segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O CAPITAL NO SÉCULO XXI


Para Thomas Piketty, autor de 'O Capital no Século XXI' a Europa está à beira do abismo de uma grave crise política, econômica e financeira. 

O economista autor do influente livro "O capital no século XXI" reflete sobre o auge da extrema direita em seu país. "França e Alemanha demonstraram ser egoisticamente míopes em relação à Espanha e à Itália ao renunciar a compartilhar seus tipos de interesse". "É preciso se acostumar a viver com um crescimento fraco". "A ideia segundo a qual é preciso insistir em secar os orçamentos com base em mais austeridade para curar o doente me parece completamente insensata".

Thomas Piketty (Clichy, Francç, 1971), economista da Paris School of Economics, é especialista no estudo das desigualdades econômicas por uma perspectiva comparada. É autor de "O capital no século XXI", obra que vendeu mais de um milhão de exemplares em todo o mundo e que ao ter sido recentemente editado para espanhol e catalão lhe transformou em um dos economistas mais influentes da atualidade.

A Paris School of Economics, de criação recente, tem sua sede nos locais da École Normal Supérieure (13 prêmios Nobel e 10 medalhas Fields nas costas), no bulevar Jourdan. Não é um dos colossais edifícios do século XIX, de pedra talhada, onde outras instituições como a Sorbonne ou a faculdade de Direito de Panthéon-Assas ainda conservam suas sedes históricas. Trata-se de um conjunto de edifícios relativamente moderno, mas avelhentado. O vinílico desgastado do solo e a cor amarelada de algumas paredes revelam que, se falamos em capital, não é físico, mas sim humano.

Três percevejos da porta do escritório de Piketty seguram uma folha de papel com seu nome. Do quarto só restou a agulha. Seu escritório mede cerca de 15 metros quadrados, 20, se muito, e está cheio de estantes repletas de livros. Não tem assistente pessoal. Não veste terno, nem gravata. Desde o primeiro momento, mostra-se amável, sorridente e natural. Um pouco tímido. Ainda que dê a sensação de não nunca ter quebrado um prato na vida, se expressa sem titubear e com veemência em alguns momentos. Para ler uma excelente e esclarecdora entrevista com Piketty, clique aqui.

 

sábado, 15 de novembro de 2014

TEM ÁGUA NA FONTE


Bíblico


Eugênio Magno



Do barro fez-se

o homem

e o homem

barro se fez.


(Do Livro IN GÊ NU(A) IDA DE - versos e prosa, 2005)

CIDADÃOS DE BEM PEDEM BOM SENSO AOS EXTREMISTAS


Comissão de Anistia avalia pedido de intervenção 
como desconhecimento do passado
A diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Amarílis Tavares, lamentou a ocorrência de manifestações que pedem intervenção militar no país. “Falta conhecimento mais profundo sobre nosso passado autoritário, sobre como os direitos das pessoas, de uma sociedade inteira, foram violados”, avaliou, durante participação em congresso internacional no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), que ocorreu na última semana, com o tema Memória: Alicerce da Justiça de Transição e Direitos Humanos.
A avaliação é referente aos protestos que têm acontecido, especialmente em São Paulo. Além da intervenção militar, os manifestantes pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, reeleita para mais um mandato. Embora considere um equívoco qualquer pedido de retorno ao período autoritário, Amarílis reconhece que esse tipo de expressão ocorre porque o país vive um ambiente democrático.
(Fonte: Agência Brasil)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A FORÇA DO CINEMA NA CASA DE CÁSSIA


