quarta-feira, 28 de julho de 2010

TRISTES LEMBRANÇAS DO VIETNÃ 35 ANOS DEPOIS

Transcorreram 35 anos do fim da longa Guerra do Vietnã, um conflito que marcou a história, a vida política e a cultura dos EUA e do mundo inteiro. Iniciado em 1962 - quando o frágil equilíbrio da área, desenhado no pós-guerra pelas superpotências, não resistiu ao peso da guerra fria - o conflito devastou o Sudeste Asiático por 13 anos, até a "libertação" da ex-Saigon (hoje cidade Ho Chi Minh), no dia 30 de abril de 1975, e a retirada das tropas dos EUA.


























(Fotos: Horst Faas / AP Photo)

ABUSOS DO TOTALITARISMO RUSSO

A silenciosa matança de Stalin
"Órfãos, pobres e ladrões. Ou então, filhos da nomenclatura caídos em desgraça. Foram milhões os pequenos inimigos do povo deportados, encerrados nos orfanatos, com frequência despojados de sua própria identidade. Agora, pela primeira vez, um livro dá fisionomia e voz às suas histórias: ... Estamos descalços, nus, famintos e cheios de pulgas. No almoço nos dão um pedacinho de pão, cebola e sal...”
A reportagem é de Siegmund Ginzberg, publicada no jornal La Repubblica, 25-07-2010. A tradução é de Benno Dischinger.
(Fonte: site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ELEIÇÕES 2010: ENTRE DILMA E SERRA?


Quais as Chances da Marina Silva?

Stephen Kanitz

A Marina Silva vai crescer, e muito. Existe até uma remota chance da Marina ir para o segundo turno.

Como? Marina Silva tem uma qualidade que Lula tem, e que Dilma e Serra não tem.Marina Silva tem a cara do povo, e o povo brasileiro gostou da ideia de ter alguém com sua cara no poder.
Um filho de italiano, ou filha de búlgara, ou filho de classe média que frequentou a USP, pode não ser mais um atrativo para a eleição.Quanto mais ela for sendo conhecida mais sua candidatura poderá melhorar.

Com a saída de Ciro Gomes, ela passa de 8% para provavelmente 14%, e precisa de mais 10% para chegar a 24%, e a como ela rouba votos da Dilma, esta cairia para digamos 28%.Aí Marina se torna uma possível candidata para o segundo turno e muda totalmente de figura. De uma candidata para 2014, ela passa a ser uma possibilidade para 2010. Aí vem alianças e jogos políticos.

De onde viriam estes 10% adicionais? Marina Silva é extremamente influente entre os evangélicos, e estes votos só irão aparecer nos últimos 4 domingos antes das eleições. Além de religiosa é bem casada, dois pontos que não ficarão despercebidos pela mulher brasileira.

Esta história que mulher não vota em mulher é um insulto às mulheres. Depende da mulher. Embora ela não tem espaço de TV, ela poderá ser uma surpresa nos debates, porque tem carisma. Aliás, ela só será realmente conhecida nos debates.

Se a Dilma disser uma bobagem, há uma ENORME possibilidade, Dilma poderá cair para digamos 28% e Marina subir para 22%.

Aí Edir Macedo poderia até ser o fiel da balança, se quisesse. Já mostrou sua força agregando 8 milhões de fiéis no dia D. Escrevo isto só para mostrar um cenário onde a Marina poderia ir para o segundo turno.

Mas há uma lógica religiosa. A eleição em vez de ser polarizada entre esquerda-e direita, como quer Lula, Edir e Marina poderiam dar outro tom a esta eleição, um tom mais humanista.

Cristãos x materialistas economicistas, como é em parte nos Estados Unidos.

Sustentabilidade ou idolatria do "crescimento do PIB" e do “queremos mais”.

Não se esqueçam que Fernando Henrique perdeu uma eleição em São Paulo por não admitir a existência do Deus católico, e somente a "uma força superior".

Uma eleição humanista, com valores éticos que a Marina poderia muito bem espelhar, seria um trunfo para a melhoria de imagem que a Igreja Universal precisa.

Edir pode usar também este momento para fazer as pazes com os evangélicos, e mostrar mais do que um governo dominado pelo materialismo, que será o mote da Campanha da Fraternidade este ano, da Igreja Católica. Outro trunfo da Marina Silva é que ela parece ter cativado os administradores do país, e não somente isto, a melhor vertente da administração, a chamada Socialmente Responsável.

Isto lhe dá 2 milhões de votos diretos, mais 10 de agregados, e uma base bem maior de sustentação. De pessoas que agem e decidem.

Ela tem todo o apoio do Instituto Ethos, e dos principais líderes do movimento de Administração Socialmente Responsável deste país. O Instituto Ethos, da qual fui um dos fundadores, tem mais de 300 empresas associadas, comprometidas com a ética e sustentabilidade, razão da afinidade com Marina.

E a Marina foi a única que percebeu o potencial deste grupo. São mais de 10.000 executivos influentes e aposentados, que estão disposto a ir para o governo por 2 anos, e implantar os métodos de eficiência que falta para fazer o governo finalmente funcionar.São executivos já bem sucedidos, com cabelos brancos, e não jovens inexperientes que saem depois do governo para trabalhar num grande banco brasileiro com salário milionário.

São Executivos que não querem ficar mais ricos, mas somente contribuir com o que sabem.

6º ENCONTRO DE CEB'S MOVIMENTA MONTES CLAROS

Cerca de três mil pessoas vão às ruas de Montes Claros, nesta sexta-feira (23), para a Caminhada da Campanha Nacional contra a Violência e o Exterminio de Jovens durante o 6º Encontro Estadual das Comunidades Eclesias de Base (CEBS). A concentração será às 16h em frente ao Sesc, na Rua Viúva Francisco Ribeiro, centro da Cidade. Os participantes irão percorrer as principais vias de acesso de Montes Claros em direção a Praça Catedral. A Coordenadora da atividade, Jociely Madureira, diz que o principal propósito da Caminhada é chamar a atenção da população em geral para os altos indices de violência e exterminio da juventude. “São muitas as mortes sofridas pela juventude diariamente. Quando falo de morte não me refiro apenas a morte fisica e sim a ausência de politicas públicas especificas voltadas para este grupo. A falta de emprego, de educação, de lazer, etc, são as maiores justificativas para as mortes fisicas” -, discorre Madureira. Durante o percurso, serão cinco paradas onde cada momento terá um tema de reflexão referente a realidade de juventude no Mundo, América Latina, Brasil, Minas Gerais e Montes Claros. Madureira afirma que há estudos que indicam dados alarmantes no Municipio. Entre os anos de 2005 e 2008 foram registrados 289 homicidios em Montes Claros. Levantamentos do Capitão da Policia Militar, Ederson da Cruz Pereira, sociólogo e Mestre em Desenvolvimento Social pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), indicam que das mortes nos quatro anos, 79 não foram esclarecidas (27,3%) e 68 tiveram motivos fúteis (23,53%), somando 147 casos (50,8%). O tráfico respondeu por 53 ocorrências (18,3%). De acordo com a pesquisa, no período, houve também 45 mortes por vingança (15,57%); 20 por problemas econômicos (6,92%); 18 por motivos passionais (6,23%); e seis em confronto com a polícia (2,08%). A pesquisa teve como fonte o 10º Batalhão da Polícia Militar e a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Pessoa de Montes Claros.

sábado, 17 de julho de 2010

6ª EDIÇÃO DO BELÔ POÉTICO

Alterando consciências
Até o dia 18 de julho, próximo, acontece o “6º Belô Poético – Encontro Nacional de Poesia” de Belo Horizonte – realizado pelos poetas Rogério Salgado e Virgilene Araújo, com o apoio de diversos poetas e não poetas colaboradores, entre eles, todos que fazem parte da programação do Belô 2010 - destaque para aqueles que também atuam nos bastidores: Bilá Bernardes, Heleide O. Santos, Lívio Santos, Graça Faisão, Lea Lu, Inêz Alves, Danilo Freitas, Tiago Parreiras, Rodrigo Starling, Márcia Araújo, Marta Reis, Cláudio Márcio Barbosa, Ana Paula Alves Generoso, Virgínia Araújo, Irineu Baroni, Luiz Leite entre outros de Belo Horizonte, cidades mineiras e de diversas capitais brasileiras.
Os realizadores contarão, também, mais uma vez, com a contribuição do Poeta português Fernando Aguiar.
A marca deste evento é a solidariedade, afetividade e ações que priorizam: colaborações e relacionamentos.
Um dos pontos positivos é a troca de experiências entre a classe poética e cidadãos de diversas classes sociais, entre eles, professores de Literatura, professores e alunos universitários ou não, donas de casa, jornalistas, simpatizantes da poesia, aspirantes à poeta, poetas, escritores e outros; que ao se inscreverem no Encontro terão acesso direto àqueles que fazem parte da programação, os quais tem muito a trocar e com despojamento, como nos anos anteriores, acompanham as atividades do Belô, do primeiro ao último dia, inclusive durante os momentos de descontração.
O tema deste ano será: “poetas unidos em prol do equilíbrio ecológico”

Editorial:
“OU A GENTE SE RAONI OU A GENTE SE STING”
(Luiz Turiba)
Há décadas o universo clama por uma “sabedoria sistêmica”, a qual ressalta a necessidade do equilíbrio entre masculino e feminino; em que, entre outros: a cooperação esteja de mãos dadas com a competição, o sintético envolvido com o analítico, o receptivo em harmonia com o agressivo, o contrátil e o expansivo em constante diálogo ... Enfim, uma sabedoria que promova a união entre as diferenças e desperte o comprometimento, em todos, pela busca do equilíbrio ecológico do nosso planeta.
Rogério Salgado e Virgilene Araújo

Mais uma vez, na abertura do Encontro, receberam homenagens personalidades que contribuem ou contribuíram com a poesia nacional. Nesta edição do Belô foram homenageados: Marcos Túlio Damascena, criador da Biblioteca Instituto Cultural Aníbal Machado (Borrachalioteca) em Sabará/MG; Francisco Assis Mattos (Professor Mattos), criador da Biblioteca Comunitária João Rodrigues de Mattos (CE); Movimento Paz e Poesia - Grupo de poetas - que faz da poesia, instrumento de paz (MG); Grupo Realistas NPN e Hudson Carlos/Ice Band (Os Sobreviventes), ambos através do Hip Hop realizam trabalhos sócio-educativo-culturais, com crianças e jovens da periferia de Belo Horizonte (MG).

Participam do Encontro: poetas do Distrito Federal, Goiânia, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, Paraíba, Rondônia, Acre, Piau e Portugal.
O evento acontece no Sesc Laces/JK que fica na rua São Paulo esquina com Caetés, no centro de Belo Horizonte. Maiores informações no site do evento: http://www.belopoetico.com/.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O MAIOR DESTAQUE DA COPA DE 2010



Nelson Mandela presenciou a cerimônia final da Copa Mundial. O ex-presidente da África do Sul, 92 anos, chegou a bordo de um pequeno automóvel descoberto no campo do Soccer City Stadium de Johanesburgo para saudar o público antes da final entre Holanda e Espanha.
Segundo Luis Fernando Verissimo, escritor, em artigo publicado no jornal Zero Hora, 12-07-2010, "nada da cerimônia de encerramento, do jogo final ou de qualquer dos dramas, uruguaios ou gregos, da competição se igualou em emoção à aparição de um sorridente Nelson Mandela no estádio, ontem. Duvido que alguma outra personalidade, na história do mundo, provocasse a mesma manifestação espontânea de admiração e carinho".

Eu concordo com o Veríssimo. E vou mais além, "Madiba", como é tratado pelos seus irmãos africanos, foi o grande destaque dessa copa.


(Fotos: Portal La Repubblica / Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

PELA PRESERVAÇÃO DA RESERVA DO CARAÇA

Caraça

Eu adoro esse lugar

(Fotos: Eugênio Magno e Geovana R. Martins)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ESPIRITUALIDADE MONÁSTICA



Atualidade de São Bento

Eugênio Magno

O fato do Jesus Cristo histórico se localizar no tempo há mais de dois mil anos, faz com que muitos dos seus adeptos na atualidade – presos à letra – vejam os seus ensinamentos e o seguimento destes, pelos primeiros cristãos, apenas como curiosidade. Entre nós, na contemporaneidade, existe muito mais estudo e memorial do que prática dos ensinamentos de Cristo. Com uma secularização cada vez maior, sobra cada vez menos tempo e vontade para a prática do verdadeiro cristianismo. Entre as poucas expressões dessa qualidade de espiritualidade a qual me refiro, o monaquismo ainda é o ramo da Igreja que mais preserva a tradição do cristianismo primitivo, através do que o seu mais importante precursor ocidental – São Bento de Núrsia –, instituiu para os seus monges por volta do ano 480: a Regula Benedicti (RB).
Estudiosos afirmam que Bento viveu toda a sua vida seguindo a sua própria regra e é por meio dela que ele continua atuando no presente, orientando a vida de inúmeros monges, freiras, clérigos e oblatos no mundo inteiro. Mas como não são apenas estes que almejam uma vida equilibrada, todos os homens e mulheres de bem, independentemente de serem religiosos, que desejam atingir esse ideal poderão buscá-lo (muitos já o fazem), seguindo as prédicas da Regra Beneditina:
Viver na presença de Deus – Buscar o equilíbrio entre misticismo e política, engajamento e interioridade, ação e contemplação. Estar no mundo, e cuidar dos afazeres diários, sempre na presença de Deus. Vivendo assim, encontramo-nos a nós mesmos a todo o instante e o próprio Deus nos confronta com nossa realidade, para que possamos reconhecê-la e deixar que Ele a purifique.
Oração e Trabalho – Alternar sempre no nosso dia-a-dia, oração e trabalho. E o trabalho deve ser visto como oração e oportunidade de exercitarmos a postura correta diante de Deus, comportando-nos com obediência, paciência, serenidade, confiança, generosidade e amor.
O dom da distinção – A medida certa, justa, advinda do autoconhecimento, que por sua vez, é adquirido por meio de uma exata auto-observação, feita com distanciamento de si mesmo. A renúncia a ideais muito elevados para fazer jus ao ser humano, especialmente ao mais fraco. Evitar uma ascese de fortes, o esforço exagerado e o excesso de desafios.
Paz beneditina – A promoção da paz só é possível através de uma paz interior e a paz interior só é alcançada por meio de uma luta pela integridade interior e da oração e aceitação do outro e dos eventos cotidianos como eles o são, e da vontade Deus. Agradecer por conseguir satisfazer nossas necessidades e agradecer também por conseguirmos renunciar aos nossos desejos é caminho para a paz individual.
Estabilidade e Ordem – A estabilidade nos convida a buscar permanência, vínculos, criar raízes firmes e buscar cada vez mais interioridade, através do estar consigo mesmo e do confrontar-se. A depressão é um protesto da alma pela falta de estabilidade. Aqueles que se submetem a uma ordem externa inteligente, conseguem atingir uma ordem interna e colocar rédeas nos seus estados emocionais e impulsos mentais desordenados.
Vida em comunidade – A queixa é sinal de insatisfação conosco mesmo e produz confusão e conflitos. O silêncio (exterior e, fundamentalmente, o interior), a atenção, o habitar consigo mesmo, a tolerância e o respeito ao outro são comportamentos imprescindíveis para o sucesso da vida em comunidade.
O monge e escritor beneditino alemão, Anselm Grün, em seu livro Bento de Núrsia: sua mensagem hoje (Idéias e Letras, 2006), diz: “em nossos tempos de muita aceleração e mobilidade, a mensagem de São Bento surge como o eco de um mundo distante”. Todavia, “Bento quer falar às pessoas que anseiam por uma existência plena, atraí-las para a mensagem do evangelho. Ele é o guia num caminho que nos leva a uma vida bem-sucedida no aqui e agora”.
A atualidade de São Bento, portanto, não se restringe somente ao seguimento de sua regra como orientação da vida monástica e conventual. Seus ensinamentos constituem-se como um caminho para Deus e para a cura do ser humano. Eles estão ao alcance de todos – religiosos ou não – que desejam um encontro consigo mesmos e com Deus.
Este artigo também foi publicado no jornal impresso Escuta Filho, publicação dos oblatos beneditinos do Mosteiro Nossa Senhora das Graças de Belo Horizonte, MG, Brasil.

ILUSÃO FOTOGRÁFICA

Em Durban, na África do Sul,
um fotógrafo fez esta imagem insólita
de um avião que parece pousar sobre a lua.

(Foto: Andre Penner/AP/SIPA)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O SERTÃO VAI VIRAR MAR

Nordeste de luto
Roberto Malvezzi (Gogó)
É época de São João, quando o Nordeste se torna mágico. As festas juninas por aqui têm o sabor das festas natalinas em outras regiões do país. Época de comer, brincar de quadrilhas e forró, celebrar, reencontrar a família, experimentar a gratuidade da vida.
Este ano ficou diferente. O Nordeste ficou de luto pelas cidades arrasadas pelas águas em Pernambuco e Alagoas. Algumas pessoas me escreveram perguntando: como se explica o que está acontecendo?
Dou três fatores para entendermos um pouco o que acontece.
Primeiro, a ilusão alimentada pela indústria da seca que “no Nordeste não chove”. Terrível inverdade. Poucos sabem que o açude Castanhão, no Ceará, com capacidade de armazenar quase sete bilhões de metros cúbicos de água, foi construído exatamente para aliviar as enchentes diluvianas dos rios Salgado e Jaguaribe. A música “Súplica Cearense”, quando um sertanejo implora a Deus para parar de chover, feita ainda em meados do século passado, ilustra essa dimensão pouco realçada do Nordeste.
Segundo, poucos dias atrás, tivemos na Câmara Nacional de Outorga de Recursos Hídricos, uma oficina para construir os critérios de outorga – licença para uso – das águas dos rios intermitentes do Nordeste. Tive a honra de participar como representante da sociedade civil entre mais de cinqüenta técnicos do governo. Nossa conclusão foi unívoca: “esses rios são importantes, mesmo que as águas passem por eles apenas uma semana no ano. Esses rios só podem receber outorga para usar a água para consumo humano e animal, jamais para lançamento de efluentes – todo tipo de esgoto -, pois não tem massa hídrica para diluir os efluentes durante o resto do ano”. Portanto, mesmo que intermitentes, as águas desses rios serão utilizadas pelas populações durante o resto do ano, quando elas ficam armazenadas em açudes, barragens ou pequenos barreiros. Hoje as armazenamos também em cisternas para beber e produzir. Acontece que, em anos de chuvas muito intensas, muitas dessas barragens se rompem, intensificando os desastres que acontecem à jusante.
Terceiro, cito o especialista em clima Phillips Fearnside, americano que vive na Amazônia. Em evento promovido pela CNBB sobre as Mudanças Climáticas, ele nos apresentou dezoito possíveis cenários para o Nordeste. A maioria falava de aumento das temperaturas e dos períodos de estiagem. Entretanto, um deles falava em chuvas diluvianas para o Nordeste. Por ser o único a projetar esse cenário, foi eliminado.
Minha opinião – embora eu não seja técnico, mas vivo aqui e vejo a mudança empiricamente - é que deveria ser mantido. Com o aquecimento do Atlântico grandes volumes de água estão se evaporando, caminhando para o continente, estacionando sobre o Nordeste e produzindo chuvas incalculáveis, como os 230 milímetros em uma chuva em Uauá, sertão da Bahia, ou os 400 milímetros em três dias como essas chuvas sobre Alagoas e Pernambuco. Lembremo-nos ainda das chuvas torrenciais em 2008 sobre Piauí, Ceará e Maranhão. Portanto, os tais fenômenos extremos que nos falam os estudiosos do clima estão realmente já acontecendo.
Somemos esses fatores e teremos um pouco do entendimento do novo Nordeste e da tragédia pernambucoalagoana.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

NO NORDESTE É 8 OU 8O: SECA OU ENCHENTE

Rastros da tragédia provocada pelas fortes chuvas
da semana passada, em Branquinha, Alagoas.

(Foto: Edmar Melo / AE)

A REZA DOS BICHOS

Jaculatória
Eugênio Magno
Deixei de ouvir as cigarras.
Um pássaro pousou no galho
mais alto do Fícus
e entoou um canto.
Antes do silêncio,
as cigarras já haviam
retomado o seu mantra.
(Do livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

REDE KINO SE REÚNE NA CINEOP

Com a presença da maioria dos integrantes do seu núcleo principal, a KINO - Rede Latino Americana de Educação, Cinema e Audiovisual se reuniu na 5ª Mostra de Cinema de Ouro Preto - CINEOP, nos dias 20 e 21.06.2010. Na pauta, a agenda da rede para o segundo semestre de 2010 e para o ano de 2011, além do relato das principais ações desenvolvidas ao longo dos seus dois anos de existência.


Da esq p/ dir.: Adriana Fresquet, Eugênio Magno, Inês Teixiera, Milene Gusmão, Ataídes Braga e Bete Bulara.

Mariza Guerra e Ana Lúcia Azevedo

Vitor, Carol e Lili
(Fotos: Eugênio Magno e Vitor Lino)

FUTEBOL, PAIXÃO GLOBAL

Imagem insólita de duas lagostas que jogam futebol
num aquário de Berlim, especialmente decorado
por ocasião da Copa do Mundo.
(Foto: Bárbara Sax / AFP)

terça-feira, 15 de junho de 2010

FOTOGRAFIA HISTÓRICA DE ESCRAVOS NOS EUA

Procuraram-na por 150 anos e finalmente, de um sótão da Carolina do Norte, nos EUA, surgiu uma foto considerada pelos historiadores como um documento único da era da Guerra Civil norte-americana. Na imagem, que remonta a cerca de 1860, um menino negro de nome John posa sem sapatos e com roupas desgastadas, sentado em um barril junto de outro menino. Os dois, na época, quase certamente eram dois escravos, e a imagem rara em seu gênero testemunha uma página obscura do passado dos EUA. "É uma parte difícil e tocante da história norte-americana", explicou Will Stapp, historiador fotográfico e curador da National Portrait Gallery. "O que vocês veem nesta foto são dois meninos vítimas dessa história". Junto à imagem, foi descoberto o documento de venda do pequeno John: o menino foi cedido por 1.150 dólares.
(Fonte: La Repubblica)

PERSEGUIÇÃO NA PARÓQUIA N. SRA. DO CARMO EM BH

Conflito no Carmo
Eugênio Magno
Os poderosos da terra insistem em perseguir e em querer calar as vozes proféticas em todos os tempos. O recente episódio envolvendo os freis carmelitas Cláudio Van Balen e Gilvander Luís Moreira, da Igreja Nossa Senhora do Carmo, no Bairro Sion, em Belo Horizonte, é mais um dos episódios dessa natureza, envolvendo dois profetas contemporâneos, próximos de nós, no tempo e no espaço.
É justamente devido a essa proximidade que o caso carece, no mínimo, de alguns esclarecimentos. Frei Gilvander e não frei Cláudio, como vem sendo divulgado é que era o pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, desde 1º de fevereiro de 2008. Estava em curso uma ação no sentido de se retirar da paróquia os dois freis: Cláudio e Gilvander. Mas a comunidade paroquial se mobilizou e o frei Cláudio continuará no Carmo. Entretanto, a transferência do frei Gilvander Moreira foi mantida. Ele já integra a Comunidade Carmelitana Edith Stein, no bairro do Planalto, em Belo Horizonte, e ficará mais livre para continuar cumprindo sua missão. Gilvander, que, além de lecionar no curso de teologia do Instituto Santo Tomás de Aquino - ISTA, assessora a Comissão Pastoral da Terra, o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos e a Via Campesina, estava causando incômodo a um certo grupo de paroquianos – próximos ao frei Cláudio – que não conseguem compreender a sua opção pastoral pelos pobres, enquanto sujeitos de suas lutas. Desencadeou-se um conflito interno na paróquia e o telefone-sem-fio correu solto. Pessoas deixaram de contribuir com o dízimo alegando “frei Cláudio não é mais o pároco...”, “... frei Gilvander vai levar parte do dinheiro para o MST”, “não concordo com frei Gilvander defender esses movimentos de sem-terra e essas invasões de terra em Belo Horizonte”, “frei Gilvander trouxe sem-terra para vender verduras na porta da Igreja do Carmo...”. O fato é que, o grupo de paroquianos que não concorda com as posições do frei Gilvander, em suas manifestações de defesa do frei Cláudio, aproveitou a crise para ignorá-lo e contribuir com o processo de sua transferência.
Entretanto, paroquianos engajados e militantes dos movimentos e pastorais sociais, apoiadores de frei Gilvander – embora reconheçam que as manifestações em defesa do frei Cláudio tenham sido uma bela manifestação de solidariedade –, estão perplexos com o maquiavelismo com que os paroquianos insatisfeitos com o frei Gilvander trataram-no neste episódio. A afirmação corrente é a seguinte: a Igreja do Carmo, que foi uma trincheira de luta contra a ditadura militar, na defesa dos direitos humanos, deve também ser uma trincheira na luta contra a ditadura econômica, o que passa pelo apoio aos movimentos populares. E se ela não for capaz de abraçar as lutas populares, não estará sendo fiel à sua história de evangelização libertadora. Não basta ação social, é precisão opção pelos pobres que os empodera e os faz sujeitos de lutas libertárias.

Este artigo também foi publicado nas edições impressa e online do jornal O Tempo de 26.06.10. Acesse o jornal, clicando aqui.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SARAU POÉTICO EM MONTES CLAROS



A NECESSIDADE DE UM NOVO PARTIDO SOCIALISTA

Movimentos sociais precisam criar
um novo partido contra o Estado
Na entrevista a Nilton Viana, do jornal Brasil de Fato, o jornalista José Arbex Jr. incita os movimentos sociais brasileiros a criar um instrumento político que se organize contra o Estado, galvanizando os excluídos do sistema capitalista e com um programa construído nas bases.
"Em meio à crescente exclusão promovida pelo avanço do capitalismo liberal nas últimas décadas, o jornalista José Arbex Jr. defende que os movimentos sociais formem um novo partido no Brasil. Para ele, essas organizações são as únicas da esquerda que conseguem dialogar com os setores alijados da economia capitalista, como os sem terra e sem teto. Esses grupos tendem ser mais e mais massacrados, uma vez que o neoliberalismo é incapaz de incorporá-los – pelo contrário – na sua dinâmica. Assim, o Estado assume um caráter cada vez mais repressor e segregacionista para poder manter uma certa estabilidade social. O que Arbex propõe, então, é que os movimentos sociais impulsionem um instrumento político que, aglutinando os excluídos, parta do pressuposto de que o Estado brasileiro foi construído contra a nação, e coloque a questão do poder, dando um salto qualitativo em relação à sua condição atual." Leia a entrevista completa clicando aqui.
(Fonte: Jornal Brasil de Fato online)

O MUNDO EM CRISE

Em Gaza, pedreiro constrói cabana
com sacos de terra devido ao bloqueio
que impede chegada de materiais.

(Foto: Ali Ali/Efe)

Este impressionante iceberg se separou
da geleira de Ilulissat, situada na costa oeste
da Groenlândia. Trata-se do maior produtor
de gelo de todo o hemisfério norte.
(Fonte: Reuters)

CORRIDA PRESIDENCIAL

''Eu sou socialista. Serra, Dilma e Marina
são capitalistas''.
(Entrevista especial com Plínio de Arruda Sampaio)


"Aos 80 anos, Plínio de Arruda Sampaio mantém-se plenamente ativo na política brasileira. Atuou na Casa Civil paulista e foi deputado federal pelo Partido Democrata Cristão antes do regime militar, quando se exilou no Chile e, depois, nos EUA. Em 1976, voltou ao Brasil, onde fundou o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec) e engajou-se na campanha pela abertura do regime militar e pela anistia dos condenados políticos. Participou da fundação do MDB, mas, por divergências com o então amigo Fernando Henrique Cardoso, rompeu sua ligação com o partido e entrou para o recém fundado PT, onde se tornou um dos principais dirigentes. Porém, em 2005, decepcionado com os caminhos que o partido foi tomando com a eleição de Lula, vinculou-se ao PSOL. Agora, em 2010, Plínio tem um novo desafio a sua frente: as eleições presidenciais. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por email, o candidato à presidência apresenta suas ideias, avalia sua saída do PT e a política de esquerda atual no Brasil. Plínio fala ainda de temas que têm discutido ao longo da sua trajetória política: a atuação de estrangeiros no Brasil e a Reforma Agrária. O agronegócio deve ser fortemente regulado com um zoneamento agrícola que proteja o pequeno agricultor, que não tem a menor condição de competir com a mecanização altíssima dos agroexportadores, apontou."
Confira a entrevista clicando aqui.
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

OS MALEFÍCIOS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


Espiritualidade de Prosperidade
"Os sistemas políticos e econômicos não vivem só de ideologia e dinheiro. Política e economia satisfazem as necessidades básicas do ser humano. Mas deixam em descoberto seu lado espiritual, religioso. Por isso, todo sistema econômico cria sua espiritualidade ou encampa algo já existente, imprimindo-lhe sua marca."
Leia na íntegra o artigo do Padre jesuíta, escritor e teólogo, J. B. Libanio, clicando aqui.

domingo, 6 de junho de 2010

ENERGIA EÓLICA E SOLAR NA ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar
Não tem mais volta. As tecnologias limpas - aquelas que não queimam combustível fóssil - serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um 'cabeça chata' pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.


O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.
Feito em fibra de carbono e alumínio especial - mesmo material usado em aeronaves comerciais -, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. "Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando- se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo", esclarece.
Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando- os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.

Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um "avião" - na verdade um gerador - é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais) . A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.
À prova de apagão
Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: "As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar".
O inventor explica que a ideia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo - o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. "Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial", diz.
Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na ideia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.

O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando- se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. "Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%", garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. "Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental", finaliza Fernandes Ximenes.
(Fonte: Site www.patrulhaecologia.org.br)

terça-feira, 1 de junho de 2010

O LUCRO A QUALQUER PREÇO

Pragmatismo mercadológico
Eugênio Magno
Numa sociedade como a nossa, em que o mercado reina absoluto, é preciso que encontremos as digitais dessa coisa chamada “mão invisível”. E se as ciências comerciais são as que lidam com o mercado, talvez seja por aí que encontraremos a saída para o caos em que nos metemos.
O marketing, por exemplo, apesar do seu status de ciência, está sendo tão depreciado em razão de estar a serviço de estratégias perversas e oportunistas que, a expressão a cada dia que passa se torna cada vez mais sinônimo de mentira. Mas não é apenas o marketing que perdeu o rumo não. A extensa cadeia de disciplinas e especialidades responsáveis pelas atividades comerciais, tem se prestado, atualmente, quase que tão somente a produzir e vender produtos supérfluos e descartáveis que elevam à enésima potência a riqueza das elites minoritárias, precarizam a vida e causam enormes feridas no meio ambiente e no tecido social.
Não podemos nos esquecer, entretanto de que, quem faz ciência, ensina disciplinas, governa, negocia, publiciza e informa, são pessoas: homens e mulheres, de carne e osso, como qualquer mortal comum que vive em sociedade e não está imune a absolutamente nada – de bom ou de mal – que aconteça no planeta. Todavia, forjados à base da cultura do lucro a qualquer preço, a grande maioria dos profissionais que atualmente fazem carreira nessas áreas, parecem desconhecer qualquer filosofia humanista e social e adotam práticas totalmente distanciadas de posturas cidadãs. São os novos cavaleiros do pragmatismo mercadológico que teimam em fazer suas apologias absolutistas até mesmo nos ambientes menos adequados para a defesa dessas pseudo-verdades, como as escolas, espaços típicos do debate e da construção do saber, a partir do estudo das várias correntes do pensamento.
Orquestrados pelo senhor mercado, que tem como principais artífices os (ir)responsáveis pelo planejamento e gestão das políticas comerciais dos países ricos, das bolsas de valores, dos grandes conglomerados de mídia, das religiões que aderiram aos encantos da teologia da prosperidade e das empresas transnacionais, esses especialistas fazem de cobaias todos nós e, ironicamente, eles próprios e suas famílias. O que neles sobra em expertise mercantil, falta em consciência ecológica, princípios éticos e humanitários. E o que vemos é a proliferação da cultura do sucesso fácil, o consumismo exacerbado, a obsolescência programada, o desemprego estrutural e a fé no deus das divisas econômicas e da abastança, entre outras aberrações.
Valores como responsabilidade social e ambiental, e respeito ao consumidor, para citar apenas essas poucas propostas de políticas institucionais, que estão mais em moda ultimamente, tem sido usadas muito mais como motes de campanhas publicitárias do que como práticas e compromissos das organizações.
Até quando a sociedade contemporânea se apoiará no desenvolvimento cultural e científico apenas para fazer perpetuar o vale tudo?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CINE FILOSÓFICO

O Enigma de Kaspar Hauser
"O instigante filme O Enigma de Kaspar Hauser (ano de 1974), do cineasta alemão Werner Herzog, vencedor do Grande Prêmio do Júri, no festival de Cannes, em 1975, levanta para nós um tema filosófico polêmico, a saber: há uma racionalidade própria à natureza humana, ou ainda, é possível admitir uma natureza humana?"

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão desenvolve um interessante projeto denominado Cine Filosófico, que é pilotado pelo professor de filosofia do instituto, Jorge Leão. Em uma das sessões comentadas do projeto, o filme exibido foi O Enigma de Kaspar Hauser, do alemão Werner Herzog. Sob a perspectiva da filosofia, o professor escreveu um belo texto sobre o filme. Confira-o clicando aqui.

VALORES CONTEMPORÂNEOS

Quino, autor de "Mafalda", desiludido com os rumos deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso nos cartoons o seu sentimento.










































segunda-feira, 24 de maio de 2010

A SINERGIA DA COMBINAÇÃO PENTECOSTALISMO E NEOLIBERALISMO

A Teologia da Prosperidade e o neoliberalismo são irmãos siameses

Entrevista concedida a Graziela Wolfart

O sociólogo Gedeon Freire de Alencar reconhece as contribuições do pentecostalismo para a sociedade brasileira, principalmente em relação ao aumento do número de alfabetizados e à diminuição da violência doméstica. No entanto, ele faz críticas ao pentecostalismo quando afirma que o mesmo “reproduz as opressões sociais, e elas ficam pioradas porque, neste caso, têm uma ‘marca espiritual’”. E aqui ele cita “o machismo, a discriminação de gêneros e sexos, apatia nas lutas sociais, um processo de acomodação de status e uma ênfase exagerada na solução dos problemas pessoais em detrimento da comunidade”. Quando questionado sobre o diálogo inter-religioso, Gedeon argumenta que “todas as religiões têm dificuldade de relacionamento, pois estabelecer uma relação é identificar no outro algum valor o suficiente para ele/a ser visto e ouvido. O ecumenismo é bonito na teoria, mas é piada utópica”. Na entrevista que segue, concedida, por e-mail, à IHU On-Line, o presbítero da Assembleia de Deus Betesda, de São Paulo, defende que “teologia da prosperidade e neoliberalismo é, como diz o provérbio popular, a casa e o botão. São irmãos siameses. Um não existiria sem o outro”. Para ele, ter mais público quantitativamente é o grande critério de validação das igrejas pentecostais. “Daí quem é o elemento fundante e final da coisa: o consumo”
Sociólogo, presbítero da Assembleia de Deus Betesda, em São Paulo, Gedeon Freire de Alencar é diretor pedagógico do Instituto de Estudos Contemporâneos (ICEC). É mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista, com a tese Todo poder aos pastores, todo trabalho ao povo, e todo louvor a Deus. Assembleia de Deus: origem, implantação e militância (1911-1946). Também é membro da Associação Brasileira de História da Religião e da Rede de Teólogos e Cientistas Sociais do Pentecostalismo na América Latina e Caribe. É autor do livro Protestantismo Tupiniquim: Hipóteses Sobre a (não) Contribuição Evangélica à Cultura Brasileira (São Paulo: Arte Editorial, 2005).

Eis a entrevista.

"IHU On-Line - Como o senhor descreve a relação entre as religiões pentecostais e a sociedade brasileira?
Gedeon Freire de Alencar -
Os pentecostalismos (no plural), como qualquer outra expressão religiosa, têm acertos e erros na sua relação com a cultura. Como nos lembra Weber, em seu clássico texto Rejeições religiosas do mundo e suas direções, ou teoria dos conflitos, as religiões de salvação têm uma relação de tensão e concessão com o mundo. Portanto, com os pentecostalismos não poderia ser diferente. Sem julgamento de valores, vejamos, por exemplo, a relação entre alfabetização e pentecostalismo. Nas regiões mais pobres da sociedade aonde o pentecostalismo chegou, houve uma melhora na questão da alfabetização, ou, de outra forma, se não fosse o pentecostalismo, nosso índice seria pior. Na questão da violência doméstica, idem.

IHU On-Line - Quais as principais críticas que o senhor faz ao pentecostalismo hoje?
Gedeon Freire de Alencar -
Reproduz as opressões sociais e elas ficam pioradas porque, neste caso, têm uma “marca espiritual”. E aqui cito o machismo, a discriminação de gêneros e sexos, apatia nas lutas sociais, um processo de acomodação de status e uma ênfase exagerada na solução dos problemas pessoais em detrimento da comunidade.

IHU On-Line - Como se dá a relação entre o pentecostalismo e as religiões afro?
Gedeon Freire de Alencar -
Péssima – por culpa de ambas. Sei que corro o risco de desagradar a todos, mas não vou fugir da questão. Primeiro, todas as religiões têm dificuldade de relacionamento, pois estabelecer uma relação é identificar no outro algum valor o suficiente para ele/a ser visto e ouvido. O ecumenismo é bonito na teoria, mas é piada utópica. Segundo, teologicamente, ou sendo mais simplista, fenomenologicamente apenas, é impossível uma relação entre as duas. Nenhuma reconhece a outra, mesmo como mero fenômeno social. Terceiro, ambas são concorrentes, pois suas membresias estão na mesma camada social. Quarto, a criminalização da questão superou os limites da civilidade. Ambas são majoritariamente religiões de pobres e, esta, dentre outras, foi a razão da perseguição externa. O pentecostalismo foi absurdamente perseguido em seus primeiros anos, nos EUA e também no Brasil, pelas igrejas tradicionais, ditas cristãs, muito mais por racismo e sexismo. Uma perseguição imoral, anticristã, vergonhosa. Mas este mesmo pentecostalismo (no caso o neopentecostal), agora hegemônico e poderoso, repete de forma vergonhosa a mesma perseguição. Uma coisa é querer se diferenciar religiosamente, “se vender” como a religião melhor, mais correta etc. Outra coisa é criminalizar o outro; perseguir mesmo. Por outro lado, os cultos afros são muito competentes em termos estéticos e culturais, mas absurdamente incompetentes em racionalidade econômica. Para completar, são estupidamente divididos e inimigos entre si. Alguns optaram por um demagógico discurso vitimista e só conseguem se manter porque vivem ancorados nas sinecuras estatais. Com a desculpa (ou a culpa mesmo) de que é “cultura” e não religião, deram um tiro no pé: virou cultura alegre, vistosa, interessante para turista, mas se folclorizou. Enfeite de solenidade, alegoria de carnaval, não conseguiu articular militância e fidelização de seus membros. É dizimado mais por seus próprios elementos internos que externos. Pelo andar da carruagem só vai sobrar em museu.

IHU On-Line - Que relação podemos estabelecer entre a teologia da prosperidade e o neoliberalismo econômico?
Gedeon Freire de Alencar -
Toda teologia tem a cara de seu tempo – mesmo que teólogos se digam inspirados (apenas) por Deus. O teólogo é um leitor de seu tempo. Alguns são bons leitores, outros péssimos. Então, teologia da prosperidade e neoliberalismo é, como diz o provérbio popular, a casa e o botão. São irmãos siameses. Um não existiria sem o outro. Não vou me atrever a avaliar a teologia ou a economia, pois entendo pouco dos dois, mas diria apenas mais uma coisa: por que o neoliberalismo não nasceu, por exemplo, no final da década de 20? Não existia, absolutamente, ambiente para isso. Da mesma forma como a teologia da prosperidade jamais teria surgido, no Brasil, na década de 70. Não havia condições econômicas e sociais propícias. Isso poderia ser dito de outras teologias e de outras épocas similares.

IHU On-Line - Em que sentido podemos perceber nas religiões neopentecostais uma ética relativista e uma estética consumista, como o senhor apontou em uma entrevista já em 2006 ?
Gedeon Freire de Alencar -
Um dos critérios – quase único – de nosso tempo é o quantitativo. “O fetiche de quantidade”, como disse Renato Mezan , no caderno Mais, Folha de S. Paulo, semana passada. Tudo é medido em números, e estes funcionam como oráculo divino. Por que este livro é bom? Porque vendeu muito. E este é melhor que outro porque vendeu mais ainda. Então, por que este louvor, música, pregação e igreja são melhores e estão certos, mais que outra(s)? Porque vendeu mais. Têm mais gente. Ter mais público quantitativamente é o grande critério de validação. Daí quem é o elemento fundante e final da coisa: o consumo. Por isso, benções são consumidas, louvores vendidos, pregações compradas. Igrejas são da moda – e o céu (ou o inferno para quem acredita...) é o limite. Conclusão - perdão pelo lugar comum - tudo é relativo. A ética é então muito mais conveniência que convicção; muito mais funcionalidade que fundamento. Qual a ética que rege este modelo? A do possível, dos fins justificando os meios. Não se tem mais a priori um bem maior definido e fundante, mas uma relatividade funcional de que, dependendo da “necessidade”, vale qualquer coisa. Se posso pagar a benção, comprar o louvor, transformar em moda a adoração, toda embalada para consumo de indivíduos, quem é que pode, em última instância, definir o objetivo? E Deus – seja lá ele quem for – não se meta a querer mudar o projeto.

IHU On-Line - Como entender a ênfase escatológica pregada pelas religiões pentecostais?
Gedeon Freire de Alencar -
Nas igrejas pentecostais mais periféricas (domingo passado, vi isso pessoalmente) a mensagem escatológica ainda é forte, já nas igrejas de classe média e, principalmente, nas neopentecostais, o discurso escatológico está fora de moda. Simples, se Jesus voltar agora vai estragar a festa! O pentecostalismo, fenômeno típico da passagem do século XIX para o XX é absolutamente escatológico. Nasce no período das grandes guerras. Ademais, como religião de pobres, o sonho é escapar da miséria. É fácil para um intelectual de esquerda ridicularizar isso como alienação, mas, fazendo algum esforço para compreender “de dentro”, a doutrina escatológica também pode ser uma esperança. O céu é um projeto de justiça e paz.

IHU On-Line - Como a Assembleia de Deus se posiciona em relação ao pentecostalismo?
Gedeon Freire de Alencar -
A Assembleia de Deus é uma igreja pentecostal. Aliás, não existe a Assembleia de Deus no singular, mas Assembleias. São muitas, variadas, autônomas, e, às vezes, inimigas entre si. Mas, majoritariamente são pentecostais, e como o universo assembleiano é vasto, há desde assembleias clássicas e tradicionais às mais neopentecostais e folclóricas possíveis. Teoricamente, pentecostal é quem aceita a contemporaneidade da doutrina do Espírito Santo. Mas a complicação é imediata: qual doutrina? Por exemplo, o falar em línguas e o exorcismo. Muitas igrejas hoje não têm mais estas marcas, ou só tem uma, como a Igreja Universal do Reino de Deus, que só dá ênfase ao exorcismo. Enfim, há muito que pentecostalismo não é mais apenas uma designação doutrinária, mas uma definição sociológica, e mesmo esta, atualmente, não é consenso."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

TROPEÇOS E QUEDAS

Portanto, a vida espiritual é, em primeiro lugar,
uma questão de estar desperto
"Só a fé pode dar-nos a luz para vermos que a vontade de Deus está em nossa vida cotidiana. Sem essa luz, não enxergamos para tomar decisões certas. Sem essa certeza, não podemos ter confiança e paz sobrenaturais. Tropeçamos e caímos constantemente, mesmo quando nos sentimos muito esclarecidos. Mas quando estamos na verdadeira escuridão espiritual, nem mesmo sabemos que caímos. Para mantermo-nos espiritualmente vivos, precisamos renovar constantemente nossa fé."
Thomas Merton
{do livro, Thoughts in Solitude, (Farrar, Straus and Giroux Publishers, New York), 1958. p. 38No Brasil: Na liberdade da solidão, (Editora Vozes, Petrópolis), 2001. p. 39-40}

domingo, 16 de maio de 2010

500 MIL PESSOAS FORAM VER BENTO XVI

Papa Bento XVI no seu Papamóvel quando se retira do
Santuário de N. Sra de Fátima, em Portugal. Nunca se vira antes 500 mil pessoas em Fátima. Nem no ano 2000, na missa celebrada por João Paulo II.

(Foto: Emilio Morenatti /AP)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PALAVRA DE POETA

Uma conversa com Octavio
Poeta e ensaísta, Octavio Paz foi Prêmio Nobel de Literatura em 1990. Nasceu no México em 1914 e passou a infância nos Estados Unidos com a família. De volta ao México, formou-se em direito e fez especialização em literatura. Lutou na Espanha, em 1937, ao lado dos republicanos, mas nunca abraçou o comunismo. De 1946 a 1951, viveu em Paris, onde se ligou a André Breton e freqentou o grupo surrealista, no qual encontrou o poeta Benjamin Peret, que viveu no Brasil e no México e foi seu tradutor para o francês. Além de escritor e tradutor, Octavio Paz foi diplomata. Demitiu-se do cargo de embaixador de seu país na Índia em protesto contra o massacre da Praça das Três Culturas (Tlatelolco, 1968), no qual morreram mais de cem estudantes mexicanos. Comentando sua morte em 1998, o escritor peruano Mario Vargas Llosa o qualificou como “a consciência viva de sua era”. É conhecido no Brasil, sobretudo, por seus ensaios, como O arco e a lira, Signos em rotação, O labirinto da solidão entre outros.
A jornalista Betty Milan, da Revista de Cultura Agulha Hispânica fez uma longa entrevista com o poeta que pode ser lida na sua íntegra, clicando aqui.

A MENTIRA VIROU CIÊNCIA

Marketing de comportamento

"Uma frase típica de jantares inteligentes é: Hoje temos outra cabeça!. Eu digo que não. Não temos outra cabeça. Somos mais tagarelas sobre nossas mentiras. A mentira virou ciência: virou marketing", escreve Luiz Felipe Pondé, professor da PUCSP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 10-05-2010. E confessa: Sim, tenho problema com as mulheres, quem não tem? Só os mentirosos. Ser bem resolvido com as mulheres é ser gay, atesta o professor. Para ler o artigo na íntegra é so clicar aqui.

QUASE 1 BI DE CUSTO AOS COFRES PÚBLICOS

Criticado até por marqueteiros,
horário eleitoral custa R$ 850 milhões

Plínio Fraga da Sucursal do Rio e
Uirá Machado, da Reportagem Local

"O chamado horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão custará aos cofres públicos - em isenções tributárias previstas em lei - quase R$ 900 milhões. E, para dois dos mais conhecidos marqueteiros do país, poderia ser extinto.
Duda Mendonça e Antonio Lavareda afirmam que as inserções eleitorais (propagandas curtas) são importantes na campanha, mas os dois programas diários de 25 minutos cada um encarecem as disputas, têm efeito limitado e poderiam ser substituídos por debates temáticos entre os candidatos.
Programa eleitoral em bloco só serve para encarecer campanha. Não tem papel de persuasão. Eleitor não presta atenção e, quando presta, é pouco afetado, diz Lavareda, 76 campanhas no currículo. Para ser persuadido, o eleitor não deve estar ciente de que está sob tentativa de convencimento.
Na eleição de 2006, só os candidatos de PT e PSDB declararam ter gasto cerca de R$ 20 milhões na produção da propaganda para rádio e televisão, numa campanha em que juntos assumiram oficialmente desembolso de R$ 186 milhões.
Não faz sentido nem do ponto de vista teórico nem do ponto de vista prático. Mas marqueteiros e políticos são contra fragmentar o programa, diz Lavareda.
O publicitário Duda Mendonça, mais de 45 campanhas, diz que os programas poderiam ser substituído por debates. Seriam debates ao vivo, em rede obrigatória, temáticos.
Ele reconhece que a proposta tem poucas chances de ser implementada. Por que não muda isso? Porque no debate é onde o candidato aparece mais nu e cru. Tem de enfrentar o estresse, o argumento.
Lavareda concorda com essa sugestão. Para ele, há um paradoxo nas democracias modernas: Exige-se um nível fantástico de compreensão, mas as pessoas não conseguem se informar a respeito de tudo.
Horário 'gratuito'
De acordo com levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, a Receita Federal deixará de arrecadar neste ano R$ 856.359.976,86 em razão do horário eleitoral gratuito --dinheiro suficiente para custear um ano de estudo para 635 mil alunos, um contingente de estudantes de rede pública de uma grande capital.
A legislação eleitoral permite que as emissoras de rádio e TV deduzam do Imposto de Renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário gratuito fosse vendido para propaganda comercial.
As rádios e as TVs precisam comprovar, por meio de nota fiscal emitida na véspera do horário eleitoral, o valor cobrado pelos comerciais. Essa nota não pode ser discrepante de outras operações com a iniciativa privada nos 30 dias anteriores e 30 dias posteriores a essa data.
Com base no montante encontrado, estima-se quanto a emissora perdeu por ter cedido o tempo. O valor é subtraído do faturamento da emissora antes de ser calculado o imposto.
Desde 2002, a União já deixou de arrecadar R$ 3,65 bilhões em razão do horário eleitoral gratuito.
(Fonte: Jornal Folha de São Paulo)

sábado, 8 de maio de 2010

RAONI NA FRANÇA CONTRA BELO MONTE

O líder indígena Raoni esteve em Paris, no dia 03-05-2010, para a promoção do seu livro e se encontrar com o presidente francês e seu predecessor. O objetivo da visita a França é evitar a construção, na Amazonia, da gigantesca barragem de Belo Monte, projeto julgado devastador pelos ecologistas e sobretudo
pelos indígenas.


