Mostrando postagens com marcador México. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador México. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

ESQUERDA, DIREITA, VOLVER!


México e Brasil 2018: a vitória da alegria 
e a tristeza dos ressentidos

Luciano Mendes de Faria Filho
Professor da Faculdade de Educação (FaE/UFMG) e
Coordenador do Projeto Pensar a Educação, pensar o Brasil


  Jair Messias Bolsonaro                    Andrés Manuel López Obrador

Tenho comentado com amig@s e colegas o quanto o México e o Brasil se parecem, tanto em suas qualidades quanto em seus defeitos. Em ambos os países a violência grassa, as desigualdades são imensas*, a presença do narcotráfico é ostensiva em várias regiões do país, a corrupção é enorme, a religiosidade é profunda, a alegria é contagiante, as belezas são imensas, as diversidades estão presentes em todas as partes, etc, etc, etc.
No entanto, hoje, 1o. de dezembro de 2018, Brasil e México, são países muitos diferentes. No México, no dia de hoje, dia da posse do Presidente Andrés Manuel Lopes Obrador, as ruas da capital do país estavam coloridas de rostos felizes e em festa. É grande a expectativa de que seja o início de um novo tempo para o país. E para melhor!
Não se trata apenas da vitória e, hoje, da posse de um governo de “esquerda” depois de décadas de domínio do PRI ou, eventualmente, muito eventualmente, do PAM. Trata-se um enorme voto de confiança no novo Presidente para enfrentar os grandes problemas do país. Algo que é compartilhado por boa parte da população, das crianças e jovens aos/às idos@s. Ao meu lado, na praça central da cidade do México, um homem gritava que, diferentemente dos putos presidentes anteriores, ele reconhecia a Lopes Obrador como seu “chefe”.
Na festa cívica na praça pública enquanto a multidão esperava a presença do Presidente, houve apresentação cultural de todos os estados da República. Neste momento a festa era dirigida por vári@s “apresentador@s”, uma das quais sempre falava “todos, todas e todxs”.
Quando o Presidente chegou à praça, quem tomou o comando da festa foram @s lideranças dos povos originários. Foi uma linda cerimônia em que 68 povos originários e representantes afromexicanos entregaram o Bastão de Mando a Lopes Obrador, uma cerimônia que não ocorrida há muito tempo. Foi uma grande reverência à ancestralidade e às suas crenças e modos de vida.
Num certo momento, muito emocionada, uma liderança, de joelho, tentava fazer um discurso, ao mesmo tempo em que tentava entregar um presente para o Presidente. Vendo a emoção da pessoa, Lopes Obrador se ajoelhou na frente dela e recebeu o que ela queria lhe entregar.
Esse gesto do Presidente Mexicano é parte do imenso contraste que existe hoje entre nossos países. No caso brasileiro, o Presidente eleito e sua “família” batem continência para os “americanos” e espezinham os povos originários. E isto é apenas uma das inúmeras mostras de como, no Brasil, a vitória dos ressentidos e do ressentimento joga o Brasil numa tristeza profunda e num cada vez mais profundo abismo.
Os ressentidos ganharam roubando, mentindo, enganando e querendo, é claro, se vingar. Por isso também não há alegria, nunca houve, na campanha e na vitória de Bolsonaro. E nisso também e, talvez, sobretudo, há um profundo contraste com a vitória “morenista” no México”.
Certamente Lopes Obrador terá grandes dificuldades de cumprir o que prometeu na campanha, e que foi reafirmado nos discursos de hoje. Os seus adversários, os adversários da democracia e de um país menos violento e menos desigual são muitos. Os problemas estruturais, imensos. No entanto, na dia de hoje, e oxalá isso se repita nos dias, meses e anos vindouros, boa parte da população mexicana acompanhou com muita alegra e positiva expectativa a posso de seu novo presidente. Duvido muito que isso venha ocorrer, no Brasil, no dia 01 de janeiro!