Animações, Candeias e a Boca do Lixo, 
Consciência Negra, Olinda e Recife

A programação do cineclube da Casa de Cássia deste sábado, dia 8, exibe às 17 horas, o programa internacional do 11º Dia Internacional da Animação, composto de dez filmes, feitos também conforme diferentes técnicas, provenientes da Estônia, Finlândia, Coreia do Sul, Estados Unidos, Espanha, Rússia, Itália, Polônia, Canadá e Argentina.
A programação prossegue no outro sábado, 15, às 17 horas, com o documentário "Ozualdo Candeias e o Cinema" (2013), dirigido por Eugênio Puppo, sobre o ex-caminhoneiro que se tornou um dos realizadores mais originais do cinema brasileiro. Quem narra o filme é o próprio Candeias, que mostra alguns de seus filmes, como o cultuado "A Margem", de 1967, tendo como pano de fundo a Boca do Lixo paulista, onde teve início, nos anos 1970, o cinema marginal, do qual o cineasta foi o precursor. O curta é "Quimera" (2013), de Tarcísio Lara Pulati, com Andressa Silva e Juraci Júnior, que junta algumas histórias de amor contadas à beira do rio Madeira. 
No dia 22, sábado, às 17 horas, será apresentado o longa "Em Quadro - A História de 4 Negros nas Telas" (2009), de Luiz Antonio Pilar, sobre a participação dos atores Ruth de Souza, Zezé Motta, Léa Garcia e Milton Gonçalves no cinema brasileiro, com destaque para os filmes "Assalto ao Trem Pagador", "Xica da Silva", "Filhas do Vento" e "Rainha Diaba". Com esse filme, o cineclube comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, que transcorre no dia 20. O curta é "Dona Sônia Pediu uma Arma para seu Vizinho Alcides" (2010), de Gabriel Martins, com Rute Jeremias e Delardino Martins. Produzido pela Filmes de Plástico, de Contagem, o filme conta uma história de vingança.  
No dia 29, sábado, às 17 horas, o cineclube apresenta o documentário "Rio Doce/CDU", de Adelina Pontual, que faz uma viagem cinematográfica pelos subúrbios de Olinda e Recife, seguindo o itinerário da linha de ônibus Rio Doce/CDU. O curta é "Julie, Agosto, Setembro" (2011), de Jarleo Barbosa, com Carolina Provázio e Allan Santana. Nele, Julie é uma moça suíça que se muda para Goiânia e que acaba por se transformar em parte da cidade.
Aos domingos, às 17 horas (menos no último domingo do mês), prossegue o projeto Cinepreciosidades, curado pelo escritor e cinéfilo Matheus Matheus, apresentando a cada sessão uma surpresa, entre filmes raros, "cults", "undergrounds" e modernos.
Os filmes são exibidos em sala dotada de projeção e som digital e tela de 70 polegadas. O lugar tem 23 lugares. Os ingressos são distribuídos 30 minutos antes da sessão.
O Cineclube da Casa de Cássia fica na  rua Meyer, 105. Vila Suzana (Reta), em Mateus Leme, M.G.Maiores informações: (31) 3535-1721, 9247-6574 e 9786-4465 ou nos endereços eletrônicos: casaculturamateusleme@gmail.com, www.casadecassia.blogspot.com,

sábado, 1 de novembro de 2014

ENCONTRO DO PAPA COM MOVIMENTOS POPULARES DO MUNDO INTEIRO


Para os movimentos, pastorais sociais e  grupos de trabalho,  o discurso do Papa deve ser  um roteiro de reflexão, mística e ação

Caci Amaral
Coordenadora da Pastoral Fé e Política 
da Arquidiocese de São Paulo
 
Em seu discurso durante o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais e com os líderes de vários movimentos sociais, o Papa Francisco defendeu a Reforma Agrária e fez duras críticas ao modelo do agronegócio.
Ao citar o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Francisco lembrou que "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral".
Disse ainda se preocupar com a erradicação de tantos camponeses que deixam suas terras, “não por guerras ou desastres naturais”, mas pela “apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal”. Para ele, “essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, porque há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção”.
Como conseqüência a essa perversidade, o Papa trouxe a dimensão da fome ao se referir a outra prática recorrente do agronegócio. “Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome".