segunda-feira, 19 de outubro de 2009
DISCURSO DE UM INDÍGENA SOBRE A DÍVIDA EXTERNA DA AMÉRICA LATINA
terça-feira, 13 de outubro de 2009
A COMUNICAÇÃO E O MARKETING NAS ELEIÇÕES DE 2010
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
IRMÃ BENEDITINA QUER IMPEDIR A OBRIGATORIEDADE DA VACINA CONTRA A GRIPE A
A irmã beneditina Teresa Forcades, doutora em medicina, começou um movimento civil na Internet para impedir que a vacina contra a gripe AH1N1 seja obrigatória e contra a gestão da doença.Em um vídeo que ela postou na rede, essa irmã faz um chamado à participação popular para que ninguém possa ser forçado a ser vacinado na Espanha e para que aqueles que sejam vacinados não percam seu direito a exigir responsabilidades se sofrerem efeitos colaterais.A reportagem é de Gaspar Hernández, publicada no sítio Religión Digital e no jornal catalão El Periódico, 08-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Para ler a matéria na íntegra clique aqui. (Fonte: Site do IHU - Instituto Humnitas Unisinos)BH RECEBE A 4ª MOSTRA CINEMA E DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO SUL
Na sessão de abertura está prevista a exibição do longa-metragem “Corumbiara”, vencedor este ano dos prêmios de melhor filme no Festival de Gramado e no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Goiás), além de menção honrosa no É Tudo Verdade. Dirigido por Vicente Carelli, o filme integra o projeto “Vídeo nas Aldeias”, foco do programa Homenagem desta edição e que tem como objetivo apoiar as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais por meio de recursos audiovisuais e de uma produção compartilhada com os povos envolvidos.
Considerado projeto precursor na área de produção audiovisual dos índios no Brasil, o “Vídeo nas Aldeias” foi criado em 1987 a partir de um experimento realizado por Vincent Carelli entre os índios Nambiquara, quando estes eram filmados e depois assistiam a suas próprias imagens. Além do longa “Corumbiara” na sessão de abertura da Mostra, outros sete títulos do projeto também estão programados.
Na sessão Contemporâneos o público poderá conferir alguns trabalhos recentes, como “Garapa”, de José Padilha (diretor do sucesso “Tropa de Elite”) e as produções inéditas no Brasil como “Entre A Luz e a Sombra”, de Luciana Burlamaqui e o argentino “Unidade 25”, dirigido por Alejo Hojiman.
Entre os destaques da Mostra está o longa-metragem “Histórias de Direitos Humanos”, que integra o Programa Especial com 22 episódios de três minutos cada, assinados pelo argentino Pablo Trapero, o chinês Jia Zhang Ke, o tailandês Apichatpong Weerasethakul e o realizador de Burkina Faso Idrissa Ouédraogo (“África, Minha África”), além da dupla brasileira Walter Salles e Daniela Thomas.
“O Cavaleiro Negro” de Ulf Hultberg e Åsa Faringer, e a minissérie televisiva “Trago Comigo”, na qual a diretora Tata Amaral mistura ficção e realidade para abordar a ditadura militar no Brasil, também fazem parte do Programa Especial.
Inspirada pelo mote “Iguais na Diferença” (tema de recente campanha pela inclusão das pessoas com deficiência criada para a Secretaria de Comunicação Social e Secretaria Especial dos Direitos Humanos, ambas da Presidência da República), a Retrospectiva Histórica de 2009 reúne produções realizadas de 1949 a 1998, destacando nomes expressivos da cinematografia da região. É o caso do chileno Raúl Ruiz, que realizou “O Realismo Socialista” em 1973, e do peruano Francisco J. Lombardi, autor do sucesso “Não Conte a Ninguém” (1998). Dois longas-metragens brasileiros, que tratam de temas fortes e há muito fora de circulação, são recuperados pela programação: “Crueldade Mortal” (Luiz Paulino dos Santos, 1976), através de uma brilhante atuação de Joffre Soares, aborda questões ligadas ao idoso, tortura e segurança pública, enquanto que “Também Somos Irmãos” (José Carlos Burle, 1949), com elenco liderado por Grande Otelo, é considerado por estudiosos como o filme mais importante sobre a questão racial feito no Brasil.
Além de Belo Horizonte, outras 15 cidades recebem Mostra: São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Porto Alegre, Teresina, Manaus, Fortaleza, Rio Branco, Belém, Maceió, Brasília, Recife, Curitiba, Goiânia e Salvador. Em todas as capitais acontecem sessões com audiodescrição e closed caption.
A 4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é uma realização da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira, patrocínio da Petrobras e conta com apoio do Ministério das Relações Exteriores, da TV Brasil e da Sociedade Amigos da Cinemateca. As obras mais votadas pelo público são contempladas com o Prêmio Aquisição TV Brasil nas categorias longa, média e curta-metragem. A programação tem curadoria do cineasta e curador Francisco Cesar Filho e em Belo Horizonte a mostra é organizada por Alexandre Pimenta. Maiores informações podem ser obtidas no website da mostra: http://www.cinedireitoshumanos.org.br/ .
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
AS MAZELAS DO NOSSO MODELO CIVILIZATÓRIO
Conta-se que Prometeu, apaixonado por sua criação, roubou o fogo dos deuses para dá-lo aos homens. O fogo simboliza, entre outras coisas, a inteligência e o poder dos engenhos. "O fogo forneceu à humanidade um meio de construir armas e subjugar os animais. O fogo propiciou a fabricação de ferramentas com que cultivamos a terra. Com o fogo aquecemos nossa morada e nos tornarmos independentes do clima. Criamos a arte da cunhagem das moedas, o que facilitou o comércio."
Com o fogo, o ser humano transformou a natureza. Veio, muito mais tarde, a Revolução Industrial, as máquinas e as cidades, discípulas das máquinas, movidas pelo fogo. As chaminés das indústrias, o asfalto e os carros nos engarrafamentos são os maiores ícones do fogo. O Aquecimento Global é a sua principal consequência.
Passando pela madeira, carvão, pólvora e petróleo, o fogo modificou o mundo e a nós também. O fogo brando que nos aqueceu e nos fez progredir se transformou em labaredas descontroladas de novas ambições, de desejos insaciáveis e de medos sem medida. Nos tornamos hiperativos para atingir o que desejávamos e evitar o que temíamos. Consumistas irracionais, logo imitaríamos o fogo a arder e a consumir tudo ao nosso redor.
Na antiga Grécia, havia uma certa repulsa aos homens que dedicavam todo o tempo de suas vidas ao trabalho para acumular metais e moedas. Foram chamados de negociantes (neg-ócio - negação do ócio). Segundo os gregos, estes homens não trilhavam seu próprio destino, mas se moviam apenas por conveniências ou em busca de vantagens pessoais.
Atualmente, bilhões de pessoas são obrigadas à hiperatividade e ao oportunismo, reféns do sistema econômico criado pela visão gananciosa dos homens de "negócio". Para estes homens, o sentido da Vida está na competição que assegura um domínio baseado numa miragem de poder. No prolongamento deste delírio da vaidade, o objetivo social seria apenas o de gerar empregos para os outros. Para tal, seria preciso educá-los para serem operadores dos empregos necessários. No fim, a Vida, obra máxima da poesia universal, foi escravizada por uma centena de cães famintos por ossos enterrados, que seguem a esburacar a Terra toda para construir seu grande "esqueleto" final, educando todos para o mesmo tacanho objetivo.
Por outro lado, na antiguidade, o ócio criativo era muito valorizado. Sem um excesso de ambições, desejos, medos e ansiedades, o ser humano poderia olhar mais para sí mesmo. Através da busca da harmonia interior, ajustava-se melhor à trilha de seu próprio destino, descobrindo a justa medida do seu Ser. Tal era o único caminho para uma cidadania ética, vocacionada e criativa.
A causa do Aquecimento Global está dentro de nós. A responsabilidade é desta rotina civilizatória que insistimos em seguir sem questionar, porque cada um é obrigado a negociar as vantagens pessoais que levará no processo. Enquanto cada qual tenta se salvar, todos juntos vão naufragando e se intoxicando na fumaça do efeito estufa.
As chamas desta luxúria desenvolvimentista parecem ter saído do controle. O mundo se aquece e nos sufoca de várias maneiras. É preciso, urgentemente, repelir as idéias de maior produtividade, que estão reduzindo as pessoas a meros parafusos de engrenagens frívolas e indiferentes. Estas engrenagens estão esmagando os nossos melhores valores, nos desviando de nós mesmos e aquecendo a biosfera, emporcalhando a natureza e desrespeitando a Vida. É preciso lembrar sempre que a "Civilização" se mede pelo respeito à Vida e não pela tecnologia e pelos bens disponíveis no mercado..." (Fonte: Jornal Fórum Século XXI)
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
MARQUETEIRO DE OBAMA CONFIRMA PARTICIPAÇÃO NAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE 2010
A afirmação é do marqueteiro Ben Self, responsável pela estratégia da campanha de Barack Obama na Internet, quando questionado se teria sido contratado pelo Partido dos Trabalhadores para trabalhar nas eleições do ano que vem. A informação foi confirmada em entrevista ao Portal Terra. Veja detalhes clicando aqui. (Fonte: Site IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A PRECARIEDADE DE UMA VIDA RETRATADA NA BREVIDADE DE UM MINICONTO
sábado, 26 de setembro de 2009
O SUCESSO DA CAMPANHA FICHA LIMPA
Os esforços de mais de um ano da Campanha Ficha Limpa serão entregues ao Congresso Nacional na terça-feira, 29/09, às 11:30h. As 1 milhão e 300 mil de assinaturas, arrecadadas pela sociedade civil em todo o Brasil, serão repassadas ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Michel Temer.AMÉRICA LATINA, O LUGAR MAIS ESTIMULANTE DO MUNDO
terça-feira, 22 de setembro de 2009
POLÍTICO COM FICHA CRIMINAL TERÁ O NOME DIVULGADO
Para o presidente do TRE-MG, desembargador Almeida Melo, a atitude é uma alternativa à lei eleitoral, que determina que nenhum candidato que responde processo por qualquer crime possa ter a candidatura impugnada se a ação não tiver sido transitada em julgado, ou seja, ter esgotado todas as possibilidades de recursos.
'Já que os juristas nos impedem de afastar do processo eleitoral os delinquentes, com base no princípio da presunção da inocência, vamos fazer um esforço para que a verdade seja contada pela Justiça Eleitoral', disse Melo.
Segundo o desembargador, o objetivo de tal transparência não é prejudicar a imagem dos candidatos, mas sim auxiliar a população com informações que de interesse público. De acordo com um levantamento realizado pela ONG Transparência Brasil, dos 77 deputados estaduais mineiros, 22 respondem a algum tipo de processo na Justiça ou em tribunais de contas."
