bactérias e células de tumores. As células T controlam inúmeras atividades imunólogicas e produzem duas substâncias químicas chamadas Interferon e Interleucina, essenciais ao combate de infecções e de tumores.Bem vamos ao que interessa, ou seja quais alimentos são importantes (estimulam a ação do sistema imunológico e potencializam seu funcionamento).
Antes de mais nada, tome pelo menos um litro e meio de água por dia, pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e manter suas vias aéreas úmidas desestimulam os vírus. Não a tome gelada, semprepreferindo água natural e de preferência água mineral de boa qualidade.Não tome leite, principalmente se estiver resfriado ou com sinusite, pois produz muito muco e dificulta a cura.
Use e abuse do Iogurte natural, um excelente alimento do sistema imunológico. Coloque bastante cebola na sua alimentação. Use e abuse do alho que é excelente para o seu sistema imunológico. Coloque na sua alimentação alimentos ricos em caroteno (cenoura, damasco seco, beterraba, batata doce cozida, espinafre cru, couve) e alimentos ricos em zinco (fígado de boi e semente de abóbora). Faça uma dieta vegetariana (vegetais e frutas). Coloque na sua alimentação salmão, bacalhau e sardinha, excelentes para o seu sistema imunológico.
O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o chá de gengibre que destrói o vírus da gripe. Evite ao máximo alimentos ricos em gordura (deprimem o sistema imunológico), tais como carnes vermelhas e derivados. Evite óleo de milho, de girassol ou de soja que são óleos vegetais poli-insaturados.
Importante: mantenha suas mãos sempre bem limpas e use fio dental para limpar os dentes, antes da escovação.
Com esses cuidados acima e essa alimentação... os vírus nem chegarão perto de vc. (uma pequena contribuição para vc enfrentar essa e qualquer gripe que porventura apareça no seu caminho).
Abraços,
Dr. Odair Alfredo Gomes
P.S.: Se achar útil por favor repasse aos seus amigos..."

DESAFIOS DA GLOBALIZAÇÃO


foto: Diogo R. Martins


Bifurcação da Humanidade


Leonardo Boff *
Teólogo


"No início do ano os vinte paises mais ricos do mundo (G-20) se reuniram em Londres para encontrar saidas à crise econômico-financeira mundial. A decisão de base foi continuar no mesmo caminho anterior à crise mas com controles e regulações a partir de uma presença maior do Estado na economia. Os controles seriam pelo tempo necessário à superação da crise, a fim de evitar o colapso global e as regulações para restaurar o crescimento e a prosperidade com a mesma lógica que vigorou antes. Esta opção implica continuar com a exploração dos recursos naturais que devastam os ecossistemas e fazem aumentar o aquecimento global e o fosso social entre ricos e pobres. Se isso prosperar dentro de pouco enfrentaremos crise da mesma natureza, pois as causas não foram eliminadas. Acresce ainda o fato de que os restantes 172 paises (ao todo são 192) sequer foram ouvidos e consultados. Pensou-se em ajudá-las mas com migalhas. Efetivamente, toda a Africa, o continente mais vulnerável, seria socorrida com menos fundos que o governo dos EUA aplicou para salvar a General Motor. O impacto perverso da crise sobre os paises de baixo ingresso apresenta-se aterrador. Estima-se que, enquanto durar a crise, mais de 100 milhões de pessoas caiam cada ano na extrema pobreza e um milhão de postos de trabalho se perderão por mes. Tal fato fez com que o Presidente da ONU, Miguel d’Escoto Brokmann, imbuido de alto sentido humanitário e ético, convocasse uma reunião de alto nivel que reunisse os 192 representantes dos povos para juntos discutirem entre si a crise e buscarem soluções includentes. Isso ocorreu nos dias 24-26 de junho do corrente ano nos espaços da ONU. Todos falaram. Era impactante ouvir o clamor que vinha das entranhas da Humanidade: os ricos lamentando os trilhões em perdas de seus negócios e os pobres denunciando o aumento da miséria de seu povo. Muitas vozes soaram claras: não bastam controles e regulações que acabam beneficiando os que provocaram a crise. Faz-se urgente um novo paradigma que redefina a relação para com a natureza com seus recursos escassos, o propósito do crescimento e o tipo de civilização planetária que queremos. Importa elaborar uma Declaração do Bem Comum da Humanidade e da Terra que oriente etica e espiritualmente o sentido da vida neste pequeno planeta. Depois de um intenso trabalho previamente feito por uma comissão da expertos, presidida pelo Nobel de economia Joseph Stiglitz e com as colaborações vindas de quatro mesas redondas e da Assembléia Geral concertou-se um documento detalhado que ganhou o consenso dos 192 represenantes dos povos. O perigo coletivo facilitou uma convergência coletiva, uma raridade na história da ONU. O documento prevê medidas imeditas especialmente para salvar os mais vulneráveis sob coordenação de várias instituições internacionais, articuladas entre si. Mas o mais importante é a apresentação de um programa de reformas sistêmicas que prevê um sistema mundial de reservas com direitos especiais de giro, reformas de gestão do FMI e do Banco Mundial, regulações internacionais dos mercados financeiros e do comércio de derivados e principalmente a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Mundial equivalente ao Conselho de Segurança. Desta forma se presume garantir um desenvolvimento estável e sustentável. O fato desta cúpula mundial é gerador de esperança, pois a humanidade começa a olhar para si como um todo e com um destino comum. Mas todas as soluções se orientam ainda sob o signdo do desenvolvimento, o fator principal gerador da crise do sistema-Terra. Ele tem que ser trocado por um “modo sustentado geral de viver”, caso contrário assistiremos à bifurcação da humanidade, entre os que desfrutam do desenvolvimento e os que são vítimas dele. Não chegamos ainda ao novo paradigma de convivência Terra-Humanidade, forjador de uma nova esperança. O próximo futuro, dizia o Presidente da Assembléia, será pela utopia necessária que precisamos constuir para permanecermos juntos na mesma Casa Comum."
* Leonardo Boff é do corpo de assessores do Presidente da Assembléia da ONU e com este título participou dos trabalhos ai realizados.

domingo, 5 de julho de 2009

QUINTA EDIÇÃO DO "BELÔ POÉTICO"

BELO HORIZONTE EM TEMPO DE POESIA

Eugênio Magno


Poesia é: / cor e ação / é rim / Mas / também razão / é o ar que se respira /
dizia Arnaldo / num canto de um quarto / de ofício qualquer /
Pois é!