(Foto: Benoit Tessier / Reuters)

UM NOVO MODELO DE DEMOCRACIA SOCIAL

O cientista político, Bruno Lima Rocha, faz uma tipificação da forma de articular o político com o social. Bruno Lima Rocha, é cientista político com doutorado e mestrado pela UFRGS, jornalista formado na UFRJ; docente de comunicação e pesquisador 1 da Unisinos; membro do Grupo Cepos e editor do portar Estratégia & Análise. Veja o artigo:

Por uma democracia social

com partidos políticos de outro tipo – 1

Bruno Lima Rocha

"Inauguramos nesta nova série de quatro breves artigos de difusão científica, um debate que vai além da forma orgânica dos partidos e se centra em sua missão institucional e na antecedência histórica. A série começa com a tipificação de uma nova forma de articular o político com o social e no intermédio destes dois níveis a presença do político-social, fortalecendo as chamadas tendências das bases de movimentos e as respectivas agrupações de tipo aberto. Lembramos que aqui se trabalha um modelo de tipo distinto do partido de intermediação de tipo burguês ou autoritário. E, que a radicalização da democracia, como atividade-meio para a transformação da sociedade, passa por uma escalada de participação e o conflito resultante desta.
Uma vez que aqui se trata da hipótese de desenvolvimento de uma organização política de minoria, ou o partido de quadros, com intenção de ruptura da ordem constituída, as variáveis de desenvolvimento para este tipo de instituição política estão condicionadas por sua missão institucional. Como afirmamos acima, estamos tentando generalizar um cenário de conflito social com protagonismo das maiorias de classe oprimida e trabalhadora.
Esta hipótese automaticamente exclui soluções e processos desenvolvidos através de vanguardas esclarecidas de tipo armado e/ou de proselitismo político. Uma vez que a conjuntura de momento não possibilita visualizações precisas e de rigor quanto ao programa ideológico deste tipo de partido, tomamos a ousadia de apontar um guarda-chuva ideológico genérico, dentro do panorama político das esquerdas latino-americanas após o Levante Zapatista no México (1994) e a derrubada do presidente equatoriano Abdala Bucaram (1997).
No exercício da modelagem, busco algo que aponte para uma ordem social com distribuição justa, independência nacional e democracia substantiva, participativa e com experimentalismos institucionais nesse sentido. Este tipo de organização seria a versão atual (pós-bipolaridade) de uma soma de objetivos de libertação nacional e democracia de cunho socialista, somados aos acúmulos de experiências atuais ou históricas na América Latina.
Através de raciocínio lógico binário, se a hipótese de vanguarda auto-esclarecida não é considerada válida, portanto a condição de organização de minoria tem como estilo político o impulsionar das instituições sociais voluntárias e de caráter massivo. Uma vez que esta mesma hipótese aponta dois eixos de mínimo denominador comum – o especifismo político-ideológico e o protagonismo das bases sociais - os mesmos se tornam o alicerce da caracterização do tipo de instituição política que abordamos.
Assim, para esta organização o nível político oficial, o de concorrência através de eleições não é considerado nem no plano tático de atuação. Experiências recentes na América Latina vêm provando e comprovando a limitação deste tipo de atuação para fins de ruptura. A mesma ressalva é valida para ocupar estruturas estatais para, desde adentro, intentar cambiar a correlação de forças e missão institucional de modo a torná-los públicos. Experimentalismos institucionais dentro do regime de legalidade são também considerados de forma tática e não-determinante para cumprir seu objetivo. Por exclusão, as saídas pela via de ruptura são estratégicas e prioritárias.
Um aspecto é importante ressaltar, que é o tema da inserção e condicionamento das bases sociais para um objetivo finalista dentro de uma estratégia permanente. O tema do controle por parte dos partidos de esquerda sobre os movimentos populares é justo o oposto do desenvolvido pelo grosso da literatura de ciência política, tomando por base a generalização da experiência da social-democracia européia. Assim, ao invés de ser inflexível para com sua própria base e transigir, a partir desta moeda de troca (o nível sindical e de massas), com os partidos da burguesia, este tipo de partido aponta para estruturas de democracia interna, tanto em suas instâncias internas como nos movimentos de classe os quais este incide e/ou hegemoniza. No caso, a intransigência é com os demais e não para dentro de si mesmo.
Um exemplo histórico relativamente recente e ainda por demais injustiçado, sendo condenado ao segundo desaparecimento (por omissão dos que produzem análise e discurso sobre a política) é a experiência insurrecional peruana da década de 1980 do século XX. Não me refiro ao Sendero Luminoso, mas sim ao acionar político-social da outra organização insurgente. A leitura obrigatória para este tema se encontra na entrevista com o comandante do Movimento Revolucionário Tupac Amaru / Exército Revolucionário Tupacamarista (MRTA) Nestor Cerpa Cartolini (Cartolini, 1997). Nesta publicação se expõe as experiências de democracia direta e participativa desenvolvidas no Frente San Martín no final da década de 1980 até o início da década seguinte, nesta região de selva há 1000 km. da capital do Peru, Lima.
Voltando a modelagem, em termos concretos, esta instituição política defende e aplica a democracia interna, a autodeterminação resolutiva e a independência dos movimentos populares em relação aos partidos de classe (incluindo ao próprio partido). Este espaço assegura a autonomia de classe social oprimida perante todas as instituições políticas agindo dentro e sobre ela. A democracia interna serviria como prerrogativa contra a cristalização com tendências burocráticas ou de oligarquias (ver a caracterização sobre o tema, abordado por Michels em Panebianko, 1982, p.36). Este é um dispositivo conformado por mecanismos e decisões visando impedir a deformação burocrática, tanto na parte interna da organização como nas estruturas organizativas das instituições sociais (movimentos de classe e programáticos) onde este gravita.
O binômio de autonomia de classe social e democracia interna em todos os níveis apontam para uma discussão de fundo teórico e essencial para nos fazermos compreender. Trata-se da própria idéia de classe política e, uma vez que esta se constitua, as possibilidades de seu desenvolvimento atingir ou não tanto a democracia possível como a desejável pelos agentes coletivos. Em tese, estaríamos diante das opções extremas de perpetuação sem renovação, a chamada opção aristocrática; e renovação sem perpetuação, a dita a opção democrática-revolucionária (para ambas ver Bobbio, 2002, cap.8).
Partindo destas opções consagradas, formulo mais duas possibilidades: uma se aproxima da aristocrática, transformando-a em oligárquica, ou seja, renovação para perpetuação. Outra teria o mesmo perfil, mas insistiria em perpetuação de missão com renovação de pessoal, esta, entendo como normativamente positiva para este modelo aqui apresentado. Em outras palavras, o tema é o do treinamento como parte essencial da reprodução desejável por uma instituição política (Para uma discussão e crítica do tema da classe política em Michels, ver Bobbio 2002, cap.8, e com precisão pp. 225-227). A discussão, por tanto, se dá sobre o mecanismo a ser reproduzido e o tipo de treinamento necessário para cumprir uma missão institucional.
Considerando as experiências anteriores, este mecanismo tem de gerar quadros treinados para assegurar a democracia interna (em todos os níveis) e os objetivos de programa máximo. Já o programa máximo, prevê a idéia de acumulação e vai ao encontro contra as soluções de ordem tática de programas mínimos, com reformas parciais ou favorecimentos a uma categoria em contra de outra (ver Przeworski, 1995, cap.1). É aquele que deve ser proporcionado pela própria instituição política que advoga esta tese. Não há possibilidade teórica fora disso, e aí rigorosamente se descarta qualquer hipótese de definições de falsa consciência (Przeworski, 1986, p.81)."

Bibliografia do artigo:
CARTOLINI, Nestor Cerpa. Entrevista al comandante del MRTA, Montevidéu, Editorial Recortes, 1997.

BOBBIO, Norberto. Ensaio sobre ciência política na Itália. Brasília, Editora UnB, 2002.
PANEBIANKO, Angelo. Modelos de Partido. Madrid, Alianza Editorial, 1982.
PRZEWORSKI, Adam. Capitalismo e Social-Democracia. São Paulo, Cia. das Letras, 1995.

(Fonte: site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)