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
POEMA DE DOM PEDRO CASALDÁLIGA

Por onde passei,
A ETERNA LUTA DE CLASSE
"Um dos objetivos de estarmos juntos enquanto classe é de reconhecermos aquilo que somos a partir daquilo que foi retirado de nós, como verdadeiros produtores da vida: o sentido do trabalho.
A principal característica do modo particular de produção capitalista, é que o que ele extrai cada vez mais de nós trabalhadores é o nosso tempo.
Este roubo ocorre tanto na apropriação indevida do tempo de trabalho mal remunerado para parte expressiva de nossa classe, quanto no tempo que deveria ser de não trabalho, livre para o lazer, a cultura e a família, e é utilizado pelo mesmo capital, como reprodução ampliada de seus interesses.
Em outras palavras, o capital usa nosso tempo, ou para nos aprisionar ainda mais no sobre-trabalho cotidiano, ou para transformar nosso tempo livre em tempo de consumo.
É em meio a essa forma específica de subordinar o produtor da vida, o trabalhador e a trabalhadora formal e informal, em alguém dependente dos donos dos meios de produção e de propriedade privados, que a classe trabalhadora encontra, com o passar do tempo, dificuldades de encontrar tempo para si, em meio ao tempo de reprodução da sua vida, na forma do tempo roubado.
O roubo do tempo se dá em várias dimensões:
1. Pelo trabalho cada vez mais intenso e prolongado, seja nos espaços de trabalho, seja na quantidade de tarefas que se leva para casa, que faz da jornada diária de reprodução da vida, maior do que a possível para que o trabalhador exerça suas funções com dignidade;
2. Pelos vários trabalhos exercidos em outras atividades, para compensar a má remuneração recebida em um único serviço, que significa o trabalho de se ocupar de forma absoluta o tempo que for necessário para ser incluído em uma sociedade que tem como pressuposto a exclusão;
3. Pela escravidão, na falta de tempo, do pouco tempo que sobra como necessário tempo de consumo das mercadorias ofertadas pelo capital, contraditoriamente produzidas por diversos trabalhadores em várias partes do mundo, com cada vez menos tempo e dinheiro para consumir o que foi produzido pelos seus pares.
Não se trata de um roubo específico e sim de um roubo generalizado e qualificado, em um modo de produção específico. Um roubo de poucos homens e mulheres com o poder nas mãos, contra uma imensa maioria de sujeitos subordinados a este poder. A maioria dos sujeitos com as mãos na massa, frente à minoria com as mãos sobre os que estão com as mãos na massa.
Com a aparência de tempo livre, o que o capital faz em essência é apropriar-se de “todo” o tempo, para que o “inexistente” sentido do tempo livre seja condicionado à produção e ao consumo.
É com base nesse roubo do tempo e da produção de vida em todas as suas dimensões que a classe que vive do trabalho se organiza para estruturar as bases reivindicativas e revolucionárias frente ao Estado de direito burguês, e para além dele, em outro Estado cujo poder esteja nas mãos dos trabalhadores.
A organização popular deve ter os bairros, os espaços de trabalho e de encontro da classe, como células-referências de organização para a formação e estruturação das lutas.
Dado o tempo escasso, e as necessidades de reprodução da sobrevivência dos trabalhadores levadas, cada vez mais, ao extremo, caso não tenhamos em consideração estas limitações de forma objetiva-subjetiva, a organização fica literalmente ameaçada.
Sim ameaçada. Pois, o domínio do viver capitalista requer cuidar com paciência histórica essa tarefa de produzir encontros e respeitar as características particulares de falta de tempo da classe trabalhadora. Tempo roubado que cansa-tensiona-oprime corpos e mentes numa dimensão sem igual na história da humanidade.
Esses espaços são poderosos por dois motivos:
1 - Recuperam o sentido do estar junto, em meio à lógica do separar; do fazer para e com outro, em plena era do eu; de pensar juntos o processo histórico e refazer com dignidade novos percursos em que os trabalhadores sejam os reais protagonistas da cena.
2 - Relatam, no mundo das privações do Estado de direito, lutas concretas que devem ser realizadas para recompor o sentido da dignidade humana, além de organizar no escasso tempo e nas limitações de recursos de toda ordem, a classe para si em um processo de produção do novo. Um novo projeto de classe que parte da compreensão do que se tem e grita em forma de domínio popular o que se quer.
É no contexto da morada da classe e dos espaços de exploração do trabalho que se entende, concretamente, o que se vive. Nestes espaços a alienação, enquanto capacidade de criar uma vida sem refletir sobre dita criação, é a chave do negócio mercantil burguês.
Não é à toa que o capital foi transformando estes lugares em espaços individuais, em que, mesmo estando cheios de indivíduos, estão vazios de sua expressão de ser gente, ser povo, ser classe.
Se, esses espaços produzissem vida para os que ali estão o capital não sobreviveria, pois os trabalhadores coagidos à alienação estariam conscientes de forma coletiva, tanto sobre a situação criada fora de seus desejos, quanto sobre a possibilidade de reação frente a isto.
A organização popular, nos espaços de morada e de trabalho da classe é um instrumento necessário de emancipação a partir da consolidação coletiva sobre o que se quer, e como se logra chegar onde se quer.
Não há poder popular, sem organização popular. A organização popular volta a ter sentido na e para a classe, em meio às amarras do capital, a partir do momento em que junta o que o capital separa; articula o que o capital fragmenta; emancipa o que o capital aliena; produz coletivamente, o que o capital individualizou.