Este é um poema-provocação de Rogério Salgado e Virgilene Araújo, organizadores do “Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia 2009”, evento que já se encontra em sua quinta edição e acontece entre os dias 9 e 12 deste mês no SESC LACES / JK, rua Caetés, 603, esquina com Rua São Paulo, no centro de Belo Horizonte. Além dos mineiros, estarão participando do encontro, poetas de várias partes do país e ainda os convidados internacionais, José Alberto-Marques, de Portugal e Sebastián Moreno e Laia Ferrari, da Argentina. Entre as várias palestras, lançamentos, performances, saraus, trocas de experiências e homenagens, acontece o mini seminário “A poesia pode curar?”, que faz jus ao tema do “Belô” desse ano que é “A poética gerando saúde”, e que tem como lema a conhecida e vital frase: “seja doador, salve vidas”.
A abertura do evento será na quinta-feira, dia 9, às 19:00 hs. Na ocasião serão homenageados Joanyr de Oliveira (DF), Grupo Lesma (MG), Maria Clara Segobia (RS), personalidades que contribuem com a poesia brasileira. E também aqueles que já não estão mais entre nós, como é o caso de Mário Jorge (SE) e do velho Amadeu Rossi Cocco, do tradicional sebo que leva seu nome, a quem o poeta Rogério Salgado ainda teve tempo de homenagear em vida.
No sábado, dia 11, das 16:30 às 18:30 hs. acontecerá o painel Circuito de opiniões e conhecimentos que vai debater a seguinte questão: Há limite para emoção e técnica nas produções poéticas? Entre os debatedores estarão doutores, mestres, pesquisadores e professores, das áreas de semiologia, literatura, antropologia e artes visuais; além de poetas, jornalistas, filósofos, escritores, críticos de arte, atores, e videomakers. Figuras de destaque na cena cultural como Fernando Fábio Fiorese Furtado, Cecy Barbosa Campos, Sérgio Fantini, Brenda Marques Pena, Marcos Freitas, José-Alberto Marques, Vera Casa Nova, Iacyr Anderson Freitas, Luiz Edmundo Alves, José Edward e Rodrigo Starling participarão do debate.
Na condição de mediador desse painel eu quis saber a opinião de figuras imortalizadas, e o que encontrei de mais significativo nessa garimpagem foi o seguinte: Mário de Andrade disse que poesia é “o que meu inconsciente me grita”; Schiller que é “uma força divina e misteriosa que age de maneira incompreendida”; Décio Pignatari afirma que poesia é “design da linguagem”; Goethe, que ela é “a fala do infalível”; Oswald de Andrade falou que a poesia é “a descoberta das coisas que eu nunca vi”; Ezra Pound definiu a poesia como “essências e medulas”; Maiakovski sentiu-a como sendo “uma viagem ao desconhecido”; Novallis a tinha como “a religião original da humanidade”; Baudelaire disse: poesia é “a ida ao fundo do desconhecido para encontrar o novo” e Aurélio Buarque de Hollanda, dicionariza poesia como “a atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito, de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou de renovação, dessas sensações”.
Penso que a questão proposta é como um koan do Zen Budismo, que tem como objetivo nos deixar em “estado de pergunta”. Um estado racional e ao mesmo tempo emocional e sensorial que, partindo do não-saber, nos coloca num processo de busca, que nos deixa mais atentos e nos abre à possibilidade de termos vislumbres de compreensão, de contemplação e até mesmo de arrebatamento, que são próprios da arte quando esta encontra a poíesis.
Eu arriscaria dizer que a poesia é caprichosa. Ela pousa quando quer e onde quer... Às vezes depois de muito trabalho, como num parto demorado e doloroso; outras vezes, como puro dom, graça, presente ou sintonia com algo maior, cuja razão não alcança. Mas o interessante é que a poesia sempre encontra o poeta. E, só ele, o poeta a encontra também, pois ela vem na direção daquele que a procura, porque só ele, o poeta, pode reconhecê-la, para depois oferecê-la à fruição.
Poesia é razão, imaginação, inspiração ou transpiração? Como definir a poesia? Definir a poesia é definir a criação, tarefa para toda uma vida, ou para muitas vidas. Quem quiser saber o que pensam os participantes do Belô Poético, ou até mesmo dar a sua opinião sobre a questão é só comparecer ao SESC LACES / JK no sábado à tarde. Será uma bela de uma discussão. Não perca.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

EDGAR MORIN FALA SOBRE VIOLÊNCIA


"Violência deve ser tratada em sua complexidade", diz filósofo Edgar Morin
Lincoln Macário
Repórter da TV Brasil / Agencia Brasil

Brasília - Se violência gera violência, submeter um jovem infrator ao cárcere só fortalece seu lado agressivo. Esta é uma das várias declarações humanistas do filósofo francês Edgar Morin, que está no Brasil para uma série de palestras e seminários. Enquanto o mundo se preocupa com os conflitos entre iranianos, é o pobre e esquecido povo do Sri Lanka que ele lembra em primeiro lugar quando perguntado sobre formas de violência que mais o preocupam.
Quanto aos conflitos no Irã ele afirma que as informações vindas de lá devem ser sempre analisadas em seu contexto histórico, político e social.
Em entrevista exclusiva concedida à TV Brasil, ele explica sua Teoria da Complexidade. Autor de 30 livros, entre eles a trilogia O Método e Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, Morin avalia que o mundo ainda não compreendeu a importância do erro – um desses sete saberes – e revela que a educação mudou pouco nos últimos anos, pois permanece ainda muito negativa.
Prestes a completar 88 anos, Morin se empenha em popularizar os conceitos de Política da Civilização e Política de Humanidade. Admirador do Brasil, o professor concedeu a entrevista em português. Recém-chegado da França, ainda não tinha “tomado um banho de português” necessário para deixar suas frases mais “belas”. A mistura, porém, não tirou o caráter inovador de suas ideias.