* Também no México, como no Brasil, as desigualdades têm cor: uma coisa que notei, na praça, é que havia uma nítida diferença entre a cor da pele das poucas pessoas que estavam sentadas no espaço reservados aos/às convidad@s – branc@s, quase tod@s – e a imensa maioria que estava de pé.
(Fonte: Boletim Pensar a Educação, Pensar o Brasil)

sábado, 28 de janeiro de 2017

EUA SE ISOLA DO MUNDO


Faltam 2 mil kilometros para o novo "muro da vergonha"


A muralha de Donald Trump já existe e atravessa cidades e montanhas. Nova construção provocará golpe ecológico e maior mortalidade entre os migrantes.
Quando escutou que Trump queria construir um muro, a primeira coisa que o professor Jonathan Lee pensou foi: “Será mais largo? Será eletrificado? Terá dois andares?” Isso porque Lee, da cidade de Tecate, todo dia vê uma placa metálica ocre e enferrujada quando acorda. Ela foi erguida por Bill Clinton em 1994 a 20 metros da sua cama.
A reportagem é de Jacobo García, publicada por El País, 26-01-2017.
Na quarta-feira, Donald Trump anunciou o começo da construção “em meses” de um muro ao longo da fronteira e cujo financiamento será por conta do México, tal como disse o magnata à rede ABC. O muro, segundo cálculos do The Washington Post, terá um custo superior a 25 bilhões de dólares (80 bilhões de reais) e exigiria a utilização de milhares de trabalhadores durante anos.
No entanto, essa é uma realidade tangível há décadas para milhares de mexicanos. “Eu passava aos EUA com a naturalidade de quem atravessa a rua. Eles e nós fazíamos as compras de ambos os lados da fronteira sem nenhum inconveniente, até que começaram a erguer o muro”, diz Lee, de 33 anos.
A construção não é uma invenção de Trump. Com a chegada de Clinton ao poder, em 1993, os democratas levantaram o polêmico muro sem nenhum escândalo, da mesma forma que Barack Obama foi o presidente que mais expulsou migrantes sem documentos durante seus oito anos de Governo: quase 2,6 milhões de pessoas deportadas.
Hoje, há muro físico em um terço (cerca de 1.100 km) dos quase 3.200 quilômetros de fronteira entre México e EUA. Barreiras de concreto, grades, placas metálicas que serviram para facilitar o pouso de aviões durante a Guerra do Golfo e depois foram usadas para separar os dois países.
O muro começa na praia de Tijuana e avança rumo ao leste atravessando cidades como Tecate e Mexicali. Em outros trechos, sobe e desce pelos montes de estados como Califórnia, Arizona e Novo México, onde apenas se ouve o vento e habitam veados, como uma variante tex-mex da Muralha da China.
Em outro terço da fronteira há um muro virtual, vigiado por câmeras, sensores térmicos, raios-X e pelo menos 20 mil agentes fronteiriços, 518% a mais do que há duas décadas, segundo um relatório elaborado pelo instituto mexicano Colégio da Fronteira Norte e o Centro Norte-Americano de Estudos Transfronteiriços.
Em seu último terço, o muro é natural. E também o mais barato do mundo para vigiar, pois os rios e desertos de Sonora e Chihuahua agem como sentinelas com suas temperaturas que chegam a 50 graus. Nas últimas duas décadas, cerca de 8.000 migrantes morreram no local tentando atravessá-lo.
“Não se trata apenas da construção de um muro, mas de toda uma estratégia de humilhação”, diz o professor José Manuel Valenzuela, secretário acadêmico do Colégio da Fronteira Norte. “Há uma estratégia para prejudicar a vida na fronteira, restringir os fluxos migratórios e acabar com as cidades santuário, onde os migrantes encontram certa proteção. Isso é também um grave ataque à vida ecológica e aos parques naturais que atravessam a fronteira”, afirma.
“Os grupos supremacistas que atacam e matam os migrantes se veem agora mais legitimados. Comprovou-se que, com a construção do primeiro muro em 1994, a emigração diminuiu, mas o número de mortos aumentou”, diz Valenzuela.
Jonathan Lee, que todo dia vê migrantes de Chiapas e Michoacán passando em frente à sua casa tentando atravessar para o outro lado, acredita que o muro de 1994 serviu como uma espécie de seleção natural. A barreira obrigou os migrantes a passarem por desertos e montanhas. “Quem consegue sobreviver a uma prova tão dura demonstra que é forte e fisicamente capaz de trabalhar em qualquer tipo de serviço que os EUA exigirem”, diz.
(Fonte: Site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MOMENTOS DE TERNURA


O chimpanzé africano Zuri, 18 anos, com o seu filhote, recém nascido,
no zoológico de Guadalajara, México. Os chimpanzés comuns são uma espécie em via de extinção.



(Foto: Ulisses Ruiz Basurto - EPA)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SAMUEL RUIZ, O PENÚLTIMO PROFETA

Partiu o penúltimo profeta da opção preferencial pelos pobres.
Partiu uma figura eclesial e universal da solidariedade. Partiu um bispo entregue, um sacerdote que deu tudo por seu povo, um teólogo da práxis da libertação e um ícone dessa Igreja samaritana que atrai as pessoas e seduz seus corações a seguir o Cristo
, escreveu José Manuel Vidal, em artigo publicado no sítio espanhol Religión Digital, 25-01-2011. A tradução é do Cepat.
"Partiu Samuel Ruiz, o bispo dos índios, não em vão chamado de “Tatic”, o padre dos indígenas. E partiu com o carinho dos mais pobres, o respeito de todo o México e o apreço generalizado da Igreja universal. E com alguma crítica daqueles que não suportam os profetas. Porque suas vidas e suas figuras os magoam, os confrontam com o Evangelho e os deixam em evidência. Partiu o penúltimo profeta da opção preferencial pelos pobres. Partiu uma figura eclesial e universal da solidariedade. Partiu um bispo entregue, um sacerdote que deu tudo por seu povo, um teólogo da práxis da libertação e um ícone dessa Igreja samaritana que atrai as pessoas e seduz seus corações a seguir o Cristo.
Partiu o penúltimo profeta. Porque ainda restam alguns, como Casaldáliga. A verdade é que há poucos profetas. Cada vez menos. Teríamos que nos perguntar pelo por quê. A Igreja caminha com duas pernas: a do anúncio e a da denúncia. Sem denúncia fica manca. E cada vez está mais manca. Nossos profetas envelheceram. E não têm importância. Claro sinal de que a instituição se escorou excessivamente no anúncio, descuidando da denúncia. E, portanto, perdeu coragem evangélica.
Mas nos resta a sua memória. A dos profetas que se vão, mas permanecem em nossa lembrança e em nosso coração. Como faróis luminosos. Como guias valentes. Como sinais vivos de que outra Igreja é possível.
Mesmo que custe aos maus “anunciadores” admiti-lo, Romero, Helder Câmara, Ellacuría e tantos outros seguem vivos. Mais do que nunca. Por mais que o lamentem. Olhem, por exemplo, a reação do porta-voz do episcopado mexicano diante da morte de uma das glórias de sua Igreja:
Após o falecimento do bispo Samuel Ruiz García, a Conferência do Episcopado Mexicano lamentou a notícia e o recordou como um pastor polêmico mesmo que querido pelos fiéis de Chiapas. Em entrevista para Formato 21, o subdiretor de Rádio e Televisão da Arquidiocese, José de Jesús Aguilar, mencionou que Ruiz foi uma figura polêmica, trabalhou constantemente a favor da pobreza, a favor das pessoas de Chiapas.
Recordou que se deixou levar no princípio pela Teologia da Libertação dado que não parte da reflexão teológica, mas que se fundamenta nas necessidades do povo ao ver tanta marginalização em Chiapas, por mais que este modelo tenha se adequado a todos os ensinamentos do magistério da Igreja.
Reconheceu que Samuel Ruiz também foi um sacerdote admirado por pessoas que não pertencem à Igreja católica, precisamente por este risco de viver a fé católica de outra maneira.
Sem comentários.
Tive a sorte de ter entrevistado, em sua época dourada, o Samuel Ruiz. E, nas distanias curtas, era ainda mais adorável. E tão simples e humilde que passava a entrevista pedindo desculpas por seu acento ou por alongar-se muito em alguma resposta. Sempre o lembrarei com aquele halo de profeta que contagiava a Deus e a sua justiça. Desde a glória, roga por nós, bispo Samuel."
(Fonte: Site do IHU - Instituto Humanitas Unisinos)