O que a assembléia popular tem feito é reorganizar o histórico processo da classe que vive do trabalho tanto na morada da classe (bairros, comunidades), quanto nos espaços de trabalho e reprodução da vida fora de onde se vive (fábricas, escolas, igrejas e ruas/avenidas).
No encontro trabalhadores e trabalhadoras dão outro sentido tanto ao poder, quanto ao popular na esfera política.
Expressam que a política se consolida em um processo de produção de vida que requer muito mais do que tomar o Estado, mas sabe que precisa ocupá-lo transitoriamente. Requer uma organização, com intencionalidade tal, em que esse tomar partido pelo poder popular, sustente a luta em tempos difíceis, após a chegada no poder.
O poder popular nas células organizativas é o de resignificar a política e os sujeitos políticos, para além da histórica sujeira do capital contra o trabalho. É a reiteração de que outro mundo será necessariamente possível, quando a classe trabalhadora souber, livre das amarras da alienação, produzir o que quer e aniquilar o que não quer."
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/assembleia-popular-a-formacao-politica-i
terça-feira, 15 de setembro de 2009
PARANÁ SEDIA CONGRESSO DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL
O evento tem por objetivo propiciar um ambiente de interação e disseminação das ações práticas e conceitos das organizações sobre a Responsabilidade Social e Ambiental, incentivando o desenvolvimento de projetos e atividades empresariais com foco na Sustentabilidade, sejam essas atividades para a sociedade como um todo, ou apenas para a comunidade ao redor da organização.
Nesta edição, o tema central refere-se a “A autosustentabilidade das cidades: como pequenas, médias e grandes cidades brasileiras enfrentam os desafios de viver o Brasil de hoje, preservando espaço para novas gerações”.
O Congresso tem por público alvo empresários, gestores de pessoas e a sociedade de forma geral, tendo a expectativa de receber cerca de 250 a 300 pessoas por dia de evento. Vários especialistas da área estão confirmados entre eles, Nelson Savioli, superintendente executivo da Fundação Roberto Marinho, Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Instituto Brasil PNUMA – Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Wanda Engel, superintendente do Instituto Unibanco, Luiz Carlos de Queirós Cabrera, diretor da Panelli Motta Cabrera & Associados, membro da Amrop Hever Group, Lygia Lumina Pupatto, secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, entre outros.
O evento tem o apoio da Planeta Voluntários: Rede social de Voluntários e ONGS.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
DIÁRIO DO GRITO DOS EXCLUÍDOS
Momentos finais do Grito dos Excluídos na Praça 7 de Setembro no centro de Belo Horizonte.
Não consegui acompanhar o Grito dos Excluídos no último dia 7, desde o momento da concentração inicial na Praça da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Todavia, ainda alcancei o final da ocupação da Praça 7 de Setembro. Cheguei a tempo de fazer a foto acima e as outras que se encontram logo abaixo do relato da colega de coordenação da Escola Oscar Romero de Fé, Política e Cidadania, Dirlene Marques, que é coordenadora do Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial e foi uma das organizadoras do grito.
"Companheiras e companheiros,
Como ja havíamos informado para vocês, fizemos o Grito em BH. Tivemos mais de 2000 pessoas desfilando pelas ruas da cidade. Saimos da Praça da Assembléia Legislativa, paramos em frente o Banco Central e fizemos ali nosso primeiro ato: Uma enorme faixa preta foi afixada no Banco Central, onde os participantes deixaram escrito com tinta vermelha os seus gritos contra a crise e as consequências desta sobre o povo trabalhador. Paramos depois em frente ao mercado municipal, ponto tradicional de BH, e convidamos a todos para entrarem na luta contra os transgênicos - por uma alimentação saudavel. Militantes carregando grãos nas peneiras circularam entre os frequentadores do mercado. Ao nos aproximarmos do local do Grito, a Praça Sete de Setembro, todos/as se manifestaram cantando o Hino da Internacional Socialista que unifica os trabalhadores do mundo inteiro. Fizemos uma contagem regressiva, cantamos o Hino Nacional Brasileiro e, um conjunto de tambores, puxou a caminhada para o centro da praça sete, onde fica o Pirulito. Tomamos conta da praça ao som dos tambores e dos gritos dos diversos movimentos sociais. Tudo com uma grande participação e envolvimento da militância. Quando estávamos nos dispersando, a repressão que cercava todo o local, iniciou a sua já tradicional provocação. A militância reagiu e dois rapazes foram presos. Como não aceitamos a arrogância com que os policiais estavam tratando os militantes dos movimentos sociais, houve um certo tumulto que, só foi resolvido quando o comandante resolveu retirar as tropas da praça. Terminado o tumulto, fomos para a delegacia liberar os detidos. Um deles foi solto imediatamente e o outro foi mantido algemado até as 15 horas, sem nenhuma justificativa, apenas por capricho da polícia. Este foi mais um exemplo da criminalizaçao dos movimentos sociais. Mas, isto também nos impulsiona para dar continuidade a luta pela Independência do Brasil, a independência em relação ao capital, rumo a uma sociedade socialista.
Um abraco,
Dirlene Marques"

A TV Globo fez uma matéria sobre o Grito dos excluídos em Belo Horizonte. Clic no link abaixo e assista à reportagem: http://globominas.globo.com/GloboMinas/Noticias/MGTV/0,,MUL1295141-9033-16339,00.html
CONTINUAÇÃO DAS ARGUMENTAÇÕES DE LEONARDO BOFF SOBRE O ZENBUDISMO
O zenbudismo pode significar uma fonte inspiradora para o paradigma ocidental em crise bem como para a vida cotidiana. Isso porque o zen não é uma teoria ou filosofia. É uma prática de vida que se inscreve na tradição das grandes sabedorias da humanidade. O zen pode ser vivido pelas mais diferentes pessoas, simples donas de casa, empresários e pessoas religiosas de diferentes credos.
O centro para o zenbudismo não está na razão, tão importante para a nossa cultura ocidental. Mas na consciência. Para nós a consciência é algo mental. Para o zenbudismo cada sentido corporal possui a sua consciência: a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Um sexto é a razão. Tudo se concentra em ativar com a maior atenção possível cada uma destas consciências, a partir das coisas do dia-a-dia. Possuir uma atitude zen é discernir cada nuance do verde, perceber cada ruido, sentir cada cheiro, aperceber-se de cada toque. E estar atento às perlambulações da razão no seu fluxo interminável.
Por isso, o zen se constrói sobre a concentração, a atenção, o cuidado e a inteireza em tudo aquilo que se faz. Por exemplo, expulsar um gato da poltrona pode ser zen; também libertar os cachorros do canil e deixá-lo correr pelo no jardim. Conta-se que um guerreiro samurai antes de uma batalha visitou um mestre zen e lhe perguntou: “que é o céu e o inferno”? O mestre respondeu: “para gente armada como você não perco nenhum minuto”. O samurai enfurecido tirou a espada e disse:”por tal senvergonhice poderia matá-lo agora mesmo”. E ai disse-lhe calmamente o mestre:”eis ai o inferno”. O samurai caiu em si com a calma do mestre, meteu a espada na bainha e foi embora. E o mestre lhe gritou atrás:”eis ai o céu.”
O que a atitude zen visa, é a completa integração da pessoa com a realidade que vive. Deparamo-nos no meio de difenças, compartimentando nossa vida. O zen busca o vazio. Mas esse vazio não é vazio. É o espaço livre no qual tudo pode se formar. Por isso não podemos ficar presos a isto e àquilo. Quando um discípulo perguntou ao mestre:”quem somos”? respondeu apontando simplemente para o universo: “somos tudo isso”. Você é a planta, a ávore, a montanha, a estrela, o inteiro universo. Quando nos concentramos totalmente em tais realidades, nos identificamos com elas. Mas isso só é possível se ficarmos vazios e permitirmos que as coisas nos tomem totalmente. O pequeno eu desaparece para surgir o eu profundo. Então somos um com o todo. Este caminho exige muita disciplina. Não é nada fácil ultrapassar as flutuações de cada uma das consciências e criar um centro unificador.
Há uma base cosmológica para a busca desta unidade originária. Hoje sabemos que todos os seres provém dos elementos físicoquímicos que se forjaram no coração das grandes estrelas vermelhas que depois explodiram. Todos estávamos um dia juntos naquele coração incandecente. Guardamos uma memória cósmica desta nossa ancestraidade.
Depois, sabemos também que possuimos o mesmo código genético de base presente em todos os demais seres vivos. Viemos de uma bactéria primordial surgida há 3,8 bilhões de anos. Formamos a única e sagrada comunidade de vida.
Ao buscar um centro unificador, o zen nos convida a fazer esta viagem interior. É excusado dizer que tudo isso vale para todos mas principalmente para mim. (Fonte: Site IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
sábado, 5 de setembro de 2009
O ZEN E A CRISE DA CULTURA OCIDENTAL
Foto: Melina Prestesterça-feira, 1 de setembro de 2009
LULA SE ORGULHA DA PETROBRAS NO LANÇAMENTO DO PRÉ-SAL
domingo, 30 de agosto de 2009
LEONARDO BOFF SE VALE DE PEDRO RIBEIRO PARA EXPLICAR PORQUE APÓIA MARINA SILVA
terça-feira, 25 de agosto de 2009
UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
UM POUCO DE POESIA
Um dia distante que nunca chegava.
MARINA SILVA SE DESPEDE DO PT
A senadora Marina Silva se despede do PT. Leia abaixo, a íntegra da carta da ex-ministra do Meio Ambiente, dirigida ao presidente do partido, Ricardo Berzoini, comunicando a sua decisão.
O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e companheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.
Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.
Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.
Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.
É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas públicas para mantê-las.
Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.
Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.
Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
LEONARDO BOFF FALA DE SUCESSÃO PRESIDENCIAL
AS SUCESSIVAS CRISES DO PODER NO BRASIL
Desde 10 de agosto, mais de 3 mil trabalhadores sem-terra se encontram acampados em Brasília para, de novo, alertar o governo federal sobre uma questão que, outrora, foi considerada prioritária pelo PT: a reforma agrária.
O mundo gira, a Lusitana roda, e hoje muita coisa parece virada de cabeça para baixo: quem fazia oposição a Sarney o defende; quem gritava “fora Collor” o elogia; quem exigia reforma agrária exalta o agronegócio. E, apesar das políticas sociais, 31 milhões de brasileiros (as) continuam a sobreviver na miséria. E a violência dissemina o medo por nossas cidades.
A manifestação dos sem-terra reivindica do governo muito pouco, sobretudo se comparado aos incentivos oficiais concedidos a empresas que degradam a Amazônia e usineiros, que, em latifúndios, mantêm trabalhadores em regime de semiescravidão.