TV Brasil - O assunto que o traz a Brasília são os direitos humanos e, em especial, as formas de violência. Nesse tema, que tipo de violência mais o preocupa?
Edgar Morin - A mais preocupante é a violência que vem com as guerras, as perseguições, como é a violência que chegou ao Sri Lanka há poucas semanas. A população, aos milhões, está em situação de horror, de matança. Isso é o mais grave. Mas também são as violências urbanas, cotidianas, matrimoniais, muitos homens que golpeiam as mulheres, os pequenos, uma situação muito impressionante. Mas a coisa mais importante é quando se diz, vamos fazer violência para acabar com violência. Em condições gerais, violência, gera outra violência. É um ciclo que não se interrompe. A questão fundamental é como parar a violência. Fazer com que em um momento não exista mais violência. E há vários caminhos: são os caminhos da compreensão. Por exemplo: a violência juvenil. Ser jovem é um momento de transição. Se essa violência é respondida com a violência do cárcere, vai se produzir delinquentes mais fortes. Outra política de compreensão para a pessoa fazer sua transformação é um momento de magnanimidade, de perdoar a pessoa e interromper o ciclo de violência. Existem exemplos, limitados, como o de Gandhi, que sem violência teve sucesso contra o império inglês. Há vários tipos de meios. Hoje podemos pensar em lutar contra todas as formas de violência, com os modos apropriados para cada forma de violência.
TV Brasil - O senhor é conhecido no mundo inteiro, e muito estudado, também no Brasil, pela Teoria da Complexidade. Como se poderia resumi-la?
Morin - Falamos primeiro de violência. Na complexidade, não podemos reduzir uma pessoa a seu ato mais negativo. O filósofo Hegel disse: se uma pessoa é um criminoso, reduzir todas as demais características de sua personalidade ao crime é fácil. Entender, não reduzir a uma característica má uma pessoa que tem outras característica, isso é a complexidade. Uma pessoa humana tem várias características, é boa, má e muito mais. Devemos entender que a palavra latina complexus significa tecido. Em geral, o nosso modo de conhecer que vem da escola nos ensina a separar as coisas, e não religá-las. A complexidade significa religar. Por exemplo: um evento, um acontecimento, uma informação. Quando chega uma informação sobre o que ocorre no Irã, por exemplo, devemos entender o contexto político, histórico, social. A complexidade busca favorecer uma compreensão maior que a compreensão que vem de se isolar as coisas, colocar o contexto, todos os contextos em uma situação.
TV Brasil - No Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, o senhor fala da importância do erro. A humanidade já compreende e já aceita melhor o erro?
Morin - É uma coisa que disse Descartes, o problema de errar é não saber que se erra. Eu penso que é muito inteligente quando se sabe que se comete um erro e se esquece do erro. Penso que é muito importante conhecer as fontes do erro. De onde vem o erro.
TV Brasil - Mas a humanidade vê melhor o erro do que há dez, vinte anos atrás?
Morin - Penso que não há progresso, o sistema de educação não mudou, é cada vez mais negativo. Os problemas globais fundamentais são cada vez mais fortes. Por isso penso que há a necessidade de reformar a educação. Com uma idéia melhor de como se faz o conhecimento e também compreensão humana dos outros. Penso que minha proposta será muito útil para o desenvolvimento nosso futuro.
TV Brasil - Para aceitarmos a complexidade, é preciso uma reforma do pensamento e enxergar o mundo de outra maneira. O senhor acha que os meios de comunicação tradicionais possam contribuir para essa reforma do pensamento ou isso é uma tarefa para a internet?
Morin - A internet hoje dá uma possibilidade de multiplicação de informação e comentários, que é muito útil, por que a vida de uma democracia é a pluralidade das opiniões, visões, sem a homogeneidade da imprensa. Não há muitas diferenças na grande imprensa. É muito útil a internet, o que não significa que não há coisas falsas que venham dessas redes. Mas é a educação que dá à pessoa condição de ver e confrontar o que vê na internet e na televisão. Penso que hoje a internet dá uma possibilidade de mudança muito grande, por exemplo, pela complexidade. No México, há um curso de complexidade da educação virtual, com 25 países.
TV Brasil - O senhor tem se dedicado muito a pensar a política e tem feito a separação da política da civilização e da política da humanidade. Qual a diferença?
Morin - A política de civilização luta contra todos os efeitos negativos da civilização ocidental. É para restabelecer a solidariedade, humanizar a cidades, revitalizar os campos. Cada civilização tem suas virtudes, qualidades, suas diferenças, isso é verdade também para a civilização ocidental. Também para as civilizações de pequenos povoados, como índios da Amazônia, conhecimentos de plantas, animais, arte de viver, novos curativos, como os xamãs. A política de humanidade é combinar o melhor de cada civilização, fazer um simbiose no nível do planeta onde o melhor do mundo ocidental, que são os direitos humanos, direitos da mulher, a possibilidade do individualismo - mas não do egocentrismo - que combine outras civilizações, onde há mais solidariedade. A questão é lutar contra os defeitos das civilizações e pegar o que há de melhor. Porque nas civilizações tradicionais não há só coisas boas como solidariedade. Há também dogmatismo, autoridade demasiada dos mais velhos, do homem sobre a mulher. A ideia é tirar o melhor de cada, não idealizar a civilização tradicional ou a ocidental. (Jornal Fórum Século XXI)

UM BREVE CONTO

MAL ESTAR
Eugênio Magno
Assim que acordei, vi que ela estava meio acabrunhada. Durante quase toda a manhã, ficou pelos cantos. Em alguns momentos eu a vi dormindo. Ou estaria apenas deitada? Não ousei perguntar. Ela não iria, nem poderia responder. Saí e não mais me preocupei com sua apatia. Aquela manhã reclamava muitos afazeres, compromissos e reuniões. Quando cheguei em casa para o almoço, já passava das 13:00 horas. Não a vi ao entrar. Contaram-me que ela ainda não havia almoçado. Enquanto aguardava a mesa ser servida alguém disse que ela não estava passando bem. Teria feito vômito, uma substância amarelada, pastosa, contendo alguns caroços que, olhando de perto, via-se que eram de arroz. Perdi o apetite e ela também. Nossa comida permaneceu intacta. (inédito)

sábado, 27 de junho de 2009

O MELHOR DO DOCUMENTÁRIO ETNOGRÁFICO



RETROSPECTIVA JEAN ROUCH
[DE 22 DE JUNHO A 19 DE JULHO DE 2009]

O Cine Humberto Mauro recebe, até o dia 19.07, a Retrospectiva Jean Rouch. A mostra, considerada a maior retrospectiva do cineasta no país, que começou no dia 22 de junho, irá exibir cerca de 77 filmes realizados por Rouch e outros 14 sobre ele, e conta com a curadoria do filósofo e ensaísta de cinema Mateus Araújo Silva, e do antropólogo italiano Andrea Paganini, ambos radicados em Paris. Engenheiro de formação, titulado doutor em etnologia pela Sorbonne em 1953, Jean Rouch filmou em pelo menos uma dezena de países, primordialmente no continente africano. O "antropólogo-cineasta" é tido como uma das principais referências do grupo de intelectuais da Nouvelle Vague e como um dos ícones do cinema documentário moderno. A mostra está estruturada em dois programas diferentes e complementares (A e B): um que organiza sua obra cronologicamente, outro que a trata por uma perspectiva temática.
O projeto foi desenvolvido pela Associação Balafon, conta com a coordenação de Juliana Araújo e faz parte das comemorações do Ano França Brasil.
RETROSPECTIVA JEAN ROUCH: ENTRADA FRANCA COM RETIRADA DE INGRESSOS MEIA HORA ANTES DA SESSÃO. Confira a programação das sessões clicando aqui.

terça-feira, 23 de junho de 2009

BH TERÁ SUA PRIMEIRA ESCOLA DE FÉ, POLÍTICA E CIDADANIA

No último dia 6 de junho, estiveram reunidos, no Instituto Santo Tomás de Aquino, em Belo Horizonte, um grupo de representantes de diversos segmentos sociais, no Seminário Preparatório para a criação da Escola de Fé, Política e Cidadania Oscar Romero, a primeira no gênero em Belo Horizonte.
A iniciativa é dos ex-alunos do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara – CEFEP-DF, residentes em Belo Horizonte, Adriano Ventura, Carlos José, João Paulo Rezende, Maria Aparecida de Jesus e Rodrigo Marzano, mobilizados por Eugênio Magno, também ex-aluno e atualmente assessor do CEFEP-DF, que através de uma aliança com o frei Carmelita, Gilvander Moreira, pároco da Igreja Nossa Senhora do Carmo, fizeram uma primeira reunião em 24 de março deste ano, dia em que se comemorava os 29 anos de martírio de Oscar Romero, bispo de El Salvador. Esta reunião, que contou com a presença de diversas lideranças locais e teve o privilégio de receber o coordenador pedagógico do CEFEP-DF, Antônio Geraldo Aguiar, indicou a necessidade da realização de um seminário preparatório com a participação de representantes de um número maior de representantes dos vários setores da sociedade interessados nessa questão.












Nesta primeira reunião foi criada uma comissão de coordenação, formada por Carlos José, ex-aluno do CEFEP-DF, Dirlene Marques, economista e ativista do FSMMG Eugênio Magno, comunicólogo, ex-aluno e assessor do CEFEP-DF, frei Gilvander Moreira, pároco da igreja do Carmo e assessor da CPT, Rodrigo Castelo, relações públicas e ativista de confissão Batista e Rodrigo Marzano, ex-aluno do CEFEP-DF e assessor parlamentar. A partir das propostas surgidas nessa primeira reunião a comissão passou a se reunir com regularidade, tanto de forma presencial, como virtualmente, para organizar o seminário preparatório. Foram convidadas cerca de 90 pessoas entre as quais, lideranças da Igreja Católica e outras igrejas cristãs, conselhos ecumênicos, partidos políticos, CEFEP-DF, pastorais, movimentos sociais e órgãos ligados à Arquidiocese de Belo Horizonte. Ao seminário, compareceram 36 pessoas, entre eles, políticos, com e sem mandato, educadores, comunicólogos, padres, pastores, agentes de pastorais, economistas, assessores parlamentares, sindicalistas, representantes de partidos políticos e movimentos sociais, além de leigos representantes de órgãos ligados à Arquidiocese de Belo Horizonte, como o Vicariato para a Ação Social Política e o NESP: Núcleo de Estudos Sócio-Políticos da PUC-MG / Arquidiocese de BH. Este último, um dos apoiadores do evento, juntamente com a Editora Paulinas, a Mixpel Rede de Papelarias e o ISTA.



Na abertura do seminário, às 08:45 hs, o frei Gilvander Moreira conduziu uma mística onde abordou situações de desrespeito aos direitos humanos, trabalho escravo e depredação do meio ambiente. Ele concluiu a mística de abertura evocando a memória do patrono e inspirador da escola, Dom Oscar Romero, arcebispo de San Salvador, através de apresentação audiovisual, que contou com a interação dos presentes.










A palestra de abertura do painel introdutório ficou a cargo do membro da comissão de coordenação e organização do seminário, Carlos José dos Santos que apresentou uma conceituação de Fé e Política, ancorada em textos bíblicos, encíclicas papais e na Doutrina Social da Igreja.
Na seqüência, Frederico Santana Rick, Economista, militante das Assembléias Populares e representante da Cáritas, fez uma exposição sobre conjuntura política e econômica. E finalizou com uma proposta sintetizada em 05 (cinco) pontos que chamou de “’desafios’ centrais para a escola, e que podem se constituir como diretrizes”.













Maria Aparecida de Jesus, ex-aluna do CEFEP-DF e chefe de Gabinete do deputado estadual Durval Ângelo fez uma breve análise de conjuntura a partir da via institucional, com um olhar dos partidos políticos e do PT, em particular, na condição de Governo: situação.
Eugênio Magno, ex-aluno, atual assessor do CEFEP-DF e membro da comissão de coordenação e organização do seminário, fechou o painel introdutório apresentando o histórico e o perfil do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara – CEFEP-DF, instituição inspiradora da Escola de Fé, Política e Cidadania Oscar Romero e fez um relato de toda a trajetória da iniciativa de criação da Escola, desde o fim do curso do CEFEP, até aquele momento. Magno apresentou a proposta do seminário preparatório, fez uma exposição sobre um ideal normativo para a escola, ancorado em ética, linguagem e democracia, apresentou uma proposta de temas para formação da grade curricular e alguns princípios norteadores para a escola.

No segundo painel, o ex-deputado federal, Sérgio Miranda deu o ponta-pé inicial para a problematização, traçando perspectivas sobre o que deveria ser e o que não deveria ser a escola, destacando o atual momento histórico de mudança de paradigma. Segundo ele temos a tendência de olhar o mundo somente a partir do que está à nossa volta e esse comportamento nos afasta de um maior aprofundamento, em razão de ficarmos apenas na superficialidade, que é consequência da subjetividade do nosso individualismo. Falou que precisamos criar um curso que seja pensado e realizado de dentro da política e não apenas com uma visão da política enquanto objeto de estudo e, portanto, distanciada da realidade vivida. Destacou que as coisas vão ser e devem ser diferentes e que estamos vivendo a queda do mito da globalização e o início de um novo ciclo, que representa a derrocada de toda uma forma de pensar e realizar as coisas.
Continuando a problematização, o professor José Luiz de Magalhães fez uma espécie de síntese de tudo que foi dito e chamou a atenção para questões importantes que não haviam sido colocadas nas exposições anteriores. Ele destacou o que pode ser chamado de a nova cultura “solidária”, onde existe uma maior aproximação das pessoas e dos povos: gêneros, nacionalidades e etnias, compartilhando e trocando experiências. Falou sobre a necessidade de conhecermos mais e melhor sobre os Estados Plurinacionais, sobre a Teoria do Estado (a Teoria da Construção do Estado) e reiterou de forma mais aprofundada a questão levantada por Eugênio Magno sobre linguagem e matrizes simbólicas, salientando a necessidade de se investigar o encobrimento da ideologia por meio do simbólico, a partir do olhar da psicanálise.
Depois de um breve intervalo para almoço, os grupos temáticos discutiram os seguintes temas: Leitura da relação Fé e Política na Bíblia; Ensino Social da Igreja: princípios básicos; Espiritualidade, Ética e Democracia; Economia Política: história do pensamento econômico, dinâmica do capitalismo; História da formação social, política, econômica e cultural do Brasil; Propostas para a construção do novo no Brasil: a proposta dos movimentos sociais e dos partidos políticos; A Constituição de 1988; Cidadania e direitos humanos, nos últimos 50 anos e a contribuição da Igreja neste processo; Comunicação, Linguagem, Cultura e Política. O trabalho comum a todos os grupos foi: Como trabalhar estes temas como conteúdos dos cursos da escola e quais outros temas devem ser contemplados? Desenvolver uma Proposta para viabilização, subvenção e manutenção da escola; Escolher dois representantes do grupo temático (um para integrar o Comitê Gestor e outro para o Conselho Educacional da Escola).
Após um tempo de discussão entre os grupos, estes voltaram à plenária para apresentarem suas proposições. Nesta exposição, os grupos ressaltaram a importância da escola se orientar pelo ecumenismo, mas ancorada pelas propostas de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida”. “Eu vim para os pobres”. A partir dessa ótica, não perder de vista que a práxis de Jesus carregava uma conotação política e, com isto, trazer a Bíblia para mais próximo da nossa realidade, aproveitando as várias metodologias existentes, como uma leitura popular desta, a exemplo do que faz as CEB’S. Outra forma de se trabalhar os conteúdos bíblicos sugerida foi através da reconstrução dos fatos políticos bíblicos, retratando como foi construída a história política do povo na Sagrada Escritura. Os grupos identificaram a necessidade de se trabalhar estes temas com o propósito de capacitar o cristão para identificar e fortalecer as ações que realmente são transformadoras.
Os grupos destacaram também a necessidade da escola atuar de forma ecumênica, Insistindo em um espaço de formação que seja múltiplo, diverso. Tanto em sua estruturação como no conteúdo de seus cursos, disciplinas e pedagogia de ensino, atendendo assim às várias demandas da população no que diz respeito a modalidades de temas, formatos e horários. Formar indivíduos para viver coletivamente de forma solidária, respeitando a diversidade. Adotar uma metodologia de ensino diferenciada que inclua artes, passeios e reflexões que permitam interações e trocas mais participativas e solidárias, fugindo do modelo educacional tradicional e tendo em vista uma pedagogia de busca pela autonomia que ensina ao aluno a pensar e descobrir o conhecimento de forma livre e crítica. Ter um espaço físico de referência, uma sede fixa, mas também cursos itinerantes. Considerar as demandas dos diversos movimentos sociais, inclusive na busca de parcerias para a realização de atividades conjuntas e a troca de experiências. Elaborar projetos para conseguir recursos, sem, todavia, perder o horizonte de ser auto-sustentável através de colaborações militantes e voluntárias. Buscar parcerias com entidades, que poderão ter como contrapartida vagas nos cursos. Não buscar fontes de financiamento e subvenção que nos “amarrem” e não se constituir como correia de transmissão de nenhum grupo, instituição e/ou interesse político, religioso ou econômico. Criar uma “Associação de Amigos da Escola”, que poderão contribuir para a manutenção da escola.
Dando continuidade aos encaminhamentos das proposições, os grupos apresentaram o resultado de suas eleições para escolha dos respectivos representantes para os conselhos: Gestor e Educacional. Para o Conselho Gestor foram eleitos João Paulo, Frederico Santana, Alexandre Braga e Maria Solene, e para o Conselho Educacional, Adilson Drummont, Maria da Consolação e Pastor Lúcio. Houve também um processo de votação com opções para mudar a Comissão de Coordenação (provisória), retirar e/ou acrescentar novos nomes à mesma. A plenária, entretanto votou pela manutenção e permanência da comissão que agora será permanente e permanecerá com sua formação original que é a seguinte: Carlos José, Dirlene Marques, Eugênio Magno, Frei Gilvander Moreira, Rodrigo Castelo e Rodrigo Marzano.








O frei Gilvander Moreira manifestou sua satisfação com os resultados que o seminário apontava e fez uma síntese das proposições do grupo, acentuando e acrescentando os pontos que julgou mais importantes segundo sua visão, como: a necessidade da escola adotar uma pedagogia de busca de autonomia, com linguagem a partir dos pequenos; que o funcionamento da escola seja a partir dos nossos próprios pés. Não buscar fontes que nos “amarrem”. Primeiro consolidar a Escola, depois buscar parceiros. Buscar “assuntos” de interesse público, tendo em vista a demanda dos movimentos populares. Oferecer diferentes tipos de cursos, oficinas e seminários (livres, com tópicos especiais), em diferentes horários (tarde, final de semana). Que a escola seja ecumênica, mutante, múltipla, e que envolva as artes em sua metodologia. Temos que trabalhar o Ensino social cristão: católico, mas também o evangélico, etc. Embora a escola tenha um ideal ecumênico, é necessário consolidar os laços com apoiadores tais como NESP, CNBB, Vicariato, Arquidiocese de Belo Horizonte, CONIC e as representações das outras Igrejas e matrizes religiosas. Focar a ética e a espiritualidade, numa perspectiva comunitária, e não individualista. Estudar a luz bíblica e valorizar a religiosidade popular. “Estou sentindo que uma criança está sendo gerada de forma saudável, rica e diversa”, disse Frei Gilvander. Ele encerrou sua participação no seminário elogiando a riqueza de se ter entre os membros da comissão de coordenação e conselhos, competências e representações tão significativas, diversas e complementares, uma atitude louvável para a consolidação de uma Escola no formato que se pretende.
Foi agendada uma reunião para o dia 20 de junho, às 10h, na igreja do Carmo, bairro Sion. Telefone: 3221-3055, da qual deverão participar a comissão de coordenação e os conselhos gestor e educacional e na seqüência, cada um dos presentes, fez uso da palavra, para fazerem as suas considerações finais.
Consolidando a proposta ecumênica da escola, a mística de encerramento, ficou sob a responsabilidade do pastor Lúcio Mendonça, da igreja Metodista, que depois de conduzir um canto, fazer uma leitura e propor a partilha da passagem bíblica escolhida, fez uma analogia entre a época de Moisés e o momento de crise atual, dizendo: “Há momentos da nossa vida que temos que perceber que nós não damos conta por nós mesmos e só conseguiremos alcançar nosso objetivo pelo poder de Deus”, disse. “Diga ao povo de Israel que marche”. “Este é o momento que nós também precisamos marchar para alcançar a vitória”, finalizou o pastor Lúcio.

Nos instantes finais, Eugênio Magno relembrou o que disse no início do dia: que era para todos os presentes se sentirem como pais e mães, fecundando um grande útero para gestar a escola. Com estas palavras e a entrega dos certificados numa dinâmica de confraternização e despedida foi encerrado o encontro, por volta de 17:50 hs num clima de alegria fraterna e com um sentimento de que algo novo estava nascendo.
Na reunião do dia 20 de junho, realizada nas dependências da Igreja do Carmo, a Comissão de Coordenação, juntamente com os conselhos Gestor e Educacional fizeram uma avaliação do seminário, desde o processo de organização até a sua realização e definiram algumas ações necessárias para o encaminhamento do que foi proposto no seminário.
O grupo reunido reiterou o compromisso de ser fiel às proposições tiradas do seminário preparatório e manifestou a necessidade de buscar o apoio da Arquidiocese de Belo Horizonte para a criação da escola, oferecendo a esta um ou dois acentos nas comissões já existentes, com poder de voto igual a cada um dos demais que já integram os conselhos gestor e educacional, que trabalharão alinhados com as orientações da Comissão de Coordenação. Esta parceria com a Arquidiocese de Belo Horizonte deverá se estender também para outras Igrejas e matrizes religiosas, formando um conselho ecumênico do ponto de vista religioso e pluralista, do ponto de vista político e ideológico. Ficou acertado que o frei Gilvander Moreira irá agendar reunião com dom Walmor e/ou dom Joaquim Mol, com a participação de todos os integrantes da Comissão Coordenadora e os conselhos gestor e educacional, para acertar a parceria. Já ficou agendada uma próxima reunião da escola, para o dia 15 de julho.










sexta-feira, 19 de junho de 2009

O DECLÍNIO DA IGUALDADE

Em artigo intitulado Socialismo: a igualdade em declínio, para o jornal La Repubblica, de 16.06.09, Massimo L. Salvadori, autor de livros como A História do marxismo, volume 7, Editora Paz e Terra, Breve Historia del Siglo XX, Editora Alianza, Gramsci e il problema storico della democrazia e L' utopia caduta: storia del pensiero comunista da Lenin a Gorbaciov, pergunta: "chegou a hora hoje de dar o adeus definitivo ao socialismo ou já estamos no "pós-socialismo"? (O artigo foi publicado no IHU Instituto Humanitas Unisinos e a tradução é de Moisés Sbardelotto)
Aqui está o texto na íntegra:

Socialismo: a igualdade em declínio
Massimo L. Salvadori

"Acredito que, para buscar entender m que ponto estamos com relação ao socialismo, é preciso, sobretudo, enfrentar o tema com a prudência necessária. O século XIX e também o início do novo século é toda uma celebração – por parte das forças políticas e das correntes ideológicas que, em um certo momento, se consideraram no comando da História – de funerais daquelas forças consideradas definitivamente expulsas.
Quando vitorioso, o comunismo proclamou mortos o socialismo reformista, a democracia burguesa, o fascismo. O fascismo vitorioso fez o mesmo com o socialismo de todas as correntes, com o comunismo, o liberalismo, o pluralismo político e institucional. O conservadorismo neoliberal, gravemente morto, cantou o De Profundis ao keynesianismo e à social-democracia.
Chegou a hora, hoje, de dar o adeus definitivo ao socialismo, seja tanto democrático quanto reformista, ou estamos repentinamente no "pós-socialismo"? A interrogação é mais do que nunca séria e motivada.
A social-democracia nas suas diversas variantes navega em águas decididamente ruins. Quem afirma isso é o seu absurdo e estupefaciente silêncio político, cultural, programático, frente à crise econômica que estourou no outono de 2008. Quem afirma isso é o estado dos partidos da família, uns em uma ânsia mais ou menos forte, outros destruídos. E quem afirma isso são os resultados muito frustrantes nas eleições para o Parlamento europeu. Tudo isso está pondo a questão: o socialismo está sobrevivendo a si mesmo de forma a induzir que se pense que ele esteja próximo a encerrar a sua história?
Eu, de minha parte, ao responder, considero que se pode pensar assim. O socialismo, enquanto movimento que incluiu, na sua longa história, várias correntes – os chamados utopistas e os chamados realistas, os radicais e os moderados, os revolucionários e os reformistas, os estatais e os antiestatais – foi, ao mesmo tempo, duas coisas: de um lado, uma grave reação às desigualdades entre os homens e um projeto de total ou de maior igualdade; de outro, a elaboração de programas, a indicação de meios até antitéticos entre si para alcançar, de maneira mais ou menos integral, o fim.
A variável mais extrema do socialismo, o comunismo, encerrou a sua história em 1989, com a falência da coletivização em um quadro de estatalismo totalitário. A social-democracia se encontra, atualmente, acertando as contas com o fim do ciclo que, nos séculos XVIII-XIX, havia visto os seus relativos porém importantes sucessos, os quais apoiavam-se em uma realidade das relações econômicas, sociais, políticas e institucionais que está em curso de rápido término. Isto é, o fato de ter como fundamento a grande fábrica e como bases de referência um exército de proletários da indústria e fortes sindicatos, o fato de ser capaz de manter organizações de partido capilarmente distribuídas no território com uma alta taxa de participação ativa dos inscritos, o fato de agir no quadro de Estados nacionais soberanos em uma época de crescente intervencionismo público. Fatores esses, justamente, mais do que em transformação, em via de dissolução.
O ano de 1989 marcou o início do pós-comunismo. O tempo presente indica que estamos também no pós-socialismo do século XVIII-XIX. O mundo das desigualdades com todas as suas consequências e implicações, mais do que nunca, porém, está vivo e, por isso, é preciso desfazer o nó do fato de se um socialismo renovado é capaz de continuar sendo um sujeito capaz de conduzir, em primeira pessoa, a luta ideal e prática contra elas, ou, pelo contrário, se o pós-socialismo do século XVIII-XIX significa pós-socialismo sem adjetivos."

A NATUREZA MORA AO LADO ("e quem não é tolo pode ver")

Muito perto da metrópole, na cidade de Lagoa Santa, distante apenas 34 km de Belo Horizonte, podemos assistir a um bonito espetáculo da natureza: o convívio social de uma família de belas e dóceis capivaras.







segunda-feira, 15 de junho de 2009

CARTA USA NOMES DE CIDADES DE MINAS

Tem uma série de coisas, se não boas, pelo menos interessantes, circulando pela internet. A grande maioria sem identificar a autoria. A carta abaixo é uma delas. Confira:
"CIDADES MINEIRAS"
(nomes das cidades mineiras em forma de carta)

"Prezado amigo TEÓFILO OTONI.
Nesta VIÇOSA manhã de primavera, de onde se contempla um BELO HORIZONTE, um CAMPO BELO e MONTES CLAROS, e, ainda, neste ambiente FORMOSO de nossa terra, quando se pode contemplar também, pela madrugada, a ESTRELA DALVA, escrevo-lhe para colocá-lo a par dos últimos acontecimentos.
No âmbito familiar, a nossa prima LEOPOLDINA, ESPERA FELIZ dar à LUZ a seu primeiro filho que, se for homem, se chamará ASTOLFO DUTRA e JANUÁRIA, se mulher. Para cuidar do rebento, ela contará com abnegação da sua governanta MOEMA. Mas, enquanto ela aguarda seu bebê, lava roupa tranqüilamente nas BICAS existentes em um RIO NOVO, afluente do RIO ACIMA, que passa pelas terras de DONA EUZÉBIA, naquele LARANJAL, perto da CAPELA NOVA, onde, na hora do RECREIO, a meninada sobe na PONTE NOVA, para pescar LAMBARI e PIAU e soltar PAPAGAIOS.
A prima NATÉRCIA comprou uma casa na rua ANTONIO DIAS, perto da casa do ANTÔNIO CARLOS. Você já sabia? Orou a Jesus de NAZARENO em agradecimento, ajoelhada aos pés da SANTA CRUZ DO ESCALVADO no alto do MONTE SIÃO, que fica lá para as bandas da GALILEIA, às margens do MAR DE ESPANHA.
Lembra-se daquelas pedras da tia MARIA DA CRUZ que você queria comprar? Ela resolveu vendê-las, menos a PEDRA AZUL, porque ela diz ser a mais bonita e valiosa.
Quanto aos aspectos sociais e religiosos, temos novidades.
Na próxima semana, o CÔNEGO MARINHO, da diocese de VOLTA GRANDE, vai fazer a Festa de SÃO TOMAS DE AQUINO. Se você quiser aparecer será um grande prazer. A nossa prima VIRGINIA é quem será a responsável pelo evento. Vai ter missa celebrada pelo reverendo local, CÔNEGO JOÃO PIO, em honra ao Santíssimo SACRAMENTO. De manhã, o bispo DOM SILVÉRIO irá crismar as crianças.
Depois haverá um show com o Agnaldo TIMOTEO e também com as TRÊS MARIAS. Em seguida, a Banda Musical SANTA BÁRBARA, sob a regência do maestro BUENO BRANDÃO, executará o GUARANI, de Carlos Gomes. Depois o Barão de COROMANDEL fará a saudação ao aniversariante. A festa era para ser no mês que vem, mas todas as datas do cantor estavam preenchidas. As primas SERICITA e AZURITA vão fazer a comida. Como prato principal teremos PERDIGÃO e PERDIZES à milanesa e PATOS DE MINAS ao molho pardo. De sobremesa teremos compota de MANGA, tendo sido escolhida a UBÁ, por ser mais saborosa, pêssego em CALDAS e, ainda, licor de PEQUI.
À noite, haverá um baile no OLIVEIRA Country Clube, ao som da orquestra do maestro MATIPÓ, tendo como principais solistas os renomados músicos IBIRACI ao saxofone e NEPOMUCENO ao trompete. Será uma boa ocasião para os convidados exercitarem os seus PASSOS ao ritmo de boleros e rumbas.
Mudando de assunto, na fazenda, fizemos algumas reformas.
O CURRAL DE DENTRO estava com o telhado estragado, com problemas no madeirame e tivemos que trocar as vigas. Desta vez colocamos CANDEIAS, por ser madeira de muita durabilidade, todas compradas do CORONEL XAVIER CHAVES. Com a sobra da madeira ainda reformei a PORTEIRINHA que dá entrada para o quintal. Estou também reformando a CAPELINHA de SENHORA DE OLIVEIRA, para comemorar o aniversário de LIMA DUARTE. Na festa estarão presentes o CORONEL MURTA, o PRESIDENTE WENCESLAU, o JOÃO MONLEVADE, o CORONEL FABRICIANO, o CAPITÃO ENÉAS, o BARÃO DE COCAIS, o Barão de BARBACENA, e várias outras personalidades. Dizem que até o TIRADENTES pretende comparecer. Mas ele ficou meio aborrecido, porque queria que a festa fosse em SÃO JOÃO DEL REI. Só não poderá comparecer o VISCONDE DO RIO BRANCO porque ele está em CAMPANHA política. Iremos cobrar um valor simbólico como entrada, para reverter em benefício dos desabrigados da chuva, mas apenas uma MOEDA de PRATA.
Vou lhe dar outra grande notícia.
Perto do ENGENHO NOVO, naqueles barrancos cheios de FORMIGA, um empregado nosso descobriu MINAS NOVAS de OURO BRANCO, OURO PRETO, ESMERALDAS e TOPAZIO, portanto será uma NOVA ERA e uma BOA ESPERANÇA para todos nós. Infelizmente, por causa dessa riqueza, a violência já começou a aparecer na região. Um homem de TRÊS CORAÇÕES foi morto por um garimpeiro, usando uma faca de TRÊS PONTAS, porque ele havia descoberto uma enorme TURMALINA e também uma pedra de RUBIM, de menor tamanho, mas muito valiosa.
Na área do desenvolvimento, a dona CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO, proprietária da usina açucareira de URUCÂNIA, quer aumentar a fábrica e incrementar a produção de açúcar, mas para isso precisará de mais energia elétrica. Assim, tem um projeto de construir uma usina hidroelétrica aproveitando as quedas dágua da CACHOEIRA DO CAMPO, formada pelo rio PIRANGA, mas o senhor RESENDE COSTA, que é o chefe do IBAMA na região, quer embargar a obra, alegando impacto ambiental.
Falarei agora da nossa justiça.
Chegou um JUIZ DE FORA, chamado EWBANK DA CÂMARA, para ocupar o lugar de BIAS FORTES, que terminou o seu mandato. Mas o CONSELHEIRO LAFAYETE, acompanhado de RAUL SOARES, pediu ao GOVERNADOR VALADARES para interceder junto ao PRESIDENTE BERNARDES para efetivar naquele cargo o SENADOR FIRMINO, que muito fez por nós. Ele foi DESCOBERTO ainda novo, tanto que sequer usava sapatos, usava ALPERCATAS, quando estava na companhia do CORONEL PACHECO, na famosa LAGOA DA PRATA, depois daquela GOIABEIRA e daquela árvore de JANAÚBA da fazenda POUSO ALEGRE, onde tem aquela VARGINHA, às margens do RIBEIRÃO VERMELHO.
Ele se tornou um homem sério e honesto, sendo de muito valor para a nossa causa.
Quanto à lagoa a que me referi, dizem que ela contém ÁGUA BOA, tanto que o Aleijadinho teria se curado dos seus males tomando banho nela, por isso passou a ser chamada de LAGOA SANTA. Dizem que um cego também lavou os olhos naquelas águas e voltou a enxergar, mas ele atribuiu esse milagre a SANTA LUZIA.
Outro dia encontrei o BETIM, a MARIA DA FÉ e a ALMENARA nadando nas ÁGUAS FORMOSAS da LAGOA DOURADA, e lhe mandaram lembranças. A lagoa fica nas terras de PEDRO LEOPOLDO, onde ainda tem mais SETE LAGOAS.
Avisam que estarão viajando para ALÉM PARAÍBA no próximo feriado de SANTOS DUMONT.
Também lhe mandam um grande abraço o DIOGO VASCONCELOS e o JACINTO.
Agora, vou lhe contar as fofocas.
O FRANCISCO SÁ teve um desentendimento com o JOÃO PINHEIRO por causa daquela LAJINHA que faz o SALTO DA DIVISA das terras dos dois fazendeiros com as terras da MARIANA, às margens do Rio PARACATU, porque dizem que ali tem muita MALACACHETA.
A coisa andou quente. Um deles, não sei qual, queria agredir o outro com um MACHADO. Ainda bem que o coronel MATEUS LEME chegou na hora e evitou o PATROCÍNIO de uma morte desnecessária, e, ainda, promoveu uma NOVA UNIÃO dos dois.
Os índios AIMORÉS tentaram invadir a reserva dos índios MAXACALIS, armados de ARCOS e flechas, por causa daquela reserva de JEQUITIBÁ existente no PÂNTANO DE SANTA CRUZ, mas, felizmente, foram contidos pelas tropas da Polícia FLORESTAL comandadas pelo MAJOR EZEQUIEL, evitando um massacre sem precedentes. Os presos foram levados para o QUARTEL GERAL.
E tem mais.
O ELOI MENDES me contou, confidencialmente, que o Dr. CARLOS CHAGAS está de caso com a CONCEIÇÃO DAS ALAGOAS. A CÁSSIA, que é muito linguaruda, contou para a mulher dele, dona CRISTINA, que, imediatamente queria a separação e iria mudar-se para DIAMANTINA. Mas a dona MERCÊS, que é muito benquista por todos, conseguiu convencê-la a não tomar essa medida EXTREMA, e lhe propôs que aguardasse a chegada do seu primo, MARTINHO CAMPOS, que é um homem de mãos de FERROS, para ouvir o seu conselho. Ele achou que seria uma missão muito ESPINOSA, mas, ainda assim, aceitou o desafio. Sendo ele também um homem ponderado, sugeriu ao marido que pedisse PERDÕES à sua esposa, na presença do PADRE PARAÍSO, e assim foi feito e tudo teve um BONFIM.
Depois desta CONTAGEM dos fatos, damos graças a SENHORA DOS REMÉDIOS, SANTO ANTÔNIO DO AMPARO, SANTO ANTÔNIO DO GRAMA e SÃO TIAGO, que têm sempre protegido a nossa família, para que nossas lutas tenham sempre um BOM SUCESSO.
Terminando, receba um forte abraço do seu primo,
MATIAS BARBOSA."