É urgente assentar mais de 100 mil famílias sem-terra acampadas pelo país afora, sobrevivendo em barracas de plástico preto à beira de estradas. E cuidar das 40 mil famílias assentadas virtualmente, apenas no papel, pois aguardam, há tempo, recursos para investir em habitação, infraestrutura e produção. Nos últimos seis anos foram financiadas apenas 40 mil casas no meio rural. Também as escolas rurais necessitam, urgente, de recursos.
O Brasil não tem futuro sem mudar sua estrutura fundiária. Nas três Américas, apenas Brasil e Argentina jamais fizeram reforma agrária. O detalhe é que somos um país de dimensões continentais, com 600 milhões de hectares cultiváveis.
Dois problemas crônicos encontrariam solução se nosso país não tivesse tanta terra ociosa, como se constata ao viajar por nossas estradas ou sobrevoar nosso território: o desemprego e a violência urbana. Os países desenvolvidos, como os EUA e a Europa Ocidental, com territórios bem menores que o nosso, conseguem obter alta produtividade no campo, sem que haja latifúndio. Há, sim, grande incentivo à agricultura familiar.
O governo federal deve à nação a atualização dos índices de produtividade das propriedades rurais, intocados desde 1975. Por exigência constitucional, tais índices deveriam ser revistos a cada 10 anos. Eles são utilizados para classificar como produtivo ou improdutivo um imóvel rural e agilizar, com transparência, a desapropriação das terras para efeito de reforma agrária.
O Ministério do Planejamento deve às famílias sem terra o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Incra previsto no orçamento deste ano. Esse recurso permitirá a obtenção de terras e aplicação no passivo dos assentamentos.
Durante o período de acampamento, que se encerra no dia 21, estão previstos também debates sobre conjuntura agrária, clima e meio ambiente, energia, Previdência Social, juventude, comunicação, gênero e raça, além de atividades culturais e ato em comemoração aos 25 anos do MST.
Está marcada para amanhã a jornada nacional de lutas contra a crise, uma mobilização de trabalhadores e desempregados, em todo o país, para assegurar manutenção do emprego, melhores salários, ampliação dos direitos, redução das taxas de juros e investimentos em políticas sociais.
Dia 19, movimentos sociais, estudantis e sindicais se reunirão, em Brasília, em defesa do petróleo, para reivindicar novo marco regulatório para a produção energética do país.
E no dia 7 de setembro, em todo o Brasil, o 15º Grito dos Excluídos, promovido por várias entidades, inclusive a CNBB, terá como tema “Vida em primeiro lugar – a força da transformação está na organização popular”.
A manifestação, que imprime caráter cívico à data da independência do Brasil, tem por objetivo arrancar a população do imobilismo e ressaltar a importância de se fortalecerem os movimentos sociais para consolidar nossa democracia e conquistar soberania.
A democracia não pode se restringir a eleições periódicas, que, por enquanto, permitem inclusive a candidatura de corruptos e réus de processos comuns. À democracia política é preciso aliar a econômica, de modo a reduzir a desigualdade social que envergonha o Brasil. Só assim conquistaremos o direito de ser um povo feliz." (Fonte: jornal Etado de Minas de 13.08.09).
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
AS BASES MILITARES DOS EUA
Ninguém aprende com a cabeça alheia e os EUA repetem os mesmos erros da URSS, com uma tríade de consequências devastadoras: sobreextensão imperial, guerra perpétua e insolvência, que levam a um provável colapso similar ao da anterior União Soviética, na opinião de Chalmers Johnson (Dez medidas para liquidar as bases militares dos EUA; Asia Times, 04/08/09).
Chalmers Johnson, professor emérito da Universidade da Califórnia (San Diego) e profícuo autor de livros notáveis evidencia o império global potencialmente ruinoso de bases militares, que cadencia a longa dependência no imperialismo e no militarismo dos EUA em suas relações com outros países, além de "seu inchado establishment militar".
Paralelamente, Floyd Norris, analista financeiro e econômico do The New York Times (01/08/09), revela que o embarque de bens duradouros civis dos EUA caiu mais de 20% durante a recessão, o qual teria sido pior se não fosse a crescente produção de armas, que disparou 123% acima da média do ano 2000 (início do militarismo bushiano, que Obama incrementou com sua máscara de cordeiro sequestrado pelos lobos do Pentágono).
Norris comenta que os EUA é primariamente uma economia civil, quando o "item militar representa ao redor de 8% de todos os bens duradouros (no ano 2000 foi 3%)"; porém, em nossa humilde opinião, é a uma economia preponderantemente militar, já que muitos segmentos de sua atividade civil se entrelaçam com seu substancial belicismo, como tem demonstrado SIPRI, o excelso instituto pacifista sueco.
Segundo o inventário do Pentágono, em 2008, citado por Johnson, o império dos EUA consiste em 865 instalações em mais de 40 países, com um deslocamento de mais de 190 mil soldados em mais de 46 países e territórios.
Johnson expõe o caso singular do Japão e a base de Okinawa (por certo, infestada por escândalos sexuais dos dissolutos militares estadunidenses que levam 64 anos ininterruptos de ocupação).
As sete bases militares adicionais dos EUA na Colômbia elevarão seu total planetário para 872, o qual não tem equivalente com nenhuma potência passada e presente. Literalmente, os Estados Unidos invadiram o mundo!
O mais relevante radica, na opinião de Johnson, em que tal ocupação é desnecessária para a genuína defesa dos EUA, além de provocar fricções com outros países e sua dispendiosa manutenção global (250 bilhões de dólares por ano, segundo Anita Dancs Foreign, Policy in Focus): seu único propósito é oferecer aos EUA hegemonia, isto é, controle ou domínio sobre o maior número possível de países no planeta.
Na opinião de Johnson, Obama não percebeu que os EUA não têm mais a capacidade de exercer sua hegemonia global, enquanto exibe seu lastimoso poder econômico mutilado, quando os EUA se encontram em uma decadência sem precedentes.
Expressa três razões básicas para liquidar o império estadunidense: 1. Carece dos meios para um expansionismo de pós-guerra; 2. "Vai perder a guerra no Afeganistão, o qual aumentará ainda mais sua quebra"; 3. Acabar o vergonhoso segredo do império de nossas bases militares.
Propõe dez medidas:
1. Por fim ao severo dano ambiental causado pelas bases e pelo cesse do Acordo sobre o Estatuto dos Exércitos (SOFA, por suas siglas em inglês) que de antemão impede aos países anfitriões exercer sua jurisdição sobre os crimes perpetrados pelos soldados estadunidenses, isentos de toda culpabilidade (particularmente, a epidemia de violações sexuais nos paraísos militares).
2. Liquidação do império e aproveitar o custo de oportunidade para investir em campos mais criativos.
3. O anterior, indiretamente, frearia o abuso aos direitos humanos, já que o imperialismo engendra o uso da tortura, tão abundante no Iraque, no Afeganistão e na base de Guantánamo.
4. Recortar a inacabável lista de empregados civis e dependentes do Departamento de Defesa, dotado de seu luxuoso prédio (piscina, cursos de golfe, clubes, etc.).
5. Desmontar o mito, promovido pelo complexo militar-industrial, de sua valia na criação de empregos e na investigação científica, o qual tem sido desacreditado por uma investigação econômica séria.
6. "Como país democrático que respeita a si mesmo, os EUA devem deixar de ser o maior exportador de armas e munições do mundo e deixar de educar os militares do Terceiro Mundo (v.gr. militares da América Latina na Escola das Américas, em Fort Benning, Geórgia) nas técnicas de tortura, golpes militares e serviço como instrumentos de nosso imperialismo".
7. Devido às limitações crescentes do orçamento federal, devem ser abolidos os programas que promovem o militarismo nas escolas, como o treinamento do Corpo de Oficiais da Reserva.
8. Restabelecer a disciplina e a prestação de contas nas forças armadas dos Estados Unidos, diminuindo radicalmente a dependência dos contratistas civis, das empresas militares privadas e dos agentes que trabalham para o exército fora da cadeia de comando e do Código de Uniforme da Justiça Militar. O livro de Jeremy Scahill Blackwater cita: A ascensão do exército mercenário mais poderoso (sic!) do mundo (Nation Books, 2007). A propósito, o holandês-estadunidense Eric Prince, fundador retirado de Blackwater e neocruzado da extrema direita cristã do Partido Republicano (muito próximo ao bushismo), acaba de ser implicado em um assassinato (The Nation; 04/08/09.
9. Reduzir o tamanho do exército dos EUA.
10. Cessar a dependência não apropriada na força militar como principal meio para tentar alcançar metas de política exterior.
Sua conclusão é realista: infelizmente, poucos impérios no passado abandonaram voluntariamente seus domínios para permanecer como entidades políticas independentes e autogovernadas. Os dois importantes e recentes exemplos são os impérios britânico e o soviético. Se não aprendemos com eles, nossa decadência e queda estarão predeterminadas.
Terá cura a fixação dos Estados Unidos ao militarismo por mais um século?
domingo, 9 de agosto de 2009
SUCESSÃO PRESIDENCIAL
No PT paulista, crescem as ar ticulações em torno de uma eventual candidatura do deputado federal e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP). No PSB, a bancada na Assembleia Legislativa afirma que apoiará os planos políticos do governador José Serra (PSDB), tanto no estado quanto nacionalmente, em vez de oferecer palanque à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à sucessão de Lula, ou ao próprio Ciro.
— Não vamos apoiar a bancada petista contra o Serra de jeito nenhum. Vamos lutar para eleger o Serra presidente e o candidato dele no estado — afirmou o líder da bancada do PSB na Assembleia, deputado Luciano Batista.
A bancada do PSB integra a base de Serra no Legislativo e ocupa inclusive a vice-liderança do governo.
— A não ser que Ciro converse conosco e nos convença do contrário. Não estamos vendo sentido nessa oposição a Serra em prol de um acordo com o PT — diz Batista.
Os cinco deputados pessebistas preferem uma candidatura própria do partido à proposta de Ciro se candidatar a governador do estado:
— Com todo o respeito ao Ciro, aqui temos bons nomes também, como Luiza Erundina, Jacó Bittar, Willian Dib, Márcio França — diz Batista.
No PT, os líderes continuam querendo que o PSB faça oposição a Serra antes de selar o acordo proposto pelas direções nacionais dos dois partidos.
O líder do PT na Assembleia, deputado Rui Falcão, passou a semana convidando os colegas da base aliada nacional na Assembleia para construir um programa de oposição a Serra:
— Não há resposta nesse sentido. Não vi qualquer disposição para o fechamento de um acordo, muito pelo contrário — afirmou Falcão. (Fonte: IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
SOCIALISMO NÃO SERÁ TEMA DO DIÁLOGO DE CUBA COM OS EUA
O presidente de Cuba, Raul Castro, afirmou em discurso no parlamento cubano que está pronto para a negociar uma extensa pauta com os Estados Unidos, menos uma questão: "o nosso sistema político e social". A declaração de Castro foi uma resposta à afirmação da Secretária de Estado Norte Americana Hillary Clinton, de que os EUA estavam se abrindo ao diálogo com Havana, mas esperavam ver mudanças no regime socialista de Cuba, vigente na ilha há 50 anos.A notícia, Socialismo não é tema de diálogo, diz Raúl, foi publicada no jornal Folha de São Paulo, do dia 03.08.2009. Para ler a matéria na íntegra clique aqui. (Fonte IHU - Instituto Humanitas Unisinos)
sábado, 1 de agosto de 2009
UMA ESCOLA PARA O ENSINO DA FÉ, DA POLÍTICA E DA CIDADANIA
A Escola Oscar Romero de Fé, Política e Cidadania faz sua primeira comunicação pública, através do newsletter postado abaixo que já começou a ser distribuído também em sua versão impressa. Trata-se de um peça de comunicação simples, no mesmo espírito do que a escola pretende ser: popular e simples, mas com conteúdos proféticos e transformadores.


SERÁ QUE A ESQUERDA É BURRA MESMO?
Boaventura de Souza
Sociólogo
"A frase “a esquerda é burra” é de autoria de Fernando Henrique Cardoso (FHC), sociólogo de renome internacional e Presidente do Brasil entre 1995 e 2003. Ficou famosa pelo simplismo com que desqualificava os adversários das políticas neoliberais do seu governo. Curiosamente tais políticas desqualificavam tudo o que ele antes tinha escrito enquanto sociólogo, o que o levou a pronunciar outra frase que ficou igualmente famosa: “esqueçam tudo o que eu escrevi”.
Tive ocasião de discutir com ele o significado da frase sobre a esquerda. Discordava do seu sentido mais óbvio e intrigava-me a sua arrogância. Para FHC a frase tinha vários significados: a esquerda ainda não entendera que o neoliberalismo era a única solução para a economia mundial e a melhor garantia contra as propaladas crises do capitalismo; o principal líder da esquerda, Inácio Lula da Silva, era um operário ignorante e sem preparação para governar o país; a esquerda estava minada pelo fraccionismo e nunca se uniria (ao contrário da direita) para assumir o poder. Tragicamente para FHC e seus aliados a frase mostrou-se errada em todos os seus significados desde a eleição de Lula até à crise do agora defunto (ressuscitará?) neoliberalismo.
Mas, apesar disso, a frase ficou como um fantasma da esquerda brasileira, como se a esquerda tivesse de demonstrar a cada momento que não era burra e como se o mesmo ônus não impendesse, por outras razões mas com a mesma justificação, sobre a direita, ela sim, afinal perdedora. É sabido que os fantasmas, tal como os espíritos, atravessam tempos e fronteiras. Tal como discordei da caracterização simplista da esquerda brasileira, discordaria dela se aplicada à esquerda portuguesa. Apesar disso, ante os atos eleitorais que se aproximam, pergunto-me se, a título preventivo e como dúvida metódica, não fará sentido pôr a questão: será a esquerda portuguesa burra? Ou melhor: nos próximos atos eleitorais quem se revelará menos burra, a esquerda ou a direita?
Ao contrário dos confusionistas do costume, dou de barato que há esquerda e direita. Tanto uma como outra são plurais, estão divididas em vários partidos e em várias tendências dentro de cada partido. Se tomarmos como referência as últimas eleições para o parlamento europeu e talvez a maioria dos actos eleitorais desde o 25 de Abril de 1974, os portugueses votam majoritariamente à esquerda. De algum modo, a ideia de solidariedade social tem-se sobreposto à de darwinismo social, a ideia de um Estado protetor à ideia de um Estado predador, a ideia do bem público à ideia do interesse privado. E se é verdade que a esquerda governante tem frustrado consistentemente as expectativas que decorrem destas ideias, não é menos verdade que os portugueses têm teimado em crer que tal não é uma fatalidade e que a direita não oferece uma alternativa exceto em desespero de causa.
Daí que as frustrações com a esquerda governante se tenham traduzido, menos no crescimento da direita, do que no crescimento de opções pela esquerda até agora não governante, um fenômeno inédito na Europa de hoje. Em face disto, e a menos que os portugueses se sintam numa situação de desespero de causa, podemos concluir que, se nos próximos atos eleitorais a direita ganhar, a esquerda é mais burra que a direita.
Nas condições portuguesas, a esquerda corre o risco de ser mais burra que a direita por duas razões principais: confundir-se com a direita; dividir-se ao ponto de não poder unir-se no principal: impedir a eleição de um governo de direita. Pelo que disse acima, quando a direita tenta se confundir com a esquerda (o que tem acontecido frequentemente) corre sempre menos riscos que a esquerda quando esta se confunde com a direita. Por outro lado, a direita tem uma história unitária muito mais consistente que a esquerda. Para que estes riscos se não concretizem, as esquerdas têm de mostrar aos portugueses que o coração da esperança continua a bater mais fortemente que o coração do desespero. Não é tarefa fácil mas não é impossível. E isto que é válido para as eleições legislativas é igualmente válido para as eleições autárquicas. No que respeita a estas últimas, o caso de Lisboa será paradigmático. Parece óbvio que só por desespero se pode votar no candidato da direita. Por sua vez, o candidato principal da esquerda é um dos mais brilhantes políticos da nova geração de líderes de esquerda, só comparável ao líder da esquerda mais inovadora da última década. Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que tal não seja o caso." (Fonte: IHU - Instituto Humanitas Unisinos)


